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Saga Football Manager na gestão esportiva: uma ferramenta tecnológica para monitorar jogadores promissores

Saga Football Manager in sports management: a technological tool to follow promising players

La saga Football Manager en la gestión deportiva: una herramienta tecnológica para monitorear jugadores promisorios

 

Eric Matheus Rocha Lima*

ericmrl@hotmail.com

Ivan Wallan Tertuliano**

ivanwallan@gmail.com

André Luis Aroni***

andre-aroni@hotmail.com

Afonso Antonio Machado*

afonsoa@gmail.com

Carlos Norberto Fischer*

carlos@rc.unesp.br

 

*UNESP, Rio Claro, SP

**UNASP, São Paulo, SP

***DeVry/Metrocamp, Campinas, SP

(Brasil)

 

Recepção: 25/08/2017 - Aceitação: 02/04/2018

1ª Revisão: 15/01/2018 - 2ª Revisão: 30/03/2018

Resumo

    Muitos enxergam o Football Manager como uma ampla base de dados, que pode trazer reais benefícios aos clubes que usufruem dela. Construído por cerca de 1.300 olheiros, o jogo possibilita o acesso a relatórios completos de aproximadamente 300 mil indivíduos Assim, o objetivo desta pesquisa foi verificar o desenvolvimento de jovens atletas em relação às capacidades atual e potencial, utilizando o simulador. Este estudo quantitativo utilizou relatórios de sessenta atletas gerados pelo simulador, das temporadas 2015/2016 e 2019/2020 do futebol europeu e da América do Sul. Os atletas foram separados em dois grupos, um com jovens de 16 a 19 anos, e outro de 20 a 23 anos. Como principais resultados, na capacidade atual da temporada 2019/2020, houve diferença significativa entre os grupos, onde o G2 apresentou melhores resultados. Os resultados nos permitem considerar que o jogo eletrônico pode ser uma importante ferramenta para obter informações sobre atletas, tornando efetiva a comunicação entre gestores e olheiros a fim de prever o rendimento dos atletas no futuro.

    Unitermos: Gestão esportiva. Organização. Tecnologia. Futebol. Football manager.

 

Abstract

    People sighted Football Manager as a comprehensive database that can bring real benefits to clubs. Built by about 1,300 scouts, the game provides access to complete reports of approximately 300 thousand individuals. The aim of this research was to investigate the development of young athletes in relation to current and potential abilities, using the simulator. This quantitative study used sixty reports generated by the simulator, the European and south American soccer season 2015/2016. The athletes were divided in two groups, with young aged 16 to 19 years, and another with 20-23 years. The main results showed the current capacity of the 2019/2020 season, with a significant difference between groups where the G2 showed better results. The results allow us to consider that digital games can be an important tool for information about athletes, making effective communication between managers and scouts in order to predict the performance of athletes on future.

    Keywords: Sports management. Organization. Technology. Soccer. Football manager.

 

Resumen

    Muchos ven el Football Manager como una gran base de datos, que puede aportar beneficios a los clubs que lo utilizan. Hecho por 1300 ojeadores, el juego permite el acceso a datos de casi 300.000 jugadores. Así, el objetivo de esta investigación fue verificar el desarrollo de jugadores jóvenes en relación a la capacidad actual y potencial, utilizando el simulador de las temporadas 2015/2016 y 2019/2020 del fútbol europeo y de Sudamérica. Los jugadores fueron separados en 2 grupos, uno con jóvenes de 16 a 19 años y otro de 20 a 23 años. Como principales resultados, en la capacidad actual de la temporada 2019/2020, ha habido diferencias significativas entre los grupos, donde G2 mostró mejores resultados. Ellos nos permiten considerar al juego electrónico como una importante herramienta para obtener informaciones sobre jugadores, haciendo efectiva la comunicación entre gestores y ojeadores para prever el rendimiento de los jugadores.

    Palabras clave: Gestión deportiva. Organización. Tecnología. Fútbol. Football manager.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 239, Abr. (2018)


 

Introdução

 

    Devido à crescente evolução no setor esportivo e o proporcional interesse de consumidores e nesta vertente, a gestão esportiva, representada por competências dos profissionais responsáveis por organizar os contextos da área, também vem contando com a realização de investimentos (Joaquim, Batista, & Carvalho, 2011).

 

    Neste aspecto, muitos instrumentos estão sendo adquiridos para que as ações sejam cada vez mais conscientes e precisas e, dentro dessa finalidade, inclusive os jogos eletrônicos mostram-se benéficos para possibilitar vantagens aos clubes que conseguem enxergar suas potencialidades (Lima, Silva, Morão, Sena, & Tertuliano, 2016; Lima, Tertuliano, Aroni, Machado, & Fischer, 2017).

 

    Baseando-se nessa perspectiva, o jogo Football Manager (FM) evidencia que contribuições são realmente possíveis. Atualmente, muitos dos envolvidos com o futebol não enxergam o FM como apenas um jogo, mas sim como uma ampla base de dados, que pode trazer reais ganhos aos clubes que usufruem dela (Lima et al., 2016). Construído por cerca de 1300 olheiros distribuídos em 51 países, o jogo, já adquirido pelo Everton – clube de futebol inglês – e a Prozone – empresa de análise de desempenho de atletas e clubes - possibilita acesso a relatórios completos de aproximadamente 300 mil indivíduos (Esteve, 2015; Stuart, 2015), sendo estes: jogadores, técnicos, auxiliares, preparadores físicos, fisioterapeutas e os próprios olheiros.

 

    O referido instrumento realça o poder de intervenção que a tecnologia pode oferecer na atuação dos gestores esportivos na década atual, inclusive por alterar concepções culturais acerca da contratação de atletas, onde tradicionalmente se pensava que apenas assistindo fisicamente as partidas é que se torna possível obter dados fidedignos sobre estes, hoje o cenário sofre mudanças e passa a oferecer novos meios de leitura da realidade, associada a uma maximizada relação do sujeito com o contexto esportivo em que se encontra. 

 

    Acerca deste ponto, as considerações de Zoboli, Correia e Lamar (2016) são mencionadas em caráter complementar, pois consideram que a incorporação de tecnologias, em variadas formas e intensidades, é uma forte característica do mundo contemporâneo e representa um forte meio de relação entre o indivíduo e o mundo.

 

    Considerando que em muitas situações os clubes apresentam dificuldades e restrições financeiras em comparação a outros, a oportunidade de minimizar gastos com observações de atletas é extremamente viável, ainda mais ao possuir uma ferramenta tecnológica acessível como essa, que permite obter informações semelhantes àquelas conquistadas por clubes de maior expressão e gerir efetivamente os recursos disponíveis, fazendo com que as instituições beneficiadas situem-se nas relações possibilitadas e características da realidade contemporânea atual. Todavia deve-se compreender que essa ferramenta deve ser utilizada como um auxiliar ao trabalho dos olheiros, não possibilitando a substituição e, sim, aumentando os recursos de gestão esportiva (Lima et al., 2016).

 

    Em relação a este aspecto, Anderson e Sally (2013) evidenciam o quanto o cenário futebolístico é heterogêneo acerca dos recursos disponíveis de um clube para outro, ao trazer colaborações sobre a Barclays Premier League (BPL) – campeonato inglês -, onde a quantidade de olheiros varia de acordo com o nível das equipes. Segundo os mesmos, os grandes clubes da BPL possuem de 15 a 20 funcionários com funções relacionadas à observação de partidas e atletas, enquanto equipes que normalmente ocupam a metade da tabela contam com uma faixa de 10 a 15 funcionários nessa questão, e na 2ª e também na 3ª divisão, os principais times normalmente contam com 5 ou 6 funcionários, respectivamente. Por conta disso, Ellard (1984) complementa a questão ao reforçar a importância em efetuar adequadamente a gestão dos recursos existentes, sendo isso, fundamental para a eficiência do aspecto organizacional, voltado para o alcance dos objetivos almejados.

 

    Evidenciada a relevância de ações gestoras fundamentadas e eficazes dentro do esporte, é válido salientar que, em toda a variação do imprevisível contexto existente, seja para clubes que busquem títulos, a classificação para competições continentais, ou até mesmo manter-se na divisão em que está situado, o FM pode levar todos estes clubes a patamares superiores de atuação, maximizando a utilização de seus recursos, completando as informações dos indivíduos mais próximos e ampliando o alcance de observação, permitindo ao clube obter uma maior organização em suas análises e buscar jovens promissores em regiões também com alto índice populacional, contudo, mais afastadas.

 

    Justamente sobre essas áreas mais distantes, Kuper e Szymanski (2014) constatam que, quanto maior e mais rica a população de um país for, maior será a suscetibilidade deste para possuir indivíduos talentosos e desenvolver seus respectivos potenciais. Além disso, obtendo um alto volume de informações e ferramentas para filtrá-las e extrair o mais adequado para a realidade vivenciada, os ganhos tendem a ser superiores, com o jogo eletrônico contribuindo diretamente ao cenário, principalmente por conceder informes completos acerca das características, qualidades existentes e do potencial que pode ser atingido pelos atletas investigados.

 

    Sendo assim, o objetivo desta pesquisa foi verificar o desenvolvimento de jovens atletas em relação às capacidades atual e potencial, utilizando o simulador Football Manager 2016. Como objetivo específico, foi analisada a relevância das informações obtidas para maximizar as ações de gestão esportiva por parte dos clubes.

 

Metodologia

 

    Foram utilizados os relatórios de 60 atletas gerados pelo simulador, com idade entre 16 e 23 anos, das temporadas 2015/2016 e 2019/2020. Os mesmos registros foram separados em dois grupos de 30 atletas, por faixa etária: o primeiro é composto por atletas entre 16 e 19 anos; e o segundo conta com atletas entre 20 a 23 anos. A amostra corresponde aos jogadores que atuam no futebol europeu e América do Sul.

 

    Por se tratar de uma pesquisa tecnológica, em que se utilizam os dados fornecidos por um jogo eletrônico, não existiu a necessidade de utilizar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), nem do parecer de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).

 

    Como instrumento, e já mencionado na introdução do estudo, foi utilizado o software Football Manager 2016, desenvolvido pela empresa SEGA. A base de dados do jogo é construída por cerca de 1300 olheiros dispostos em todo o mundo, possibilitando o acesso as informações de 51 ligas e de aproximadamente 300 mil indivíduos (Esteve, 2015). Tais informações podem ser obtidas sem a necessidade de assumir custos para realizar observações. Com esse instrumento é possível captar informações sobre dois aspectos: capacidade atual e capacidade potencial. A capacidade atual refere-se às qualidades que o jogador apresenta na temporada vigente e a capacidade potencial refere-se às qualidades esperadas do jogador nas temporadas futuras, baseando-se nas capacidades passadas e atuais.A quantidade de variáveis apresentadas para avaliação são 36: sendo 14 de aspectos técnicos (ex. cabeceio, chute de longa distância, cruzamento, entre outras); 14 de aspectos psicológicos (ex. agressividade, concentração, liderança, trabalho em equipe) e 8 de aspectos físicos (velocidade, força, resistência). As variáveis são mensuradas com nota que varia de 0 a 10 pontos.

 

    Por meio dessas informações, os chamados olheiros apresentam relatórios com aspectos prós e contra dos jogadores que fazem parte da base de dados do jogo eletrônico.

A coleta dos dados foi realizada em março de 2016 pelo primeiro autor desta pesquisa. Na análise dos dados, os atletas atuantes no futebol europeu e na América do Sul foram divididos em 2 grupos: Grupo 1 (G1) – atletas entre 16 e 19 anos; Grupo 2 (G2) – atletas entre 20 a 23 anos.

 

Resultados

 

    As análises foram conduzidas por meio da pontuação que os “olheiros” atribuem aos atletas, que pode variar de 0 a 10. Dada a natureza intervalar das variáveis dependentes, testes paramétricos foram utilizados, com nível de significância de 0,05.

 

    Para fins de análise intragrupo, foram conduzidas em cada grupo o teste T Pareado. Esse teste envolveu comparações dos resultados obtidos pelo relatório, acerca da nota que os olheiros atribuíram a cada atleta para as temporadas 2015/2016 e 2019/2020, conforme indicado na Tabela 1. Tais períodos foram escolhidos pelos autores por representarem um período de 4 anos e estarem entre os períodos de copa do mundo. As análises seguiram as comparações das capacidades Atual e Potencial da seguinte forma:

  • Capacidade atual da temporada 2015/2016 X Capacidade atual da temporada 2019/2020;

  • Capacidade potencial da temporada 2015/2016 X Capacidade potencial da temporada 2019/2020;

  • Capacidade atual da temporada 2015/2016 X Capacidade potencial da temporada 2015/2016;

  • Capacidade atual da temporada 2019/2020 X Capacidade potencial da temporada 2019/2020.

Tabela 1. Teste T Pareado para análise intragrupo: G1 e G2 (média e desvio padrão), com Capacidade atual (Cap. Atual) e Capacidade Potencial (Cap. Pot.)

Grupo

Variável 1

Variável 2

T

Sig.

G1

Cap. Atual 2015/2016

Cap. Atual 2019/2020

- 5,221

0,000

Cap. Atual 2015/2016

Cap. Pot. 2015/2016

-6,036

0,000

Cap. Pot. 2015/2016

Cap. Pot. 2019/2020

10,880

0,000

Cap. Atual 2019/2020

Cap. Pot. 2019/2020

- 2,510

0,000

G2

Cap. Atual 2015/2016

Cap. Atual 2019/2020

- 3,159

0,004

Cap. Atual 2015/2016

Cap. Pot. 2015/2016

- 10,115

0,000

Cap. Pot. 2015/2016

Cap. Pot. 2019/2020

- 7,675

0,000

Cap. Atual 2019/2020

Cap. Pot. 2019/2020

- 1,439

0,161

Fonte: Os autores

 

    Em termos de comparações entre grupos, foram realizadas análises por meio do teste T Independente. Esse teste envolveu comparações dos resultados obtidos pelo relatório, acerca da nota que os olheiros atribuíram a cada atleta para as temporadas 2015/2016 e 2019/2020, nas capacidades “atual e potencial”. Nessa perspectiva, as análises foram as seguintes:

  • G1 X G2 para capacidade atual da temporada 2015/2016;

  • G1 X G2 para capacidade potencial da temporada 2015/2016;

  • G1 X G2 para capacidade atual da temporada 2019/2020;

  • G1 X G2 para capacidade potencial da temporada 2019/2020.

    Primeiramente são apresentados os resultados relativos a análise intragrupo.

 

    Na comparação intragrupo, com relação ao G1, os grupos apresentam diferenças significativas (p<0,05) em todas as comparações, conforme o teste T pareado apresenta. Concernente as diferenças, os resultados apresentaram os seguintes resultados:

  • a capacidade atual (15/16) é menor que a capacidade atual (19/20), com p = 0,000;

  • a capacidade potencial (15/16) é maior que a capacidade potencial (19/20), com p = 0,000;

  • a capacidade atual (15/16) é menor que a capacidade potencial (15/16), com p = 0,000;

  • a capacidade atual (19/20) é menor que a capacidade potencial (19/20), com p = 0,000.

    Na comparação intragrupo, com relação ao G2, os grupos apresentam diferenças significativas (p<0,05) nas comparações, com exceção da comparação: capacidade atual (2019/2020) X capacidade potencial (2019/2020) que apresentou p=0,161. Concernente as diferenças, os resultados apresentaram os seguintes resultados:

  • a capacidade atual (15/16) é menor que a capacidade atual (19/20), com p = 0,004;

  • a capacidade potencial (15/16) é maior que a capacidade potencial (19/20), com p = 0,000;

  • a capacidade atual (15/16) é menor que a capacidade potencial (15/16), com p = 0,000.

    Em termos de comparações entre grupos, foram realizadas análises por meio do teste T Independente (Tabela 2).

 

Tabela 2. Teste T independente para análise entre grupo (média e desvio padrão)

Variável

G1

G2

F

Sig.

Cap. Atual

2015/2016

2,93 (0,93)

5,20 (1,28)

1,640

0,000

Cap. Atual

2019/2020

3,77 (1,05)

5,83 (1,65)

10,176

0,000

Cap. Potencial

2015/2016

8,40 (1,52)

7,83 (1,37)

0,657

0,141

Cap. Potencial

2019/2020

5,77 (1,12)

5,97 (1,54)

3,597

0,573

Fonte: Os autores

 

    Referente a capacidade atual da temporada 2015/2016, houve diferença significante entre os grupos (p<0,05), conforme mostra o teste T independente (p=0,000). Concernente a diferença entre os grupos, os resultados mostram que o G2 apresentou melhores resultados.

 

    Referente a capacidade potencial da temporada 2015/2016, não houve diferença significante entre os grupos (p>0,05), conforme mostra o teste T independente (p=0,141), ou seja, os grupos apresentam padrões semelhantes de capacidade potencial na temporada 2015/2016.

 

    Referente a capacidade atual da temporada 2019/2020, houve diferença significante entre os grupos (p<0,05), conforme mostra o teste T independente (p=0,000). Concernente a diferença entre os grupos, os resultados mostram que o G2 apresentou melhores resultados.

 

    Referente a capacidade potencial da temporada 2019/2020, não houve diferença significante entre os grupos (p>0,05), conforme mostra o teste T independente (p=0,573), ou seja, os grupos apresentam padrões semelhantes de capacidade potencial na temporada 2019/2020.

 

Discussão

 

    Os objetivos do estudo consistiram em verificar o desenvolvimento de jovens atletas por meio do “Football Manager 2016” e analisar a relevância das informações obtidas para os gestores dos clubes de futebol profissional.

 

    Um primeiro ponto, referente à menor capacidade atual na temporada 2015/2016 em comparação ao valor apresentado na temporada 2019/2020.Em ambos os grupos, justifica-se possivelmente pela participação nos treinamentos e por conta dos minutos disputados nas partidas durante essas cinco temporadas, responsáveis por propiciar o desenvolvimento de suas respectivas capacidades, ocasionando em um nível superior na posição futura em detrimento à posição atual, visto que a idade dos atletas colabora para a acentuação do quadro.Todavia, deve-se considerar essa suposição com cautela, haja vista não termos a real informação futura, já que a ferramenta não leva em consideração possíveis lesões ou problemas psicológicos que possam, no futuro, comprometer o desenvolvimento do atleta.

 

    Considerando este aspecto centrado na faixa etária, Tomkins, Riley e Fulcher (2010) reforçam o argumento ao constatar que, dependendo das posições exercidas em campo, os jogadores de futebol atingem os seus auges a partir dos 27 anos de idade. Baseando-se nisso, e pelo fato da presente amostra ser bastante jovem, alguns chegaram a essa referência e outros estão perto da mesma após a simulação, o que realça a possibilidade de desenvolver-se de modo elevado em baixa idade, e também sugere fortemente aos gestores que invistam em atletas que estejam em fase crescente do aperfeiçoamento de suas próprias capacidades, visando um ótimo rendimento por um longo período e até mesmo considerar uma venda futura cujo lucro seja mais alto.

 

    O segundo aspecto a ser analisado condiz ao fato da capacidade potencial apresentada na temporada 2015/2016 ter se mostrado maior quando relacionada à capacidade potencial demonstrada após cinco temporadas. Este resultado vai de encontro ao anterior, visto que os indivíduos já passaram por boa parte do ápice de seu desenvolvimento e, após o referido período, possuírem menor a lapidar e mais a manter em seus respectivos rendimentos. Contudo, é importante observar este dado de modo a não deixar que o atleta entre em declínio, identificando este período, pois isso pode ocasionar não apenas em uma menor performance, mas também a uma maior suscetibilidade de lesões e a uma possível desvalorização financeira.

 

    Acerca desta constatação, é válido salientar que não há nada pior para um clube e para os seus respectivos gestores do que um atleta velho com um contrato longo vigente, justamente pelos aspectos mencionados acima e por eles se tornarem difíceis de vender (Lewis, 2004). Também é importante saber vender no momento adequado (Pavlović, Milačić, & Ljumović, 2014; Taylor, 1980), como os casos protagonizados pelo atual treinador do Arsenal, Arsène Wenger. O técnico francês vendeu o atacante Thierry Henry, comprado anteriormente por £10,5 milhões, por £16,1 milhões quando o atleta tinha 29 anos; e o volante Patrick Vieira, adquirido por £3,5 milhões, foi vendido por £13,7 milhões quando tinha a mesma idade que Henry (Kuper & Szymanski, 2014; Tomkins et al., 2010).

 

    O terceiro apontamento que merece destaque, refere-se à capacidade atual da temporada 2015/2016 mostrar-se menor do que a capacidade potencial da mesma temporada. Informação procedente, visto que os atletas são jovens e ainda apresentam amplas possibilidades de desenvolver-se, desde que as devidas condições para isso sejam oferecidas, com treinamentos e principalmente desfrutando de minutos nas partidas oficiais, com a realização de empréstimos para clubes de menor expressão podendo ser uma válida opção para os clubes de elite que adquiram jovens promissores.

 

    Justamente sobre este tópico, Tomkins et al. (2010) concedem uma nova sugestão, também enviada para os gestores do esporte, que figuram-se como os principais responsáveis pela contratação de atletas: os autores aconselham que atletas nessa situação – jovens e com alto potencial – tenham as suas contratações priorizadas e, preferencialmente, anteriormente aos seus respectivos destaques no cenário futebolístico, pois assim, é possível acertar sua transferência por um preço mais baixo, seguido por negociações menos complicadas. Estas, são características que facilitam a ação dos gestores, possibilitam um menor desgaste nas relações entre clubes e demandam menor investimento financeiro, além de permitir que o jovem retribua o investimento do clube por meio de boas contribuições para vitórias e títulos em suas atuações, desde que sejam devidamente identificados anteriormente, algo que o FM pode certamente auxiliar.

 

    Em caráter complementar, e dentro desses detalhes a serem observados e priorizados nas ações realizadas no mercado de transferências, torna-se igualmente importante para os responsáveis pela gestão de um clube, que moldem suas decisões de acordo com a realidade em que estão inseridos, estando cientes que precisam aumentar suas forças, mas que principalmente devem reduzir as carências de seus respectivos grupos.

 

    Considerando estas questões, Chelladurai (1995) reforça os argumentos por meio de suas constatações, que consistem no fato destes profissionais precisarem se organizar e coordenar um conjunto de ações, dentro das quais se encaixam: gestão de instalações, organização de eventos, gestão de recursos humanos e a execução de tarefas financeiras, onde contratos e transferências se incluem no cenário. Além disso, e incluindo o item econômico na discussão ao buscar o fortalecimento dos elos fraco e forte da equipe, aperfeiçoar o primeiro se traduz em 13,7 pontos a mais na classificação final, sendo também 30% mais importante no saldo de gols do clube, dados responsáveis por representar que, por mais que se fala do futebol como o jogo esportivo coletivo que é, um erro individual pode causar um elevado prejuízo, assim como uma peça defeituosa dentro de um ônibus espacial pode ocasionar o mesmo (Anderson & Sally, 2013).

 

    Visto que os relatórios oferecidos pelos olheiros do “Football Manager 2016” apresentam informações completas sobre as características – físicas, técnicas e psicológicas -, a capacidade potencial e também uma previsão do valor financeiro dos atletas (Sæbø & Hvattum, 2015), o jogo eletrônico anteriormente mencionado pode ser extremamente útil para que os gestores de uma equipe se antecipem aos de outras e efetuem negociações efetivas, já que jogadores de grande qualidade foram descobertos pela plataforma desenvolvida pela SEGA, o que evidencia a confiabilidade do banco de dados do FM e os benefícios que podem ser alcançados por meio das alternativas psicológicas.

 

    No F.C. Porto – clube de futebol português, José Chieira, olheiro chefe da equipe, viu um jogador atuando na 2ª divisão portuguesa que mostrava muita habilidade e intuição, por mais que não fosse rápido. Este jogador ficou conhecido mundialmente como Deco, atleta luso brasileiro que obteve boas passagens pelo próprio Porto, além de Chelsea – clube de futebol inglês - e F.C. Barcelona, da Espanha (Esteve, 2015).

 

    Além deste, que faz parte da história recente do futebol mundial, houve outro caso, mais recente, cujo atleta ainda está atuando no cenário europeu. O jornalista Lee Hall, trouxe uma afirmação sobre o treinador Alex McLeish, quando este treinava o Rangers, clube escocês. Naquela época, o técnico foi informado pelo seu filho que havia visto no “Football Manager” um atleta talentoso no Barcelona B e que Alex poderia comprá-lo em uma situação real, este, por sua vez, afirmou que nunca havia escutado nada sobre o referido atleta e ignorou o conselho. McLeish poderia ter contratado Lionel Messi, mas não aproveitou a oportunidade (Stuart, 2015).

 

Conclusões

 

    Os resultados permitem concluir que o jogo eletrônico Football Manager pode ser uma importante ferramenta para auxiliar o trabalho dos clubes em obter informações sobre atletas, pois permite o acesso a uma ampla base de dados, sem demasiados custos e com prognósticos confiáveis. Assim, torna efetiva a comunicação entre olheiros e gestores para maximizar as possibilidades de contratar atletas que venham a representar bons investimentos ao clube que realizá-los, considerando que o jogo é alimentado por profissionais do mercado do futebol e, com a comparação entre as capacidades atual e o potencial, pode-se prever o rendimento e a projeção do jogador.Dessa forma, o FM permite que as ações deste venham a ser mais refinadas, contendo menos riscos e maiores probabilidades de êxito (Hatfield, Wrenn, & Bretting, 1987).

 

    Sobre a tecnologia, e o fato do jogo eletrônico estudado representar justamente uma, percebe-se o quanto a evolução desta ferramenta pode contribuir para o cenário futebolístico e para as ações dos gestores, municiando suas ações com um conhecimento rico e objetivo que pode resultar em bons investimentos, na formação de boas equipes e em marcantes conquistas coletivas. Somado a isso, o FM pode contribuir com a contratação de jogadores de qualidade, descobertos por meio do auxílio de um aparato tecnológico, que certamente poderão proporcionar uma eficiente prestação de serviços nesta finalidade.

 

    Por fim, o FM em si, não representa apenas uma boa base de dados para os clubes, mas também consistem em um confronto com pensamentos tradicionais, advindos de uma cultura também convencional, que apenas vê como possível obter informações acerca de atletas por meio da observação, em termos físicos, das partidas. O jogo rompe fronteiras e demonstra que é possível agir e competir de outras formas, sendo essas, inclusive mais vantajosas em alguns aspectos do que os métodos rudimentares utilizados para a contratação de atletas.

Em outras palavras, o FM representa uma ferramenta de suporte aos gestores futebolísticos, com informações que auxiliam na melhor tomada de decisão, enquanto contratação. Entretanto, deve-se levar em consideração a evolução não linear que os atletas apresentam, além das interferências de lesões físicas e psicológicas que os atletas podem sofrer durante o processo, algo que o programa não consegue analisar ou prever. Assim, o FM apresenta-se como uma ferramenta auxiliar ao trabalho de contratação de futuros integrantes da equipe.

 

Referências

 

    Anderson, C., & Sally, D. (2013). Os números do jogo: por que tudo o que você sabe sobre futebol está errado. São Paulo: Paralela.

 

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    Esteve, J. (2015). La partida de Football Manager que acabó en los despachos del Oporto. El Confidencial.Retrieved February 1, 2016, from http://www.elconfidencial.com/tecnologia/2015-07-29/la-partida-de-football-manager-que-acabo-en-los-despachos-del-oporto_946428/

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 239, Abr. (2018)

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