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Psicomotricidade, lúdico e suas relações com o aprendizado na Educação Infantil: compreensões docentes

Psychomotricity, playfulness and their relation with learning in Initial Education: teacher comprehension

Psicomotricidad, lo lúdico y sus relaciones con la enseñanza en la Educación Inicial: la comprensión de los docentes

 

Fellipe Augusto Galerani Scarabel*

fellipe.scarabel@gmail.com

Carlos Pereira de Moraes**

joaocarlos_pmoraes@yahoo.com.br

 

*Licenciado em Educação Física

Faculdade Estácio de Sá de Ourinhos - FAESO

**Professor da Faculdade Estácio de Sá de Ourinhos - FAESO

Doutor em Educação - USP

Mestre em Educação Científica e Tecnológica (UFSC)

Licenciado em Matemática (UENP) e Pedagogia (UEM)

(Brasil)

 

Recepção: 01/02/2018 - Aceitação: 10/10/2018

1ª Revisão: 08/06/2018 - 2ª Revisão: 06/10/2018

 

Resumo

    Esta pesquisa tem como objetivo compreender a partir da visão de professores a importância do lúdico e da psicomotricidade, em relação ao desenvolvimento da aprendizagem na Educação Infantil. Para tanto, realizou entrevistas semiestruturadas com quatro professores que atuam nesse segmento educacional. A análise dos dados foi construída a partir da metodologia de Análise de conteúdo. Como resultado, percebe-se que os profissionais percebem a necessidade de inserção de atividades que visem o desenvolvimento psicomotor do indivíduo e, ainda, sugerem a ludicidade como mecanismo para tal.Considera-se, assim, que lúdico e psicomotricidade na Educação Infantil estão interligados pelos processos de apropriação e conhecimento das crianças do próprio corpo e de si mesmas.

    Unitermos: Psicomotricidade. Lúdico. Educação Infantil. Professor.

 

Abstract

    This research aims to understand from the perspective of teachers the importance of play and psychomotricity in relation to the development of learning in Early Childhood Education. For that, he conducted semi-structured interviews with four teachers who work in this educational segment. Data analysis was based on the Content Analysis methodology. As a result, it is perceived that professionals perceive the need for insertion of activities that aim at the psychomotor development of the individual and also suggest playfulness as a mechanism for such. It is considered, therefore, that playfulness and psychomotricity in Early Childhood Education are interconnected by the processes of appropriation and knowledge of the children of their own bodies and of themselves.

    Keywords: Psychomotricity. Playful. Early Childhood Education. Teacher.

 

Resumen

    Esta investigación tiene como objetivo comprender a partir de la visión de profesores la importancia de lo lúdico y de la psicomotricidad, en relación al desarrollo del aprendizaje en la Educación Inicial. En este sentido, se realizaron entrevistas semiestructuradas con cuatro profesores que actúan en ese segmento educativo. El análisis de los datos fue construido a partir de la metodología de Análisis de contenido. Como resultado, se percibe que los profesionales perciben la necesidad de inserción de actividades que apunten al desarrollo psicomotor del individuo y, además, sugieren la ludicidad como mecanismo para este fin. Se entiende, así, que lo lúdico y la psicomotricidad en la Educación Infantil están interconectados por los procesos de apropiación y conocimiento de los niños del propio cuerpo y de sí mismos.

    Unitermos: Psicomotricidad. Ludicidad. Educación Inicial. Profesor.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 245, Oct. (2018)


 

Introdução

 

    A psicomotricidade consiste num elemento importante no processo de desenvolvimento infantil, uma vez que permite criar espaços e meios do sujeito relacionar-se com o seu próprio corpo e com o meio que vive. Entretanto, muitas vezes, essa é esquecida no processo de aprendizagem e ensino, considerando-as como construção natural da criança. Sendo assim, se o objetivo é formar docentes para a Educação Infantil, tornou-se necessário questionar sobre como se desenvolvem, socializam, aprendem as crianças desta faixa etária.

 

    Associado a isso, ainda, está o abandono do lúdico nesse projeto de docência. Cada dia mais se inicia mais cedo uma educação que inibe o pensar e o viver criativo, imaginativo e lúdico (Rodrigues, & Moraes, 2016). Dito isso, muitas vezes, o lúdico precisa ser resgatado e pensado sobre a ótica docente, potencializando, assim, possíveis caminhos de ação.

 

    Nesse sentido, este trabalho procura analisar as compreensões de docentes da sobre psicomotricidade, lúdico e sua relação para o ensino na Educação Infantil. Desenvolveu-se, portanto, quatro entrevistas semiestruturadas com docentes que atuam nesse nível, sendo as mesmas analisadas pelos pressupostos da análise de conteúdo (Bardin, 1977).

 

    Para chegarmos aos resultados desta proposta, abordaram-se os seguintes tópicos, organizados da consequente maneira: 1) Psicomotricidade; 2) O lúdico na Educação Infantil; 3) A relevância da formação docente, que consistiram de levantamentos teóricos. Em seguida, é apresentada a metodologia utilizada na construção do artigo. Por fim, constrói-se a análise dos resultados junto aos sujeitos de pesquisa.

 

Psicomotricidade

 

    Segundo Galvão (1995), a psicomotricidade, pretende atingir a organização psicomotora da noção do corpo como marco espaço temporal do “eu”. O autor também menciona que a psicomotricidade pode ser vista como a ciência que estabelece a relação do homem com o meio interno e externo.

 

    Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. È sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o cognitivo (Galvão, 1995, p. 10).

 

    Corroborando a isso, Alves (2008) ressalta que a psicomotricidade favorece a aprendizagem quando reconhece que diferentes fatores de ordem física, psíquica e sociocultural atuam em conjunto para que se dê a aprendizagem, proporcionando ao indivíduo a capacidade de ser, ter, aprender a fazer e a fazer.

 

    O momento de melhor desenvolvimento para isso, segundo Fonseca (1988), consiste na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Momento esse que a criança busca experiências em seu próprio corpo, formando conceitos e organizando o esquema corporal. Nesse sentido, a abordagem da psicomotricidade nessa faixa etária irá permitir a compreensão da forma como a criança toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio desse, localizando-se no tempo e no espaço.

 

    Ou seja, quando falamos de lateralidade, psicomotricidade, movimento, observa-se que todos têm o mesmo objetivo, o de transformar-se em comportamento significante através da expressividade em todas as etapas em seu desenvolvimento.

 

    Segundo Gonçalves (2010) é por meio da história psicomotora da criança que ela estabelece ligações interativas com os adultos socializados e também com os objetos, tendo como fio condutor a motricidade. Assim, a capacidade psicológica da criança desenvolve-se por meio das atividades motoras e práticas de relação e interação com o mundo social e com o mundo dos objetos.

 

    Deste modo, a autora considera que o desenvolvimento psicomotor humano é resultado de inúmeras transformações geradas nos indivíduos e no seu entorno, propiciadas a partir da sua inter-relação construídas pelos sujeitos (Gonçalves, 2010). Portanto, o indivíduo se transforma para se ajustar ao meio que vive e, ao mesmo tempo, sofre transformações provocadas pelo movimento, modificando-se e gerando uma representação criadora de sociedade.

 

    Segundo El-Hage (2007), para que estas relações se formem nos indivíduos há a necessidade que alguns esquemas se formem no processo de desenvolvimento global de cada ser humano, dentro os quais pode-se ressaltar: esquema corporal, coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, estrutura espacial, estruturação temporal e ritmo.

  • Esquema Corporal: o corpo é a forma de expressão de todos os indivíduos. A criança percebe-se e percebe o mundo a sua volta em função de seu corpo, e seu desenvolvimento é o resultado da interação deste com as experiências sociais vividas. Assim, o seu corpo é a sua maneira de ser. (El-Hage, 2007). 

    Nesse sentido, Mendes (2001) ressalta que a produção do esquema corporal é um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança, uma vez que reflete o equilíbrio entre as funções psicomotoras e sua maturidade.

  • Coordenação Motora: a tomada de consciência do seu corpo torna-se necessária para que a criança tenha gestos precisos e harmoniosos. Tal processo, ao ser executado, requer uma prefeita harmonia entre os músculos em repouso e os que estão em movimento (El–Hage, 2007). Assim, falhas na coordenação podem acarretar problemas no desenvolvimento futuro da criança.

    A coordenação pode ser dividida em várias partes dentre as quais:

  • Coordenação Motora Global: A coordenação dinâmica global ou geral é considerada como a possibilidade de controle dos movimentos amplos de nosso corpo. Possibilita contrair grupos musculares diferentes de uma forma independente, promovendo a dissociação de movimentos, ou seja, a pessoa realiza múltiplos movimentos ao mesmo tempo, mesmo conservando a unidade do gesto. Ela compreende movimentos com membros inferiores e superiores simultaneamente, como: correr, saltar, arremessar bolas, lançar, levar objetos, marchar, andar, suspender-se, se caracteriza como dinâmica e estática (Mendes, 2001; Gonçalves, 2010; Monteiro, 2007).

  • Coordenação Motora Fina: Capacidade de controlar pequenos músculos para exercícios refinados, normalmente exigidos das mãos, quando realizam gestos de destreza (Mendes, 2001; El-Hage, 2007; Monteiro, 2007).

    Segundo Gonçalves (2010), a coordenação motora fina está presente desde a preensão reflexas dos bebês até a preensão equilibrada do lápis ao escrever. Ela vive uma dimensão operada e experimentada, para ajustar-se até poder ser integrada, conhecida e pensada pelo indivíduo, tornando-se uma ação econômica, precisa e cada vez mais automatizada. Conforme o pesquisador ainda a mão é o instrumento central desse processo, pois é o órgão de maior poder exploratório existente e o grande referencial da espécie humana.

  • Equilíbrio: é a capacidade de manter o equilíbrio motor geral e fino. É a base primordial de toda coordenação geral, assim como de toda ação diferenciada dos membros superiores. (El-Hage, 2007).

    Gonçalves (2010) define equilíbrio como sendo o estado do corpo quando forças diferentes e dirigidas agem sobre ele, de modo que se compensem e se anulem. Do ponto de vista biológico, ele é a possibilidade de manter a postura, as posições e as atitudes, enquanto que na psicomotricidade condiz como a base para o automatismo da movimentação voluntária da criança, seja dinâmica ou estática, tendo como principal aptidão o controle postural e desenvolvimento da marcha. Segundo a autora citada, esse esquema é encontrado em dois estados: estático (capacidade de manter certa postura sobre uma base de sustentação) e dinâmico (orientação controlada do corpo em situação de deslocamento no espaço com os olhos abertos).

  • Lateralidade: A lateralidade é a dominância motora integrada dos dois lados do corpo: direito e esquerdo, ligando-se ao desenvolvimento do esquema corporal.

    Le Boulch (apud Mendes, 2001, p. 7) define lateralidade como:

 

    A tradução de uma predominância motriz levada aos segmentos direitos ou esquerdos e em relação a uma aceleração da maturação dos centros sensitivos motores de um dos hemisférios cerebrais.

 

    Portanto, lateralidade é a preferência que o ser humano tem em utilizar um lado do corpo, em todos os seus segmentos. É o ponto onde se observa a dominância do cérebro e um dos lados, seja o hemisfério direito ou esquerdo, em que o dominante tem maior força muscular, precisão e rapidez (El-Hage, 2001).

  • Estrutura Espacial: É a orientação e a estrutura do mundo exterior. A partir do Eu e da relação com os objetos e/ou pessoas em posição estática ou em movimento, considera-se a estrutura espacial como a consciência da relação do corpo com o meio (Monteiro, 2007).

  • Estruturação Temporal: é a capacidade de situar-se em função da sucessão dos acontecimentos (antes, durante, após); da duração dos intervalos (hora, minuto, aceleração, freada, andar, corrida); renovação cíclica de certos períodos (dias da semana, meses, estações) e do caráter irreversível do tempo (noção de envelhecimento, plantas e pessoas). A noção do tempo está intimamente ligada à noção de espaço e para sua compreensão é fundamental a ação da memória, que desempenha papel importantíssimo (Mendes, 2001; Gonçalves, 2010).

  • Ritmo: é um dos conceitos mais importantes da orientação temporal. Este envolve tanto a noção temporal quanto a espacial, as quais originam o movimento que é o meio de sua expressão. (El-Hage, 2007).

    Para Mendes (2001), o ritmo é a força criadora que está presente em todas as atividades humanas e se manifesta em todos os fenômenos da natureza. Ele consiste no fluir, ou seja, aquilo tudo que está em constante movimento. Desta forma, a atividade rítmica desempenha um papel fundamental na edificação intelectual e na maturação da atividade motora sincronizada. Sabe-se que uma sucessão de movimentos rítmicos é mais fácil de ser executada e ocasiona menos fadiga que a sucessão dos mesmos movimentos sem ritmo. É necessário que a criança tenha consciência intuitiva do ritmo para se valer e apoiar-se nele.

O lúdico na Educação Infantil

 

    Na educação infantil, a psicomotricidade é desenvolvida, na maioria das vezes,por meio da ludicidade. Segundo Luckesi (2000, p. 35) o lúdico tem sua origem na palavra latina “ludus” que quer dizer “jogo”. Caso confinássemos à sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo.Porém, com o passar do tempo e após muitos estudos sobre a sua importância no desenvolvimento da aprendizagem, seu significado não ficou restrito apenas ao jogar, ao brincar sem objetivos educacionais, passando a ser considerado essencial, principalmente em atividades escolares.

 

    A ludicidade pode trazer ao aprendizado uma conotação mágica, de fantasia, de encantamento, que atrai e permite que aflore a criatividade da criança. Para a criança é muito mais prazeroso aprender através de jogos e brincadeiras, sendo que dessa forma ela está inserida em seu ambiente, pois antes de frequentar a escola sua realidade é relacionada de atividades e brincadeiras que levam ao aprendizado de forma natural (Huizinga, 2004).

 

    Para Vygotski (1984), o brincar permite, ainda, aprender a lidar com as emoções. Assim, a criança equilibra as tensões provenientes de seu mundo cultural, construindo sua individualidade, sua marca pessoal e sua personalidade. Mas, é Piaget que nos esclarece o brincar, implica uma dimensão evolutiva com as crianças de diferentes idades, apresentando características específicas, apresentando formas diferenciadas de brincar. As atividades lúdicas têm o poder sobre a criança de facilitar tanto o progresso de sua personalidade integral, como o progresso de cada uma de suas funções psicológicas, intelectuais e morais.

 

    Ela também espelha a sua experiência, modificando a realidade de acordo com seus gostos e interesses (Huizinga, 2004). Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória e a imaginação. Para as crianças exercerem sua capacidade de criar é imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas.

 

    Ao ingressar na escola, a criança sofre um considerável impacto físico-mental, pois, até então, sua vida era dedicada aos brinquedos e ao ambiente familiar. Através da ludicidade, podemos devolver à criança a liberdade de brincar, de ser criativa, mas isso supõe olhar a educação de outro modo, isto é, fugir do formal e arriscar-nos na escolha de outros caminhos, nos quais o medo de errar seja substituído pelo prazer e a alegria de criar (Luckesi, 2000). O processo de ensino e aprendizagem só será prazeroso quando compreendermos melhor nossas crianças e entendendo seu modo de pensar.

 

A relevância da formação docente

 

    No processo da formação do professor de Educação Física na atuação com a Educação Infantil, o papel do professor é de suma importância, pois é ele quem cria os espaços, disponibiliza materiais, participa das brincadeiras, ou seja, faz a mediação da construção do conhecimento. A desvalorização do movimento natural e espontâneo da criança em favor do conhecimento estruturado e formalizado ignora as dimensões educativas da brincadeira e do jogo como forma rica em estimular a atividade construtiva da criança (Lemos, 1992).

 

    Segundo Lemos,

    Brincar não tem somente valor recreativo. Os jogos a brincadeiras refletem e transmitem os valores básicos de uma sociedade, o modo de sobrevivência prevalecente e sua estrutura. O próprio ato de brincar ajuda a transmitir as crianças às atitudes requeridas pelas normas culturais dominantes. (Lemos, 1992, p.415).

    O jogo, compreendido sob a ótica do brinquedo e da criatividade, deverá encontrar maior espaço para ser entendido como educação, na medida em que os professores compreenderem melhor toda sua capacidade potencial de construir para com o desenvolvimento da criança. Segundo Negrine (1994), é fundamental que os professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural, para formular sua proposta pedagógica, pois a criança traz toda uma história construída a partir de suas vivências, assimiladas à atividade lúdica.

 

    Entende-se, a partir dos princípios expostos, que o professor deverá contemplar a brincadeira como princípio norteador das atividades didático-pedagógicas, possibilitando que às manifestações corporais encontrem seu significado pela ludicidade, presente na relação que as crianças mantêm com o mundo (Lemos, 1992). Porém, essa perspectiva não é tão fácil de ser adotada na prática. Podemos nos perguntar: como colocar em prática uma proposta de educação infantil em que as crianças desenvolvam, construam ou adquiram conhecimentos e se tornem autônomas e cooperativas? Como os professores favorecerão a construção de conhecimentos se não forem desafiados a construírem os seus?

 

    O caminho que parece possível implica pensar a formação permanente dos profissionais que nela atuam. É preciso que os profissionais de Educação Infantil tenham acesso ao conhecimento produzido na área, e da cultura em geral, para repensarem sua prática, se reconstruírem enquanto cidadãos e atuarem enquanto sujeitos da produção de conhecimento (Negrine, 1994). Para que possam mais do que “implantar” currículos ou aplicar propostas à realidade da pré-escola em que atuam, efetivamente participar da sua concepção, construção e consolidação.

 

    Assim, na Idade Infantil, percebe-se que por meio de atividades lúdicas, o educando explora muito mais sua criatividade, melhora sua conduta no processo de ensino-aprendizagem e sua autoestima. O indivíduo criativo é um elemento importante para o funcionamento efetivo da sociedade, pois é ele quem faz descoberta, inventa e promove mudanças (Negrine, 1994).

 

Materiais e métodos

 

Sujeitos

 

    Foram entrevistados professores, atuantes na educação infantil, anos iniciais do Ensino Fundamental da rede particular, da cidade de Jacarezinho, no Estado do Paraná, sendo:

  • P.1 – Professora do jardim II, formada a 4 anos, atuante na educação infantil a 2 anos;

  • P.2 – Professora do jardim III, formada a 5 anos, atuante na educação infantil a 8 anos;

  • P.3 – Professor de Educação Física, formado a 1 ano, atuante na educação infantil a 1 ano;

  • P.4 – Professora de Espanhol, formada a 1 ano, atuante na educação infantil a 1 ano.

Instrumentos

 

    Para o desenvolvimento dessa pesquisa, utilizou-se como instrumento uma entrevista semiestruturada formada por questões que guiaram a entrevista e possibilitam que alguns pontos sejam aprofundados.A entrevista foi transcrita e, posteriormente, analisada a partir da fundamentação teórica. 

 

Procedimentos

 

    Para organização do trabalho, primeiramente selecionou-se os sujeitos de pesquisa, utilizando como critério de escolha os profissionais com vinculação na Educação Infantil. Em seguida, fora entregue aos mesmos os Termos de Esclarecimento Livre e Consentimento (TLEC). Recolhidos os termos, o pesquisador marcou as datas das entrevistas.

 

    No dia de ocorrência das entrevistas, o pesquisador apresentou o objetivo do estudo e, posteriormente, apresentou as questões ao sujeito participante. As respostas dadas, além de gravadas, foram frutos de anotações do pesquisador.

 

Análise dos dados

 

    A pesquisa utilizou-se como método de pesquisa a análise de conteúdo elaborada por Bardin (1977). Tal proposta passa por três fases: pré-análise, que consiste na organização e sistematização das ideias iniciais que guiará as operações seguintes; exploração do material, onde é uma fase que, tendo as operações da pré-análise, estrutura-se o material coletado; e tratamento dos resultados, inferência e interpretação, em que “os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos e válidos” (Bardin, 1977, p. 101).

 

Resultados e discussões

 

    Para análise foram estipulados três grupos de interesse1: “Psicomotricidade e desenvolvimento”, “Psicomotricidade e Lúdico”, “Psicomotricidade e Atividade Física”. Os mesmos foram serviram de base para a observação e compreensão das entrevistas.

 

Grupo 1: Psicomotricidade e Desenvolvimento

 

    Referentes a esse grupo, encontrou-se as seguintes falas2:

 

É fundamental na formação e estruturação do esquema corporal e incentiva a pratica dos movimentos na vida de uma criança [...]. (P3)

Tem a coordenação, lateralidade. Passar no bambolê, pé direito, pé esquerdo, equilíbrio, passar pela corda, encima de uma corda, entre outras. [...] O desenvolvimento da psicomotricidade é de suma importância, por que é a partir dali que a criança começa tudo. Ela tem que aprender tanto seus aspectos motores, físicos, mental, psicológico, então é ali que começa, na base, então seria indispensável aprender a psicomotricidade nessa fase.(P1)

 

    Tanto P3 e P1 consideram a psicomotricidade como base do desenvolvimento. Esta seria a estrutura/início para um crescimento motor e cognitivo. Tais perspectivas corroboram ao pensamento de Fonseca (2004), que ressalta que o “indivíduo não é feito de uma só vez, mas se constrói, através da interação com o meio e de suas próprias realizações” (Fonseca, 2004, p.19). Diante desta visão, podemos entender que a psicomotricidade desempenha papel fundamental no desenvolvimento dos sujeitos, pois se torna um suporte que ajuda a criança a adquirir o conhecimento de mundo que a rodeia através de seu corpo, de suas percepções e sensações.

 

Grupo 2: Psicomotricidade e Lúdico

 

    Referentes a esse grupo, encontrou-se as seguintes falas:

 

É muito importante, pois desperta no aluno a vontade de criar, de se demonstrar sentimentos, e acima de tudo auxilia na formação corporal e psicológica da criança. [...] O resultado das brincadeiras nas aulas de Educação Física traz que eles criam mais, se soltam mais nas atividades, tem maior coordenação na hora de fazer um desenho e/ou também uma pintura. Tudo muda quando a psicomotricidade está presente no plano do professor. (P2)

Nos jogos, brincadeiras, músicas, cantigas de roda, teatro com mímicas. (P3)

 

    Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Os principais elementos lúdicos ressaltados por esses professores, principalmente P2, são o de criação, demonstração de sentimentos, estarem mais soltas, etc.Junto a isso, P3 ressalta uma lista de atividades consonantes com a perspectiva lúdica, jogos, brincadeiras, músicas, cantigas de roda, teatro com mímicas. Deste modo, percebe-se que a psicomotricidade e o lúdico se entrelaçam-se a partir da mediação e aproximação do sujeito com o seu próprio corpo (Rodrigues; Moraes, 2016), criando boas atitudes em relação a si mesmo e aos outros.

 

Grupo 3: Psicomotricidade e Atividade Física

 

No Jardim II e III, são trabalhados varias atividades para o desenvolvimento dos mesmos, como derrubando cones, trabalha habilidades, lateralidade, velocidade, coordenação motora, percepção visual e regras. São utilizados de 20 a 30 cones, as quais são espalhados pela quadra, o procedimento é derrubar os cones com as mãos, atividades realizadas em grupos onde um grupo derruba os cones e o outro grupo levanta os mesmos. (P4)

 

    A professora P4 associou o lúdico à atividade física, não havendo em sua fala um olhar para questões lúdicas.Nesse sentido, a educadora percebe a educação psicomotora como uma técnica, que através de exercícios e jogos adequados a cada faixa etária leva a criança ao desenvolvimento. Entretanto, conforme Negrine (1994), a psicomotricidade deve ser vista como uma atitude relacionada ao corpo, respeitando as diferenças individuais (o ser é único, diferenciado e especial) e levando a autonomia do indivíduo como lugar de percepção, expressão e criação em todo seu potencial. Tal perspectiva condiz com o desenvolvimento integral do sujeito, algo que, somente com a atividade física, não seria possível.

 

Conclusões

 

    Durante a pesquisa, foram analisados conceitos sobre o lúdico na educação infantil, com um olhar sobre a função das práticas educativas da criança, o qual podemos discernir a importância do relato de um professor ao se tratar de seu aluno. A partir desse contexto abordado, colocamos que, o desenvolvimento da psicomotricidade é de suma importância para a educação infantil.

 

    Portanto, a pesquisa traz que o desenvolvimento da psicomotricidade através do lúdico existe faz muito tempo na aprendizagem, porém vem se elevando cada vez mais, diante fatores que comprovam o resultado na aprendizagem, aprender brincando proporciona uma realidade na educação infantil.

 

    Assim, através dessa pesquisa observamos e compreendemos os objetivos e conceitos de psicomotricidade e lúdico no desenvolvimento infantil, entendendo um pouco a relação entre o corpo e a mente e identificando como estes contribuem para a aprendizagem e desenvolvimento infantil.

 

Notas

  1. Os grupos/categorias foram, como sugere a metodologia de Análise de Conteúdo, criados antes da análise, a partir dos referenciais teóricos.

  2. Os grifos em todas as falas pertencem aos pesquisadores. Algumas falas, ainda, possuem indícios de outras categorias, mas, por questões didáticas da pesquisa, preferiu-se atribuir a fala ao grupo com maior evidência.

Referências

 

    Alves, F. (2008). Psicomotricidade: Corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wa.

 

    Bardin, L. (1977). Análise de Conteúdo. Tradução Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70. Tradução de: L'analyse de contenu.

 

    El-Hage, S. F. (2007). A paralisia cerebral e as contribuições da psicomotricidade. Universidade Candido Mendes. Instituto a Vez do Mestre. Rio de Janeiro, RJ.

 

    Fonseca, V. da (1988). Da filogênese à ontogênese da motricidade. Porto Alegre: Artes Médicas.

 

    Fonseca, V. da (2004). Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares. Porto Alegre: Artmed.

 

    Galvão, I. (1995). Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis: Vozes.

 

    Gonçalves, F. (2010). Do andar ao escrever: um caminho psicomotor. Cultural RBL editora LTDA. São Paulo, SP.

 

    Huizinga, J. (2004). Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Editora da Universidade de S. Paulo, Editora Perspectiva.

 

    Lemos, F. (1992). Brincar é coisa séria - vida e saúde. São Paulo: Shape.

 

    Luckesi, C. C. (2000). Educação, ludicidade e prevenção das neuroses futuras: uma proposta pedagógica a partir da Biossíntese. Salvador: Gepel.

 

    Mendes, M. R. P. (2001). Avaliação Psicomotora em crianças com lesão cerebral: uma abordagem fisioterapêutica. Dissertação de mestrado da Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação. Campinas, SP.

 

    Monteiro, V. A. (2007). A psicomotricidade nas aulas de educação física escolar: uma ferramenta de auxilio na aprendizagem. Lecturas: Educación Física y Deportes, Revista digital, ano 12, nº 114, Nov., Buenos Aires. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd114/a-psicomotricidade-nas-aulas-de-educacao-fisica-escolar.htm

 

    Negrine, A. (1994). Aprendizagem e desenvolvimento infantil – Perspectiva psicopedagógicas. Porto Alegre: Ed. Prodil.

 

    Rodrigues, A. T. R., Moraes, J. C. P. de (2016). O possível papel de uma educação do movimento na educação infantil: um olhar sobre a psicomotricidade a partir do documento brinquedos e brincadeiras de creches. Ciência & Desenvolvimento, Revista Eletrônica da FAINOR, v. 9, n. 1.

 

    Vygostski, L. V. (1984). A formação social da mente (6ª ed.). São Paulo: Martins Fontes.


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 245, Oct. (2018)

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