Volver a los detalles del artículo Propuestas pedagógicas adoptadas en las clases de natación en los municipios de Jaraguá do Sul y Joinville


Propostas pedagógicas adotadas nas aulas de natação nos municípios de Jaraguá do Sul e Joinville

Pedagogical proposals adopted in swimming classes in the municipalities of Jaragua do Sul and Joinville

Propuestas pedagógicas adoptadas en las clases natación en los municipios de Jaraguá do Sul y Joinville

 

Ana Clara Ceconello*

aceconello1@gmail.com

Patricia Esther Fendrich Magri**

pef.magri@gmail.com

 

*Bacharel em Educação Física

Universidade da Região de Joinville - Univille, SC

Atua no ensino da Natação

**Graduada em Educação Física pela Fundação Universidade Regional de Blumenau

Mestrado em Educação e Cultura pela Universidade do Estado de Santa Catarina

Doutoranda em Saúde e Meio Ambiente pela Universidade da Região de Joinville

Atualmente é professora titular da Universidade da Região de Joinville

e da Associação Educacional Luterana Bom Jesus Ielusc

Coordenadora do Projeto de Extensão Natação na Escola: Saúde e Educação

(Brasil)

 

Recepção: 17/04/2018 - Aceitação: 25/04/2019

1ª Revisão: 22/11//2018 - 2ª Revisão: 14/04/2019

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

 

Resumo

    A natação tem mostrado avanços na área de Educação Física e cada vez mais indivíduos estão buscando sua prática com objetivos diferentes. A natação é dinâmica, extensa e possui inúmeras possibilidades no ensino e prescrição de exercícios físicos. O objetivo deste trabalho foi verificar as propostas pedagógicas adotadas nas aulas de natação nas academias dos municípios de Jaraguá do Sul e Joinville, bem como correlacionar os resultados com a bibliografia existente. Tratou-se de um estudo de campo, descritivo, cujo instrumento utilizado foi um questionário com questões fechadas sobre as propostas pedagógicas, metodologias utilizadas, diagnóstico e avaliação inicial, critérios de avaliação utilizados para a definição de níveis, entre outros. Participaram do estudo 9 coordenadores e 37 professores que atuam em academias/escolas de natação nas cidades de Jaraguá do Sul e Joinville. Os dados foram analisados ​​por meio de estatística descritiva simples (frequência e porcentagem). Os resultados sugerem que os professores seguem propostas pedagógicas que vêm ao encontro do que a literatura sugere. A maioria (87%) indica que os níveis de habilidade definem o conteúdo a ser proposto. Concluiu-se que os níveis de habilidade, avaliação e conteúdos são indicativos para a definição da seqüência pedagógica.

    Unitermos: Natação. Conteúdo. Metodologia. Educação Física.

 

Abstract

    Swimming has shown advances in the area of ​​Physical Education and more and more individuals are seeking their practice with different goals. Swimming is dynamic, extensive and has many possibilities in teaching and prescribing physical exercises. The objective of this study was to verify the pedagogical proposals adopted in swimming classes in the municipalities of Jaraguá do Sul and Joinville, as well as to correlate the results with the existing bibliography. This was a descriptive field study, whose instrument used was a questionnaire with closed questions about pedagogical proposals, methodologies used, diagnosis and initial evaluation, evaluation criteria used to define levels, among others. The study was attended by 9 coordinators and 37 teachers who work in swimming academies / schools in the cities of Jaragua do Sul and Joinville. Data were analyzed using simple descriptive statistics (frequency and percentage). The results suggest that teachers follow pedagogical proposals that are in line with what literature suggests. Most (87%) indicate that skill levels define the content to be proposed. It was concluded that the levels of ability, evaluation and contents are indicative for the definition of the pedagogical sequence.

    Keywords: Swimming. Content. Methodology. Physical Education.

 

Resumen

    La natación viene avanzando en el área de la Educación Física y cada vez más personas buscan su práctica con diferentes objetivos. La natación es dinámica, amplía y presenta innumerables posibilidades en la forma de enseñar y prescribir ejercicios físicos. El objetivo de este trabajo fue verificar las propuestas pedagógicas adoptadas en las clases de natación en las escuelas de natación de los municipios de Jaraguá do Sul y Joinville, así como correlacionar los resultados con la bibliografía existente. Se trata de un estudio de campo, descriptivo. El instrumento utilizado fue un cuestionario con preguntas cerradas sobre las propuestas pedagógicas, metodologías utilizadas, evaluación diagnóstica e inicial, criterios de evaluación utilizados para la definición de niveles, entre otros. Participaron del estudio 9 coordinadores y 37 profesores que intervienen en gimnasios y escuelas de natación en las ciudades de Jaraguá do Sul y Joinville. Los datos fueron analizados por medio de estadística descriptiva simple (frecuencia y porcentual). Los resultados apuntan que los profesores plantean pedagogías que están vinculadas con lo que sugiere la literatura. La mayoría (87%) indica que los niveles de habilidades definen los contenidos que se proponen. Se concluyó que los niveles de habilidades, valoraciones y contenidos son los indicados para la definición de la secuencia pedagógica.

    Unitermos: Natación. Contenido. Metodología. Educación Física.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 252, May. (2019)


 

Introdução

 

    Ao longo dos anos os processos de ensino da natação vem sendo alvo de discussões e divergência quanto aos métodos de ensino mais adequados. (Esteves, 2018)

 

    A autora ainda relata que a sobrevivência no meio aquático leva muitos pais a colocarem seus filhos em aulas de natação, pois a prática organizada da natação visa capacitar a criança a melhorar seu desenvolvimento e garantir a interação das crianças e trabalha a sobrevivência no meio aquático. O processo de ensino da natação comporta várias etapas, porém a Adaptação ao Meio Aquático é indispensável. (Esteves, 2018)

 

    Contudo Caetano, e Gonzalez (2017) relatam que por muito tempo a etapa adaptação ao meio líquido era desconhecida, processo de aprendizagem essencial, onde o indivíduo conhece o meio líquido, ambiente este bastante diferenciado e importante. (Caetano, e Gonzalez, 2017)

 

    Pečaver et al. (2018) relata que há várias razões em favor de ensinar a nadar e entre as crianças aprender a nadar o quanto antes possível podendo evitar afogamentos.

 

    Além disso, o meio aquático cria sensações novas, modifica o equilíbrio e possibilita a experimentação de novas e próprias capacidades motoras (Krug, e Magri, 2012). Assim, é importante o cuidado do profissional ao realizar o planejamento, a correção e sequência pedagógica, cujas bases, são obtidas fundamentalmente através do ensino universitário.

 

    Pela razão das muitas diferentes possibilidades de metodologias e falta de embasamento teórico fez com que muitos professores desenvolvessem seus próprios métodos de ensino para tornarem suas aulas mais produtivas. “Com a evolução da modalidade e dos estilos houve a necessidade de desenvolver uma sequência pedagógica, na qual estivesse inserida uma ordem de ensino progressivo” (Lima, e Alburquerque, 2016).

 

    A sequência pedagógica é composta por conteúdos pré-determinados para a aprendizagem dos quatro estilos da natação, mas aspectos como etapa de desenvolvimento da habilidade, faixa etária do aluno, interesses e possibilidades físicas não são considerados, tornando assim a aprendizagem da natação monótona, portanto o foco do ensino passe a ser o processo do aprender a nadar e não o seu produto, qual seja, o domínio mecânico dos estilos de nado. (Vasques, 2017)

 

    Os professores possuem sua didática e método de ensino, uns tendem a ensinar as técnicas de natação a partir de suas experiências, enquanto outros buscam aprofundar na parte literária. Portanto muitas vezes fica difícil padronizar o ensino do nado devido a diversidade de nomenclaturas e técnicas aplicadas. (Oliveira, e Silva, 2015)

 

    Para tal é essencial que a formação inicial dos profissionais da Natação, aborde as necessidades de estrutura pedagógica para que se obtenham os resultados esperados. Convém que o planejamento seja estruturado para dar aulas de natação criativas e assertivas, focadas nos objetivos dos alunos; no uso equilibrado de materiais, instrumentos, e em abordagens que atendam adequadamente o processo ensino-aprendizagem, aspectos fisiológicos, biomecânicos e psicológicos, ou seja, as individualidades dos aprendizes.

 

    O professor de natação deve planejar suas aulas de acordo com os objetivos dos praticantes, desde o ensino da habilidade motora do nadar, até o treinamento para saúde ou performance esportiva. Sendo assim, para ensinar natação, o profissional necessita avaliar, entre outras coisas, o nível de maturidade dos alunos, o que tem alta relevância para a assimilação dos exercícios.

 

    Além do planejamento o professor deve saber explicar os exercícios de forma clara e saber demonstrar, pois é a soma do conhecimento teórico e prático daquilo que se vai ensinar de forma adequada. (Hueycha Allcca et al., 2017)

 

    Pečaver et al. (2018) relata que para manter sentimentos positivos, durante o exercício e depois, o professor deve ter conhecimentos de técnica de natação e boas habilidades demonstrativas, além de dominar métodos adequados de ensino de natação, que para crianças deverão ser baseados na ludicidade.

 

    A natação é um exercício físico completo e com inúmeros benefícios. Para conhecer melhor como os profissionais atuam e o que orienta a sua atuação, o objetivo deste estudo foi verificar as propostas pedagógicas adotadas nas aulas de natação nas academias dos municípios de Jaraguá do Sul e Joinville, bem como correlacionar os resultados com a bibliografia existente.

 

    Objetivando conhecer detalhes da atuação de profissionais da natação, na prática, foi realizada investigação, por meio da aplicação de dois questionários (para profissionais e para coordenadores), visando obter dados sobre aspectos das propostas pedagógicas, estabelecidas nas principais academias de natação dos Municípios de Jaraguá do Sul e Joinville.

 

Métodos

 

    Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos e teve parecer favorável sob Nº 1.830.345 conforme preconiza a Resolução 466/12 do CNS.

 

    Os procedimentos metodológicos da pesquisa foram de cunho teórico-bibliográfico e de campo. O instrumento de pesquisa adotado, foi um questionário adaptado do FOPRONAT- Formação de Professores em Natação (Magri, 2002). O questionário FOPRONAT, investiga questões pedagógicas relacionadas a fase inicial do processo ensino aprendizagem da natação, e por isso optou-se por adaptá-lo para expandir a possibilidade de coleta de dados para as diferentes fases do ensino, aprendizagem e prática da natação.

 

    Essa adaptação permitiu identificar como o professor planeja as suas aulas, independente da fase do ensino, e o que orienta a elaboração desses planejamentos, incluindo objetivos, conteúdos, metodologias e avaliação. O instrumento utilizado foi diferenciado para coordenadores e professores, em especial na forma de abordar as questões, mas não no conteúdo a ser investigado.

 

    A pesquisa foi aplicada em 12 academias, abrangendo um universo de academias que oferecem aulas de natação em Joinville e Jaraguá do Sul, estado de Santa Catarina, Brasil. Antes de realizar a aplicação dos questionários foi conversado com cada responsável pelas academias/escolas de natação nos Municípios de Jaraguá do Sul e Joinville. A partir da aprovação foram realizados os contatos com os professores e coordenadores para agendar a entrega dos questionários.

 

    Coordenadores e professores de natação que concordaram em participar do estudo, assinaram o TCLE e na sequência receberam e responderam o questionário.

 

    A tabulação levou em consideração a atribuição dos respondentes: coordenadores e professores de natação. Através do mapeamento por quadros e/ou figuras a partir de gráficos, foram evidenciados os destaques e/ou as informações, para cada uma das questões pesquisadas. Destaca-se que por vezes não ocorreu a resposta de algum profissional e/ou coordenador para alguma questão, o que foi informado como “Sem”, significando sem informações”. Considerando que algumas questões permitiam a escolha de mais de uma alternativa, optou-se por especificar nas tabelas, nesses casos, “N” representando o número total de respondentes e “R”, como o número real de respostas.

 

    Foram entregues 50 questionários para professores. Considerando que, verbalmente a maioria expressou apreço e interesse, a devolução do questionário respondido, não seguiu a mesma proporção, o que consideramos como uma dificuldade no processo. Foram assim, obtidos 37 questionários respondidos, ainda que alguns parcialmente. Já em relação aos coordenadores foram entregues 10 questionários e 09 voltaram respondidos.

 

    As facilidades que se destacam no processo, é que todas as academias/escolas foram acessíveis em relação a oportunizar a aplicação da pesquisa, e que alguns coordenadores e professores, consideraram o projeto muito interessante e manifestaram interesse em conhecer os resultados.

 

Resultados

 

    Os dados obtidos estão apresentados, analisados e discutidos a partir da literatura e seguem abaixo por meio de quadros, figuras ou gráficos.

 

Objetivos mais comuns dos praticantes da natação

 

    A primeira questão que está evidenciada, são os objetivos mais comuns dos praticantes.

 

Quadro 1. Objetivos mais comuns dos praticantes na percepção dos professores

Objetivos mais comuns

N

Mais comuns

Intermediários

Menos Comuns

R

%

R

%

R

%

Aprender a Nadar

36

34

94

1

3

1

3

Melhorar a saúde

37

21

57

15

40

1

3

Adquirir segurança na água

36

17

47

17

47

2

6

Desenvolver Habilidades Físico-motoras

37

17

46

16

43

4

11

Condicionar físicamente

37

17

46

17

46

3

8

Praticar como Lazer

36

16

44

18

50

2

6

Competir

36

5

14

8

22

23

64

Interagir socialmente

37

10

27

10

27

17

46

Recuperar lesões

37

8

22

17

46

12

32

Superar fobias

37

8

22

18

48

11

30

 

    De acordo com o quadro 1, percebe-se que os objetivos mais comuns, que levam os alunos a procurarem a natação, de acordo com os professores são: Aprender a nadar (94%); melhorar a saúde (57%); desenvolver habilidades físico-motoras (46%). Os objetivos intermediários são: praticar como lazer (50%); superar fobias (48%); recuperar lesões (46%). Os objetivos menos comuns foram: competir (64%) e interagir socialmente (46%). Adquirir segurança na água (47%) e condicionar fisicamente (46%) com igual percentual em objetivos mais comuns e intermediários.

 

    A pesquisa demonstra que Aprender a Nadar é o fator que mais motiva os praticantes para as aulas de natação, o que não descarta o pensamento de Magri (2002) que aponta para prática da natação associada a múltiplos objetivos educacionais, como: lazer, segurança, desempenho esportivo, saúde ou reabilitação. Considera-se que para cada um dos objetivos citados pela autora, é necessário primeiro aprender a nadar.

 

Proposta pedagógica por níveis de habilidades

 

    Esta questão visa saber se são adotados níveis de habilidades, como são definidos e quais critérios são adotados para identificação desses níveis.

 

Gráfico 1. Consideração de Níveis para definição de turmas

 

    De acordo com o gráfico1 nota-se que 87% dos respondentes consideram os níveis de habilidades para definição de turmas, enquanto 8% não considera e 5% não citou nenhuma informação.

 

Gráfico 2. Critérios considerados para definir os níveis 

 

    De acordo com o gráfico 2 os critérios considerados para definir os níveis de habilidades mais importantes são: Desenvolvimento Motor (26%) e Habilidade/conhecimento (21%). Os demais critérios foram bastante variados, o que demonstra não haver uma unidade em relação a esses critérios.

 

Gráfico 3. Critérios e instrumentos utilizados pelos professores para troca de níveis de habilidades

 

    De acordo com o gráfico 3 os critérios e instrumentos utilizados para troca de níveis de habilidades são: Troca de nível de acordo com a idade (23%); Utilização de Fichas de avaliação (20%); Habilidades Técnicas (15%); Cumprimento de Objetivos (13%); Tomadas de Tempo (8%); Sistema de avaliação (5%). No item Maturidade (8%) e Outros (8%) se consideram as respostas: desenvoltura, atingir pontuação máxima e cronograma. Podemos ainda considerar que a divisão de troca de nível por idade é realizada para diferenciar os alunos em relação ao aspecto maturacional, pedagógico e psicológico.

 

Critérios de Avaliação dos praticantes da natação

 

Gráfico 4. Critérios de Avaliação

 

    De acordo com o gráfico 4, percebe-se que o critério de avaliação mais utilizado pelos professores são Distância (27%); Repetições (26%), e Tempo (23%), o que confere com a característica da modalidade esportiva, na qual o nadador tem por objetivo nadar a maior distância em menor tempo. O gráfico 6 nos mostra que os instrumentos para avaliação diagnóstica mais utilizados pelos profissionais são: Conversa informal 48%; Anamnese 25%; Fichas de observação 14%; entrevista 4%; Avaliação Física 2%. Outros Instrumentos 7%.

 

Critérios de Diagnóstico Inicial e uso de Avaliação Diagnóstica

 

    O Diagnóstico inicial, segundo Miguel (2017) serve para professores identificarem aspectos gerais do aluno iniciante. A sondagem pode ser feita por meio de provas, conversas, observação dos alunos ou por outras formas planejadas. Já a avaliação diagnóstica, “[...] tem como objetivo obter informações para organizar as experiências de aprendizagem [...]” (Krug, e Magri, 2012).

 

Gráfico 5. Utilização de Instrumentos de avaliação diagnóstica pelos professores

 

    O gráfico 5 nos mostra que 89% dos professores utilizam instrumentos de avaliação para avaliação diagnóstica e 8% não utilizam, 3% não citou informações.

 

    De acordo com o gráfico 5, percebe-se que a utilização de avaliação por instrumentos variados para obter os diagnósticos, sugere que os professores possuem informações essenciais para organizar as experiências de aprendizagem e assim, permitir melhor conhecimento sobre os alunos e seus avanços.

 

Gráfico 6. Instrumento de avaliação diagnóstica indicada pelos professores

 

    O gráfico 6 nos mostra que os instrumentos para avaliação diagnóstica mais utilizados pelos professores são conversa informal (48%) e Anamnese (25%). Outros instrumentos apontados foram fichas de observação (14%), entrevistas (04%), avaliação física (2%) e outros (7%).

 

Gráfico 7. Orientação Profissional

 

    De acordo com o gráfico 7, percebe-se que 100% dos coordenadores realizam orientação profissionais para os professores coletarem informações sobre os alunos é feita principalmente por conversa informal, ficha de avaliação sistemática, entrevista com registro por escrito.

 

Gráfico 8. Instrumentos utilizados na Academia/Escola

 

    O gráfico 8 nos mostra que os tipos de avaliação diagnóstica mais utilizadas são: Conversa Informal (44%), Ficha de observação sistemática (31%), Entrevistas com registros (12%) e outros (13%).

 

    Ao confrontar as informações fornecidas pelos professores e coordenadores, percebe-se congruência, pois conversa informal foi apontada como instrumento de avaliação diagnóstica por ambos. Utilizar a conversa informal contribui para aproximar o professor do praticante, porém não garante registro e lembrança das informações ao longo do tempo.

 

Materiais utilizados para cada faixa etária, conforme os professores

 

Quadro 2. Materiais utilizados para cada faixa etária, conforme os professores

Faixa Etária / Materiais

N = 37

Bebê

1 ª Infância

2 ª Infância

3 ª Infância

Adolês-

cência

Adulto

3ª Idade

R

%

R

%

R

%

R

%

R

%

R

%

R

%

Espaguete

16

43

29

78

29

78

28

76

24

65

22

59

20

54

Bolas

18

49

22

59

29

78

28

76

19

51

10

27

9

24

Brinquedos Flutuantes

22

59

23

62

25

68

18

49

5

13

4

11

2

5

Brinquedos que afundam

16

43

23

62

28

76

28

76

14

38

8

22

8

22

Pranchões e Tapetões

23

62

24

65

26

70

26

70

9

24

1

3

0

0

Música

23

62

18

49

11

30

8

14

2

5

3

8

5

14

Pullboy

0

0

3

8

14

38

26

70

26

70

25

68

15

40

Prancha

8

22

14

38

26

70

29

78

26

70

25

68

18

49

Nadadeiras

0

0

1

3

7

19

19

51

25

68

26

70

18

49

Paraquedas

0

0

0

0

1

3

3

8

15

40

21

57

3

8

Plataforma

15

40

20

54

22

59

10

27

7

19

8

22

3

8

 

    Os materiais recreativos encorajam o aluno a interagir com a água, principalmente na iniciação (adaptação ao meio líquido). Estes materiais servem como distração e para uma melhor adaptação ao meio líquido.

 

    De acordo com o quadro 2, percebe-se que os professores utilizam materiais auxiliares nas faixas etárias dos alunos. Nota-se que o material auxiliar Espaguete é utilizado em todos os níveis. Bolas são usadas em geral, ainda que com maior intensidade na 3ª Infância e menos com Adultos. Brinquedos Flutuantes e os que afundam, assim como pranchões e tapetões são utilizados com mais frequência até a 3ª Infância. O uso do material Plataforma ocorre até a 2ª Infância. O recurso Música é mais usado com faixa etária Bebê e 1ª Infância. Já o Pullboy é mais usado a partir da 3ª Infância. Nadadeiras e Paraquedas a partir da Adolescência. Já a prancha, tem uso predominante da 2ª Infância ao Adulto. Outros – Canudos, Elásticos e cintas; Alteres e caneleiras (11% cada).

 

    O uso dos materiais adequado para cada faixa etária é importante, pois nem todos os materiais utilizados para aulas de adultos serão utilizados para as aulas de bebês.

 

    Isso nos mostra que algumas das escolas/academias de natação não tem preocupação com a escolha dos brinquedos que são oferecidos para as crianças.

 

    Los materiales de natación son importantes, pues el uso de los Materiales puede auxiliar al alumno confianza, además de auxiliar en la Formación de los cuatro estilos de la natación.

 

    Os Materiais de natação são importantes, pois o uso destes pode auxiliar ao aluno confiança, além de auxiliar na Formação dos quatro estilos da natação (Ricardo, 2016).

 

    “Um bom equipamento faz toda a diferença durante a aula de natação, contribuindo para um melhor desempenho do aluno e tornando a atividade ainda mais prazerosa. Quando se trata de crianças, acertar na escolha é ainda mais importante porque o material adequado, além de dar mais segurança, ajuda no aprendizado dos primeiros movimentos na água” (Neiva, 2018).

 

    Ou seja, o uso de materiais nas aulas de natação podem trazer benefícios aos alunos, mas o profissional deve cuidar na forma de apresentar os materiais aos alunos.

 

    Os respondentes citaram distintos materiais usados em variadas faixas etárias, assim, para manter a fidedignidade do percentual, cada material/faixa etária representa o total de respostas dadas, sendo que, alguns não atuam em determinadas faixas etárias e/ou não utilizam determinado material, assim, o número de respostas é representado por “R” e o total de profissionais e coordenadores, por “N”. A pesquisa procurou saber quais os utilizados e em que faixa etária. Respostas dos professores constam no quadro 2 e dos coordenadores no quadro 3.

 

Materiais utilizados para cada faixa etária, conforme os professores

 

Quadro 3. Materiais disponibilizados para cada faixa etária, conforme os coordenadores

Materiais citados

N

R

%

Espaguete

9

9

100%

Brinquedos que afundam

9

9

100%

Brinquedos flutuantes

9

9

100%

Música

9

9

100%

Pullboy/Flutuador

9

9

100%

Prancha

9

9

100%

Nadadeiras

9

9

100%

Palmar

9

9

100%

Arcos

9

9

100%

Bolas

9

8

89%

Pranchões / tapetão

9

8

89%

Plataforma

9

7

78%

Paraquedas

9

6

67%

Outros

9

2

22%

 

    O quadro 3 nos mostra que os coordenadores disponibilizam materiais em suas academias/escolas sob sua coordenação, 100% destes materiais são disponibilizados: Espaguete, Brinquedos que afundam, Brinquedos flutuantes, Música, Pullboy/flutuador, Prancha, Nadadeiras, Palmar e Arcos.

 

    De acordo com o quadro 3, percebe-se que 100% dos coordenadores citaram que a academia/escola sob sua coordenação disponibiliza os seguintes materiais: Espaguete; Brinquedos que afundam e flutuantes; Música; Pullboy/Flutuador; Prancha; Nadadeiras; Palmar e Arcos. Já 89% citam que são disponibilizadas ainda Bolas e Pranchões/Tapetão. Disponibilizados em 78% das academias/escolas, a Plataforma e em 67% há também disponível Paraquedas. Outros, conforme 22% dos coordenadores citaram, ainda, a disponibilidade de: canudos; elásticos; cintas; halteres e caneleiras.

 

Sequência pedagógica consideradas adequadas para o ensino dos 4 estilos da natação

 

    “Al hablar de iniciación deportiva en niños, lo fundamental es la adecuada acción pedagógica, aquella que tiene en cuenta al sujeto que aprende y se adapta a él, a sus intereses y a sus características”, ou seja, ao falar sobre iniciação desportiva em crianças é fundamental uma sequência pedagógica adequada, levando em conta o sujeito que aprende e suas características. (Maigua Avilés et al., 2015)

 

    “Antes de iniciar o processo de aprendizagem da natação pelo aprendizado das técnicas formais (crawl, costas, peito e borboleta) há que se fazer um trabalho de adaptação ao meio líquido, permitindo que os alunos se familiarizem com a água" (Zaar, 2015).

 

Gráfico 9. Sequência pedagógica consideradas adequadas para o ensino dos 4 estilos da natação

Legenda: Conteúdos divididos em níveis de habilidades: Iniciais; Pós-Início; Intermediárias; Pós- Intermediárias; Avançadas; Sem Informação e Total.

 

    Na natação a técnica desempenha um papel fundamental, por esta razão há necessidade de inúmeros estudos, principalmente em relação ao ensino do esporte e sequência pedagógica (García, 2018). Para tal conhecer a melhor sequência pedagógica é um fator importante sempre respeitando a individualidade dos alunos.

 

    De acordo com o gráfico 9 nos mostra que a sequência pedagógica adotada contempla: Adaptação ao meio aquático (82%) e Domínio Respiratório (78%).

 

    O resultado da pesquisa evidenciou o que cita a literatura, ou seja, Iniciais e com destaque, Adaptação ao meio aquático (81%) e Domínio respiratório (78%). Sequências como Imersão Parcial e Equilíbrio, foram consideradas iniciais. Já Imersão Total/Fundo, Flutuação, Sustentação e Saltos consideradas como sequências Pós-início. Estruturação e Palmateio consideradas Intermediárias. Virada Simples figura como Intermediária e Pós-intermediária. As sequências Cambalhota e Mergulho são consideradas Pós-Intermediárias. Ainda, conforme respostas dos professores, Medley e Treinamento foram citados como sequência avançada. No que tange ao ensino dos nados propriamente ditos, Crawl viria primeiro, seguido de Nado costas, Nado Peito e Nado Borboleta, evidenciando uma relativa sequência lógica. Na sequência, palmateio, 22% não citaram e nas demais sequências, 19% não citaram.

 

Conclusão

 

    O objetivo de verificar as propostas pedagógicas adotadas nas aulas de natação nas academias/escolas dos municípios de Jaraguá do Sul e Joinville, na prática, foi contemplado.

 

    Por meio da investigação realizada foi possível inferir que os professores seguem propostas pedagógicas que vem ao encontro do que sugerem as referências. A maioria (87%) indica que os níveis de habilidades definem os conteúdos a serem propostos.

 

    Outra questão que define os conteúdos a serem propostos é a avaliação, pois é um instrumento utilizado pelos professores para identificar os aspectos gerais do aluno iniciante e organizar as experiências de aprendizagem. Com estas avaliações o profissional irá organizar o conteúdo que melhor se encaixar para cada aluno.

 

    Na natação deve-se iniciar o ensino pela Adaptação e Domínio Respiratório, pois os alunos deverão se familiarizar com a água. A medida que os alunos vão se familiarizando com o ambiente aquático o professor avalia se está no momento oportuno para ensinar os nados (crawl, costas, peito e borboleta).

 

    Este estudo significou a busca de informações complementares aos mais de 15 anos de vivência prática como aluna de diversos professores da natação, já que há variações entre as metodologias utilizadas em cada academia/escola. Respostas dos coordenadores foram igualmente relevantes para construir uma ideia do ponto de vista das experiências e formação que buscaram, bem como da estrutura de uma academia/escola. As informações obtidas despertaram interesse em aprender cada vez mais e praticá-las junto às futuras turmas de natação.

 

    Considero excepcional a possibilidade de repassar aos participantes da pesquisa, os resultados sobre faixas etárias, metodologias utilizadas, uso de bibliografia, critérios avaliativos, sequência pedagógica, entre outros. Acredito que servirão para reflexão e possibilidade de reforçar e aprimorar suas práticas.

 

    Este estudo teve como relevância aprender mais sobre a sequência pedagógica, já que é um dos fatores mais importantes para o ensino-aprendizagem da natação.

 

    Para futuros estudos acadêmicos poderia ser realizado um aprofundamento no aspecto da metodologia, pois, chamou atenção a diversidade de bibliografia utilizada pelos professores, que contemplam distintos métodos. Assim, o foco seria estudar os aspectos de destaque de cada metodologia, e analisar criticamente aspectos positivos e possíveis aspectos negativos para o perfeito aprendizado do aluno.

 

Referências

 

Caetano, A. P; Gonzalez, R. H. O ensino da natação: uma revisão acerca dos métodos de ensino-aprendizagem. Lecturas: Educación Física y Deportes, Revista Digital. Buenos Aires, Nº 176. https://www.efdeportes.com/efd176/o-ensino-da-natacao-metodos.htm

 

Maigua Avilés, L.E., e Bautista Fonseca, M.R. (2015). La natación como medio para mejorar las habilidades psicomotrices en los estudiantes de la escuela municipal Alicia Marcuard de Yerovi del Cantón Salcedo en el periodo académico 2015-2016. Tesis de Grado, Universidad Técnica de Cotopaxi. http://181.112.224.103/bitstream/27000/2262/1/T-UTC-3584.pdf

 

Esteves, C. M. (2018). Adaptação ao meio aquático. https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/25227/1/CARLA_ESTEVES.pdf

 

García, R.L.C, Pupiales, M. R.V. (2018). Aperfeiçoamento técnico da virada livre profunda em nadadores entre 11-12 anos. Lecturas: Educación Física y Deportes, Revista Digital. Buenos Aires, Vol. 22, Nº 238. https://efdeportes.com/index.php/EFDeportes/article/view/294/87

 

Hueycha Allcca, E., y Prado Salvatierra, J.Y. (2017). Estrategias de enseñanza en el aprendizaje de la natación en el estilo de nado crol, en estudiantes del segundo grado “A” de secundaria de la institución educativa Corazón de Jesús – Ayacucho 2015. Tesis Escuela Profesional de Educación Física, Facultad de Ciencias de la Educación, Universidad Nacional de San Cristóbal Huamanga. http://repositorio.unsch.edu.pe/bitstream/handle/UNSCH/1685/TESIS%20EF40_Hua.pdf?sequence=1&isAllowed=y

 

Krug, D. F.; Magri, P.E.F. (2012). Natação: aprendendo para ensinar. São Paulo: All Print.

 

Lima, A.Q., e Alburquerque, I.R.B. (2016). Uma revisão acerca dos métodos de ensino da natação. http://publicacoesacademicas.unicatolicaquixada.edu.br/index.php/eedic/article/view/896/644

 

Magri, P.E.F. (2002). Cultura, Educação e Formação de professores para atuar em Natação. 124 f. Dissertação: Universidade do Estado de Santa Catarina.

 

Miguel, Y.M. (2018). Diagnóstico Inicial. http://rede.novaescolaclube.org.br/grupo/diagnostico-inicial/.

 

Neiva, T. (2018). O que levar na bolsa de natação das crianças? http://itsagirl.com.br/2018/03/01/o-que-levar-na-bolsa-de-natacao-das-criancas/

 

Oliveira, A.; Silva, L.A. (2015). Natação estilo crawl: uma sugestão de ensino para facilitar o aprendizado das aulas de natação. Seminário de Educação, Conhecimento e Processos Educativos. Universidade, Educação e Sociedade. http://periodicos.unesc.net/seminarioECPE/article/view/2142/2031

 

Pečaver, A Pungeršek, M. Videmšek, M. Karpljuk, D. Štihec, J. Meško, M. (2018). Analysis of Didactic Approaches to Teaching Young Children to Swim. The Sport Journal, Vol. 20. http://thesportjournal.org/article/analysis-of-didactic-approaches-to-teaching-young-children-to-swim/

 

Ricardo, S.T.A (2016). Recursos materiales didácticos como medio para fijar aprendizaje en los estilos de natación en los adolescentes. http://repositorio.utmachala.edu.ec/bitstream/48000/8902/1/ECUACS%20DE00032.pdf

 

Vasques, D.M (2017). Avaliação dos conteúdos desenvolvidos em aulas de natação para adultos. https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/174732.

 

Zaar, A. (2015). Natação: uma proposta pedagógica. https://www.editoradeviant.com.br/wpcontent/uploads/woocommerce_uplods/2017/03/Natacao-uma-proposta-pedagogica.pdf


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 252, May. (2019)

Utilizamos cookies para ofrecer la mejor experiencia, navegando en esta web aceptas su uso. OK