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A importância do sono na saúde do adolescente: uma revisão integrativa

The importance of sleep on adolescent health: an integrative review

La importancia del sueño en la salud de los adolescentes: una revisión integradora

 

Flávia de Lima Chaves Duarte*

flachaves13@hotmail.com

Aline Veras da Silveira*

alinesilveira15@hotmail.com

Francisco Carlos Ribeiro**

fcr.professor@hotmail.com

Maria Cecília Leite de Moraes***

leimo7@hotmail.com

Maria Dyrce Dias Meira****

dyrcem@yahoo.com.br

 

*Graduanda em Psicologia

pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-SP)

**Doutorando em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-SP)

***Doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP)

Pesquisadora do Grupo de Estudos CRESCER- UFBA

****Doutora em Ciências pela Escola de Enfermagem

da Universidade de São Paulo (EEUSP)

Docente do Curso de Mestrando em Promoção da Saúde

pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-SP)

(Brasil)

 

Recepção: 27/12/2019 - Aceitação: 24/01/2020

1ª Revisão: 20/01/2020 - 2ª Revisão: 22/01/2020

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

 

Resumo

    Introdução: o sono é extremamente importante e necessário para uma vida saudável, sendo responsável pelo crescimento físico e cognitivo dos adolescentes. Objetivo: este estudo tem como objetivo identificar a importância do Sono/Descanso na saúde do adolescente. Método: trata-se de uma Revisão Integrativa de Literatura que incluiu artigos publicados entre 2014 e 2018. A pesquisa foi realizada, utilizando-se a PUBMED (U.S. National Library of Medicine) e BVS (Biblioteca Virtual de Saúde) como base de dados e “Sono AND Saúde do Adolescente” e “Sleep AND Adolescent Health” como os descritores. Resultados: foram encontrados 23 artigos, dos quais apenas 10 foram selecionados por terem atingido o objetivo do estudo. Os artigos mostraram que o número de adolescentes com baixa duração do sono é alto. Eles também indicam que essa falta de sono tem um forte impacto no foco e no desempenho acadêmico. Conclusão: reduzir o tempo de exposição a dispositivos eletrônicos e incentivar a atividade física e uma alimentação saudável podem melhorar os hábitos de sono dos adolescentes.

    Unitermos: Sono. Saúde do adolescente. Estilo de vida. Promoção da saúde.

 

Abstract

    Introduction: sleep is extremely important and necessary for a healthy life, being responsible for the physical and cognitive growth of adolescents. Objective: this study aims to identify the importance of sleep / rest on adolescent’s health. Method: it is an Integrative Literature Review that included articles published between 2014 and 2018. The search was carried out, using PUBMED (US National Library of Medicine) and BVS (Virtual Health Library) as databases and "Sleep AND Adolescent Health", as the descriptors. Results: 23 articles were found, of which only 10 were selected for having met the study objective. The articles showed that the number of adolescents with low sleep duration is high. They also indicate that this lack of sleep has a strong impact on focus and academic performance. Conclusion: reducing time exposure to electronic devices and encouraging physical activity and a healthy diet can improve sleeping habits among adolescents.

    Keywords: Sleep. Adolescent health. Lifestyle. Health promotion.

 

Resumen

    Introducción: el sueño es extremadamente importante y necesario para una vida saludable, siendo responsable del crecimiento físico y cognitivo de los adolescentes. Objetivo: este estudio tiene como objetivo identificar la importancia del sueño/descanso en la salud del adolescente. Método: se trata de una revisión integral de la literatura que incluyó artículos publicados entre 2014 y 2018. La búsqueda se llevó a cabo, utilizando PUBMED (U.S. National Library of Medicine) y BVS (Biblioteca Virtual de Salud) como base de datos y “Sueño” AND “Salud del Adolescente” como descriptores. Resultados: se encontraron 23 artículos, de los cuales solo 10 fueron seleccionados por haber cumplido el objetivo del estudio. Los artículos mostraron que el número de adolescentes con baja duración del sueño es alto. También indican que esta falta de sueño tiene un fuerte impacto en el enfoque y el rendimiento académico. Conclusión: reducir el tiempo de exposición a dispositivos electrónicos y fomentar la actividad física y una dieta saludable pueden mejorar los hábitos de sueño entre los adolescentes.

    Palabras clave: Sueño. Salud del adolescente. Estilo de vida. Promoción de la salud.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 260, Ene. (2020)


 

Introdução

 

    Durante toda a sua existência, o ser humano passa por transformações axiológicas, psicológicas e biológicas. O sono é uma condição fisiológica sujeita a essas mudanças, por ser ligado ao ciclo circadiano no qual ocorrem alterações endógenas, sociais e ambientais. Ele é extremamente importante e necessário para uma vida saudável, sendo responsável pelo crescimento físico e cognitivo dos adolescentes. (Silva et al., 2017)

 

    A baixa duração do sono nos adolescentes modifica a sua rotina e o seu comportamento, além de contribuir para o declínio da saúde (Felden et al., 2016). A saúde está relacionada diretamente ao estilo de vida. Nela estão envolvidos a alimentação saudável, o descanso e a prática de exercícios físicos regulares. Esses são hábitos que contribuem para o bem-estar físico e mental, aumentando o desempenho cognitivo ligado ao pensamento, raciocínio e a memória. (Boscolo et al., 2007)

 

    A sonolência diurna sinaliza a baixa qualidade do sono noturno. O tempo de sono ideal para um adolescente é de 9 horas por noite, entretanto, isso não ocorre na maioria dos casos. A perda do sono durante a adolescência não é impulsionada pela menor necessidade de dormir, mas por uma convergência de influências biológicas, psicológicas e socioculturais. Pressões acadêmicas e o uso de dispositivos de tela e redes sociais, são fatores comuns que interferem na qualidade do sono. (Gomes et al., 2017)

 

    A falta do descanso e a má qualidade do sono estão associadas à presença de patologias mentais como a depressão, o estresse e a ansiedade. Um estudo realizado com jovens atletas indicou que 63% dos indivíduos apresentavam má qualidade no sono. Todos foram avaliados antes da competição. Constatou-se que a excitação e a ansiedade favoreceram a ocorrência da má qualidade do sono desses atletas. (Gomes et al., 2017)

 

    Durante a adolescência é comum o uso de dispositivos móveis e, muitas vezes, chega-se a um uso exacerbado desses aparelhos, provocando prejuízos ao sono. A luz brilhante da tela suprime a produção de melatonina, modificando o ciclo circadiano que eleva os níveis de excitação mental e fisiológica. (Silva et al., 2017)

 

    Tendo em vista que as mudanças nos fatores ambientais, sociais e comportamentais da sociedade moderna estão sendo determinantes para a alteração do padrão do sono dos jovens, o principal objetivo desse estudo foi o identificar na literatura científica estudos que abordam a importância do sono na saúde do adolescente.

 

Método

 

    Este artigo trata-se de uma Revisão Integrativa de Literatura, no qual as etapas exploratórias foram as seguintes: a elaboração da pergunta de pesquisa, a busca na literatura dos estudos primários, a extração dos dados, a avaliação dos estudos primários, a categorização e interpretação dos resultados e a síntese do conhecimento apresentado nos artigos. (Ercole; Melo; Alcoforado, 2014)

 

    A questão a ser respondida pela pesquisa é: Qual a importância do sono na saúde do adolescente?

 

    A busca dos estudos primários se desenvolveu entre 01/11/18 a 20/11/18, nas seguintes bases de dados: PUBMED (U.S. National Library of Medicine) e BVS (Biblioteca Virtual de Saúde). Os descritores e os operadores booleanos utilizados foram “Sono AND Saúde do Adolescente” e “Sleep AND Adolescent Health”.

 

    Os critérios de busca estabelecidos para a filtragem dos artigos foi o seguinte: assunto principal (“sono” e “qualidade de vida”), limite de faixa etária do público alvo (“adolescente”), idiomas (“português” e “inglês”), ano de publicação (“2014 a 2018”) e o tipo de documento (“artigo completo disponível” gratuito).

 

    A extração dos dados foi realizada em duas etapas por dois pesquisadores independentes. Na primeira etapa, buscou-se a presença dos descritores no título, resumo e palavras-chave. Na segunda, foi realizada leitura dos textos completos pré-selecionados nas duas bases de dados.

 

    A avaliação dos estudos primários e a interpretação dos resultados consistiu em uma releitura dos artigos selecionados para extração dos dados em planilha com as informações principais de cada estudo. Nessa etapa, buscou-se o consenso entre os pesquisadores quanto a eventuais discrepâncias na inclusão dos artigos.

 

    A síntese do conhecimento apresentado nos artigos foi realizada de forma a responder à pergunta da pesquisa, evidenciando a importância do sono na saúde do adolescente.

 

Resultados

 

    Dentre os 64.240 artigos encontrados nos sites da BVS e PUBMED, somente 198 foram pré-selecionados para a análise quanto à presença dos descritores nos títulos e resumos ou palavras chave. Após a leitura do texto completo, 94 foram eliminados por abordarem temas diferentes da proposta de busca, chegando-se a 23 artigos selecionados. No acordo entre os pesquisadores foram eliminados 13 artigos (5 por repetição, 3 por serem apenas protocolo de estudo e 5 por não responderem à pergunta de pesquisa), ficando apenas 10 estudos que foram incluídos para a discussão do tema (Figura 1 e Tabela 2). Encontraram-se sete artigos transversais (70%), dois observacionais (20%) e um de reflexão (10%).

 

Figura 1. Estratégia de pesquisa nas bases de dados

Fonte: Elaborado pelos autores (2019)

 

Tabela 1. Caracterização dos artigos

Fonte, Ano e Autor

Título

Tipo de Estudo

e Objetivo

Tipo de Amostra

Resultados

e Análises

BMJ Open, 2018

 

Min  et al.

The association between sleep duration, sleep quality, and food consumption in adolescents. A cross-sectional study using the Korea Youth Risk Behavior Web-based Survey.

Transversal.

 

Examinar a relação entre duração do sono, qualidade do sono e consumo alimentar entre adolescentes.

118.462 adolescentes

A má qualidade do sono pode estar associada ao maior consumo de alimentos não saudáveis, como bebidas adoçadas com açúcar, fast food, macarrão instantâneo e confeitos, e associado ao menor consumo de frutas, vegetais e leite.

 

Frontiers Human Neuroscience, 2018.

 

Kelley  et al.

Making Memories: Why Time Matters.

 

 

Reflexão.

 

Refletir sobre recentes avanços da nossa compreensão da neurociência circadiana, cronótipos e privação de sono. 

Não se aplica.

A privação do sono pode ter um impacto negativo nos processos de aprendizado e memória, diminuindo a capacidade de codificar novas memórias, e pode interromper a consolidação no sono.

 

Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 2015

 

Pereira  et al.

Sono adolescentes: quantas horas os adolescentes precisam dormir.

 

 

Transversal.

 

Determinar a especificidade e a sensibilidade de uma medida para apontar o melhor ponto de corte para a duração de sono como preditor da sonolência diurna excessiva em adolescentes.

1.359 adolescentes

Propõe-se 8, 33 horas de sono nos dias com aula para que os adolescentes evitem a sonolência diurna.

Jornal de Pediatria, 2016

 

Amra  et al.

The association of sleep and late-night cell phone use among adolescents.

 

Transversal.

Avaliar a relação entre o uso de celular à noite e a duração e a qualidade do sono  em uma amostra de adolescentes iranianos.

2.257 adolescentes

O uso de celular à noite por adolescentes foi associado a piorada qualidade do sono. Como parte das recomendações de estilo de vida saudável, os adolescentes devem ser incentivados a evitar o uso de celular à noite.

 

Journal of Clinical Sleep Medicine, 2018

 

Tambalis  et al.

Insufficient Sleep Duration Is Associated With Dietary Habits, Screen Time, and Obesity in Children.

 

Transversal.

 

Examinar a duração do sono e a associação entre duração insuficiente do sono e fatores de estilo de vida em uma amostra representativa de crianças e adolescentes gregos.

177.091 crianças e adolescentes

A duração insuficiente do sono foi associada a um perfil de estilo de vida pouco saudável entre crianças e adolescentes.

 

PLoS One, 2018

 

Rhie  et al.

Effects of school time on sleep duration and sleepiness in adolescents.

 

 

 

Observacional.

 

Analisar os efeitos de uma campanha (atrasar o tempo de início da escola permitindo uma maior duração do sono) sobre a duração total do sono, a sonolência, as emoções e o desempenho escolar dos adolescentes.

70.804 adolescentes

O estudo demonstrou que atrasar os horários de início das aulas pode reduzir a duração do sono de recuperação dos adolescentes nos finais de semana. 

Preventive Medicine Reporters, 2018

 

Burns  et al.

Relationships among physical activity, sleep duration, diet, and academic achievement in a sample of adolescents.

 

Transversal.

 

O objetivo deste estudo foi examinar as relações entre atividade física, duração do sono, dieta e desempenho acadêmico em uma amostra de adolescentes do estado norte-americano de Nevada.

4.625 adolescentes

Existem uma relação entre atividade física, dieta e duração do sono.

Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 2017

 

Silva  et al.

Tempo de tela, percepção da qualidade de sono e episódios de parassonia em adolescentes.

 

Transversal.

 

Analisar a associação entre o tipo e tempo de exposição à tela, a percepção da qualidade de sono e os episódios de parassonia (pesadelos, sonambulismo, bruxismo etc.) em adolescentes.

481 adolescentes

A qualidade do sono está relacionada tanto com a quantidade de horas de sono, quanto com o tempo de exposição à TV. Além disso, uma quantidade maior de episódios de parassonia ocorreu entre os adolescentes que assistem mais de três horas de TV por dia.

 

Revista Paulista de Pediatria, 2016

 

Felden  et al.

Fatores associados à baixa duração do sono em adolescentes.

 

 

Transversal.

 

Investigar a prevalência e os fatores associados à baixa duração do sono de adolescentes.

516 adolescentes.

Os adolescentes apresentaram alta prevalência de baixa duração do sono. Os mais velhos, que estudam de manhã e à noite, apresentaram sono reduzido.

 

Revista Paulista de Pediatria, 2017.

 

Gomes  et al.

Qualidade do sono e sua associação com sintomas psicológicos em atletas adolescentes.

 

Observacional.

 

Verificar a prevalência de má qualidade de sono e sua associação com características pessoais e sintomas de depressão, ansiedade e estresse em adolescentes atletas amadores.

309 adolescentes

A presença de sobrepeso e sintomas psicológicos, bem como a idade superior a 15 anos, se mostraram fatores de risco para aumentar a chance da má qualidade do sono em adolescentes atletas.

 

Fonte: Elaborado pelos autores (2019)

 

Discussão

 

    A vida de qualquer ser humano se caracteriza pela alternância rítmica entre períodos de atividade e períodos de descanso. O ciclo circadiano cria os marcos distintivos das atividades diurnas cotidianas e do sono noturno. “Nossa fisiologia, saúde e comportamento têm ritmos de 24 horas que acompanham o aumento e a diminuição dos níveis de luz durante o dia e a noite”, sincronizando os períodos de sono e alerta dos seres vivos (Kelley et al., 2018, p. 1). Porém, as pessoas têm diferentes relógios circadianos, dependendo do seu tempo/ritmo corporal, apresentando maior ou menor rendimento em suas atividades ao longo das 24 horas de um dia. Essa inconstância pode variar de acordo com a genética, a idade e o sexo de cada indivíduo (Gozal, 2017). Os ciclos circadianos funcionais são fundamentais para o desenvolvimento da memória de curto e longo prazo.(Kelley et al., 2018)

 

    O sono é apontado como um dos principais processos fisiológicos da vida (Pereira et al., 2015), responsável pelo crescimento físico, biológico e mental na adolescência, e fonte de revitalização das funções orgânicas de todo ser humano ao longo de sua existência (Silva et al., 2017). O sono é fundamental também para manter uma vida vibrante e saudável, sendo um fator chave para a estabilidade emocional e o desenvolvimento das habilidades relacionadas ao aprendizado, como a memória, a cognição e as funções executivas. (Rhie et al., 2018)

Quanto à quantidade ideal de tempo para o sono na adolescência, os autores analisados nesta pesquisa variaram entre 8 a 10 horas. (Min et al., 2018; Gomes et al., 2017; Tambalis et al., 2018; Pereira et al., 2015)

 

    Em contraste ao tempo biológico (ambiental-natural), tem-se o tempo social (matematizado-artificial) determinado pelos fusos horários, pelas horas de trabalho e de estudo. São as complexas facetas desse tempo social que os estudos analisados nesta revisão integrativa têm considerado como responsáveis pela diminuição da duração do sono e da queda de sua qualidade entre os adolescentes.

 

    Um dos estudos incluídos associa a queda da qualidade do sono ao aumento do uso da Internet, das mídias sociais e aos horários matinais de início da escola (Min et al., 2018). Outro afirma que as crianças e os adolescentes se tornaram tão dependentes de seus telefones celulares, que os levam para a cama para se certificar de que não deixaram de receber mais alguma mensagem antes de dormir. Sustenta também que os usuários de celulares após as 21 horas “apresentaram níveis mais elevados de latência do sono e despertar tardio em relação a seus pares”. (Amra et al.,2016, p. 562)

 

    Uma terceira pesquisa vê uma associação significativa entre o tempo insuficiente de sono, com o tempo excessivo de televisão. Para os autores, os estudantes que relataram mais de três horas por dia de tela, apresentaram maior quantidade de episódios de parassonias (despertar confusional, pesadelos, bruxismo etc.) em comparação aos que tiveram menos tempo de exposição. Descreve igualmente que a alta prevalência de sono insuficiente entre os jovens, pode estar relacionada especificamente ao aumento das obrigações escolares, das atividades sociais e do uso excessivo de equipamentos eletrônicos (Silva et al., 2017). Corroborando essa tese, outra pesquisa diz que o uso de mídias eletrônicas durante à noite, somado aos compromissos sociais/escolares no início da manhã, aumentam a prevalência de baixa duração do sono na população adolescente. (Felden et al., 2016)

 

    O estudo de Gomes et al. (2017 p. 317) salienta “que as repercussões da má qualidade de sono podem ter relação de reciprocidade com sintomas psicológicos como a depressão, que pode desencadear intenções suicidas nos adolescentes”. Isso porque em torno dos quinze anos de idade surgem cerca da metade das desordens psiquiátricas, expondo os adolescentes a situações de vulnerabilidade emocional (Gozal, 2017). O ideal, portanto, deveria ser uma procura pela harmonização do uso do tempo social com o biológico, para se melhorar as condições gerais de saúde dos adolescentes e, particularmente, de seu processo de aprendizagem.

 

    A baixa duração e qualidade do sono têm sido associadas, especialmente na adolescência, com déficits cognitivos no processo de aprendizagem (Felden et al., 2016). Comportamentos inadequados relacionados ao sono, se cultivados ao longo do tempo, tendem a aumentar o risco de transtornos depressivos e de ansiedade, independente do sexo, da idade, do IMC ou da etnia. (Burns et al., 2018)

 

    A duração insuficiente do sono está associada também a vários fatores de risco cardiometabólico em adolescentes, como a dislipidemia que contribui para a aterosclerose, o descontrole da glicose e o aumento da pressão arterial. (Tambalis et al., 2018)

 

    Além das questões mencionadas acima, apontou-se que a ingestão de frutas, legumes e leite tem uma associação positiva com a duração do sono, enquanto que a ingestão de doces, lanches e fast food tem associação negativa. Os refrigerantes, as bebidas adoçadas com açúcar, os confeitos, os lanches e o macarrão instantâneo, por exemplo, têm níveis mais altos de energia, porém menos nutrientes. O consumo das bebidas açucaradas, por exemplo, leva à obesidade, pois as calorias líquidas podem resultar na diminuição da saciedade, levando ao consumo de mais bebidas adoçadas com açúcar, com o subsequente ganho de peso (Min et al., 2018). A prevalência da obesidade infanto-adolescente, nas últimas seis décadas, atingiu níveis alarmantes e considera-se que foi aumentada em paralelo com a privação de sono parcial crônica. (Tambalis et al., 2018)

 

    Como solução paliativa para melhorar a quantidade de horas de sono, dois estudos, recomendam a possibilidade de se retardar o início das aulas da manhã, ou mesmo de se estabelecer um turno intermediário com início no meio da manhã (Felden et al., 2016; Rhie et al., 2018). Como exemplo, cita-se a experiência realizada na Coreia do Sul, onde se implementou um horário de início adiado em algumas escolas. O resultado apresentou-se parcial, uma vez que a campanha postergou o término da fase do sono, não aumentou, porém, substancialmente a duração do mesmo. Esse experimento coreano, no entanto, concluiu que atrasar o horário de início das aulas diminuiu significativamente a sonolência diurna dos alunos e, consequentemente, melhorou o rendimento escolar. (Rhie et al., 2018)

 

Conclusão

 

    Por meio das informações obtidas na presente pesquisa, conclui-se que o sono noturno constitui, por excelência, o período de descanso mais importante do ciclo circadiano. Ele é responsável pelo crescimento físico, biológico e mental na adolescência, sendo a fonte de renovação das funções orgânicas de todo ser humano. É um elemento básico para o equilíbrio emocional, o desenvolvimento das faculdades cognitivas e a ampliação das habilidades de trabalho.

 

    Percebeu-se, no entanto, que o estilo de vida atual está mais voltado para as atividades sociais (uso da Internet, das mídias sociais e dos celulares), do que para as questões biológicas (sono noturno, alimentação adequada e exercício físico). Como consequência direta disso, tem-se a redução do período de sono e de sua qualidade na adolescência, gerando graves problemas como sonolência diurna, episódios de parassonias, déficits cognitivos, transtornos depressivos e de ansiedade, aumento da pressão arterial e riscos cardiometabólicos, com desdobramentos na vida adulta.

 

    Tem-se buscado soluções que visem harmonizar as complexidades da vida contemporânea com as necessidades de um período de sono satisfatório. Uma alimentação adequada antes de dormir baseada em frutas e legumes, redução do tempo de tela, equilíbrio no uso de celulares, internet e redes sociais e readequação dos horários escolares.

 

    Aponta-se que seria interessante a realização de novas pesquisas com foco em políticas públicas voltadas ao estimulo da adoção de hábitos saudáveis que favorecem um sono reparador das funções orgânicas dos adolescentes. Salienta-se ainda a necessidade de pesquisas que possam embasar propostas e implementação de readequação dos horários escolares, uma vez que se localizou uma carência de estudos nessa área.

 

    Espera-se que os resultados apresentados nesta revisão integrativa ajudem os leitores na busca por um estilo de vida que respeite um padrão de sono mais adequado à promoção da saúde dos adolescentes contemporâneos.

 

Referências

 

Amra, B., Shahsavarib, A., Moghadamb, R. S., Mirhelia, O., Khaniabadib, B. M., Bazukara, M., Farsania, A. Y. & Kelishadib, R. (2016). The association of sleep and late-night cell phone use among adolescents. Jornal de Pediatria, 93(6), 560-567. DOI:0.1016/j.jped.2016.12.004

 

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Tambalis, K., Panagiotakos, D. B., Psarra, G. & Sidossis, L. S. (2018). Insufficient Sleep Duration Is Associated with Dietary Habits, Screen Time, and Obesity in Children. Journal of Clinical Sleep Medicine, 14(10), 1689-1696. DOI:10.5664/jcsm.7374


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 260, Ene. (2020)