v. 30 n. 332 (2026)
Mundial de 2026: Guerra, Poder e Geopolítica
O mundo do desporto em 2026 prepara-se não só para uma competição atlética, mas também para uma demonstração de poder que transcende os campos de jogo. O Campeonato do Mundo de Futebol de 2026 apresenta-se como o epicentro absoluto, transformando-se num fenómeno onde a logística, a emoção e a geopolítica convergem de uma forma sem precedentes. Pela primeira vez, a FIFA quebra paradigmas ao realizar o torneio nos Estados Unidos, México e Canadá. A expansão para 48 seleções e um total de 104 jogos exigiu uma logística recorde. Nesta vasta área geográfica, surgem desafios críticos nos transportes e na sustentabilidade, procurando equilibrar a pegada de carbono com a deslocação de milhões de adeptos por milhares de quilómetros.
A nível emocional, a expectativa tem um nome: Lionel Messi. Com o astro argentino ainda em atividade no Inter Miami, a participar no seu sexto Mundial, o mundo questiona-se se este torneio será a sua "última dança" como profissional. A possibilidade de defender o título de 2022 acrescenta um mistério que só o futebol pode gerar.
Para lá da bola, o Mundial é uma ferramenta para expressar o nacionalismo e a supremacia regional. As políticas de vistos e os controlos de imigração são os filtros que determinam a composição das bancadas e do terreno de jogo, refletindo as tensões e a intolerância atuais. Para os Estados Unidos, o sucesso do evento é fundamental para reafirmar a sua influência no continente, em plena guerra comercial e tarifária com a China, uma intervenção militar em curso na Venezuela e ameaças de anexação de territórios de outras nações, gerando um clima de tensão global que afeta a diplomacia e viola o Direito Internacional. O futebol, como um tabuleiro de xadrez geopolítico, configura o campo de jogo, mais do que nunca, como o mundo inteiro.
Túlio Guterman, Diretor – Janeiro de 2026



