Mecanismos centrais e periféricos de fadiga neuromuscular: suas implicações para a prescrição do treinamento físico
Uma revisão narrativa
Resumo
A fadiga neuromuscular (FNM) é um estado complexo que limita o desempenho e a segurança no treinamento, sendo classificada em fadiga periférica (muscular, ligada à disfunção de Ca²⁺ e metabólitos) e fadiga central (no sistema nervoso central, relacionada à falha do drive neural). O objetivo principal visou fornecer um modelo integrado de prescrição do treinamento físico que auxilie os profissionais de Educação Física na tomada de decisão, buscando a máxima eficácia e a minimização do risco de overtraining e de lesões. A metodologia adotada foi a de revisão narrativa crítica e analítica da literatura, compreendida entre os anos de 2021 e 2025. A busca por estudos ocorreu nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science. A estratégia de busca utilizou termos-chave para mecanismos de fadiga (central e periférico) e prescrição de treinamento (pausas, treinamento concorrente). A FNM é um contínuo dinâmico, em que a fadiga central, em parte interpretada à luz do Modelo do Governador Central e de modelos psicobiológicos, atua como regulador protetor do desempenho, enquanto a fadiga periférica se configura como limite bioenergético final. A discussão propõe o uso de ferramentas de monitoramento (Percepção Subjetiva de Esforço, Repetições em Reserva e Velocidade de Execução) para guiar a manipulação de variáveis de treino, como pausas e organização do treinamento concorrente. A prescrição do treinamento deve evoluir para um modelo de "engenharia da fadiga", utilizando o conhecimento integrado dos mecanismos centrais e periféricos para otimizar a eficácia e minimizar o risco de overtraining e/ou lesões.
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