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Entre etnicidade e ludicidade: brincadeiras das 

crianças indígenas Tremembé de Itarema, Ceará, Brasil

Entre etnicidad y ludicidad: juegos de los 

niños indígenas Tremembé de Itarema, Ceará, Brasil

Between Ethnicity and Ludicity: Indigenous Children's 

Joke Tremembe de Itarema, Ceará, Brazil

 

Arliene Stephanie Menezes Pereira*

stephanie_ce@hotmail.com

Iraquitan de Oliveira Caminha**

caminhairaquitan@gmail.com

Mileyde Bárbara Santos Guedes***

mileydebarbara@gmail.com

 

*Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual do Ceará-UECE

Mestra em Educação Física pela Universidade Federal do Grande do Norte-UFRN

Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará-IFCE

**Doutor em Filosofia pela Université Catholique de Louvain

Docente titular do Departamento de Educação Física,

do Programa Associado de Pós-Graduação em Educação Física

da Universidade Estadual de Pernambuco/Universidade Federal da Paraíba

e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal da Paraíba

***Mestra em Educação Física pela Universidade Federal do Grande do Norte-UFRN

Professora da Secretaria Municipal de Educação de João Pessoa-PB

(Brasil)

 

Recepção: 29/09/2019 - Aceitação: 14/12/2019

1ª Revisão: 02/12/2019 - 2ª Revisão: 11/12/2019

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

 

Resumo

    Os Tremembé são um grupo ameríndio do Brasil, residentes no Brasil, no estado do Ceará, conhecidos sobretudo pelo Torém, seu ritual ancestral. Entre as crianças desta etnia, chama a atenção as brincadeiras e a aproximação com o meio cultural que integram especificações acerca da natureza, rituais, adornação corporal, influência esportiva e historicidade. Direcionamos então este trabalho nos seguintes questionamentos: “Quais são as brincadeiras dessas crianças? Que relações (inter) culturais podemos fazer a partir da observação dessas brincadeiras?” Objetiva-se para este estudo a descrição, considerações e reflexões sobre os modos de brincar destas crianças e sua aproximação com o meio cultural estimulado pelas especificações que integram a natureza, a sazonalidade, os rituais, os desenhos corporais, a influência moderna esportiva, suas parlendas e histórias. Para este intento foi utilizado a etnografia como processo metodológico, sendo realizadas visitas in loco entre os anos de 2009 a 2019. Como achados desta pesquisa têm-se que a apropriação nas construções das práticas lúdicas infantis Tremembé têm envolvimento com seu meio sociocultural e na qual as crianças são protagonistas dessas, das aprendizagens e de suas descobertas. Concluindo que a ludicidade dessas crianças se entrelaça com dimensões cosmológicas próprias e se modifica através de contatos étnicos distintos.

    Unitermos: Criança indígena. Tremembé. Brincadeiras.

 

Abstract

    The Tremembe are an Amerindian group from Brazil, resident in Brazil, in the state of Ceará, known above all for Torem, their ancestral ritual. Among children of this ethnicity, attention is drawn to the games and the approach to the cultural environment that integrate specifications about nature, rituals, body adornment, sports influence and historicity. We then direct this work on the following questions: “What are these children's games? What (inter) cultural relations can we make from the observation of these games? ”The aim of this study is to describe, consider and reflect on the ways of play of these children and their approach to the cultural environment stimulated by the specifications that integrate nature, the seasonality, the rituals, the body designs, the modern sporting influence, their parliaments and stories. For this purpose, ethnography was used as a methodological process, and on-site visits were carried out between 2009 and 2019. As findings of this research, it is found that the appropriation in the constructions of the children's playful practices Tremembe have involvement with their socio-cultural environment and in which Children are protagonists of these, their learning and their discoveries. Concluding that the playfulness of these children intertwines with their own cosmological dimensions and changes through distinct ethnic contacts.

    Keywords: Indigenous children. Tremembe. Joke.

 

Resumen

    Los Tremembé son un grupo amerindio de Brasil, residente en Brasil, en el estado de Ceará, conocido sobre todo por Torém, su ritual ancestral. Entre los niños de esta etnia, se llama la atención sobre los juegos y el enfoque del entorno cultural que integran especificaciones sobre la naturaleza, los rituales, los adornos corporales, la influencia deportiva y la historicidad. Luego dirigimos este trabajo a las siguientes preguntas: “¿Qué son los juegos de estos niños? ¿Qué relaciones (inter) culturales podemos establecer a partir de la observación de estos juegos?” El objetivo de este estudio es describir, considerar y reflexionar sobre las formas de juego de estos niños y su enfoque del entorno cultural estimulado por las especificaciones que integran la naturaleza, la estacionalidad, los rituales, los diseños corporales, la influencia deportiva moderna, sus parlamentos e historias. Para este propósito, la etnografía se usó como un proceso metodológico, y se realizaron visitas in situ entre 2009 y 2019. Como hallazgos de esta investigación, se encontró que la apropiación en la construcción de las prácticas lúdicas de los niños Tremembé está involucrada con su entorno sociocultural y en el que los niños son protagonistas de estos, su aprendizaje y sus descubrimientos. Se concluye que el juego de estos niños se entrelaza con sus propias dimensiones cosmológicas y cambia a través de distintos contactos étnicos.

    Palabras clave: Niño indígena. Tremembé. Juegos.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 259, Dic. (2019)


 

Introdução

 

    O povo indígena Tremembé habita o litoral oeste do estado do Ceará, na região Nordeste do Brasil. A etnia está presente em três municípios (Itapipoca, Acaraú e Itarema), com 25 povoados. Os Tremembé já foram relatados em várias crônicas da era colonial em que habitavam o sul do Maranhão, a costa do Piauí, até as margens do Rio Acaraú no Ceará. Esse grupo ameríndio é conhecido por seu artesanato, pela fabricação do mocororó (bebida feita de caju) (Pereira, 2019) e pelo ritual do Torém que segundo Oliveira Júnior (1998) é também chamado pelos adultos de brincadeira dos índios velhos).

 

    Adentramos neste estudo sobre a questão da etnicidade, esta que diz respeito ao sentido de identidade, num conceito que traz abarcado a construção simbólica para tal e vista como uma construção cosmológica entre os índios.

 

    Para a ludicidade, trazemos que segundo Santin (1994) são práticas sentidas e vividas, sendo compreendidas pela fruição e imaginação povoadas pelo simbolismo. Assim, a ludicidade não está na estereotiparão, pois esta abarca a singularidade dos sujeitos que a vivencia e o momento vivido consigo mesmo e com o outro. Para isto, a ludicidade versa sobre a fantasia, expressividade. ressignificação, percepção, autoconhecimento e conhecimento sobre o outro.

 

    O intento deste estudo visa trazer um relato de cunho etnográfico sobre as brincadeiras das crianças indígenas Tremembé; essas que trazem nuances peculiares e integram simbolismos e significados étnicos e (inter)culturais.

 

    O campo de estudo é a aldeia de Almofala, que fica próximo à costa litorânea, distante 220 km de Fortaleza (capital do estado do Ceará), no município de Itarema. O objeto do trabalho, que são as brincadeiras infantis entre os Tremembé que serão relatadas, foram observadas entre os anos de 2009 a 2019 em trabalhos de campo (base da pesquisa etnográfica), com registros de anotações nos diários de campo e de imagens.

 

    Como o trabalho etnográfico se dá através de contato intenso e prolongado (como este entre os anos citados) e na vivência direta da realidade onde o objeto de estudo se insere. então, para a coleta foram realizadas diversas visitas in loco (como preceito da etnografia). Em cada pesquisa eram vistas e analisados as práticas lúdicas realizadas pelas crianças. O que ao final de 10 anos adentrando o campo, resultou num vasto material, que foi compilado e analisado para esta escrita. A observação e levantamento das hipóteses, procurou descrever sua interpretação, e o que ocorria no contexto pesquisado. Nesta análise gerou-se, através da particularidade dessas brincadeiras, categorias analíticas como, por exemplo, a sazonalidade.

 

    As crianças Tremembé nos forneceram um material abundante durante a pesquisa, seja pela variedade de atividades lúdicas, seja pelo modo peculiar das mesmas. Ao longo do trabalho são descritas as brincadeiras e sua relação com a natureza local; o etno-desporto; os desenhos que expressam uma história agregada nos corpos dos índios; os rituais que marcam a dança do Torém como patrimônio cultural e os brinquedos que demonstram a repercussão e a influência da mídia.

 

    Entre algumas brincadeiras coletadas pudemos observar que as crianças brincam cotidianamente de brincadeiras e jogos populares como: elástico, amarelinha, pular corda, brincar de casinha, passar o anel, telefone sem fio, esconde-esconde, adedonha, e as lutas corporais. E o Pia, que é conhecemos por joa-pega ou pega-pega. Porém nos detemos em relacionar apenas algumas brincadeiras visto a extensão do material, e dividindo-as em categorias.

 

    Incorporamos a importância desta pesquisa na justificativa aludida por Nunes (2002) que traz que o estudo das brincadeiras é um instrumento de investigação e análise que contém grandes potencialidades, no sentido de que além de descobrirmos brincadeiras especificadas de cada povo indígena, também reflexionamos sobre as noções de interculturalidade.

 

    Dessa forma nossa indagação se faz nos seguintes questionamentos: “Quais são as brincadeiras dessas crianças? Que relações (inter)culturais podemos fazer a partir da observação dessas brincadeiras?”

 

    Objetiva assim, trazer a descrição, considerações e reflexões das brincadeiras indígenas Tremembé e sua aproximação com o meio cultural estimulado pelas especificações que integram a natureza, a sazonalidade, os rituais, os desenhos corporais, a influência moderna esportiva, suas parlendas e histórias.

 

Brincadeiras na infância Tremembé

 

    Brincadeiras na natureza

 

    A predominância de brincadeiras na natureza é uma característica da maneira de brincar indígena. Os pequenos Tremembé se banham nos rios, lagoas e córregos. As brincadeiras que abrangem o mar são comuns devido à sua localização costeira; como o pega-pega no mar, corrida no mar, e etc. Brincam também na e com a areia da praia, estas que envolvem guerra de areia, enterrar-se, catar conchas e construção de esculturas (Pereira, Gomes & Castro, 2019). Relata-se mais à frente sobre brinquedos, adornação corporal e contação de histórias que ainda revelam essa associação com a natureza.

 

    Possuem também brincadeiras de trepar nas árvores. Além disso, as crianças interagem com os animais mantendo grande intimidade com eles (que são aves em geral, como galinhas, pintos, patos e pássaros; além de outros animais como cachorros, gatos, peixes, siris, rãs, sapos e insetos), e os imitando.

 

Imagem 1. Meninos Tremembé brincando de imitar animais

Fonte: arquivo pessoal dos autores (2009)

 

    Para isto Freyre (2000) nos traz que da tradição indígena ficou o gosto pelos brinquedos, brincadeiras e jogos que imitam os animais, sendo os mais comuns, o cavalinho e o boi. Como se vê na Imagem 1, a qual dois meninos brincam, um imitando um cavalo e o outro, o cavaleiro. Não havendo também, nenhum tipo de exaltação por quem é o cavaleiro e ou diminuição por quem é o cavalo. Pelo contrário ser o bicho ou o ser humano é tão divertido quanto. Esse tipo de imitação foi visto várias vezes durante a pesquisa de campo e é habitual nesse universo das brincadeiras indígenas Tremembé.

 

    A natureza mesmo sendo importante espaço para estes índios (seja para o trabalho, seja para o lazer) a cada dia que passa é ameaçada pela ação dos não-índios, entre eles posseiros, grileiros, e grandes empresários que acabam com a natureza e ameaçam as matas para ocupação de pastos, ocupação do agronegócio e construção civil, derrubadas, queimadas, especulação imobiliária e a exploração turística da região.

 

    O mar, córregos, rios e lagoas são também ameaçados pela poluição, desvio e retirada da água para a agricultura, edificação de açudes particulares e entrada de areia nos rios. Durante a pesquisa, inclusive por várias vezes, foi vista a ação dos não-índios num campo de areia em que os índios jogavam futebol, que teve a areia revolvida e foi cercado. Ameaça como esta dizem respeito à não preservação dos espaços e saberes deste povo.

 

    Pereira, Gomes e Castro (2019) nos trazem que a confrontação e análise dos dados coletados apontam que as práticas lúdicas dos Tremembé acompanham as alterações que ocorrem na natureza, nos moldes da organização social deste grupo. Dessa íntima ligação avultam-se marcas sazonais e condições que favorecem estas práticas. Essas marcas sazonais não são localizadas apenas nas estações climáticas, mas em simbologias diferentes. Averiguou-se a existência de temporadas de brincadeiras, apesar das modificações no repertório lúdico e das circunstâncias em que eram praticadas. Como exemplo, trazemos a questão do só brincar no mar quando a maré está baixa; subir nos cajueiros por que está na época do caju; banho em rios, córregos e lagoas nas cheias; brincar com as sementes na época de cada árvore; banho de chuva; colocar pétalas de rosa sobre as unhas fingindo estarem de unhas pintadas; colher frutos e caçar alguns animais (Pereira, Gomes & Castro, 2019).

 

    Nunes (1999) ao trazer o contexto da brincadeiras das crianças Xavante, relata que quando essas brincam, estão elaborando o próprio contexto social em que vivem. Seu artigo soma os aspectos do cotidiano Xavante e as práticas lúdicas através da constatação de que as brincadeiras fazem parte da rotina prestando-se a resultados da realidade; e evidencia a partir das brincadeiras dimensões sobre corporeidade, cultura e de contextos da vida social, como espaço e tempo existentes nas brincadeiras sazonais. Onde espaço e tempo são categorias analisadas e exploradas fundamentadas em estudos sobre o aspecto lúdico infantil.

 

    Parlendas ou Lenga-lengas

 

    As parlendas ou lenga-lengas são rimas tradicionais de origem oral e cantigas populares, que são recitadas em brincadeiras infantis. As lenga-lengas, musicalidade e “adivinhas” fazem parte do mundo infantil Tremembé. Muitas dessas cantigas relatam nomes de animais, como exemplo, trazemos algumas que foram cantadas por uma criança.

    A galinha do vizinho bota ovo amarelinho. Bota um, bota dois, bota três, bota quatro, bota cinco, bota seis, bota sete, bota oito, bota nove e bota dez. A galinha do soldado bota ovo bem cuidado. Bota um, bota dois, bota três, bota quatro, bota cinco, bota seis, bota sete, bota oito, bota nove e bota dez. A galinha magricela bota ovo na panela. Bota um, bota dois, bota três, bota quatro, bota cinco, bota seis, bota sete, bota oito, bota nove e bota dez.

    Papagaio verde do bico dourado entregue essa cartinha para o meu namorado. Se tiver dormindo, bata na porta. Se tiver acordado, deixar pendurado.

 

    O sapo não lava o pé, não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer. Mais que chulé.

    Outras parlendas observadas, são as chamadas brincadeiras das línguas em código.

    A sapa não lava a pá. Não lava porqua não cá. Ele mora na laga não lava a pá porqua não cá. Mais que chalá (língua do A). E sepe não leve é pé. Não leve porque não qué. Ele mora na legé não leve pé porque não que´. Mais que chelé (língua do E). A sipi não livi i pi. Não livi porqui não qui. Ele mori na lagui não lava a pi porqui não qui. Mais qui chili (língua do I). A sopo não lovo o pó. Não lovo porquo não co. Ele moro na lagó não lavo a pó porque não co. Mais que choló (língua do O). A supu não lava a pu. Não lava porque não cu. Ele moru lá na lagu. Não lavu o pu porque não cu. Mais que chulu (língua do U).

    Nota-se que nas brincadeiras cantadas há um processo de introdução de outras culturas, visto que os Tremembé não são povos isolados, pois possuem frequência de relações permanentes, seja com não-índios e com outros povos indígenas. Há também entre eles uma forte influência dos meios midiáticos, como a televisão, internet, rádio etc.

 

    Brinquedos

 

    Segundo a definição de Brougère (2004) o brinquedo é o suporte da brincadeira, quer seja concreto ou ideológico, concebido ou simplesmente utilizado como tal ou mesmo puramente fortuito.

 

    Entre os Tremembé presenciou-se brinquedos como carrinhos, bonecas, bonecos de super-heróis, bolas, estilingues, damas, bicicleta, além de brinquedos confeccionados com sucata.

 

Imagem 2. Criança Tremembé brincando com sucata

Fonte: arquivo pessoal dos autores (2009)

 

    Para esta afirmação do universo lúdico dos brinquedos construídos de sucata, trazemos como exemplo a Imagem 2, onde uma criança brinca com sucata e restos de madeira fingindo ser pescador numa jangada. Uma expressão da realidade, onde podemos observar a mítica lúdica da brincadeira associada a imitação de um trabalho: a pesca. Ele relatava já ir para o mar, acompanhando os pescadores. Quase todas as manhãs o menino brincava nessa sucata fingindo pescar. Nas observações durante a pesquisa foram vistas crianças Tremembé imitando pescadores, tecelãs, agricultores, pajés e caciques.

 

    Silva (1982) nos traz em suas observações realizadas nas sociedades indígenas brasileiras, de modo unânime, que não existem problemas, ou conflitos, de sociabilidade por parte dos adultos em integralizar a criança em todas as atividades da vida cotidiana, existe uma permissividade, quase que sem limites. As crianças participam inclusive do trabalho dos adultos, como a caça, a pesca, a confecção do artesanato e dos afazeres da vida doméstica. Observa-se inclusive a inserção dessas atividades em suas brincadeiras, como na Imagem 1.

 

    E é aparentemente essa desordem, ou falta de ordem, ou, antes, uma ordem vivida de outro modo, imersa num espírito lúdico, espontânea e sem compromisso, que pode estar no cerne de todo um processo educacional (Nunes, 1999). Para esta questão Silva (2002) nos traz que

    Quando uma menina está cantando e dançando, pulando de uma poça de água para outra, e em cada uma reproduzindo um movimento que expressa o necessário balanço de corpo para socar o arroz ou milho no pilão, e que simultaneamente o mesmo movimento de algumas das danças femininas, ela está conjugando ritmo, espaço, tempo, ritual, corpo, criação, trabalho, espontaneidade, descoberta, diversão, peculiaridade e universalidade. (Silva, 2002, p. 60)

    Nunes (1999) ainda afirma que a criança transita entre a imitação e a recriação com uma facilidade e com sutilezas que nos escapam. Imitar, para a criança, é diferente do que é para nós que, inclusive, consideramos a imitação como algo menor, sem inspiração, estéril. A criança imita para se projetar adiante, para se descobrir, entender e superar1. Um modo de conhecer e conhecer-se, tendo momentos de transmissão e recepção próprios. Percebemos inclusive, que as crianças Tremembé imitavam além de animais, os adultos e a eles mesmos.

 

    No tocante aos bonecos de super-heróis, as crianças Tremembé carregam a evidência da inserção da mídia e de outras culturas já inseridas entre eles. Uma criança afirma: “Eu brinco de cavalo, de boneco de Batman, de tigre. Eu brinco. Quando eu vô pra praia eu brinco, levo meus brinquedos”. Ressaltamos que não trazemos nisso uma visão carregada de preconceitos, visto que pelo contato secular, algumas comunidades indígenas aderiram à sua cultura traços de culturas não-índias.

 

    Já entre o meio feminino o brinquedo mais habitual é a boneca, além de ser observado que adolescentes de até 14 anos relatavam que ainda brincavam. “Eu brinco mais as minhas colegas. De bola, de boneca. Só essas brincadeiras mesmo.”

    Retornando com a relação das brincadeiras na natureza, as crianças utilizam espinhos, búzios e conchas, galhos e folhas das árvores, flores, castanha de caju, sementes, pedras entre outros elementos retirados da natureza como brinquedo (Pereira, Gomes & Castro, 2019). Brougère (2004) quando aborda a temática do uso dos brinquedos pelas crianças, reitera que estes estão ligados às alterações do mundo, participando da construção da infância; esta que é vivida diferentemente conforme a cultura, época e classe social.

 

    As crianças também dividem seus brinquedos, brincando sempre em grupo. Não se vê qualquer tipo de apego material ou traços do consumismo ou individualismo pelos brinquedos, mas sim uma repartição muito bem organizada pelo grupo.

 

    Jogos indígenas

 

    Huizinga (1971) afirma que o jogo é um fenômeno fundamental da cultura, uma categoria primária da vida, tão primordial quanto o raciocínio, sendo acompanhado de sentimentos de alegria e tensão, além de uma consciência de ser distinto do cotidiano. Definindo-o como uma atividade espontânea exercida dentro de determinados limites de espaço e tempo e com regras consentidas, porém obrigatórias, e com um fim em si mesmo.

 

    No dia 7 de setembro os Tremembé realizam jogos indígenas, nos quais reúnem-se todas as aldeias, na aldeia de Almofala. São realizados jogos de arco e flecha, brincadeira do tatu, brincadeira de quebrar o pote com os olhos vendados, mata o pato, cabo de guerra (Ver Imagem 3), arremesso de lança, corrida, o futebol e ainda o desfile para escolha da miss Tremembé. Tais jogos envolvem crianças, adolescentes e até os adultos.

 

    Fassheber (2006) nos traz que esses desportos têm um sentido dos princípios da cultura indígena numa conexão com outras culturas, criando características singulares.

 

Imagem 3. Jogos indígenas Tremembé realizados na praia de Almofala durante os jogos

Fonte: Imagem cedida pelo fotógrafo Iago Barreto Soares (2018)

 

    Entre os Tremembé é habitual a presença de esportes como o futebol, o qual foi visto várias vezes durante a pesquisa (Ver Imagem 4). Esse esporte é jogado na comunidade geralmente com bolas improvisadas e de tamanho inferior a convencional. Essa inserção particular dos jogos desportivos entre as etnias indígenas foi classificada de acordo com Fassheber (2006) como etno-desporto:

    O Etno-Desporto indígena está, então, fundamentado na possibilidade das culturas adaptarem e transformarem suas próprias tradições e adaptarem e transformarem as tradições advindas do contato. Mais que adaptar e transformar, o Etno-Desporto expressa o processo de ressignificação de valores culturais e uma reinserção com o mundo dos brancos: a criação pela mímesis – de uma segunda natureza (p. 91).

Imagem 4. Futebol feminino

Fonte: arquivo pessoal dos autores (2010)

 

    Contação de histórias

 

    Os Tremembé são também reconhecidos por serem exímios contadores de histórias. “A quantidade e variedade das narrativas que gostam de lembrar fica logo evidente a qualquer visitante que chegue a Almofala, dispostos a conversar sobre assuntos que digam respeito ao passado da aldeia dos índios, cujos descendentes ali vivem” (Pereira, Gomes & Castro, 2019, p. 14). Com as crianças não é diferente, quando estão reunidas a atividade mais habitual entre elas é a contação de histórias, até mesmo entre os adultos. Esses últimos repassam muitos saberes culturais e históricos às crianças através da tradição oral.

 

    Segundo Povos Indígenas do Brasil (1991) um das particularidades mais importantes da significação da etnicidade deste povo seria sua memória social. Entre eles há a

    [...] rememoração do passado, de fatos acontecidos, de pessoas falecidas, de "histórias" contadas pelos pais e avós. Além disso, narrativas orais tradicionais podem ser emitidas combinando os testemunhos do passado vivenciado pelos Tremembé. Esse embaralhamento de eventos históricos e imaginários provém da maneira como eles concebem e apreendem o tempo. (Pereira, Gomes & Castro, 2019, p. 14)

    Gostam tanto de contações de histórias que remontam seu passado e a vida cotidiana, como também de histórias de terror, às quais as crianças denominam de “histórias assombrantes”. Histórias que versam sobre os seres que eles chamam de “encantados”, que são os seus antepassados que foram encantados desde o começo do mundo, ou como relata Gondim (2010) são seres sobrenaturais que permeiam o universo cosmológico dos Tremembé. Ou ainda na definição do Cacique João Venâncio “Que pra gente eles não morrem, eles se encantam”2. Histórias que relatam desde seus antepassados à outros seres como a botija, meninos vaqueiros, lobisomens, bruxas, a mãe d’água (cobra), o assobiador, siris encantados, ou o curupira e o caipora que vivem nas matas, e o guajara, entidade mítica que protege os manguezais (Santos, 2014). Para o povo Tremembé o manguezal, o rio e o mar são entes vivos protegidos por encantados” (Pereira, 2010, p. 36). Brissac (2012, p.3 apud Oliveira Júnior, 2006, p.152) afirma que

    Os índios advertem que os rios, os córregos, as lagoas, a chuva e o mar não se encontram submetidos aos desejos humanos e, por isso, nos falam da existência de seres divinos que interferem nas ações dos homens sobre o meio ambiente. Ao longo de minha convivência com os Tremembé, ouvi e registrei depoimentos sobre seres encantados que atuam como guardiões da natureza. Um deles, conhecido como Guajara, mora no mangue. Apesar de invisível, manifesta-se em forma humana ou animal. É deveras dissimulado e intimida as pessoas de diversas maneiras. Costuma interferir nas ações humanas sobre o meio ambiente, persegue os pescadores e impede que a pesca se realize. Às vezes propõe-se a ajudá-los e aponta alternativas para certas situações. Não é prudente ignorar seus ensinamentos e desobedecê-lo. O Guajara não aceita ser contrariado, agindo com rigor e penalizando quem ousa afrontá-lo.

    Conforme Gondim (2015, p. 3) as narrativas acerca dos encantados estão cheias de histórias sobre animais e pessoas que, de repente, tornam-se invisíveis ou transmutam-se de uma coisa em outra. Assim, a natureza dos corpos, para os Tremembé, não é algo dado e imutável. “Os corpos de humanos e animais e os objetos, de uma forma geral, podem se transformar”.

 

    Entre outras contações destacamos que os Tremembé também são contadores de piadas contumazes. Rindo bastante e divertindo-se quando zombam dos outros, de si mesmos, numa expressão que eles intitulam de “mangar”. Inclusive as crianças zombavam bastante do seu antigo transporte escolar, que era um “pau-de-arara”, o qual apelidaram de “cafuringa”. O transporte levava as crianças de volta as suas casas e durante o trajeto que fazia todos os dias foi observado que ele era um ponto de contação de histórias entre crianças e adolescentes, que conversavam sobre seu cotidiano, a escola, a família e até de seus romances.

 

    Brincando de ritualizar

 

    Entre as danças e rituais dos Tremembé estão o Torém, São Gonçalo, Bulieira, Caninha-verde, Salomeu, Caçador, Festival dos Santos, Aranha, Rêso e Coco de roda. (Ceará, 2007). O ritual mais conhecido é o Torém. Na escola indígena diferenciada Maria Venâncio, o ritual é praticado duas vezes por semana, as segundas e sextas-feiras (Ver Imagem 5). As crianças por diversas vezes brincam sobre o ritual imitando ser o cacique, o pajé, entre outras lideranças da comunidade.

 

Imagem 5. Crianças dançando o Torém antes de começar a aula

Fonte: arquivo pessoal dos autores (2009)

 

    Os Tremembé repassam sua língua e tradição por meio do Torém. Mesmo diante de suas inúmeras particularidades étnicas, este povo ameríndio é reconhecido culturalmente, sobretudo, pelo ritual ancestral, que faz parte da sua singularidade cultural, cantado ora em língua portuguesa, ora em língua ameríndia. O Torém é, senão, a forma mais marcante de resistência cultural entre esse grupo indígena; sendo também uma das principais formas de aglutinação e de organização étnica, trazendo uma expressão da unidade do grupo. O ritual do Torém é memória, auto reconhecimento, é educação, e traz o afloramento de narrativas da história deste povo.

 

    Foi visto por inúmeras vezes as crianças brincando com maracás ou maracas (instrumento em forma de chocalho que é utilizado para dar ritmo ao ritual). Onde para Turner (2005) a performance ritual refere-se, justamente, ao momento da expressão, e esta completa a experiência. Peirano (2003) afirma que “Rituais são bons para transmitir valores e conhecimentos e também, próprios para resolver conflitos e reproduzir as relações sociais” (p. 8). Mesmo quando as crianças apenas gestualizam esses rituais, estão perpetuando de forma real saberes que lhes são próprios; as mãos enlaçadas denotam ainda esse sentimento de unidade grupal vivenciado por elas.

 

O desenho infantil, mas o desenhar no corpo

 

    A ornamentação corporal ocupa um lugar de destaque entre as expressões estéticas indígenas, abrangendo dois aspectos elementares: a corporeidade e a noção de sujeito agregada à construção de suas autoimagens. A corporeidade nesta conjuntura ocupa um lugar de preferência e uma posição organizadora central.

 

    Vidal (1992) ao tratar sobre a ornamentação e a pintura corporal traz que estas revelam a cada um à sua noção de sujeito em confrontação a todos os outros indivíduos, no tempo e no espaço, sendo recurso para a construção da identidade e da alteridade.

 

    Em dias comuns os Tremembé pintam-se, como preparados às ocasiões especiais nas quais a presença da ornamentação corporal é elemento essencial. Para os jovens indígenas serem pintados, sentirem e verem seus corpos exibindo desenhos que fazem parte de sua cultura como cocares, cajus, e/ou círculos e linhas geometricamente dispostos, “significa aprender algo sobre si mesmo, sobre seu lugar no mundo e sobre os demais. É um processo de aprendizagem e conhecimento expresso corporalmente” (Pereira, Gomes & Castro, 2019, p. 23). Tais grafismos são manifestações que desvelam padrões de grupos indígenas carregadas de simbolismos e apreendidos por todos do grupo. Carregam valores de identificação do indivíduo diante de si mesmo e dos demais. (Mauss, 1974)

 

    Pintam-se tanto com caneta, como com a tinta extraída da tinta do jenipapo (fruta nativa, que ralada e embebida em álcool e dá uma coloração azul escuro) e com o urucum (de onde extraem a coloração vermelha). Apesar da pintura com linhas e círculos serem bastante usuais entre este povo (ver Imagem 6), essa pintura não é específica deles, como afirma uma criança indígena “Essa pintura não é dos Tremembé. A nossa é caju, cocar... Mas essas são dos índios também”. Este tipo de colocação é importante para expressarmos que os Tremembé já têm contato com sociedades não índias, como afirmado anteriormente, porém mantém contato também, com outras sociedades indígenas. Aqui trazemos a noção do conceito de interculturalidade que segundo Paula (1999) aponta que as sociedades indígenas já estão se relacionando com a sociedade não-indígena, desde o momento do seu contato. Assim, o modo como ocorrem essas relações se reflete no cotidiano e vida das sociedades indígenas. Aqui o conceito de interculturalidade, aponta para uma influência recíproca entre as culturas.

 

Imagem 6. Pintura corporal de menina Tremembé

Fonte: arquivo pessoal dos autores (2010)

 

    Além das pinturas corporais, utilizam adornos e bijuterias, como anéis, tiaras, enfeites de cabelo, pulseiras, gargantilhas e brincos, que são construídos com conchas, búzios, sementes, penas, pedaços de madeira, miçangas, conchas, patas de lagosta, dentes de animais e sementes e cipós3. Este tipo de adornação corporal já era usada pelos indígenas desde antes da era colonial, como citado por Freyre (2000): “Era também o corpo pintado de urucu ou jenipapo; os beiços, o septo, as orelhas perfuradas; batoques, fusos, penas enfiadas nesses orifícios; dentes de animais “pendurados ao pescoço” (p. 190).

 

    Constroem ainda vestimentas para as ocasiões especiais feitas de palha e penas, além do uso de cocares, como podemos ver na Imagem 7. As crianças fabricam seus próprios adornos junto com os adultos, como um saber ancestral repassado dos mais velhos para os mais novos.

 

Imagem 7. Índios Tremembé desfilando na comemoração do 7 

de setembro na Escola Indígena Diferenciada Maria Venâncio

Fonte: Acervo pessoal dos autores (2018)

 

Conclusões

 

    A partir do exposto percebemos que as crianças indígenas Tremembé têm apropriação nas construções de suas práticas lúdicas através das brincadeiras; no envolvimento com seu meio sociocultural e sendo protagonista dessas, das aprendizagens e de suas descobertas. Para isto Nunes (2002) relata que

    São as brincadeiras que, no decorrer do período que corresponde à infância, oferecem às crianças alguns dos pontos de referência cruciais para a percepção das dimensões espaciais e temporais nas quais seu cotidiano acontece. Uma vez incorporados, esses pontos de referência tornam-se conhecimento, tanto de domínio individual ao longo de toda a sua vida. (Nunes, 2002, p. 69)

    As brincadeiras são repassadas pela observação e pela participação, na vivência/experiência. A partir dessas relações as crianças produzem seu próprio entendimento e interpretação do mundo. A percepção, o sensorial, a inquietação, a corporeidade e suas ânsias são ampliadas num processo de significação e reformulação de novos sentidos e significados para esse processo identitário.

 

    Sabemos que no ambiente urbano é quase que incomum trepar em árvores, correr no mar, banhar-se no mar, na chuva e etc. Inclinado no entendimento de proteção hierárquica e na intenção de reduzir impactos e experiências tidas como selvagens e perigosas. Ao contrário desse entendimento de senso comum e incorreto alastrado na modernidade, o contato com a natureza, com os seus desejos de agir e mover-se espontâneo é inerente à natureza da criança indígena. Por isso ressaltamos aqui a proteção de seus espaços naturais.

 

    Ressalta-se, contudo o envolvimento dos adultos nas brincadeiras infantis, onde muitas delas são uma forma de perpasse de saberes ancestrais do mais velhos para os mais novos. A criança Tremembé, neste cenário, torna-se de fato, protagonista de sua ludicidade. A nuance do mundo infantil Tremembé rememora e exalta sua cultura de forma muito peculiar, mesmo que ainda em associação com outras culturas. Nota-se que a cultura indígena Tremembé, ainda é, sobretudo, dominante nas brincadeiras que desvelam seu tempo e espaços naturais atrelados a sua etnicidade. Aproximamo-nos deles e compreendendo que é nas brincadeiras que a criança vai desvelando sua corporeidade expressa em ações e protagonizando sua criatividade desvelada na ludicidade de seu mundo. Consideramos para tal a importância das brincadeiras indígenas como prática social que garante o sentido de identidade e pertencimento ao grupo étnico.

 

    O arcabouço teórico desenvolvido neste estudo deixa evidente a exaltação das brincadeiras indígenas dos Tremembé a partir do relato de formas próprias de como estas ocorrem, bem como a construção sociocultural da criança.

 

    A cosmologia dos Tremembé são suas teorias do mundo no espaço e no tempo, definindo o lugar que ocupam e expressando concepções que revelam a correlação permanente constante nas trocas de saberes com outros povos, trazendo a noção de interculturalidade. Na vida cotidiana das crianças Tremembé a interculturalidade também orienta e dá sentido as brincadeiras, permitindo interpretar suas expressões simbólicas. A ludicidade da criança indígena se entrelaça assim, com outras dimensões cosmológicas próprias e se modifica através de contatos étnicos distintos.

 

Notas

  1. Volta-se aqui ao exemplo da Imagem 1, em que os meninos Tremembé brincam de imitar ser cavalo e cavaleiro.

  2. Acervo pessoal dos autores.

  3. Volta-se à discussão da temática do lúdico na natureza.

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