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Estudo do golo de cinco equipas portuguesas 

jogando em casa e fora na época 2018-2019

Study of the Goal From the Top Five Portuguese Teams 

Playing at Home and Away in 2018-2019 Season

Estudio de los goles convertidos por cinco equipos portugueses 

jugando de local y de visitante en la temporada 2018-2019

 

Gonçalo Costa

gnlpc99@gmail.com

 

Estudante do último ano da Licenciatura em Treino Desportivo

Instituto Politécnico da Maia

(Portugal)

 

Recepção: 05/05/2019 - Aceitação: 18/10/2019

1ª Revisão: 24/09/2019 - 2ª Revisão: 10/10/2019

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt

 

Resumo

    El objetivo deste trabalho foi perceber se existem diferenças entre os jogos disputados em casa e fora. Para tal, procedeu-se a um estudo comparado das 14 primeiras jornadas, das 5 principais equipas do campeonato português (F.C. Porto, Sporting C.P., S.C. Braga, S.L. Benfica e Vitória S.C.) na época 2018/2019 dadas as 5 principais razões para a vantagem caseira registadas na literatura, o campo, as viagens, os adeptos, o árbitro e familiaridade com o terreno. O principal meio de recuperação da bola é em falta, na zona ofensiva central, com o último passe a surgir nessa mesma zona, como método mais vezes registado surge o contra-ataque, com os golos a serem finalizados majoritariamente com o pé direito, no centro da grande área em casa e por pênalti fora de casa. Apenas foram registadas maiores diferenças entre as duas condições, no número de registos, maior em casa, e nas zonas de finalização que apresentam maior equidade entre zonas nos jogos fora de casa.

    Unitermos: Futebol. Golo. Casa e fora. Observação.

 

Abstract

    The target of this paper was to understand if there is any differences between the games at home and away. For that we did a comparative study of the first 14 games from the main 5 teams in Portuguese championship (F.C. Porto, Sporting C.P., S.C. Braga, S.L. Benfica and Vitoria S.C.) in 2018/2019 given the main reasons found in the literature for the home advantage, the field, trips, fans, referee and the familiarity with the pitch. The main mean of recovery the ball was in fault, in the offensive central zone, being the last pass executed in the same zone, as the most registered method is the counter-attack as the goals are finalized mostly with the right foot in the middle of the box zone at home and penalty away. The majority of the differences were in the number of records, bigger at home, and in the finalization zones with more equality between zones in the away games.

    Keywords: Soccer. Goal. Home and away. Observation.

 

Resumen

    El objetivo de este estudio fue averiguar si existen diferencias entre los resultados de los partidos jugados de local y los de visitante. Para esto, se realizó un estudio comparativo de los primeros 14 partidos de los 5 equipos principales del campeonato portugués (F.C. Porto, Sporting C.P., S.C. Braga, S.L. Benfica y Vitória S.C.) en la temporada 2018/2019, de los 5 motivos principales para la ventaja de local que registra la literatura: el estadio, los viajes, los aficionados, el árbitro y la familiaridad con el terreno. El medio principal para recuperar el balón en la zona ofensiva central es con faltas, con el último pase en esa zona, ya que el método registrado con mayor frecuencia es el contraataque, y los goles se anotan principalmente con el pie derecho en el centro del área grande de local y de penal de visitante. Solo se registraron las mayores diferencias entre las dos condiciones, en el número de registros, mayores de local y en las zonas de llegada que presentan una mayor igualdad entre las zonas en los partidos de visitante.

    Palabras clave: Fútbol. Gol. Local y visitante. Observación.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 258, Nov. (2019)


 

Introdução

 

    A vantagem caseira, nos jogos desportivos coletivos, é caracterizada pela consistência com que as equipas anfitriãs vencem mais de 50% dos jogos disputados no seu estádio, realizando o mesmo número de jogos fora e em casa, enfrentando os mesmos adversários (Sampaio e Janeira, 2005). Muitos estudos foram feitos no sentido de perceber as razões que podem levar a que tal vantagem se verifique, como poderemos perceber com o decorrer do trabalho. Várias razões foram propostas, sendo que não existe consenso total na literatura. As razões que mais vezes são abordadas têm que ver com o campo, viagens, familiaridade com o espaço, os adeptos e os árbitros.

 

Figura 1. Fatores da vantagem caseira (Arrese, Urdiales, e Izquierdo, 2013)

 

    O campo é um dos fatores que pode conceber vantagem a quem já o conhece, uma vez que segundo a FIFA (IFAB, 2018) as medidas do campo podem variar em largura e profundidade. Em largura o campo pode variar entre 45 e 90 metros, já no comprimento a variação pode existir entre 90 a 120 metros. Para além disso, o relvado pode ser natural ou sintético, se o regulamento assim o permitir. Estas são alterações que podem fazer a diferença em jogos. A acrescentar a tudo isso, alguns campos apresentam irregularidades ou até mesmo marcas fora do próprio relvado, que ao não serem conhecidas por quem visita este campo pela primeira vez podem resultar em desvantagem para essa equipa. Num estudo realizado por Clarke e Norman em 1995, utilizando cinco clubes com dimensões de campo diferentes das restantes utilizadas na competição, a Liga Inglesa, durante onze épocas foi possível perceber que estes clubes conseguiram uma vantagem superior em casa relativamente à média dos clubes da mesma competição. Num estudo de Costa et al. (2011), foi comprovado que as medidas do campo alteravam a forma como a equipa jogava, principalmente nos princípios defensivos, em campos maiores eram predominantes as ações relacionadas com o equilíbrio enquanto que em campos mais pequenos o espaço, cobertura defensiva, concentração e unidade defensiva eram os princípios mais utilizados. Para além disso, no mesmo estudo foi provado que são efetuadas alterações estratégicas de preparação para o jogo mediante o tamanho do campo.

 

    Para além disso, em 2002, Pollard, no seu estudo concluiu que a vantagem caseira era diminuída quando os clubes se encontravam em alterações de reduto, sendo que das 37 equipas analisadas, 26 registaram um declínio na sua vantagem de jogar em casa, uma equipa não mostrou alterações e dez registaram aumento neste valor. Desta forma, podemos considerar a familiaridade como sendo um dos pontos que influencia a vantagem de quem joga no seu próprio estádio, apesar de ser benéfico que mais estudos fossem efetuados neste sentido.

 

    Como segundo ponto de possível vantagem caseira surge as viagens que tem de ser feitas pelas equipas adversárias para se deslocarem até ao terreno de jogo, sejam elas maiores ou mais pequenas. Pollard e Gómez (2009) realizaram um estudo com o objetivo de tentar perceber qual era a vantagem das equipas das ilhas, nas principais ligas de futebol em Espanha, França, Itália e Portugal.Verificou-se que em todas essas ligas, os clubes que jogavam nas ilhas apresentaram uma vantagem maior em jogar em casa relativamente às restantes equipas do campeonato. Na ilha francesa de Córsega a vantagem de jogar em casa era de 73.8% enquanto que na restante liga era de 66.7%. Em Sicília, na Itália, a vantagem era de 70.2%, sendo que na restante liga era de 64.9%. Os clubes portugueses que jogaram nas ilhas, durante o estudo apresentaram uma percentagem de vitória caseira superior, apesar de não ser significativa, relativamente às restantes equipas, enquanto que em Espanha, os resultados não apresentaram discrepâncias entre os clubes que jogavam em casa nas ilhas e os restantes clubes.Seckin e Pollard (2008) realizaram um estudo para tentar perceber também a importância que as viagens poderiam ter no resultado, na liga Turca. Assim, os jogos que eram disputados entre duas equipas da mesma cidade apresentaram uma menor vantagem caseira quando comparado com o restante campeonato (61.7% vantagem caseira no campeonato para 57.7% de vantagem caseira quando eram jogos que se realizam com equipas da mesma cidade), no entanto, quando o jogo era disputado numa região mais remota desse mesmo país, a vantagem caseira aumentava para valores que variavam entre 67.5% e 76.5% mediante a equipa, comparado com a vantagem caseira média de 61.5% no restante campeonato.

 

    Sabe-se que a influência que os adeptos apresentam pode também ser um fator a ter em conta, apesar de na literatura não existir consenso entre autores. Pollard (1986), afirma que os adeptos não são um fator tão importante no fator casa, uma vez que em duas ligas diferentes, em que uma tinha assistências a rondar os 70% enquanto que a outra rondava os 20%, a vantagem caseira não sofreu grandes alterações. Porém, Schwartz e Barsky (1977), haviam concluído que o apoio dos adeptos era fundamental, principalmente em jogos que as duas equipas apresentam mais desequilíbrios entre si, uma vez que em jogos equilibrados, o apoio dos adeptos não tem tanta influência.

 

    Porém, os adeptos têm também influencia, não apenas na equipa que apoiam, mas também naquilo que são as decisões dos árbitros.Segundo Nevill et al. (2002) os árbitros tendem a favorecer a equipa da casa, sendo que neste estudo, os autores avaliaram as decisões dos árbitros em jogos de futebol, em que quarenta árbitros assistiam ao mesmo jogo, vinte e dois com o normal barulho do estádio e os restantes dezoito sem qualquer barulho. Os juízes que viram o jogo com som marcaram menos faltas contra a equipa da casa. Também Sutter e Kocher (2004) comprovaram que menos pênaltis são marcados contra a equipa da casa e mais são os recusados às equipas forasteiras. Ainda no mesmo estudo, os autores confirmam que quando a equipa da casa está a perder, os juízes acrescentam, significativamente, mais tempo extra quando a equipa da casa está em desvantagem.

 

    Apesar de essa vantagem existir, ela tem vindo a diminuir, como podemos comprovar pelo estudo de Pollard e Gomez (2009), em que a vantagem caseira foi analisada em três países, sendo que em todos eles esse declínio aconteceu. Em frança, na época 1974-1975 a vantagem era de 75%, enquanto que em 2005-2006 desceu para valores de 61%. Em Itália, o máximo foi alcançado em 1947-1948 (74%) e os valores mais baixos foram registados em 2003-2004 com 59%. Na liga portuguesa a vantagem mais alta atingida foi de 74% em 1953-1954, com os valores mais baixos a serem de 58% na época 2006-2007. Por fim, em Espanha, os valores mais elevados remontam à época de 1933-1934 com 84%, sendo que em 2005-2006 a vantagem caseira passou a ser de apenas 57%.

 

    Com este trabalho pretendemos perceber quais as mudanças que se podem verificar em termos, comportamentais na equipas, entre os jogos que são disputados no seu reduto e aqueles que não são, para que dessa forma se possa perceber, se para além de todos os aspetos atrás enumerados, também a estratégia adotada pela equipa pode influenciar na vantagem caseira.

 

Método

 

Amostra

 

    Neste estudo foram utilizados todos os golos em que foi possível obter toda a sequência de ações a partir do momento em que a bola é recuperada, de cinco equipas do futebol português, S.L. Benfica, Sporting C.P., F.C. Porto, Vitória S.C. e S.C. Braga. Das 14 jornadas analisadas, onde foram marcados 140 golos pelas cinco equipas, foi possível codificar 120 ações que culminaram em golo, o que equivale a cerca de 86%.

 

Instrumento

 

    De modo a desenvolver este estudo, utilizou-se o instrumento de observação de golo no futebol (SOGF). Este instrumento apresenta seis categorias para codificar os eventos: forma de recuperação de bola, zona de recuperação da bola, zona do último passe para finalização, método de obtenção de golo, forma de obtenção de golo e zona de finalização. Tal como podemos verificar no artigo de Santos et al. (2016), este instrumento encontra-se validado.

 

 

Figura 2. Zonas de finalização (Santos et al. (2016))

 

Figura 3. Campograma da divisão do terreno de jogo em zonas (Santos et al. (2016))

 

Procedimento

 

    A obtenção dos golos foi obtida através da transmissão televisiva e do site oficial da liga portuguesa. Para codificar os eventos, foi criado um ficheiro Excel onde foram colocadas todas as categorias em questão e onde se fez também a devida contagem. Para efeitos de fiabilidade intraobservador, recorreu-se ao índice de fiabilidade de Kappa (Cohen, 1960), sendo registados valores superiores a 0.85 nas categorias observadas.

 

Resultados

 

    Após a análise e tratamento dos dados, conseguimos perceber algumas diferenças nas exibições no seu reduto e fora dele, desde logo pelo maior número de golos marcados no seu estádio quando comparamos com o número de golos marcados fora. Dos cento e quarenta golos marcados no total pelas cinco equipas, oitenta e três desses golos foram marcados no seu estádio e os restantes cinquenta e sete foram marcados fora da sua casa. O F.C. Porto é a equipa com menos golos marcados fora de casa (10), enquanto que o Benfica foi a equipa mais concretizadora longe do seu estádio, no entanto quando contabilizamos os golos marcados em casa, a equipa do Porto conta com o maior número (20), com o Vitória S.C. do lado oposto com apenas nove golos marcados. De notar que o Vitória S.C. é a única das cinco equipas que conta com mais golos longe do seu reduto. (ZeroZero, 2018)

 

    Relativamente à recuperação, como podemos constatar pelo gráfico 1 e 2, são efetuadas maioritariamente através de faltas, tanto em casa como fora, seguido da bola perdida. Apesar disso, ao jogar em casa, a interseção vem logo de seguida, enquanto que fora, o desarme encontra-se na terceira posição. De referir que nos jogos em casa não houve qualquer golo com a bola a sair do guarda redes, e em ambos os casos não foram registados golos após saída no meio campo ou por fair-play.

 

 

    As recuperações acontecem maioritariamente no meio campo ofensivo, com uma percentagem de 74% de bolas recuperadas nesse meio campo, em desvantagem dos apenas 21% de recuperações ocorridas no meio campo defensivo, com os restantes 5% a pertencerem às bolas recuperadas pelas linhas. É no corredor central que se recuperam mais bolas, com especial foco na zona ofensiva central, seguindo-se a zona médio ofensiva central. É nos jogos em casa que são recuperadas mais bolas nos corredores laterais.

 

 

    Quando analisamos as zonas de onde surge o último passe para finalização, percebemos que o maior registo em ambos os casos é não existir passe para finalização como podemos verificar pelas figuras 6 e 7. Contudo, quando existe passe antes da finalização, ele surge maioritariamente das zonas ofensivas nos dois casos. Sendo que em casa os corredores laterais das zonas mais ofensivas apresentam um registo próximo entre si e da zona ofensiva central, o que não acontece nos jogos fora de casa. De registar que nos jogos em casa, por duas vezes foram efetuados passes na zona médio defensivo para oferecer o golo a um colega.

 

 

    O método maioritariamente utilizado para a marcações dos golos, tanto na ocasião de visitado como de visitante, ocorre através de contra-ataques. Nas partidas que são feitas no seu reduto as equipas conseguirem marcar 14 golos de ataque rápido e 9 de ataque posicional, valor menor do que o registado nos pênaltis (10). No entanto, analisando os jogos fora, o ataque rápido e posicional obtiveram o mesmo número de ocorrências (6). De referir que as equipas beneficiaram de um igual número de golos através da marcação de pênalti fora de casa como no seu estádio.De notar ainda que nenhum golo foi registado após canto curto, nem numa bola de saída, e apenas um pontapé de baliza levou a que a equipa marcasse golo.

 

 

    O maior número de golos codificados foi finalizado com o pé direito (56% do total). Nos jogos realizados em casa o pé direito foi dominante para finalizar o golo, seguido dos golos marcados com a cabeça e apenas depois o pé esquerdo. O inverso acontece nos golos marcados fora em que o pé direito continua a ser dominante, contudo, em seguida aparece o pé esquerdo e apenas depois a cabeça. Apenas nos jogos realizados longe do seu reduto foram registados golos com uma forma de finalização diferente destas três, e que é o autogolo, com apenas uma codificação, o que pode ser verificado pelos gráficos cinco e seis.

 

 

    A zona de finalização preferencial nas partidas realizadas em casa é a zona F (24 golos), seguida da zona C (18 golos). Contudo, nos jogos realizados fora as zonas F (9 golos) e G (10 golos) (Figura 2) apresentam os maiores registos. Os duelos que são efetuados fora de casa apresentam uma distribuição dos golos pelas diferentes zonas de uma forma mais equilibrada, uma vez que a diferença entre zonas não é da mesma ordem do que a registada nos jogos em casa.

 

 

Discussão

 

    Após a apresentação dos dados podemos perceber que existe alguma diferença entre os resultados que foram obtidos na análise dos jogos em casa e dos jogos fora. Contudo, como seria de esperar, mais golos foram codificados em casa (72) do que os fora (48), o que pode influenciar as conclusões.

 

    Nos métodos de recuperação da bola, a diferença entre os dois registos não é significativa, uma vez que em ambos o principal método de recuperação foi através da falta, seguindo-se em ambos a bola perdida. Assim, as equipas jogando tanto em casa como fora não diferenciaram o seu método de recuperação da bola. Santos et al. (2016) no seu estudo, obteve resultado um pouco diferentes uma vez que o maior registo foi de bola perdida com 29%, sendo que a falta registou apenas 15% do número total de recuperações.

 

    As zonas onde a bola foi recuperada também não registou grandes diferenças entre as duas condições (visitado e visitante), uma vez que tal como afirma Leitão (2004), o maior número de recuperações de bola ocorre no corredor central, especialmente na zona ofensiva. Nos golos codificados o maior número de recuperações acontece na zona ofensiva central, seguindo-se a zona médio ofensiva central.

 

    Cruz, Louro e Pascoal (2018) no seu estudo concluíram que o maior número de passes para finalização provinha do setor ofensivo, do corredor central e direito, e com o mesmo número de registos (23.3%) foram registadas as ações que culminaram em golo, as quais não foram antecedidas de passe. O mesmo aconteceu nos dados que foi possível retirar, uma vez que o maior registo era não ter existido qualquer passe para finalizar, sendo que de seguida a zona ofensiva central foi de onde as equipas conseguiram colocar mais passes para haver finalização.

 

    Relativamente ao método de obtenção do golo, mais uma vez, o principal foi igual em ambos os casos, o contra-ataque, no entanto, Fernandes (2013) no seu estudo relativo ao Mundial de 2010 concluiu que o ataque rápido era o principal meio que as seleções utilizavam para chegar ao golo, seguindo-se o ataque posicional, não estando de acordo com os resultados obtidos neste estudo. Para além disso, o número de golos marcados através da conversão de grandes penalidades foi igual nos jogos disputados no seu estádio e fora dele, o que também pode não estar de acordo com Kocher e Sutter (2004), em que no seu trabalho apresenta que os pênaltis marcados contra a equipa da casa são em menor número, enquanto que aqueles que são recusados à equipas visitantes são em maior quantidade. No entanto, nos resultados o número de pênaltis nos jogos em casa e fora foi o mesmo.

 

    Quando Santos et al. (2017) desenvolveu um trabalho que tinha como objetivo estudar a equipa do Atlético de Madrid, concluiu que essa equipa finalizava a maior parte dos golos com o pé direito e apenas de seguida a cabeça. Nos resultados obtidos no estudo desenvolvido, o pé direito foi dominante em ambos os casos, contudo, nos jogos fora casa de seguida surge o pé esquerdo e só depois a cabeça, enquanto que nos jogos em casa a cabeça surge apenas depois dos golos de pé esquerdo. Assim, os resultados obtidos vão de encontro com os obtidos por Santos et al. (2017).

 

    Finalmente, a zona de finalização preferencial (Figura 2) de acordo com Andrade, Santo, Andrade e Oliveira (2015) é na zona central do terreno com 87% das ações a serem finalizadas nesse corredor com especial foco na zona fora da pequena área. Nos jogos em casa essa mesma zona foi a principal para marcação dos golos, seguindo-se da zona C. Contudo, os jogos fora de casa apresentaram uma maior dispersão dos resultados com o maior registo a ser na zona G (pênalti) seguindo-se da zona F. O facto de os golos fora apresentaram uma maior dispersão na zona onde foram marcados podem estar relacionados com a familiaridade do campo, uma vez que como os jogadores não estão habituados ao terreno de jogo, não tendo assim uma zona de maior conforto, o que já havia sido concluído por Clarke e Norman (1995).

 

    Para melhor ser estudado este fenômeno, mais estudos deveriam ser realizados, uma vez que neste trabalho as principais limitações prenderam-se com o reduzido número de encontros que foi analisado, e consequente menor número de golos. Para além disso, outra das limitações deste estudo tem que ver com a presença de poucas equipas e todas elas com valor semelhante, deste modo, seria produtivo efetuar um estudo em que todas as equipas pudessem ser incluídas, para assim ser possível ter acesso a mais dados e uma amostra mais fiável.

 

Conclusões

 

    As cinco principais equipas do campeonato português de futebol não apresentou grandes diferenças nos jogos que disputam no seu estádio e fora dele. Em todas as categorias analisadas os registos mantiveram um padrão que foi semelhante nas duas condições. No entanto, o número de ações foi uma das grandes diferenças a registar, já que muitos mais foram as codificações feitas em casa. Outro dos fatores diferenciadores teve que ver com as zonas de onde o golo é obtido, uma vez que nos jogos fora o registo varia menos entre zonas.

 

Referências

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 258, Nov. (2019)

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