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Saberes do professor de natação infantil: aprimorando o conhecimento teórico pedagógico

Children's swimming teacher acquaintance: improving pedagogical theoretical knowledge

Saberes del profesor de natación infantil: incrementando el conocimiento teórico pedagógico

 

Leonardo Ristow*

leonardoristow@live.com

Anne Marie Tribess Onesti**
anne.onesti@gmail.com

Ana Flávia Backes***

anafbackes@hotmail.com

Vinicius Zeilmann Brasil****

vzbrasil@hotmail.com

Rodolfo Silva da Rosa*****

rodolfodarosa@yahoo.com.br

Valmor Ramos******

valmor.ramos@udesc.br

 

*Possui graduação em Educação Física pelo Centro Universitário de Brusque

Especialização em Fisiologia, prescrição e avaliação do exercício pela Faculdade Arthur Thomas

e em Educação a distância pela Faculdade Avantis. Mestrado em Ciências do Movimento Humano 

pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente é doutorando em Ciências

do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina

Professor da Faculdade Avantis e do Centro Universitário de Brusque

**Graduação em Pedagogia, Especialização em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares

e Mestrado em Ciências do Movimento Humano

Professora Efetiva na Rede Municipal de Ensino de Florianópolis

***Doutoranda em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física

da Universidade Federal de Santa Catarina. Bolsista CAPES (2016-2018 e 2019)

Mestra em Teoria e Prática Pedagógica da Educação Física pelo Programa

de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina

Licenciada em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina

****Graduação em Educação Física pelo Centro de Ciências

da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina

Mestrado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina

Pesquisador do Laboratório de Pedagogia do Esporte e da Educação Física (LAPEF-UDESC)

e do Núcleo de Pesquisa em Pedagogia do Esporte (NUPPE-UFSC)

*****Graduado em Educação Física Licenciatura Plena pela Universidade Federal

de Santa Maria (UFSM). Especialização em Educação Física pela UFSM em Atletismo, 

iniciação desportiva no contexto escolar. Mestrado concluído pelo Programa de Pós Graduação

em Educação Física da UFSC. Membro do Laboratório de Pedagogia do Esporte NUPPE/ LAPE

******Doutorado em Ciência do Desporto pela Universidade do Porto, Portugal
Professor Universitário da Universidade do Estado de Santa Catarina

(Brasil)

 

Recepção: 22/01/2019 - Aceitação: 12/09/2019

1ª Revisão: 17/07/2019 - 2ª Revisão: 28/08/2019

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

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Resumo

    O objetivo desse ensaio teórico foi interpretar o conhecimento pedagógico de conteúdo de Shulman aplicado ao professor de natação infantil, procurando destacar as implicações na intervenção, formação e nas pesquisas. Se destaca a peculiaridade do conhecimento pedagógico do conteúdo (PCK) do inglês, Pedagogical Content Knowledge, diante das demais categorias e sugere que o PCK seja a categoria mais provável para distinguir entre o conhecimento de um expert a um professor mediano de uma determinada área. Pode-se concluir que os conhecimentos do professor de natação infantil, vai muito além dos conteúdos desenvolvidos no ensino superior, já que em grande parte das instituições, são abordados apenas a adaptação ao meio líquido e os processos de ensino e aprendizagem dos quatros nados competitivos.

    Unitermos: Conhecimento. Professor. Natação.

 

Abstract

    The objective of this theoretical essay was to interpret the pedagogical knowledge of Shulman content applied to the child swimming teacher, trying to highlight the implications in intervention, training and in research. Pedagogical Content Knowledge (PCK) stands out from the other categories and suggests that PCK is the most likely category to distinguish between the knowledge of an expert and a median teacher in a given area. It can be concluded that the knowledge of the teacher of child swimming goes much beyond the contents developed in higher education, since in most of the institutions, only the adaptation to the net environment and the teaching and learning processes of the four competitive swimming.

    Keywords: Knowledge. Teacher. Swimming.

 

Resumen

    El objetivo de este ensayo teórico fue interpretar el conocimiento pedagógico del contenido de Shulman aplicado al profesor de natación infantil, buscando destacar las implicancias para la intervención, la formación y la investigación. Se destaca la particularidad del conocimiento pedagógico del contenido (PCK) del inglés, Pedagogical Content Knowledge, se destaca en relación con las otras categorías y sugiere que el PCK es la categoría más probable para distinguir entre el conocimiento de un experto y un maestro promedio en un área determinada. Se puede concluir que el conocimiento del profesor de natación infantil va mucho más allá de los contenidos desarrollados en la educación superior, ya que en la mayoría de las instituciones solo se aborda la adaptación al entorno líquido y los procesos de enseñanza y aprendizaje de las cuatro técnicas competitivas.

    Palabras clave: Conocimiento. Profesor. Natación.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 257, Oct. (2019)


 

Introdução

 

    A natação pode ser definida como a habilidade do ser humano em deslocar-se no meio líquido, normalmente a água, graças às forças propulsivas gerados pelos movimentos corpo inteiro e lhe permitem vencer as resistências que se opõem ao avanço (Saavedra, Escalante & Rodríguez, 2003). A prática da natação tem início na antiguidade, apesar de se conceber sua aprendizagem já na pré-história, como meio de sobrevivência e locomoção. Nos últimos 40 anos, várias finalidades como saúde, lazer, terapia e competição tem sido alvo da prática da natação. (Bueno, 2017)

 

    Na década de 80, a natação estava voltada para o condicionamento físico, a pratica desportiva e ao tecnicismo, que segundo Caetano e Gonzalez (2013), por ser praticada predominantemente em clubes, o modelo tecnicista esportivo predominava e durante muito tempo se priorizou um ensino que visava basicamente o desenvolvimento da técnica, portando, as práticas eram voltadas a natação competitiva. Durante essa década, de acordo com Bueno (2017), houve um aumento no número de escolas de natação, oferecendo aulas principalmente para crianças de 0 a 12 anos. O que fez com que novos objetivos fossem traçados para essa prática como: saúde, educação e auxiliar para outros esportes.

 

    A partir dos anos 90 até a atualidade, Bueno (2017), destaca que a realidade profissional nas academias e escolas de natação, através da disseminação da prática, a profissionalização do professor de natação e o aumento de pesquisas cientificas, já apontavam a pratica da natação com diferentes objetivos e faixas etárias, gerando um aumento no uso de técnicas e recursos. Desse modo, foram criados métodos de ensino-aprendizagem para a sua prática, a partir de diferentes objetivos, organizando o conteúdo de acordo com o interesse do público. Tornando a prática mais poderosa e completa, adequando-se aos diferentes contextos e situações.

 

    A natação infantil se dá a prática dessa modalidade ou atividade voltada às crianças de 0 a aproximadamente 12 anos, quando o indivíduo alcança a puberdade (Urizzi, 2017). Entretanto, o termo natação não é comumente utilizado para bebês, uma vez que a criança vai realmente aprender a nadar a partir dos cinco anos, quando já ter desenvolvimento motor para entender o que lhe é ensinado. Para essa população, funciona como uma adaptação ao meio líquido. (de Araujo, 2017)

 

    Mesmo que o Brasil seja referência na natação infantil quando ao que se refere a qualidade e aperfeiçoamento de academias e professores, somada a toda a evolução na prática e pesquisas na área, a disciplina de natação nos cursos de graduação ainda trazem, em boa parte, a concepção técnica, com uma predisposição a competição (Taffarel, 2001). Com conteúdos relacionados ao ensino e aperfeiçoamento dos quatro nados competitivos, devido a herança da literatura utilizada pelos professores formadores de David Machado e James Counsilman, que são fortes representantes da tendência desportiva. Em suma, pouca foi discutido e/ou pesquisa quanto a pedagogia na natação desde então. O resultado disso, é que muitos clubes, academias e escolas de natação ainda predomina um ensino de natureza analítica. (Fernandes e Lobo da Costa, 2006)

 

    Com o objetivo de verificar como se distribui hoje a pesquisa pedagógica em natação, Lobo da Costa (2010), realizou uma busca no período entre 1996 e julho de 2010, em periódicos classificados como Qualis A1, A2, B1 e B2. Ao todo, foram selecionados 218 artigos, cujos resumos foram lidos e classificados nas seguintes áreas: Ensino, Terapia e Biodinâmica. Apenas 32 artigos foram classificados como “Ensino”. Como conclusão do estudo, o autor alerta que a área pedagógica está pouco representada com estudo empíricos nas revistas selecionadas, e apesar da pedagogia não ser o grande foco das pesquisas sobre natação, esforços precisam ser empreendidos a fim de se identificar as qualidades essenciais de um ensino da natação que seja bem-sucedido.

 

    Pesquisas sobre a formação de professores, têm investigado que tipo ou quais os conhecimentos que um professor precisa ter para poder ensinar. Esse conhecimento que o professor deve possuir para desempenhar um bom ensino ou para alcançar um estágio de competência no ensino é denominado de conhecimento de base (Fenstermacher, 1994). Para Shulman (1987) são sete categorias de conhecimento que constituem o conhecimento de base para o ensino: conhecimento pedagógico geral, conhecimento curricular, conhecimento pedagógico do conteúdo, conhecimento dos alunos e de suas características, conhecimento dos contextos educacionais e o conhecimento dos fins educacionais. O autor destaca peculiaridade do conhecimento pedagógico do conteúdo (PCK) do inglês, Pedagogical Content Knowledge, diante das demais categorias e sugere que o PCK seja a categoria mais provável para distinguir entre o conhecimento de um expert a um professor mediano de uma determinada área. (Graça, 1999; Grossman, 1990; Ramos, Graça & Nascimento, 2008)

 

    Diante disso, o presente ensaio teórico tem o objetivo de interpretar o conhecimento pedagógico de conteúdo de Shulman aplicado professor de natação infantil, procurando destacar as implicações na intervenção, formação e nas pesquisas. Desse modo, estruturar uma base de conhecimentos que o profissional de natação infantil precisa ter para intervir nessa área.

 

Conhecimento pedagógico de conteúdo

 

    Com base na revisão realizada por Ramos, Graça e Nascimento (2008), o PCK é um tipo de conhecimento processual que possibilita ao professor adaptar o seu conhecimento da matéria ou conteúdo que será ensinado ajustado ao nível de compreensão e desenvolvimento dos alunos. Em outras palavras, é o conhecimento sobre o modo de ensinar um conteúdo a um grupo específico de pessoas em um específico contexto, ou seja, é a forma de representar da matéria de ensino compreensível ao aluno.

 

    Na prática, o PCK abrange nas formas em que o professor realiza as representações, analogias, ilustrações, exemplos, explicações e demonstrações de um determinado conteúdo. Em vista disso, a forma natural do professor conduzir o ensino, a versatilidade de adequar o conteúdo ao nível de conhecimento e habilidade dos alunos, como também a seleção das estratégias mais adequadas às possibilidades do ambiente, criam o estilo ou a habilidade de um professor considerado “expert”. (Ramos, Graça & Nascimento, 2008)

 

    Para que isso ocorra, o professor deve contemplar os quatro componentes propostos de Grossman (1990) de acordo com a figura 1. No qual a autora subdivide o PCK em: conhecimento dos propósitos, curricular do conteúdo, das estratégias e dos alunos. De modo que esse integrante da base de conhecimento, o PCK, seja responsável em fazer interagir com os demais, ou seja, é uma combinação entre conteúdo e pedagogia. (Marcon, 2013)

 

Conhecimento dos propósitos

 

    A primeira categoria que pertence ao conhecimento pedagógico de conteúdo, pode ser definido como o conhecimento dos propósitos. Conforme o esquema adaptado de Grossman (1990), se entende que esse conhecimento se estende sobre os outros, o que indica que os objetivos pessoais do professor influenciam nas decisões sobre sua ação em aula (Ennis, 1994). Na essência dos propósitos estão os valores e crenças que os professores desenvolvem ao longo da vida e da prática docente, os quais influenciam nas decisões sobre os conteúdos, estratégias, avaliações, entre outros. Ou seja, influencia todos os demais tipos de conhecimento da estrutura do PCK. (Ramos, Graça & Nascimento, 2008)

 

    Na natação é possível observar que alguns professores foram ex-atletas e/ou praticaram natação enquanto crianças e jovens, outros, apenas despertaram o interesse na modalidade durante o ensino superior. Estas experiências prévias de acordo com Ramos et al. (2014), parecem contribuir para a formação de crenças sobre o ensino, interpretadas neste estudo como conhecimento pedagógico de conteúdo. Essas crenças ou conhecimentos são desenvolvidos ao longo da vida, principalmente na observação dos seus professores ou treinadores esportivos a ensinar. Desse modo, o professor em atuação, muitas vezes, traz consigo o objetivo de ensinar natação pelo aquilo que vivenciou quando jovem.

 

    Por vezes, o professor está inserido em um local que tem seus próprios objetivos de ensino, no qual o professor deve ajustar seus objetivos pessoais com os objetivos da academia, escola ou clube. A exemplo disso, geralmente nos clubes esportivos, a prática da natação está voltada ao ensino dos quatro nados competitivos. Algumas academias e escolas de natação, vão além da competição, objetivando através da natação o ensino da sobrevivência aquática, desenvolvimento sócio afetivo, tratamento de desvios posturais ou problemas respiratórios.

 

    Existem vários fatores que incentivam os pais a inscreverem os filhos na natação, Carvalho e Coelho (2016), buscaram descobrir o que impulsiona os pais a procurarem aula de natação para seus filhos. Ao questionar pais de alunos de natação, os autores concluíram que os principais fatores motivacionais são interesse que seus filhos aprendam a nadar, que eles pratiquem uma atividade física, a adaptação ao meio líquido e alguns ainda visam a melhoria de problemas respiratórios. A natação traz benefícios para a coordenação, equilíbrio, esquema corporal, espacial e lateralidade, constatou Pereira (2013), ao avaliar crianças de 7 a 10 anos de idade. O autor pode observar que a prática da natação auxilia no desenvolvimento psicomotor de crianças, melhorando o desempenho na realização de tarefas e sugerindo assim, inclusive, a natação como conteúdo nas aulas de Educação Física Escolar.

 

    É evidente que a aprendizagem da natação nas fases do desenvolvimento tem grande importância, desde os primeiros meses de vida, isso porque ela atua como um pré-estímulo motor, e sendo este um dos principais propósitos de ensino da natação. Dentro da água a criança fica mais leve assim conseguindo realizar movimentos que para ela são difíceis fora da água. Quando o bebê está dentro da água ele tem a oportunidade de relembrar sua vivência no ventre da mãe, tornando para ele um ambiente aconchegante. (Fonseca, 1983)

 

    Em suma, programas de natação infantil, segundo Cirigliano (1981), devem contemplar os seguintes propósitos: (a) aquisição da confiança; (b) estímulos sensórios motores gradativos; (c) adequação aos estímulos perceptivos; (d) a utilização da base reflexa enquanto houver; (e) domínio progressivo do corpo integrada através do sensório-percepção; (f) a formação da inteligência através de experiências; (g) a comunicação em diversos níveis entre criança e professor; e por último (h) a criação de um vínculo pedagógico.

 

Conhecimento curricular do conteúdo

 

    Essa categoria inclui o conhecimento da organização da matéria enquanto metodologia/método de ensino, que permite o ajuste, tanto horizontal quanto verticalmente nos programas. A partir desse conhecimento o professor elabora e aplica as propostas pedagógicas, considerando a progressão das atividades que devem ser realizadas ao conteúdo e nível de complexidade. Portanto, estão contemplados o conhecimento dos programas, modelos de ensino, baterias de exercícios entre outros. (Grossman, 1990; Graça, 2001)

 

    No artigo de revisão Pedagogia da natação: um mergulho para além dos quatro estilos, Fernandes e Costa (2006), apresentam o desenvolvimento das linhas pedagógicas utilizadas no Brasil. No início, o ensino da natação era basicamente de natureza analítica-progressiva. Embora tenha surgido algumas formas diferentes no ensino da natação, essa corrente ainda é muito presente, e que desde então, pouco têm se discutido sobre pedagogia na natação, como se observa na tabela abaixo. Segundo os autores existem “na atualidade várias correntes que orientam o ensino da natação. A falta de bases teóricas consistentes, ou seja, de uma pedagogia para a natação, levou muitos professores a adotarem métodos próprios” (p. 9).

 

    As metodologias de ensino, são constituídas das necessidades dos alunos e principalmente da visão do professor que ministra as aulas. É possível observar a forte tradição tecnicista no ensino da natação ainda existente e que a pedagogia da natação enquanto ciência, ainda é uma área em que é pouco representada em publicações científicas. Segundo Lobo da Costa (2010) o que ainda prevalece no ensino da natação é a opinião de especialistas e que as intervenções dos professores precisam ser mais estudas com rigorosidade científica. A falta de trabalhos referente as metodologias de ensino só não são maiores pois existem trabalhos acadêmicos como TCCs, dissertações e teses sobre esta temática como também apostilas de cursos entre outros materiais. Como parte de sua dissertação de mestrado, Bueno (2017), apresenta as concepções pedagógicas que existem na natação na tabela abaixo.

 

Concepção Pedagógica

Autores

Analítica ou Militarista

Bresges (1980); Noronha (1985); Counsilman (1986); Mendes et al. (1995); Pereira (1996); Aboarrage (1997); Archer (1997); Freitas (1999); Maglischo (1999) e Colwin (2000).

Global ou Humanista

Nascimento (1984); Depelseneer (1989); Catteau e Garoff (1990) e White (1998).

Tecnicista

Counsilman (1978); Navarro (1978); Hay (1981); Glaser (1983); Diagram Group (1984); Costill et al. (1992); Hall (1993); Casten (1994); Bonachella (1994); Paulo (1994); Rocha (1994); Cabral et al. (1995); Gomes (1995); Marques (1995); Figueiredo (1996); Lima (1996); Souza (1997); Vasiljev (1997); Nakamura (1997); Bates e Hanson (1998); Case (1998); Santos (1998); Sova (1998); Massaud (2001); Makarenko (2001).

Desenvolvimentista

Machado (1978); Wilke (1979); Skinner et al. (1985); Escobar e Burkhardt (1985); Counsilman (1986); Palmer (1990); Damasceno (1994); Velasco (1994); Netto (1995); Lima (1999); Lima (2010) e Paula (1999).

Construtivista

Netto e Gonzalez (1996); Nakamura (1997) e Queiroz (1998).

Progressista

Deluca (1993); Bueno (1998) e Bueno (2013).

Fonte: Adaptado de Bueno (2017)

 

    De acordo com Rocha et al. (2014), em um estudo realizado com oitenta e nove coordenadores de natação, os principais objetivos analisados nas aulas de natação são adaptação ao meio líquido e a habilidades aquáticas, com pouco embasamento em alguma metodologia. Os autores concluem que em alguns estabelecimentos faltam materiais e acessórios, contudo eles afirmam que há pouca informação referente a metodologias do ensino da natação. Assim como Rocha et al. (2014), os principais objetivos analisados nas aulas de natação infantil são adaptação ao meio líquido e a habilidades aquáticas, com pouco embasamento em alguma metodologia. Para os autores, ainda há pouca informação referente a metodologias do ensino da natação.

 

    No entanto, embora poucos, os estudos que se arriscaram em pesquisar metodologias de ensino da natação ou sequência pedagógica, têm apresentado uma concordância no que diz respeito a adaptação ao meio líquido. Segundo Pagani, Soares e Souza Lima (2014), a adaptação das crianças ao meio líquido é fundamental para a execução dos nados, pois a compreensão da adaptação ao meio líquido das crianças, é capaz de deixá-las seguras e confiantes para realizar as atividades propostas pelo professor nas aulas. Além de ser um momento propício para que elas tenham interesse em realizar as atividades e a tomar gosto pela modalidade. Após a fase de adaptação ao meio líquido, de acordo com Barbosa (2007), na expectativa do comportamento motor, a faixa etária de 3 a 6 anos se encaixa na fase dos movimentos aplicados no estágio transitório e ao dos movimentos especializados aos esportes.

 

Conhecimento das estratégias

 

    Esse componente se compõe nas formas do professor realizar o ensino, no modo em que ele representa a matéria aos alunos, estão relacionados a esse conhecimento os modos de instrução, tarefas e exercícios de aprendizagem, como também demonstrações, explicações e analogias (Graça, 2001; Grossman, 1990; Shulman, 1987). Está relacionada ao momento que o conteúdo ou método deve ser aplicado. Ou seja, o professor possui um amplo repertório de estratégias, e reconhece o melhor momento para utilizá-los devido as exigências de uma situação real de aula.Ele tem importância principal na tomada de decisões para ensinar “determinado conteúdo, para certas crianças e no tempo certo”. (Ennis, 1994, p.167)

 

    Na natação, segundo Navarro (1978), o aluno deve experimentar inúmeras vivencias a fim de enriquecer no processo evolutivo psicomorfológico, auxiliando no desenvolvimento da psicomotricidade e sua personalidade. Assim, o professor deve utilizar diversas formas de instrução, de organizar o ambiente, de diversificar os materiais e até mesmo utilizar diferentes metodologias de ensino. Porém, pouco se encontra nas produções cientificas a eficácia dessas estratégias. Um exemplo desta ausência de modelos teóricos que forneçam sustentação a uma pedagogia da natação, de acordo com Xavier Filho e Manoel (2002), é a insistência na utilização de boias e acessórios que facilitem a mecânica do nado e auxilie na flutuação não se baseia em nenhum estudo sobre o controle postural humano no meio líquido.

 

    Alguns autores se propuseram a pesquisar diferentes estratégias de ensino da natação, como a utilização de jogos lúdicos (Dias, 2007), o uso de brinquedos para a estimulação de bebês (Benda, 1999), a cantiga como meio de aprendizagem (Cavalcanti, 2016). Em suma, se pode notar, que as estratégias de ensino voltadas a natação infantil, estão direcionadas ao estímulo, seja motor, afetivo e/ou motivacional.

 

Conhecimento dos alunos

 

    O quarto conhecimento diz respeito a necessidade dos professores, ao ensinarem algum tópico, conhecerem seus alunos de uma forma mais ampla sobre as características, fases de desenvolvimento gerais de uma determinada idade, como também de uma forma mais singular, conhecendo o que seus alunos já sabem sobre determinado conteúdo a ser ensinado. Isso implica em um novo saber do professor sobre como cada aluno aprende em contextos único. Se refere a uma teoria pessoal do professor, que considera as experiências pessoais e profissionais, como também acadêmicas e teóricas na aquisição do conhecimento. (Grossman, 1990)

 

    Com a falta de publicações já discutido anteriormente sobre a pedagogia da natação, segundo Morés (2011), isso faz com que os professores construam seus próprios processos pedagógico para cada perfil de alunos, dando uma maior importância nesse caso, em se conhecer os alunos. Na natação infantil, se considera a prática deste esporte por crianças de zero até a puberdade, que ocorre por volta dos 12 anos. Nesse sentido, existe a necessidade de o professor de natação ter um conhecimento sobre o desenvolvimento integral da criança, em diversas teorias, como apresentado por Gallardo (2009), sob as de David Gallahue (motor), Jean Piaget (Cognitivo), Erik Erikson (Afetivo) e Anita Harrow (Psicomotor). Apesar da formação profissional em Educação Física ter mais influência do desenvolvimento e aprendizagem motora, vale destacar a complexidade de uma aula de natação infantil, e, portanto, a necessidade do professor em ter conhecimentos sobre os demais tipos de desenvolvimento, para que o desenvolvimento seja potencializado quando os estímulos forem adequados a faixa etária correta.

 

    Entre o nascimento até os 3 anos, Weineck (2003), indica que nessa fase é um momento decisivo no desenvolvimento global da criança e deve-se realizar estímulos psicossociais e motores. Já na idade pré-escolar (3 a 6 anos), as crianças precisam de oportunidades para se movimentar, explorar a fantasia, é o momento para ampliar o repertório de movimentos através da alegria e motivação. Nessa idade, as experiências com movimentos como correr, saltar, balançar, pendurar, puxar, empurrar entre outros devem ser estimuladas. Dos 7 aos 10 anos aproximadamente, os movimentos básicos dentro das técnicas aprendidas devem ser aperfeiçoados, entretanto, o entusiasmo e a motivação em praticar precisam ser aproveitados para que a criança comece a criar afetividade com a modalidade. Após os 10 anos, nessa fase devem ser trabalhadas as bases coordenativas, os movimentos continuam a ser aperfeiçoados, porém não devem ser “mecanizados”, criando uma possível correção futura mais fácil. (Weineck, 2003)

 

Conclusões

 

    Com o objetivo de interpretar o conhecimento pedagógico de conteúdo de Shulman aplicado professor de natação infantil, procurando destacar as implicações na intervenção, formação e nas pesquisas. Desse modo, estruturar uma base de conhecimentos que o profissional de natação infantil precisa ter para intervir nessa área. Ao final desta revisão podemos concluir que os conhecimentos do professor de natação infantil, vai muito além dos conteúdos desenvolvidos no ensino superior, já que em grande parte das instituições, são abordados apenas a adaptação ao meio líquido e os processos de ensino e aprendizagem dos quatros nados competitivos. Como destacados no presente estudo, existe a necessidade de o professor de natação infantil ter conhecimento sobre diferentes tipos de metodologias, diferentes estratégias (músicas, acessórios, jogos), e também um conhecimento aprofundando sobre os alunos, nas dimensões afetivas, motoras, psicomotoras. Todos esses conhecimentos sendo direcionados pelo propósito de ensino do professor.

 

    Um ponto a levantar na formação inicial é a distinção entre licenciatura e bacharelado, já que a grande maioria das aulas de natação infantil são oferecidas em academias e/ou escolas de natação, área de atuação do bacharel. Porém, é sabido que na grande maioria dos cursos de bacharel em Educação Física, o conteúdo abordado não abrange conhecimentos da prática da natação de bebês ou crianças até cinco anos aproximadamente, momento em que a natação se caracteriza pela estimulação aquática e adaptação ao meio líquido. A área da pedagogia da natação não tem produzido um número significante de artigos, fazendo com que cada professor atue da maneira que achar mais interessante. Nesse caso, a falta de comprovação cientifica não legitima os procedimentos, estratégias e metodologias utilizadas, ficando em mero “achismo”. O que torna difícil a orientação dos professores do ensino superior na formação do professor de natação como também a evolução da docência.

 

    Na sua grande maioria, os professores ministram a aula da mesma forma, ou de forma semelhante, de como aprendeu, ou seja, reproduzindo a maneira de seu professor e/ou técnico de dar aula/treino. No decorrer dos anos, o professor apenas utilizada diferentes estratégias e maneiras de ministrar uma aula criando o seu próprio modo de ensinar. Desse modo, o que se sugere, é que as academias, clubes e escolas de natação realizem seus próprios treinamentos, somando isso ao fato de cada um desse estabelecimento tem os seus propósitos de ensino. Como também fica a sugestão, como Madureira (2017) de transformar o local de ensino em um laboratório de pesquisa. Transformando a equipe de profissionais da academia em pesquisadores de sua própria prática.

 

Referencias

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 24, Núm. 257, Oct. (2019)