Cita
sugerida: Polac, A.F.L. (2024).
Parkour: prática corporal de aventura ou ginástica. Um estudo
exploratório. Lecturas: Educación Física y Deportes, 29(311), 99-112. https://doi.org/10.46642/efd.v29i311.3311
Resumo
O propósito deste ensaio é questionar o entendimento do parkour como,
correntemente vem sendo apresentado, uma prática corporal de aventura ou um
esporte. Este esforço foi investido devido à compreensão desta
classificação não alinhadacom as especificidades do nosso objeto de
estudo. Para esta jornada, o questionamento foi apresentado a partir da
compreensão de seu fundador, David Belle, sobre esta prática, assim como
os ideais basilares de uma de suas principais influências, o Método
Natural, por seu fundador Georges Hébert, o que resultou no alinhamento do
parkour mais como um método de treinamento corporal ou uma ginástica, do
que da classificação supracitada.
Unitermos: Parkour. Ginástica.
Método Natural.
Abstract
The purpose of this essay is to question the understanding of parkour as it
has been currently presented, an adventure body practice or a sport. This
effort was made due to the understanding of this classification is not
aligned with the specificities of our object of study. For this purpose, the
questioning was based on the understanding of its founder, David Belle,
about this practice, as well as the basic ideals of one of its main
influences, the Natural Method, by its founder Georges Hébert, which
resulted in parkour being aligned more as a body training method or
gymnastics, rather than the aforementioned classification.
Keywords: Parkour. Gymnastics.
Natural Method.
Resumen
El propósito de este ensayo es cuestionar la comprensión del parkour como,
actualmente, presentado como una práctica corporal de aventura o un
deporte. Este esfuerzo se invirtió debido a la comprensión de esta
clasificación no alineada con las especificidades de nuestro objeto de
estudio. Para este viaje, la pregunta se presentó a partir del
entendimiento de su fundador, David Belle, sobre esta práctica, así como
de los ideales básicos de una de sus principales influencias, el Método
Natural, por parte de su fundador Georges Hébert, lo que resultó en la
alineación del parkour más como método de entrenamiento corporal o
gimnasia, que de la clasificación antes mencionada.
O tema desenvolvido neste ensaio surgiu de reflexões em sala de aula, com
alunos dos anos finais do Ensino Fundamental II, onde o intuito era o
aprofundamento da compreensão destes sobre a Educação Física, e
consequentemente de suas manifestações, como um campo de conhecimento
desenvolvido sócio historicamente. Ao trabalhar com o parkour nos 8os anos,
surgiu um anseio pela compreensão das origens desta prática. A partir deste
movimento, chegamos até uma de suas principais influências, Georges Hébert1.
Neste caminho, dificuldades e questionamentos sobre o parkour e suas
definições dentro da Educação Física apareceram, principalmente no que se
refere ao eixo de conteúdo referente. Para os familiarizados com a Educação
Física Escolar, esta prática aparece associada ao eixo de conteúdo “prática
corporal de aventura”. Aparecem também associações desta prática como um
“esporte”, tais como “de risco”, “alternativos” e “extremos”
(Brasil, 2018, p. 219). Entretanto, ambas as “definições” parecem não
apreender as características centrais desta prática, abordando questões não
essenciais do objeto em questão, como as possíveis sensações advindas de sua
prática (no caso das práticas corporais de aventura), ou uma faceta que
aparece como tendência para quase todas as práticas corporais (no caso dos
esportes) deixando de lado os elementos objetivos que, de fato, caracterizam
esta prática2. Por essa razão, pretende-se aqui questionar tal definição.
Há um número razoável de estudos sobre o parkour na Educação Física
escolar brasileira, procurando apresentar uma sistematização de propostas
(Gastão, e Ferreira, 2020; Lemes de Paula, 2021; Sena, e Lemos, 2020), mas
poucos deles realizando questionamentos sobre aquilo que poderíamos chamar de
uma “idealização” da prática, a partir do sentido atribuído, em
determinado momento, pelos seus fundadores3, e o modo como estes sentidos
aparecem cotidianamente (Pereira, Honorato, e Auricchio, 2020)4. Até por
isso, pretende-se aqui dar início ao seguinte questionamento: o que é o
parkour? Neste texto, a partir de seu fundador, parte-se da hipótese de que o
parkour enquadra-se, a partir das suas características, com a ginástica.
Assim, objetiva-se compreender o parkour como uma manifestação, pensando na
Base Nacional Comum Curricular (BNCC), deste eixo outrora apontado.
Figura
1. A prática do parkour gera uma ruptura
nos usos tradicionais das estruturas urbanas
Fonte:
Copilot Designer
O caminho para apresentar a sustentação desta hipótese segue nesta ordem: (1)
origens do parkour, (2) influências do parkour e (3) eixos de conteúdo. Na
primeira parte, o foco direciona-se em relação aos apontamentos de David
Belle, o “fundador”do parkour, sobre esta prática; na segunda parte,
apresentam-se os elementos centrais do Método Natural, principal influência do
parkour; e na terceira parte, trato das definições dos eixos de conteúdo e as
aproximações com os elementos centrais do parkour. Sobre a razão desta
organização, os dois primeiros tópicos foram escolhidos para fundamentar o
parkour como um método de treinamento corporal (ainda que distintos daqueles
usualmente associados – por exemplo, musculação), a partir de seus
fundadores (e consequentemente também de alguns de seus praticantes, como se
apresenta em Pereira, Honorato, e Auricchio (2020) e também em Murillo (2020),
ainda que aqui a ênfase da autoria seja distinta do que se tem neste ensaio) e
o terceiro para comparação entre os eixos e as características extraídas dos
tópicos antecessores.
Origens
do parkour
Pode-se dizer que o parkour é uma prática corporal contemporânea,
desenvolvida pelo francês David Belle, que nasceu em 1973, em Fecamp, na
França, e seu grupo Yamakazi5. Seu avô materno, Gilbert Kitten, que o criou,
e o pai de David, Raymond Belle, foram bombeiros e tanto David como seu pai
passaram por treinamento militar, tendo David participado por um tempo curto do
Regimento de Infantaria da Marinha Francesa e seu pai estado entre os soldados
do Exército francês na Guerra do Vietnã (1955-1975). Neste período, esta
instituição tinha em seus treinamentos forte influência do Método Natural,
de Georges Hébert (1875-1957), que, como veremos, foi uma referência tanto
para Raymond quanto para David e, consequentemente, para o parkour.
Sobre a popularização do parkour, esta se deu por um processo de
disseminação da prática espetacularizada, por meio das mídias sociais, em
certa medida desenvolvido por seu próprio fundador6, ainda que ele tenha tido
embates, seguido de um rompimento, com o seu grupo Yamakasi, tendo como
fundamento deste a manutenção de valores originais da prática – por
exemplo, a liberdade, o altruísmo e o autodesenvolvimento. (Daout, 2018)
Voltando à prática corporal em si, ao analisar o histórico de David Belle e
as influências do parkour, ficam evidentes a origem e a influência militares
desta prática, caracterizada por investimentos rígidos de disciplina e de
controle direcionados ao corpo. Entretanto, segundo Rotawisky (2013), mesmo sob
esta influência do Método Natural, onde objetiva-se “ser forte para ser
útil”, a disciplina no parkour desenvolve-se visando ampliar as
possibilidades de experimentação do corpo naquilo que ela chama de “jogo na
paisagem urbana” (p. 42):
“No momento em que os fundadores do parkour concedem à infra-estrutura
urbana um caráter lúdico, de jogo, eles alteraram as técnicas do corpo
relacionadas ao método militar. Neste sentido, parkour retoma a importância
da disciplina militar para aumentar a força do corpo, mas não para produzir
corpos dóceis e produtivos. A disciplina para estes praticantes aumenta a
capacidade de ação política e de experimentação que seus corpos abrigam.”7
(tradução da autoria). (Rotawisky, 2013, p. 55)
Outro elemento similar é encontrado em Murillo (2020), não em relação à
disciplina, mas sobre o “caráter político” da prática, por meio da sua
ressignificação do espaço urbano, e que nessa relação, que podemos dizer
dialética, se dá esse jogo na paisagem urbana, como aponta Rotawisky
(2013), e também os seus desdobramentos, que seriam os valores desenvolvidos
pela prática.
“A prática do parkour gera uma ruptura nos usos tradicionais das estruturas
urbanas e, em linha direta, com as estruturas sociais de poder. Neste sentido,
o movimento intencional configura um mecanismo de expressão, protesto e
resistência. A relação desta prática com a cidade implica
indiscutivelmente uma ressignificação desta última, de tal forma que deixa
de ser a representação plana do espaço geográfico, de organização
geométrica com simetria ou não onde vivem os cidadãos, passando a
constituir-se em uma complexa realidade de interações em que o parkour
transcende os limites funcionais da arquitetura, para os praticantes a
infraestrutura da cidade deve ser lida como um desafio necessário e
obrigatório, mas não limitado e limitador. É assim que surgem valores como
o auto aperfeiçoamento, o autocuidado, o cuidado do outro e do cenário da
prática”.8 (tradução da autoria) (pp. 414-415).
Ainda que a disciplina seja um elemento importante no parkour e tenha um
caráter “libertador”, enfatizado pelo próprio Belle, as consequências
citadas por Rotawisky (“aumento da capacidade política” e “experimentação
que abrigam seus corpos”) e também apontadas por Murillo aparecem de
outro modo para Belle. São utilizados dois fragmentos nos quais ele aborda
elementos centrais do parkour e que explicam a questão da disciplina no
parkour: aquilo que ele chama de “espírito” do parkour e a “liberdade”
por ele gerada. Abaixo, o primeiro ponto (espírito do parkour) sob sua
perspectiva “original”:
“A arte do deslocamento é uma forma útil e harmoniosa de mover-se na
natureza e no ambiente urbano por seus próprios meios. Ela permite que seu
praticante desenvolva qualidades como agilidade, resistência, controle e
especialmente autoconfiança. Ao se mover sem a ajuda de equipamentos, ela dá
ao praticante a possibilidade de se descobrir todos os dias, de usar seu
corpo, que é sua ferramenta mais preciosa. Não há necessidade de
instalações, tudo é bom para que esta arte veja a luz do dia, mas na rua,
esta arte é a mais natural que existe e todo ser humano a tem em seus genes”9 (tradução
da autoria) (Belle, 2020b).
E, a seguir, o que Belle entende por liberdade no parkour, assim como os
desdobramentos disto:
“Libertar-se de obstáculos, restrições, medos e conseguir ir onde se
decidiu, graças ao trabalho físico e mental Seu gosto pela aventura e o
desejo de liberdade são muito fortes: o esporte e o percurso são sua razão
de ser. [...] A abstração do medo do perigo, a concentração, a perspectiva
de chegar ao objetivo que se estabeleceu sem restrições físicas,
sentindo-se vivo e livre, estes são alguns dos ingredientes que fizeram o
"parkour". "Parkour" não tem federação, nem clube e nem
campeonato. Não há padrões, não há dinheiro, apenas o desejo de fazer,
sem regras, mas com honestidade e humildade. E muito trabalho sobre si mesmo”10
(tradução da autoria) (Belle, 2020a).
Nestes apontamentos de Belle, além da caracterização geral sobre a “arte do
deslocamento” (uma maneira útil e harmoniosa de se deslocar na natureza e no
meio urbano por seus próprios meios), há a indicação dela como (1) um
método para o desenvolvimento de capacidades físicas e psíquicas (ele
permite ao seu praticante desenvolver qualidades tais como agilidade,
resistência, controle e, sobretudo, a confiança em si), (2) por meio de um
treinamento, (3) que leva a um grau de autoconhecimento. Importante destacar
também a dissociação que ele faz com o âmbito esportivo, apresentado na
parte final do segundo trecho.
Retomando as influências do parkour, David Belle relata a importância do pai
na sua vida, assim como com a relação com seu corpo (e consequentemente o
parkour):
“[Raymond foi] um excelente bombeiro, reconhecido pela profissão, que
marcará profundamente a vida de David [...] Para [David], o esporte deve
antes de tudo ser utilitário, a força e a agilidade que desenvolvemos devem
nos servir na vida, como seu pai muitas vezes lhe lembrava”11 (tradução
da autoria). (Belle, 2020a)
Aqui, o caráter utilitário do movimento para Belle, supracitado nas suas falas
e no texto de Rotawisky, aparece de modo evidente. Entretanto, isto não surge
como uma concepção própria de movimento de Raymond Belle, mas de Georges
Hébert. Como apontado no início desta parte, Raymond era entusiasta do Método
Natural, de Georges Hébert, assim como David: “Outros antes de nós
enfatizaram nossa arte, como Georges Hébert, pai do método natural, que a viu
como um meio de se realizar e de se desenvolver”12 (tradução da autoria)
(Belle, 2020b).
Como o próprio Belle aponta, é o “hebertismo” (que pode ser entendido como
o Método Natural) a “raiz filosófica” do parkour (Atkinson, 2009, p. 170).
Mas o que é o Método Natural e quem é Georges Hébert?
Influências
do parkour
Antes de continuar a exposição, entendo ser importante apontar a dificuldade
em encontrar textos de autoria de Georges Hébert na Internet. Somente um livro
dele encontra-se disponível nas buscas pela Internet, traduzido para o inglês
por Philippe Til, assim como alguns textos encontrados na Revista de Educação
Physica. Apesar disso, os materiais utilizados conseguem apresentar o pensamento
de Hébert com destacado detalhamento, visto que coincidem com aqueles
apresentados por estudos sobre ele. (Jubé, 2020; Soares, 2003; 2015)
Hébert foi um oficial da Marinha Francesa, que, após passar por um evento de
resgate da população de uma ilha de Martinica, decorrente de uma erupção
vulcânica, entendeu como necessária a criação de um método de deslocamento
e treinamento físico eficaz, por achar que isto garantiria um resultado melhor
na ação supracitada. Não somente neste evento, na verdade.
Segundo Soares (2015), por ser um oficial da Marinha, ele conheceu, nas
expedições que participou, na África e nas Américas, lugares onde as pessoas
viviam em maior contato com a natureza, e que esta “condição natural”, ou
seja, a realização das atividades cotidianas em um espaço não urbano,
necessárias à sua sobrevivência, promovia o desenvolvimento harmônico desses
sujeitos em relação à sua gestualidade e à sua morfologia. Inclusive, estes
sujeitos, segundo Jubé (2020), eram seus modelos para a elaboração de uma
educação física para ambos os sexos: a “carvoeira”, para a educação
física feminina, e o “guerreiro primitivo”, para o treinamento militar (pp.
3-4).
E o que é o Método Natural? Segundo Soares (2003; 2015), o Método Natural tem
como objetivo o pleno desenvolvimento de homens e mulheres, utilizando suas
possibilidades naturais, sem instrumentos para auxiliá-lo, em contato com a
natureza, privilegiando uma “nudez controlada” (Soares, 2003, p. 26)
e um confronto com os diferentes estados da natureza, tendo o movimento corporal
um marcante caráter utilitarista.
Tais elementos aparecem em Hébert (2014), na apresentação de seu método: “[o]
único sistema geral voltado para a perfeição da máquina humana, e é baseado
no treinamento progressivo e na prática metódica de exercícios naturais e
funcionais”13 (tradução da autoria) (p. 20). Como já apresentado,
há uma valoração nos “exercícios naturais” e “úteis” para o alcance
da “perfeição da máquina humana”, em relação àqueles de outra ordem
(tais como o esporte), por meio de uma prática metódica:
“Você precisa somente de um breve momento de reflexão para entender que
estas oito categorias [andar, correr, saltar, nadar, escalar, levantar,
arremessar e defesas naturais] são todas úteis, em vários graus, ao longo
de nossa existência. Fora delas existe a prática de atividades como esgrima,
equitação, remo, que são de uso secundário ou limitadas a uma determinada
população; ou jogos, esportes, atividades acrobáticas ou divertidas,
nenhuma das quais é realmente necessária para cada indivíduo,
independentemente do status social ou ocupação”14 (tradução da
autoria). (Hébert, 2014, p. 20)
No trecho seguinte, em uma coletânea de textos para a Revista de Educação
Physica, apesar de não definir o que é o Método Natural e sim a Educação
Física (fica evidente que para o autor são ambas a mesma coisa), todos estes
elementos supracitados são apontados:
“[Ação] metódica, progressiva e contínua, da infância à idade adulta,
que tem por objetivo assegurar o desenvolvimento físico integral; acrescer as
resistências orgânicas; valorizar as aptidões em todos os gêneros de
exercícios naturais [...]; desenvolver a energia e todas as outras qualidades
de ação ou viris; enfim, subordinar todo o adquirido, físico e viril, a uma
ideia moral, dominante: o altruísmo”. (Hébert, 1941d, p. 11)
Esta concepção apresenta-se como um ato educativo com diversas instâncias (e
isto pode ser visto também em Belle, entretanto em outra perspectiva). Como
aponta Hébert (1941d), “Em educação, não há separar sem inconveniente,
mesmo sem perigo, as três espécies de educação: física, viril e moral, quer
dizer, os músculos, a virilidade e a moralidade” (p. 11). E sob a
alegação de uma falta no desenvolvimento de um destes elementos, recai a
crítica sobre o esporte.
Esta crítica é presente em muitos de seus textos (cabe notar um trecho em
Hébert [1941b, p. 11] sobre a essência da ginástica, de essência francesa e
do esporte, de essência inglesa, apontando as qualidades de um e defeitos de
outro sob uma perspectiva “cultural”) e discutido em uma série de artigos
do autor publicados na Revista de Educação Physica, sobre os “perigos” do
esporte. (Hébert, 1941a; 1941b; 1941c)
Nesta série sobre tais “perigos”, Hébert (1941a) aponta como um dos
vários problemas desta manifestação a falta de “domínio do espírito” e
a desvalorização da moderação, além de ter como finalidade “[...]
tornar-se forte [somente] para vencer os outros” (Ibidem, p. 31), que difere
daquela concepção do “ser forte para ser útil”, valorizada tanto por
Hébert quanto por Belle, o que ajuda a entender tal ojeriza ao esporte,
principalmente por parte do oficial da Marinha.
Além destas questões, outros dois aspectos característicos do esporte (para
além das questões morais) são criticados por Hébert: a especialização e a
comparação de desempenho, que aparecem também em Pereira, Honorato, e
Auricchio (2020). Sobre o primeiro ponto, alguns apontamentos indiretos já
foram apresentados, na ideia do que é “ser forte” no Método Natural, e que
se expressa neste trecho: “O especialista, limitado em seus meios, é o
produto de uma falsa concepção do ser forte. Ser forte significa ser
desenvolvido de maneira completa e útil”. (1941c, p. 10)
E acerca da comparação de desempenho, o autor não vê nenhum elemento “educativo”,
principalmente em relação às questões morais envolvidas. Além disso,
aquelas questões relacionadas à especialização, da falta de um
desenvolvimento completo do corpo, para além da prática (ou seja, útil para o
cotidiano) cruzam com este ponto. Todas estas ideias são resumidas neste
trecho, em que ele compara o esporte ao que ele chama de “velha ginástica”.
“[...] [Esta ginástica] não [considera] o exercício como um fim. Seus
princípios [...] tendem a realizar um ideal mais elevado. A força adquirida
pelo treinamento não é, entre eles, se não um meio de melhor preencher seus
deveres de homem e cidadão e de melhor servir o país. A ideia diretriz é
moral e não material. [...] Do lado esportivo, sabemos que o resultado
material, quer dizer, a manifestação da força, é tudo. O fim é a “performance”
sempre melhor, o recorde a bater [...]. Entre esportistas, o indivíduo é
respeitado como um dogma. Tudo se apaga diante do campeão, do recordista ou
de algumas unidades que formam equipo de jogo; Sendo o fim a “performance”,
a massa e, em particular, os fracos, são sacrificados para assegurar o
triunfo de um só”. (Hébert, 1941b, p. 10)
Para além dos possíveis questionamentos que este trecho incita, cabe aqui a
ênfase no antagonismo apresentado, principalmente por Hébert, em relação ao
esporte, que também se vê em Dash (um dos primeiros praticantes de
parkour no Brasil), no texto de Pereira, Honorato, e Auricchio (2020), ao
abordar a possibilidade do parkour se tornar um esporte olímpico: Sou contra
a competição no Parkour e a grande maioria dos praticantes, de verdade, no
mundo, também é contra (p. 144).
Eixos
de conteúdo
Apresentado o parkour (suas origens e influências), gostaria de abordar os
eixos de conteúdo para relacionar a manifestação corporal em questão com
estes e verificar suas aproximações. De acordo com a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) (Brasil, 2018), assim como qualquer outro documento que
apresente esta divisão dos eixos de conteúdo (jogos e brincadeiras, esporte,
ginástica, dança, lutas e práticas corporais de aventura), o parkour é
compreendido como uma “prática corporal de aventura” (p. 219).
Outras classificações são também apontadas na Base, tais como “esportes
de risco, esportes alternativos e esportes extremos” (p. 218).
Direcionando a discussão sobre os eixos, o conceito de esporte é apresentado
como uma prática marcada
“[…] [Pela] comparação de um determinado desempenho entre indivíduos ou
grupos [...], regido por um conjunto de regras formais, institucionalizadas
por organizações [...], as quais definem as normas de disputa e promovem o
desenvolvimento das modalidades em todos os níveis de competição” (p.
215).
E as práticas corporais de aventura, na BNCC, são aquelas em que:
“[...] [Exploram-se] expressões e formas de experimentação corporal
centradas nas perícias e proezas provocadas pelas situações de
imprevisibilidade que se apresentam quando o praticante interage com um
ambiente desafiador. Algumas dessas práticas costumam receber outras
denominações, como esportes de risco, esportes alternativos e esportes
extremos. [...] [Aqui] optou-se por diferenciá-las com base no ambiente de
que necessitam para ser realizadas: na natureza e urbanas. [...]. [As]
práticas de aventura urbanas exploram a “paisagem de cimento” para
produzir essas condições (vertigem e risco controlado) durante a prática de
parkour, skate, patins, bike, etc.”. (Brasil, 2018, pp. 218-219)
Procurando esquematizar as especificidades destes conceitos, pode-se
caracterizar o esporte pela (1) comparação de performances, por meio de (2)
regras rígidas e pela (3) institucionalização destas práticas. Já as
práticas corporais de aventura caracterizam-se por formas de experimentação
corporal que visam superar (1) situações de imprevisibilidade apresentadas –
no caso do parkour –, (2) na interação com o ambiente urbano. Essas
práticas, por lidarem com situações de imprevisibilidade, (3) geram
sensações de frenesi, em situações de risco controlado. Importante apontar
que, diferentemente dos outros eixos, a caracterização das práticas de
aventura centraliza-se nas sensações provocadas por tais atividades, e não em
características “objetivas”. Apesar de elementos presentes no parkour
estarem em consonância com as práticas corporais de aventura, este eixo não
abarca as questões essenciais deste, o que também acontece, só que de modo
mais acentuado, com o esporte.
Sobre a conceituação do parkour como esporte, há uma série de
manifestações corporais que apresentam uma face competitiva e passam por um
processo de “esportivização”, dentre as quais podemos incluir o parkour.
Entretanto, o que seria este processo? González (2005) classifica este como “ato
ou efeito de converter ou transformar uma prática corporal em esporte ou uma
prática social em assumir os códigos próprios desse fenômeno” (p. 170).
Atkinson (2009), que procura aprofundar as bases do parkour em seu texto,
descreve sobre como o “sportization process” (o termo é oriundo de Eric
Dunning) se deu no parkour (por meio de Sébastien Foucan, um dos fundadores do
parkour e amigo de infância de David Belle) e define-o como
“[…] [o] processo pelo qual formas subalternas ou alternativas de esporte,
lazer e diversão são cooptadas e incorporadas às principais culturas
esportivas. Eles são formalizadas, institucionalizadas, hierarquizadas e
tornam-se tipos de esportes que são organizados e operados com base na
intensa competição, exclusão social e dominação de outros”15 (tradução
da autoria) (p.173).
Como Atkinson (2009) lembra, este processo atinge as mais diversas
manifestações corporais, sem, entretanto, redefinir o núcleo central destas
atividades. A esportivização é assim, uma faceta, podemos dizer capitalista,
da cultura corporal de movimento, mas não a única nem a principal, como é
também no caso do parkour.
Sobre a conceituação do parkour como prática corporal de aventura, as
situações de imprevisibilidade são comuns em um número razoável de
manifestações da cultura corporal de movimento, principalmente quando há
nelas uma pluralidade de elementos envolvidos (o número de participantes, de
objetos, assim como o espaço em que desenvolve a atividade, geram estas
situações). Entretanto, pode-se concordar que a imprevisibilidade gerada pela
interação com o ambiente no parkour é bem diferente daquela apresentada em um
campo de futebol. Mas, como já apontado nos dois primeiros tópicos, relativos
à origem e influência do parkour, perceberemos que não é este um aspecto
central dele – a interação entre o participante e o espaço.
O eixo mais próximo do parkour é aquele que engloba os elementos valorizados
tanto por Belle quanto por Hébert. Pérez Gallardo (2005) aponta, que na
ginástica “está implícita a ideia de exercitar e sua delimitação neste
âmbito está no corpo em movimento” (pp. 210-211) e de que “qualquer ação
que seja repetida com o objetivo de melhorar a aptidão física e/ou a melhoria
da qualidade na execução de um gesto pode ser considerada ginástica” (p.
211). Na BNCC, apesar de uma divisão em diferentes tipos de ginástica (geral,
de condicionamento físico e de conscientização corporal), os elementos
apresentados por Pérez Gallardo aparecem como centrais.
Ambos os elementos levantados por Pérez Gallardo têm destaque tanto em Hébert
quanto em Belle. Obviamente, a dinâmica do parkour é diferente daquela
apresentada por uma ginástica “normal” (Belle até nomeia o parkour como a
“arte do deslocamento”), por ter um deslocamento contínuo e ser realizada
em ambiente externo, o que, contudo, é verificado em outras atividades
consideradas gímnicas (“calistenia”, “circuito”, crossfit, etc.).
Nas caracterizações de Belle sobre o parkour e de Hébert sobre o Método
Natural, a crítica ao esporte é apresentada de modo enfático, principalmente
no segundo caso. Evidentemente, por ser um conceito contemporâneo, as práticas
corporais não são confrontadas de modo similar. Mas tampouco seus elementos
centrais são relevantes para os dois (Belle e Hébert), como foi mostrado neste
ensaio. Neste sentido, o parkour pode ser associado com mais facilidade à
ginástica do que às práticas corporais de aventura ou ao esporte.
Conclusões
Apesar de todas as contradições envolvidas no discurso de David Belle sobre a
essência do parkour (não desenvolvidas devido ao foco do ensaio), fica
evidente o parkour não como uma atividade centrada nas sensações geradas pela
sua prática, tampouco em uma atividade em que objetiva comparar performances,
mas em um método de treinamento (que difere sim de outras práticas
ginásticas) que objetiva o desenvolvimento de capacidades físicas e
psíquicas, principalmente entendendo sua conexão com os ideais de Hébert.
Isto é perceptível tanto nas ideias de Hébert sobre a educação física,
desenvolvidas em seu Método Natural, como no que podemos chamar de elementos
centrais do parkour, elaborados por Belle. Existem diferenças entre tais
concepções, como, por exemplo, a utilização do espaço urbano como o locus
do parkour, entre outras questões decorrentes do contexto em que foram
elaboradas (por exemplo uma datando do início do século XX e a outra na
transição com o século XXI), mas ambas possuem, e procuram enfatizar, o lema
“ser forte para ser útil”, oposto ao que os autores entendem ser aquele do
esporte (especialização para a competição), e que denota não somente uma
visão pragmática para o movimento, mas um processo para o desenvolvimento
humano.
Notas
Hébert
apareceu após algumas pesquisas dos alunos apontarem a influência do
Método Natural em relação ao parkour. E a partir do questionamento sobre
o Método Natural, chegamos a ele.
Este
apontamento foi tomado por ele ter sido apresentado como um questionamento
(pode-se dizer coletivo) em uma destas aulas, sobre o que caracteriza as
práticas corporais de aventura, principalmente na comparação com os
outros eixos.
Entende-se
que a prática em si tem movimento independente de seus fundadores, ganhando
significados subjetivos e sociais que podem estar dissociados de sua
proposta original. Por isso, não é sobre a ressignificação que se
pretende um questionamento, mas sobre quais são os elementos essenciais do
objeto de estudo, e que entende-se apresentado pelos seus fundadores, que
coincide com aqueles apresentados pelos seus praticantes (A arte do
deslocamento é uma forma útil e harmoniosa de mover-se na natureza e no
ambiente urbano por seus próprios meios [Belle, 2020b]).
Este
foi o único artigo encontrado em português e posterior a 2020. Entretanto,
não há nele foco na Educação Física Escolar (ainda que nela apareça
uma reflexão metodológica) e sim uma ênfase na crítica ao processo de
esportivização pelo qual passa o parkour.
O
grupo original era composto por nove integrantes, sendo eles Charles
Perrière, Châu Belle-Dinh, David Belle, Guylain N’Guba-Boyeke, Laurent
Piemontesi, Malik Diouf, Sébastien Foucan, Williams Belle e Yann Hnautra.
(Daout, 2018, p.15)
Este
apontamento é feito, pelo fato de haver a comercialização do parkour
promovida por Belle, por meio de produtos, cursos e até de sua própria
imagem, contrariando o seu discurso purista sobre a promoção da prática
do parkour.
“En
el momento en que los fundadores del parkour otorgaron a la
infraestructura urbana un carácter lúdico, de juego, alteraron las
técnicas del cuerpo relacionadas con el método militar. En este sentido,
el parkour retoma la importancia que tiene la disciplina
militar para incrementar la fuerza del cuerpo, pero no para producir cuerpos
dóciles y productivos. La disciplina para estos practicantes aumenta la
capacidad de acción política y experimentación que albergan sus cuerpos”.
“La
práctica del parkour genera un quiebre en los usos tradicionales de las
estructuras urbanas y en línea directa, con las estructuras sociales de
poder. En este sentido, el movimiento intencionado configura un mecanismo de
expresión, reclamo y resistencia. La relación de esta práctica con la
ciudad, implica indiscutiblemente una re-significación de esta última, de
tal manera que ella deja de ser la representación plana del espacio
geográfico, de organización geométrica con simetría o no donde habitan
los ciudadanos, pasando a constituirse en una compleja realidad de
interacciones en la que el parkour trasciende los límites funcionales de la
arquitectura, para los traceurs la infraestructura de la ciudad debe leerse
como un reto necesario y obligatorio, pero no limitado y limitante. Es así
como se desprenden valores tales como; auto superación, auto cuidado,
cuidado del otro y del escenario de práctica”.
“L’art
du déplacement est une manière utile et harmonieuse de se déplacer dans
la nature et dans le milieu urbain par ses propres moyens. Elle permet à
son pratiquant des développer des qualités telles que l’agilité, la
resistance, la maîtrise et surtout la confiance en soi. En se déplaçant
sans l’aide de matériel, elle donne à celui qui l’exerce la
possibilité de se découvrir chaque jour, d’utiliser son corps qui est
son outil le plus précieux. Nul besoin d’installations, tout est bon à
cet art pour voir le jour, mais dans la rue, cet art est le plus naturel qui
soit et tout être humain le possède dans ses gênes”.
“Se
libérer des entraves, des contraintes, de ses peurs et réussir à aller
là ou on l’a décidé, grâce à un travail tant physique que mental
[...] Son goût pour l’aventure et l’envie de liberté sont trop forts:
le sport et le parcours sont pour lui sa raison d’être. [...] l’abstraction
de la peur du danger, la concentration, la perspective d’arriver au but
que l’on s’est fixé sans contrainte physique, se sentir vivant et
libre, voilà une partie des ingrédients qui ont fait le «parkour». Le
«parkour» n’a ni fédération, ni club ni championnat. Il n’y a pas de
norme pas d’argent juste le désir de faire, sans règles, mais avec
honnêteté et humilité. Et beaucoup de travail sur soi”
“[Raymond
a été] un sauveteur émérite, reconnu par la profession qui marquera
profondément la vie de David [...] Pour [David], le sport doit tout
d'abord, être utilitaire, la force et l'agilité que l'on développe
doivent nous servir dans la vie, comme lui rappelait souvent son père”.
“D’autres
avant nous on su mettre l’accent sur notre art tel que Georges Hébert,
père de la méthode naturelle que a vu en celle-ci un moyen de s’accomplir
et de se développer”.
“[the]
only one general system geared at the perfection of the human machine, and
it is based on progressive training and the methodical practice of natural
and functional drills”.
“You
only need a brief moment to reflect on this to understand that these eight
categories [walking, running, jumping, swimming, climbing, lifting, throwing
and natural defenses] are all useful, in various degrees, throughout our
existence. Outside of them exists the practice of activities like fencing,
horseback riding, rowing, which are of secondary use or limited to a certain
population; or games, sports, acrobatic or fun activities, none of which are
really needed for every single individual, regardless of social status or
occupation”.
“[…]
[the] process by which subaltern or alternative forms of sport, leisure, and
play are co-opted and incorporated into mainstream sports cultures. They
become formalized, institutionalized, hierarchical, and rule-bound types of
sport that are organized and operated on the basis of intense competition,
social exclusion, and domination of others”.
Referências
Atkinson,
M. (2009). Parkour, Anarcho Environmentalism, and Poiesis. Journal of Sport
& Social Issues, 33(2), 169-194. https://doi.org/10.1177/0193723509332582
Belle,
D. (2020a). BIO. http://kyzr.free.fr/davidbelle/menu.php
Belle,
D. (2020b). ESPRIT. http://kyzr.free.fr/davidbelle/menu.php
Brasil
(2018). Base Nacional Comum Curricular (BNCC):Educação é a Base. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
Daout,
Y. (2018). L’ontologie múltiple du parkour [Dissertação realizada
para obtenção do título de Mestre em Sciences Sociales et Sport. Faculté des
Sciences Sociales et Politiques, Université de Lausanne]. https://serval.unil.ch/notice/serval:BIB_S_27897
Gastão,
G. S., e Ferreira, T. (2020). Práticas corporais de aventura no ensino médio:
parkour e corrida de orientação. In: L.B. Kawashima, e E.C. Moreira, (Org.).
Educação Física no Ensino Médio: reflexões e práticas exitosas.
EdUFMT Digital.
González,
F.J. (2005). Esportivização. In: F.J. González, e P.E. Fernsterseifer (Org.).
Dicionário crítico de Educação Física. Editora Unijuí.
Hébert,
G. (1941a). Os Perigos Morais do Esporte. Educação Physica: Revista de
Esporte e Saúde, Rio de Janeiro-RJ, 56, 30-32; 57-59. http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=164070&pesq=Hebert&pagfis=4481
Hébert,
G. (1941b). Os Perigos Sociais do Esporte. Educação Physica: Revista de
Esporte e Saúde, Rio de Janeiro-RJ, 57, 10-11; 66-67. http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=164070&pesq=Hebert&pagfis=4545
Hébert,
G. (1941c). Os Perigos Físicos do Esporte. Educação Physica: Revista de
Esporte e Saúde, Rio de Janeiro-RJ, 58, 10-11; 61-63. http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=164070&pesq=Hebert&pagfis=4629
Hébert,
G. (1941d). Expressões técnicas da Educação Física: distinção entre “Esporte”,
“Educação Física” e “Ginástica”. Educação Physica: Revista de
Esporte e Saúde, Rio de Janeiro-RJ, 61, 10-11; 61-62. http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=164070&pesq=Hebert&pagfis=4881
Hébert,
G. (2014). The Natural Method: Georges Hebert’s Practical Guide to Physical
Education. Tradução de PhilippeTil.
Jubé,
C.N. (2020). Método Natural de Georges Hébert: princípios e primeiras
influências (1905-1914). Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 42,
1-8. https://doi.org/10.1016/j.rbce.2019.05.001
Lemes
de Paula, D.H. (2021). Parkour na Educação Infantil: uma proposta de
organização da prática educativa. Cadernos de Formação RCBE, 12(1),
8-21. http://revista.cbce.org.br/index.php/cadernos/article/view/2387
Murillo,
J.C.C. (2020). Prácticas corporales alternativas: parkour, una forma de ser en
la ciudad. Retos, 38, 411-416. https://doi.org/10.47197/retos.v38i38.73269
Pereira,
D.W., Honorato, T., e Auricchio, J.R. (2020). Parkour: Do Principio Filosófico
ao Fim Competitivo. LICERE – Revista do Programa de Pós-graduação
Interdisciplinar em Estudos do Lazer, 23(1), 134-152. https://doi.org/10.35699/1981-3171.2020.19690
Pérez
Gallardo, J. S. (2005). Ginástica. In: F.J. González , e P.E. Fernsterseifer
(Org.). Dicionário crítico de Educação Física. Editora Unijuí.
Rotawisky,
J.L. (2013). Parkour, cuerpos que trazan heterotopías urbanas. Revista
Colombiana de Antropología, 49(2), p. 41-61. http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0486-65252013000200003
Sena,
D.C.S. de, e Lemos, M. H. S. de (2020). Parkour: propostas de aulas na
educação física escolar. Caderno de Educação Física e Esporte,
18(2), 159-169. https://doi.org/10.36453/2318-5104.2020.v18.n2.p159
Soares,
C.L. (2003). Georges Hébert e o Método Natural: nova sensibilidade, nova
educação do corpo. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 25(1),
p. 21-39. http://revista.cbce.org.br/index.php/RBCE/article/view/171
Soares,
C.L. (2015). Uma educação pela natureza: o método de educação física de
Georges Hébert. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 37(2),
151-157. https://doi.org/10.1016/j.rbce.2014.11.016