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Possibilidades de intervenção psicopedagógica no ensino de matemática através da cooperação e da avaliação mediada

Possibilities of pedagogical intervention in mathematics education through cooperation and mediated evaluation

Posibilidades de intervención psicopedagógica en la enseñanza de matemáticas a través de la cooperación y la evaluación mediada

 

Janne Márcia Silva Rocha*

janne.rocha@ucb.org.br

Helena Brandão Viana**

hbviana2@gmail.com

Evodite Gonçalves Amorim Carvalho***

evoditea@hotmail.com

 

*Graduada em Matemática, Especialista em Psicopedagogia

Professora de Matemática no Instituto Adventista São Paulo, Hortolândia, SP

**Doutora em Educação Física, Professora nos cursos de Graduação

e Pós-graduação na Faculdade Adventista de Hortolândia, SP

***Mestre em Psicopedagogia, Coordenadora do Curso de Especialização

em Psicopedagogia na Faculdade Adventista de Hortolândia, SP

(Brasil)

 

Recepção: 28/11/2017 - Aceitação: 22/12/2017

1ª Revisão: 16/12/2017 - 2ª Revisão: 16/12/2017

 

Resumo

    O presente artigo teve como objetivo analisar na disciplina de Matemática as possibilidades de intervenção em favor da assimilação dos conhecimentos através da linha metodológica da aprendizagem cooperativa e da avaliação mediada. A pesquisa propôs a avaliação mediada como uma oportunidade de aprendizagem. Fez parte da pesquisa cinco turmas de oitavo ano em uma escola da rede particular no interior de São Paulo, nas quais foram aplicadas entrevistas aos cento e quarenta e nove alunos. Os resultados apontam que as atividades em grupo motivaram os alunos na aprendizagem dos conteúdos alcançando melhor desempenho e exercendo uma cidadania cooperativa. A avaliação mediada resultou numa relação professor-aluno mais proximal e afetiva, trazendo segurança e tranquilidade no momento de avaliação.

    Unitermos: Matemática. Cooperação. Avaliação mediada.

 

Abstract

    This article aims to analyze in Mathematics the possibilities of intervention in favor of assimilation of knowledge through methodological approach of cooperative learning and mediated evaluation. The research proposed mediated evaluation as a learning opportunity. It was part of the research five classes of eighth-grade in a private school, located in a small city in São Paulo in which interviews were applied to one hundred forty-nine students. The results show that the group activities motivated the students in learning contents of achieving better performance and exercising a cooperative citizenship. The evaluation resulted in a mediated proximal and affective teacher-student relationship, bringing security and tranquility at the time of evaluation

    Keywords: Mathematics. Cooperation. Mediated evaluation.

 

Resumen

    El presente artículo tuvo como objetivo analizar en la disciplina de Matemáticas las posibilidades de intervención en favor de la asimilación de los conocimientos a través de la línea metodológica del aprendizaje cooperativo y de la evaluación mediada. La investigación propuso la evaluación mediada como una oportunidad de aprendizaje. Fueron parte de la investigación cinco grupos de octavo año en una escuela de la red privada en el interior de São Paulo, en los que se aplicaron entrevistas a los ciento cuarenta y nueve alumnos. Los resultados apuntan a que las actividades en grupo motivaron a los alumnos en el aprendizaje de los contenidos alcanzando mejor desempeño y ejerciendo una ciudadanía cooperativa. La evaluación mediada resultó en una relación profesor-alumno más proximal y afectiva, trayendo seguridad y tranquilidad en el momento de evaluación.

    Palabras clave: Matemáticas. Cooperación. Evaluación mediada.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 22, Núm. 236, Ene. (2018) 


 

Introdução

 

    A verdadeira educação significa mais do que a prossecução de certo curso de estudos, e cada indivíduo é dotado de certa faculdade para pensar e agir e é obra da verdadeira educação por parte de professores comprometidos a desenvolver essa faculdade, tornando os jovens pensantes e não meros refletores do pensamento de outrem (White, 2008, p. 17). A Matemática faz parte do cotidiano de todos, todavia, tem sido vista como vilã na escola e nas famílias apresentando crianças, adolescentes e adultos desmotivados e até inferiorizados, por apresentar dificuldades no seu aprendizado.

 

    A Matemática fornece instrumentos eficazes para a compreensão e ação no mundo que nos cerca, sendo essencial na solução de vários tipos de problemas. Por ser um meio de comunicação – uma linguagem formal e precisa – requer uma prática contínua de forma clara e universal. Seu ensino deve ser meta prioritária do trabalho docente, já que se pode pensar na Matemática como componente fundamental na construção da cidadania, nos conhecimentos científicos e tecnológicos. É preciso desenvolver nos alunos competências para compreender e transformar a realidade, levando à compreensão e apreensão do significado (Abreu, 2013).

 

    Aprender Matemática aponta uma sequência temporal específica, o qual alguns conceitos se vinculam sobre o conhecimento de outros, de modo que se faz necessário realizar uma instrução prévia necessária para a compreensão daqueles (por exemplo, a multiplicação, anterior a divisão). Por se tratar de uma ciência que exige conhecimentos específicos e que geralmente gera conflitos, o ensino da Matemática deve se transformar em autênticos processos de descoberta por parte do aluno. Por conseguinte, muitos alunos apresentam bloqueios e não conseguem chegar a determinados pensamentos abstratos, sendo necessárias intervenções que facilitem a construção de conhecimento do aluno favorecendo uma aprendizagem significativa (Huete & Bravo, 2006).

 

    O professor precisa lidar com a singularidade de cada aluno, cada um tem seu modo único de lidar com o conhecimento matemático, e, por meio de constante construção e reconstrução desse conhecimento serão desenvolvidas as competências necessárias à constituição de um cidadão matematicamente letrado. A concepção de Matemática e o modo como o processor trabalha essa disciplina em sala de aula é de vital importância para a aquisição de competências necessárias ao letramento matemático; o professor deve propiciar aos estudantes situações dos contextos sociocultural, escolar, familiar, pessoal, etc. de maneira que a Matemática seja vista como um conhecimento que os ajude a resolver problemas (Mendes, Trevisan e Buriasco, 2012).

 

    A ação psicopedagógica, ancorada na concepção teórica que a fundamenta, pode ser de caráter preventivo ou terapêutico. No âmbito institucional, ocorre a atuação preventiva e tem como objetivo compreender como se desenvolve o fenômeno da aprendizagem na instituição escolar para prevenir possíveis dificuldades na aprendizagem ao longo do ensino (Vieira & Bonito, 2012).

 

    Partindo do pressuposto que a aprendizagem na fase final do ensino fundamental necessita de construções mentais adquiridas nas séries iniciais, muitas dessas crianças chegam com um grande déficit no que se refere ao significado das operações aritméticas (Abreu, 2013) o que torna necessárias ações pedagógicas para sanar essas dificuldades. Diante da atuação preventiva, a investigação tem como objetivo geral analisar na disciplina de Matemática a possibilidade de intervenção psicopedagógica em favor da assimilação dos conhecimentos e/ou na construção de novos conhecimentos num contexto de sala de aula através da linha metodológica da Aprendizagem Cooperativa e da Avaliação Mediada que resultam em bom desempenho escolar. Busca ainda através da cooperação entre os educandos estimular a aprendizagem de conteúdos matemáticos que desenvolvam habilidades necessárias para um convívio harmônico e disciplinado na turma e consequentemente na sociedade, e, propor a avaliação como uma oportunidade de aprendizagem que passa pela interpretação, intervenção e regulação do processo de ensino e aprendizagem.

 

A cooperação no ensino da matemática

 

    Muitas vezes a ênfase da educação repousa em modelos individualistas e competitivos. Esse tema traz uma reflexão sobre o porquê essas crianças pensam do jeito que pensam; e se pensarmos que vale a pena tratar de recuperá-los enquanto educadores responsáveis logo deveriam agir de outra maneira. Pode-se pensar em alternativas que transformem o professor de Matemática um estrategista para não somente repassar conteúdos, mas para aceitar o desafio de mudar sua prática, para que as crianças que tenham chegado a essa fase não continuem ou que pelo menos minimizem as dificuldades acumuladas na sua vida escolar. Nossos esforços como educadores, deveriam ser o de prover aquilo que é de grande valor inestimável, à cooperação. Seria de grande valor aos jovens, aos pais e aos professores estudarem as lições de cooperação e a praticarem; a cooperação deve ser demonstrada em sala de aula, que os que aprendem mais fácil ajudem os que apresentam mais dificuldades (White, 1996, p. 286).

 

    O professor precisa rever posturas autoritárias, passando a tratar o aluno como agente ativo que interage no processo da construção de seu próprio conhecimento. Deve tornar a Matemática interessante trabalhando e ensinando ao aluno como apoderar-se dela como solução de vários problemas de sua vida e também para o ensino de outras áreas. Dessa maneira, a aprendizagem de fato ocorrerá, pela autoconfiança gerada nas atividades desenvolvidas por ele. O professor precisa conhecer as principais características dessa ciência, de seus métodos, de suas ramificações e aplicações; conhecer a história de vida dos seus alunos não deixando de considerar o contexto sociocultural do aluno. O professor deve compreender o ensino como uma forma de auxiliar o aluno a aprender, interagir com o aluno, explicar e informar os esquemas mentais já existentes, questionar e corrigir, respeitar os tempos e saberes dos alunos, assumir uma atitude não diretiva, porém ativa e abrir espaços para a atividade grupal e cooperativa (Cunha, 2013).

 

    O ensino da Matemática precisa ser uma tarefa interessante, que dá lugar a reflexão e discussão em grupo. O aluno poderá se aproximar dela sem medo e perceber que na casa, na rua, nas várias profissões, nas várias culturas onde quer que seja o ser humano necessita da Matemática. Não se deve pensar em formar “Matemáticos”, mas alunos que compreendam significados imprescindíveis para a construção de novos conceitos. Nas aulas de Matemática nem todos os alunos participam e alguns professores admitem como um comportamento normal sem se preocuparem com as razões que levaram o alheamento do que acontece na sala de aula, e responsabilizam o aluno pela forma como se organiza e executa as tarefas propostas em sala. O professor deve ser o principal responsável a contribuir para que os alunos participem e se envolvam nas atividades propostas, fazendo da sala de aula um lugar de aprender. Pelas características de cada estudante, são apresentadas diferentes motivações, interesses ou capacidades, que conduzem a diferentes ritmos de aprendizagem, somando-se aos fatores extrínsecos ao aluno, como o método de ensino utilizado pelo professor, o elevado número de alunos por turma (Dias, 2013).

 

Avaliação mediada

 

    As pesquisadoras Neves e Farias (2007) verificaram que a investigação e a intervenção na realização escolar relacionam-se mais às características motivacionais dos alunos do que propriamente ao seu quociente de inteligência; os construtos motivacionais assumem um papel essencial para que o aluno tenha uma melhor adaptação à escola e a melhoria do desempenho escolar, e, a atuação do professor contribuirá para o sucesso ou insucesso dos alunos.

 

    O aluno motivado para aprender e consciente de que errar faz parte do aprendizado, terá maior chance de vencer as dificuldades e bloqueios adquiridos na vida escolar e apresentar-se mais seguro para o processo de avaliação; nesse caso, não para uma avaliação que prioriza a seleção e a certificação, diagnóstica e formativa, mas para a avaliação que oportuniza a aprendizagem. A avaliação tem a função de guiar e reorientar o processo de ensino e aprendizagem, com finalidade educativa, considerando os caminhos percorridos pelo aluno e as suas tentativas de solucionar os problemas que lhe são propostos (Pedrochi, 2012).

 

    A avaliação além de ter a função de verificação da aprendizagem realizada e das competências desenvolvidas pelos estudantes é uma atividade essencial vinculada aos processos de ensino e de aprendizagem que se constitui numa prática complexa atuando como um elemento integrador e regulador das práticas pedagógicas do professor. Uma vez reconhecido o papel do processo de avaliação, o professor deve buscar indícios de como torná-la educativa criando formas de intervir no desenvolvimento dos estudantes. Por conseguinte, o professor precisa interrogar-se sobre o uso social real da sua avaliação, onde ele participa e qual é o poder real da sua intervenção (Mendes, Trevisan e Buriasco, 2012).

 

    Diversos fatores interferem no ato pedagógico, dentre os quais se destaca com evidência significativa a subjetividade presente nas interações estabelecidas entre professor-aluno. Estudos desenvolvidos na área psicopedagógica, segundo Vieira e Bonito (2012), revelam que situações de fracasso escolar podem estar diretamente relacionadas aos posicionamentos subjetivos adotados por professores e alunos no processo de ensino e aprendizagem. Tanto a ação do professor como a do aluno, é permeada de significados subjetivos e que se manifestam como forma de defesa no cotidiano escolar, dando contorno às relações vivenciadas em sala de aula, as quais possibilita o estabelecimento de elos ou de barreiras nos modos de interação, afetando positivamente ou negativamente o ensino e a aprendizagem.

 

Métodos

 

    Tendo como referência as considerações sobre a aprendizagem cooperativa e a avaliação mediada como recursos de intervenção no ensino e na aprendizagem da matemática, questionou-se aos alunos do oitavo ano quanto à importância e viabilidade destes recursos em sala de aula. O público alvo foram os alunos de cinco turmas do oitavo ano do ensino fundamental de uma escola particular no interior de São Paulo. O objetivo foi investigar o uso dessas intervenções utilizadas pela professora na perspectiva dos alunos que resulta em melhor desempenho acadêmico, disciplinar e na formação cidadã. O instrumento de pesquisa foi entregue em todas as turmas. Os alunos foram bem receptivos à pesquisa, e todos os 149 questionários foram respondidos.

 

Figura 1. Idade dos alunos das cinco turmas do 8º ano entrevistadas

Fonte: Dados da pesquisa

 

    Inicialmente, investigou-se a faixa etária desses alunos, verificando que a grande maioria se encontra dentro da idade escolar. Esse dado é bastante compreensível, pois, nas escolas particulares, há pouca incidência de alunos fora da faixa etária regular, que seria de treze anos, para o oitavo ano escolar.

 

Apresentação de resultados

 

Figura 2. Médias Bimestrais em Matemática – ano letivo 2014

Fonte: Dados da pesquisa

 

    A figura 2 faz referência ao desempenho escolar de cada turma no decorrer do ano letivo. O 2º bimestre devido ao conteúdo apresentar uma maior complexidade houve um declínio nas médias, e houve melhor desempenho, a partir do 3º bimestre. A turma do oitavo I é formada em sua maioria por alunos que já foram retidos em séries anteriores ou que vieram de escolas públicas.

 

Figura 3. Eu sempre tive problemas para aprender Matemática

Fonte: Dados da pesquisa

 

    A Matemática ainda é vista por muitos como o terror das disciplinas, onde muitas vezes se inicia na própria casa, na fala dos pais ou mesmo nas séries iniciais por algum professor que tenha passado pelo trauma de aprendê-la e, acaba transmitindo direta ou indiretamente aos alunos. Porém o gráfico 3 mostra que apenas 36% dos alunos apresentam grande dificuldade e 42% dizem não ter problemas na aprendizagem.

 

Figura 4. Eu prefiro realizar tarefas em grupo

Fonte: Dados da pesquisa

 

    Cada vez mais o mercado de trabalho exige a habilidade de se trabalhar em equipe. Daí a importância de orientar e ensinar desde a adolescência o resultado positivo que se obtém ao se trabalhar em grupo. A figura 4 apresenta que 17% de alunos não se dispõem a realizar a tarefa em grupo.

 

Figura 5. Cooperar com os colegas contribuiu para uma melhor compreensão dos conteúdos

Fonte: Dados da pesquisa

 

    A dificuldade para aprender Matemática muitas vezes envolve a própria motivação para a realização de tarefas. O aluno que tem dificuldade e tem receio de questionar o professor, poderá com a ajuda de um colega resolver a atividade proposta em sala de aula. O aluno que tem facilidade desenvolverá atitudes de cooperação e habilidades para o ensino. Assim 81% dos alunos concordam que cooperar contribui na aprendizagem, como indica a figura 5.

 

Figura 6. Ajudar meus colegas de grupo foi uma atividade prazerosa

Fonte: Dados da pesquisa

 

    O professor deve ser um agente mediador e motivador para que os alunos tenham prazer em ajudar o outro, o aluno motivado se mobiliza e participa ativamente das atividades propostas, fazendo do ambiente escolar um lugar de aprender. Apenas 8% não tem prazer em ajudar, o que se assimila aos percentuais daqueles que não concordam que cooperar contribui para uma melhor compreensão de conteúdos.

 

Figura 7. A atividade em grupo melhora a disciplina da turma

Fonte: Dados da pesquisa

 

    A aprendizagem cooperativa provoca um envolvimento de todos os alunos em sala de aula, de forma que não sobra tempo para a indisciplina. No entanto, dependerá muito da ação do professor que se movimenta em sala ou que fica sentado realizando outras tarefas.

 

Figura 8. Estudar em grupo contribui para minha formação como cidadão

Fonte: Dados da pesquisa

 

    O professor que preza apenas por repassar conteúdos, não se preocupando com a formação social do aluno, deve repensar sobre os verdadeiros objetivos da educação. O aluno tem a consciência de que ser um cidadão cooperativo facilitará sua convivência em sociedade.

 

Figura 9. A avaliação mediada contribuiu na aprendizagem

Fonte: Dados da pesquisa

 

    A avaliação como parte do processo de ensino e aprendizagem, deve oportunizar ao aluno a reflexão e a conscientização de que errar faz parte do aprendizado. Avaliar não é medir conhecimento, mas o ensino, que cabe ao professor, e a aprendizagem ao aluno.

 

Discussão dos resultados

 

    A aprendizagem em Matemática por apresentar uma sequência temporal específica, segundo (Huete & Bravo, 2006), necessita de conhecimentos prévios que ajudarão na construção de novos conhecimentos, tornando a aprendizagem significativa para a idade escolar do oitavo ano, que é de treze anos em diante.

 

    Diversos fatores podem interferir no ato pedagógico, e segundo Vieira e Bonito (2012), algumas situações de fracasso escolar podem estar relacionadas ao elo ou a barreira criada nos modos de interação, afetando de maneira positiva ou negativa o ensino. O melhor desempenho dos alunos no decorrer do ano demonstra um elo positivo. E mesmo a turma do oitavo ano I sendo composta pela grande maioria de alunos retidos e com maior dificuldade, apresentou um melhor desempenho no decorrer do ano.

 

    O diálogo em classe também valoriza o raciocínio do aluno, porque este é constantemente ouvido pelo professor e pelos colegas. E o bloqueio que foi criado no decorrer da vida escolar e, mesmo no âmbito familiar pode numa convivência cooperativa ser anulada e, em consequência, o aluno se sente seguro e estimulado a aprender a raciocinar.

 

    A sala de aula deve se tornar um espaço que proporcione experiências. Professor e aluno devem interagir em busca de um bem comum, sem haver meta para o professor e outra para o aluno. Como afirma White (1996), nossos esforços deveriam ser ensinar as lições de cooperação, onde os que aprendem mais fácil ajudem os que têm mais dificuldades, pois os alunos estão ansiosos por cooperarem entre si.

 

    O professor que abre espaço para a atividade grupal e cooperativa como indica Cunha (2013), auxiliando o aluno a interagir, questionar e corrigir demonstra que aprendeu a respeitar os tempos e saberes dos alunos. Assim os alunos terão prazer no aprender e no ensinar o outro.

 

    O professor precisa se movimentar em sala, como sujeito ativo, não oportunizando indisciplina e nem a ociosidade dos alunos. Estes não terão como reclamar que não há oportunidade de aprender na sala de aula, já que a ajuda surge tanto do professor como do colega de classe. O resultado é uma turma harmoniosa, produtiva e ávida para aprender.

 

    Em consequência do trabalho cooperativo, o aluno motivado e consciente terá maior chance de vencer as dificuldades, apresentando-se mais seguro para a avaliação que não tem teor punitivo e seletivo. A avaliação com finalidade educativa, como define Pedrochi (2012), será um instrumento integrador e regulador das práticas pedagógicas do professor, e levará o aluno a compreender que o erro faz parte do aprendizado.

 

Conclusões

 

    A ferramenta principal para o início do trabalho psicopedagógico, está dentro do próprio professor psicopedagogo: é a sua criança interior, e para lidar com crianças e adolescentes, é preciso escutar sua criança interior. Pois, somente conhecendo a si mesmo será capaz de conhecer e ajudar os outros (Acampora, 2013). O professor psicopedagogo é o profissional preparado para atender os alunos com problemas de aprendizagem, identificando as causas e usando os instrumentos necessários para o ensino.

 

    O professor psicopedagogo tem um papel fundamental no processo de intervenção dos alunos que apresentam dificuldades na aprendizagem e na avaliação, além do conhecimento acadêmico, ele tem o conhecimento tanto da área psicológica quanto da área pedagógica; e, no uso de suas atribuições precisa lidar com a singularidade de cada aluno, e ao mesmo tempo buscar alternativas que possam ajudar os alunos que apresentam grande dificuldade com a disciplina de Matemática. As atividades em grupo auxiliaram e muito os alunos do oitavo ano do ensino fundamental com conteúdos tratados em séries anteriores e na série atual. Os alunos passaram a ter mais motivação e interesse em estudar Matemática e, além de alcançarem melhor desempenho, tiveram a oportunidade de exercer uma cidadania cooperativa, auxiliando assim na sua formação.

 

    O desenvolvimento de ações de intervenção psicopedagógica no contexto de sala de aula é de fundamental importância tanto aos alunos, quanto aos professores que serão beneficiados por ver seus alunos mais felizes e motivados. Além disso, a avaliação mediada resulta numa oportunidade de aproximação entre professor e aluno, formando uma parceria de confiança e apoio mútuo que muito contribuirá no ensino e aprendizagem.

 

    Os professores de Matemática ao colocarem em prática a avaliação mediada, estarão sendo instrumentos de mudança, pois lhe será exigido a aquisição de novas acomodações e o abandono de certas assimilações. A intervenção do professor deverá ser no sentido de solicitar ao aluno que explicite qual o critério usado para a resolução de determinada questão e não no sentido de determinar o que deve ser feito. O ensino da Matemática deve promover autonomia, por meio do estímulo da cooperação, do respeito das diferenças e pela aprendizagem a partir do erro (Assis et al., 2014).

 

Referências

 

    Abreu, M. A. V. (2013). A Matemática no Ensino Fundamental. Publicado em Educação por Pedagogia ao Pé da Letra no dia 9 de abril de 2013. Disponível em: http://pedagogiaaopedaletra.com/a-matematica-no-ensino-fundamental/ Acesso em 04 de junho de 2014 às 15h58

 

    Acampora, B. (2013). Psicopedagogia Clínica: o despertar das potencialidades. 2ª ed. Rio de Janeiro: Wak Editora.

 

    Assis, O. Z. M. et al. (organizadora). (2014). Educação Matemática: aprender matemática e conquistar autonomia. Campinas, SP: Book Editora.

 

    Cunha, D. S. (2013). A educação matemática e o desinteresse do aluno. REBES- revista brasileira de educação e saúde (Pombal – PB, Brasil), v. 3, n. 3, p. 20-24, jul.-set.

 

    Dias, E. et al. (2013). A natureza das tarefas e o envolvimento dos alunos nas atividades de aula de Matemática. Atas do XII Congresso Internacional Galego-Português de Psicopedagogia. Braga: Universidade do Minho, 2013.

 

    Huete, S. J. C.; Bravo, J. A. F. (2006). O Ensino da Matemática: fundamentos teóricos e bases psicopedagógicas. Tradução Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed.

 

    Mendes, M. T.; Trevisan, A. L.; Buriasco, R. L. C. (2012). Possibilidades de intervenção num contexto de ensino e avaliação em Matemática. Revista de Educação Matemática e Tecnológica Iberoamericana, vol. 3, núm. 1.

 

    Neves, S. P.; Faria, L. (2007). Auto eficácia acadêmica e atribuições causais em Português e Matemática. Análise Psicológica (2007), 4 (XXV): 635-652. VIII Congresso Galaico--Português de Psicopedagogia, realizado na Universidade do Minho, Braga. Disponível em: file:///C:/Users/helena.viana/Downloads/Auto-eficacia_academica_e_atribuicoes_causais_em_portugues_e_Matematica.pdf. Acesso em 12/09/2015.

 

    Pedrochi, O. Jr. (2012). Avaliação como oportunidade de aprendizagem em Matemática. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) Universidade Estadual de Londrina – PR, 2012. 58f.

 

    Vieira, L. & Bonito, J. (2012). Avaliação do processo de ensino e de aprendizagem em sala de aula sob a ótica da psicopedagogia: estudo de caso. In: Magalhães, O. e Folque, A. (Orgs). Práticas de investigação em Educação. Évora: Departamento de Pedagogia e Educação, 2012.

 

    White, E. G. (1996). Educação. Casa Publicadora Brasileira, Tatuí.

 

    White, E. G. (2008). Educação: um modelo de ensino integral. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 


Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 22, Núm. 236, Ene. (2018)

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