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Espaços exteriores, materiais reciclados e atividades motoras. Um projeto na educação pré-escolar

Outdoor spaces, recycled materials and motor activities. A project in pre-school education

Espacios exteriores, materiales reciclados y actividades motrices. Un proyecto en educación inicial

 

Rita Bola*

rita.bola@ua.pt

Sónia Gabriel*

soniagabriel@ua.pt

Rui Neves**

rneves@ua.pt

 

*Mestrado em Educação Pré-escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico
Departamento de Educação e Psicologia – Universidade de Aveiro

**Departamento de Educação e Psicologia / Centro de Investigação em Didática e Tecnologia
na Formação de Formadores - Universidade de Aveiro

(Portugal)

 

Recepção: 18/03/2018 - Aceitação: 10/11/2018

1ª Revisão: 14/10/2018 - 2ª Revisão: 08/11/2018

 

Este trabalho está sob uma licença Creative Commons

Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)

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Resumo

    O presente estudo evidencia a relevância da Atividade Motora desde cedo, e do brincar nos Espaços Exteriores, considerando a sua importância para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. Reflete ainda sobre os recursos a oferecer no espaço exterior e os cuidados a ter na sua seleção e construção, referindo as vantagens de construir recursos para o exterior a partir de desperdícios e das opiniões das crianças, recolhidas a partir de um questionário sobre o tema. O seu objetivo é analisar as potencialidades do espaço exterior para o desenvolvimento motor das crianças e promover, através da construção de recursos materiais a partir de desperdícios, a Atividade Motora no espaço exterior, potenciando aprendizagens significativas e a promoção de valores de Educação Ambiental e da Educação para a Sustentabilidade desde os primeiros anos.

    Unitermos: Desenvolvimento motor. Espaços exteriores. Brincar no exterior. Estímulo multissensorial. Recursos materiais reutilizáveis. Educação pré-escolar.

 

Abstract

    The present study highlights the importance of early motor activity and play in the Outdoor Spaces, considering its importance for the development and learning of the child. It also reflects on the resources to be offered in outdoor space and the care to be taken in its selection and construction, referring to the advantages of building resources abroad from the resources of waste and children's opinions, collected from a questionnaire on the theme. Its objective is to analyze the potential of outdoor space for the motor development of children and promote, through the construction of material resources from waste, Motor Activity in outdoor space, fostering significant learning and the promotion of values of Environmental Education and Education for Sustainability since the early years.

    Keywords: Motor development. Outdoor spaces. Play abroad. Multisensory stimulation. Renewable resources. Pre-school education.

 

Resumen

    El presente estudio evidencia la relevancia de la Actividad Motora desde temprana edad, y del juego en los Espacios Exteriores, considerando su importancia para el desarrollo y el aprendizaje del niño y la niña. Considera también sobre los recursos que se ofrecen en el espacio exterior y los cuidados a tener en su selección y construcción, refiriendo las ventajas de construir recursos para el exterior a partir de residuos y de las opiniones de los niños, recogidas a partir de un cuestionario sobre el tema. Su objetivo es analizar las potencialidades del espacio exterior para el desarrollo motor de los niños y promover, a través de la construcción de recursos materiales a partir de desperdicios, la Actividad Motora en el espacio exterior, potenciando aprendizajes significativos y la promoción de valores de Educación Ambiental y de la promoción Educación para la Sustentabilidad desde los primeros años.

    Palabras clave: Desarrollo motor. Espacios exteriores. Juegos en el exterior. Estímulo multisensorial. Recursos materiales reutilizables. Educación inicial.

 

Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 246, Nov. (2018)


 

Introdução

 

    É do conhecimento geral a importância da prática de Atividade Motora (AM) desde os primeiros anos de vida, no entanto continuamos a assistir recorrentemente a situações onde o brincar no espaço exterior é encarado como um perigo, e por isso evitado. O desenvolvimento humano advém das distintas experiências que a criança vive e que influenciam a forma como a criança compreende e atua. Ao brincarem em espaços exteriores, as crianças enfrentam riscos, resolvem problemas autonomamente, movimentam o corpo e mobilizam os sentidos enquanto exploram. Porém não podemos esquecer que o adulto deve de acompanhar este processo, dando apoio e estimulando a criança para que resulte em desenvolvimento.

 

    Na intervenção educativa o brincar tem um lugar central, uma vez que promove a aprendizagem e desenvolvimento da criança, por isso, O desenvolvimento é compreendido numa perspectiva holística, em que as diferentes experiências e figuras que preenchem a vida da criança influenciam a forma como esta se vê a si própria, aos outros e ao mundo.” (Bilton, Bento & Dias, 2017, p.15). No entanto, em muitos contextos educativos o espaço exterior é apenas utilizado para o intervalo, considerando que

    “(…) a sala de aula é o local destinado a aprendizagem e o espaço do recreio destina-se apenas a um tempo de brincadeira e de lazer e não mais que isso. Olhar o brincar no exterior, nesta perspetiva, significa reconhecer sua potencialidade enquanto espaço de desenvolvimento e aprendizagem.”. (Alves, 2013, p. 47).

    No documento Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, define-se o espaço exterior como

    “(…) um local privilegiado para atividades da iniciativa das crianças que, ao brincar, têm a possibilidade de desenvolver diversas formas de interação social e de contacto e exploração de materiais naturais (pedras, folhas, plantas, paus, areia, terra, água, etc.) que, por sua vez, podem ser trazidos para a sala e ser objeto de outras explorações e utilizações. É ainda um espaço em que as crianças têm oportunidade de desenvolver atividades físicas (correr, saltar, trepar, jogar à bola, fazer diferentes tipos de jogos de regras, etc.) (…)” ([Silva] et al., 2016, p.27),

    percebendo-se assim que é fundamental o educador/professor ponderar as potencialidades do espaço exterior que tem ao seu dispor, e fazer uso do mesmo, enriquecendo e potenciando as aprendizagens do seu grupo de trabalho.

 

    Assim sendo, o presente artigo tem como objetivo analisar as potencialidades do espaço exterior para o desenvolvimento motor das crianças e promover, através da construção de recursos materiais a partir de desperdícios, a AM no espaço exterior, potenciando aprendizagens significativas e a promoção de valores de Educação Ambiental e da Educação para a Sustentabilidade desde os primeiros anos.

 

Dimensão multissensorial

 

    O estímulo multissensorial encontra-se associado à estimulação ativa dos sentidos (olfato, tato, visão, paladar e audição) e visa manter ou melhorar a comunicação, e aumentar o envolvimento da pessoa com o ambiente que a rodeia.

 

    Quando se fala em AM, falamos de uma resposta motora a um estímulo que resulta na realização de um movimento, ou seja, estamos perante um processo percetivo-motor (Coutinho, & Souza, 2014). Neste, encontra-se diretamente relacionado o estímulo, a sensação e a percepção, uma vez que neste ocorrem diferentes fases, sendo elas o estímulo, a recepção de informações ambientais e o seu processamento, terminando com a escolha do movimento mais adequado e a sua realização (Coutinho, & Souza, 2014).

 

O desenvolvimento motor e atividade motora

 

    A promoção da prática de AM desde os primeiros anos de vida é muito importante para o desenvolvimento da criança, não só a nível motor, mas também social e cultural (Neto, 1997). Entenda-se por desenvolvimento motor uma “mudança nas capacidades motoras de um indivíduo que são desencadeadas através da interação desse indivíduo com o seu ambiente com a tarefa praticada por ele” (Homrich, 2013, p.16). Este ocorre durante toda a vida de cada indivíduo e deriva de várias condicionantes, nomeadamente de fatores biológicos e das experiências vividas, que são distintos devido às interações com os diferentes contextos (Charrua, 2014). O desenvolvimento motor e o desenvolvimento cognitivo têm uma relação próxima uma vez que, a compreensão do mundo é adquirida a partir das interações e descobertas das crianças. A partir do movimento a criança obtém conhecimentos por analogia ao que está à sua volta. Alves citando Andreão refere que “quando a criança brinca espontaneamente, quer seja na sala do Jardim de Infância, no recreio, na rua, em casa, ou noutro local, esta não só se diverte como recria e interpreta o mundo à sua volta, desenvolvendo-se e articulando os elementos de sua experiência, memória e imaginação e produzindo nova significação sobre a realidade, recriando e reinterpretando ativamente o meio a qual está inserida” (2013, p.21). Segundo Maude (2014) a atividade física é, portanto, o estímulo crucial para o desenvolvimento do cérebro nos primeiros anos e para a manutenção do cérebro ao longo da vida.

 

    Reconhecemos hoje, a importância da AM no desenvolvimento geral das crianças e, por isso, entende-se que a partir desta podem trabalhar-se temas transversais, como a Educação Ambiental, a Educação para a Sustentabilidade ou para o Consumo Sustentável, e ainda a Educação para a Paz. Apesar de cada vez mais se falar nos benefícios da prática da AM desde cedo e de cada vez mais ser fácil ter-se acesso a informação sobre a temática, e de estarmos a educar e preparar os profissionais de educação nesse sentido, ainda encontramos entraves para a sua prática regular e sistemática e para o brincar no espaço exterior, muitas vezes visto como demasiado arriscado e perigoso por parte do adulto.

 

O brincar no espaço exterior e desenvolvimento motor - papel do adulto

 

    O Brincar é considerado uma atividade honrosa e promotora de desenvolvimento, aprendizagens e bem-estar. “The outdoor area is a complete learning environment, which caters for all children’s needs – cognitive, linguistic, emotional, social and physical.” (Bilton, 2010, p.1).

 

    Sabe-se que “desde os primeiros meses de vida o brincar tem um papel fundamental e central no desenvolvimento de vínculos afetivos importantes com os outros e é um passo significativo para a resiliência. Brincar com os outros requer um constante cuidado, uma leitura/atenção e um saber diferenciar as intenções dos outros para assim ajustar o comportamento.” (Alves, 2013, p.47). Deste modo, brincar permite a criança construir a sua identidade, cria seres autoconfiantes, que encaram os seus problemas, sendo capazes de os resolver, adquirem competências sociais, aprendendo a criar relações, resolvendo conflitos e cooperando. Muitas vezes, o potencial educativo dos espaços exteriores e do brincar é desvalorizado pelos profissionais, mantendo as crianças muito tempo em salas fechadas, privando-as de estímulos e oportunidades da natureza que os rodeia. O brincar no exterior e o risco no brincar assume um importante papel no desenvolvimento da criança, pois responde à sua natural curiosidade de estimulação, mobilizando competências uma vez que “lidar com riscos permite o confronto e a gestão do medo, potenciando-se o desenvolvimento de competências de resolução de problemas e atitudes de perseverança face aos desafios (Brussoni, Olsen, Pike & Sleet, 2012; Sandseter, 2009). (Portugal, Bento, 2016, p.91).

 

    Nos primeiros anos a ativação do corpo e dos sentidos constitui-se como uma dimensão elementar no processo de aprendizagem, sendo que, experiências em que a criança possa agir ativamente serão mais sólidas e perduráveis. Segundo Bento (2014) “no domínio motor, os espaços exteriores permitem a mobilização de competências de coordenação, equilíbrio e agilidade, ao oferecerem estímulos que impelem a criança a realizar movimentos amplos, rápidos e ruidosos.” (p. 130), deste modo, importa criar condições para experiências sensoriais e motoras interessantes e organizadas, pois são a base de aquisições futuras. Os espaços de natureza permitem um maior desenvolvimento das competências motoras e potenciam uma maior variedade de brincadeiras, com diferentes níveis de desafio, liberdade e autonomia (Figueiredo, 2015). Deste modo, os espaços exteriores devem proporcionar um ambiente convidativo e confortável, considerando estímulos e oportunidades para crianças com diferentes interesses e necessidades. De modo a contribuir para um ambiente rico e diversificado o adulto deve criar espaços em que a criança possa decidir o que fazer, com quem e de que forma. Como é referido por Bilton, Bento & Dias (2017) “(…) as crianças necessitam de tempo - tempo para investir, tempo para explorar, tempo para experimentar, seguindo os seus interesses e reagindo aos estímulos dos contextos. Os adultos têm de reconhecer esta necessidade, criando as condições necessárias para proporcionar elevados níveis de implicação e bem-estar junto das crianças.” (p.14). Para proporcionar oportunidades de aprendizagem o adulto deve planificar e organizar cuidadosamente o espaço, apresentar diversos tipos de materiais e estruturas que respondem às necessidades e interesses das crianças, bem como, identificar estratégias de manutenção e arrumação adequadas. No entanto é necessário que o adulto esteja atento e a sua intervenção seja moderada em função das capacidades e interesses das crianças, e ainda compreender que “a possibilidade de brincar ao ar livre, de forma autônoma e espontânea, permite desenvolver competências motoras, sociais, cognitivas e emocionais, que se revelam fundamentais para a vida adulta (e.g. capacidade de tomar decisões, cooperar com os outros).” (Bento, 2014, p.130).

 

Recursos materiais no espaço exterior

 

    Seleção e opções

 

    Através dos jogos, as crianças podem ampliar e aprimorar as suas habilidades de manipulação e, em seguida, aplicá-las em situações cada vez mais exigentes, como na criação de jogos e na participação com outros em situações cooperativas e ou competitivas.

 

    Importa salientar que o jogo oferece um contexto significativo para as crianças, somente quando uma situação tem sentido/significado para elas (Bilton, 2010).

 

    As atividades com jogos também facilitam aspetos do desenvolvimento cognitivo, social e emocional, apelando a habilidades como antecipar, responder e tomar decisões rápidas, mudar as direções rapidamente, cooperar com outras pessoas e competir de forma justa ao aprender a perder e vencer em ambientes sempre em mudança. O jogo físico contribui para a saúde e o bem-estar físico, mental e social e alguns tipos de movimento têm uma importância de desenvolvimento particular - equilíbrio, conscientização corporal e coordenação (White, 2008).

 

    “Segundo Hohmann & Weikart (2007) o planejamento e equipamento dos espaços são fundamentais para que se desenvolva a aprendizagem ativa da criança. Para que esta aprendizagem seja efetivamente realizada é necessário que nestes espaços sejam incluídos objetos e materiais que estimulem as capacidades de exploração e criatividade das crianças. (p. 160-161).” (in Barbosa, 2014, p.6). Assim torna-se imperativo questionar-nos que recursos materiais devem incluir-se nos espaços exteriores para enriquecer a sua oferta educativa, tornando-a motivadora e desafiante, promovendo o desenvolvimento de aprendizagens? Encontram-se diversas opções, todas elas igualmente estimulantes e acertadas, como estruturas fixas (baloiços, escorregas, estruturas de equilíbrio e lugares altos), brinquedos com rodas (exemplo – carrinhos de mão, triciclos, etc.) e materiais soltos (equipamentos para: saltar, atirar, pontapear e atingir, de construção, para brincar com a areia e água, de jardinagem, para brincar ao faz-de-conta, para atividades artísticas e instrumentos musicais). Além dos cuidados com a qualidade de recursos a oferecer ao grupo de crianças com que trabalhamos, outros fatores devem ser ponderados. A higiene e segurança dos materiais é um dos primeiros requisitos que se deverá ter em conta na escolha e recursos a disponibilizar, e fatores como: o peso, a forma e o tamanho dos objetos. É ainda relevante pensar que “As qualidades estéticas e sensoriais fazem parte de outro dos requisitos pensados para os materiais, pois a cor, a qualidade e a forma jogam a favor da beleza do objeto e, portanto, torna-o mais apelativo para quem o manipula.” (Barbosa, 2014, p.18).

 

Os desperdícios na construção de recursos para a atividade motora

 

    Características

 

    Para Domínguez (2010) o uso de materiais de resíduos em sessões de AM é muito útil pois a situação econômica das escolas é geralmente pobre. A utilização deste tipo de recursos permite motivar as crianças para a prática de AM, e para o trabalho colaborativo, favorecendo o desenvolvimento integral da criança. Em simultâneo, possibilita a utilização do tempo pedagógico de forma construtiva, proporcionando o trabalho interdisciplinar, possível de realizar em várias articulações e criando oportunidades para se desenvolver coeducação e sensibilização para a poupança e o consumo responsáveis. Apresenta ainda vantagens como o baixo custo, enriquecimento da oferta e das experiências motrizes, fácil reparação e fácil obtenção da matéria-prima, abordagem globalizada das aprendizagens, e respeito pelo meio ambiente. Para construir bons e sólidos recursos para apoiar a prática de AM e motivar o grupo devemos respeitar algumas características essenciais para obtermos uma proposta atrativa e cativante. Domínguez (2010) define seis características essenciais: Funcional: que sirva para aumentar a motivação para a prática de atividade física; Duradouro: que dure um grande número de sessões para que os alunos possam usá-lo fora do horário escolar; Criativo: que seja novo; desenvolve a criatividade e imaginação do aluno; Colorido: está decorado com cores, materiais, fitas ou autocolantes coloridos; Útil: facilite a prática; Seguro: isto é, que não pode causar ferimentos. Rivadeneyra (2001) acrescenta, em termos de materiais de recuperação, que "na reutilização devemos ser especialmente cautelosos, evitando usos que possam ser perigosos devido às características de degradação do material” (in Domínguez, 2010).

 

    Neste sentido constituem-se como objetivos deste projeto:

  1. qualificar os espaços exteriores com materiais reciclados e desafiadores do desenvolvimento motor das crianças;

  2. promover a participação das crianças na construção de materiais reciclados a incluir nos espaços exteriores;

  3. desenvolver atividades motoras significativas para cada criança e sua integração no grupo.

O nosso projeto

 

    Caraterização do contexto

 

    O presente projeto foi desenvolvido no Centro Escolar da Légua, na freguesia de S. Salvador, conselho de Ílhavo e distrito de Aveiro (Portugal). O Centro Escolar da Légua encontra-se num meio misto, onde o rural e o industrial se tocam, uma vez que nesta zona se fixaram diversas indústrias. O contexto educativo é composto pela Escola Básica e pelo Jardim de Infância da Légua. O projeto foi desenvolvido com um grupo heterogêneo de 24 crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos da sala do Jardim de Infância, em que a interculturalidade era muito expressiva, uma vez que cerca de metade do grupo era composto por crianças de etnia cigana. Foi notório que estávamos perante diferentes estados de desenvolvimento motor, mesmo em crianças com a mesma idade, devido às diferentes experiências que vivenciaram. Estas diferenças eram bastante expressivas quando observávamos crianças de etnia cigana, privilegiadas por não terem restrições a qualquer tipo de AM, não apresentando receio perante um desafio, e por isso apresentavam desenvolvimento motor superior, relativamente às restantes, que em alguns casos tinham restrições, colocadas pelos pais, quanto ao tipo de AM em que se podiam envolver, e outras apresentavam receio perante desafios.

 

    Durante o período de observação e levantamento das necessidades deste contexto, no que toca à prática de AM, foi perceptível que o espaço exterior do contexto, apesar de vasto, apresentava oferta educativa pobre, e poucos recursos para as crianças explorarem, especialmente para as crianças da Escola Básica, que dividem o espaço de recreio com as crianças da Sala de Jardim de Infância. No entanto era claro que aquele espaço apresentava potencialidades, que não podiam ser desperdiçadas. O espaço exterior apresentava um escorrega, um baloiço de mola (galinha) e um baloiço de equilíbrio de pesos, e na arrecadação existiam baldes, pás e utensílios para mexer na areia/terra, embora o espaço apresentasse uma pequena área de saibro, o que dificultava o trabalho com estes elementos, tendo ainda 3 bicicletas sem pedais, 2 motas sem pedais, 3 triciclos e 4 trotinetas, arcos (um pouco danificados), 4 bolas e cordas, elementos com que as crianças da Escola Básica não podem nem conseguem brincar. O espaço exterior apresentava ainda uma pequena horta, um campo de jogos e uma pequena área relvada, sendo a grande maioria do espaço é cimentado. O espaço cimentado apresenta uma parte coberta, para que em dias de chuva as crianças possam estar no exterior.

 

Metodologia

 

    Depois de conhecermos o contexto educativo em que nos encontrávamos, e de analisar as suas necessidades e potencialidades, propusemo-nos construir Recursos Materiais para valorizar o espaço exterior do Centro Escolar da Légua e melhorar a oferta educativa deste espaço criando desafios e recursos motivadores, seguindo as ideias de Portugal & Bento (2016), e de Bilton, Bento & Dias (2017), tanto para as crianças do Jardim de Infância como para as crianças da Escola Básica. Para isso, tivemos sempre em atenção os interesses das crianças uma vez que o espaço exterior é igualmente um espaço educativo pelas suas potencialidades e pelas oportunidades educativas que pode oferecer, merecendo a mesma atenção do/a educador/a que o espaço interior.” (Silva et al., 2016, p.27), analisando as potencialidades do espaço exterior para o desenvolvimento motor depois da colocação dos recursos construídos. No entanto, e porque é nos primeiros anos que as aprendizagens concretas acontecem e são duradouras, como refere Domínguez (2010), não podem ser esquecidos alguns cuidados a ter nesta construção de recursos:

  1. Utilização de Recursos de Desperdício, pois o Centro Escolar da Légua é uma Eco Escola e aposta muito na Educação Ambiental, desenvolvendo vários projetos em prol da mesma durante o ano letivo;

  2. Materiais de diferentes texturas para proporcionar ativação dos sentidos e promover a curiosidade das crianças, motivando-as para a prática da Atividade Física desde cedo;

  3. Durabilidade dos Materiais.

    Como nos encontrávamos na Sala do Jardim de Infância, e tivemos sempre o objetivo de envolver as crianças neste projeto, selecionamos algumas imagens de espaços exteriores e de recursos materiais promotores de AM que consideramos interessantes, com o objetivo de as mostrar às crianças e despertar a sua curiosidade, mas também despertar a sua criatividade. Falamos com as crianças sobre a ideia que tínhamos para valorizar o espaço exterior, construindo recursos a partir de materiais de desperdício, realidade com a qual estavam muito familiarizados, uma vez que este é um contexto com algumas dificuldades financeiras e como o Centro Escolar da Légua é uma Eco Escola, as crianças são incentivadas todos os dias a transformarem “lixo” em algo novo para diversos projetos. Mostramos as imagens selecionadas às crianças e questionamos sobre quais as que gostaram mais, procedendo ao registo, e por fim pedimos que dessem mais ideias para o espaço exterior. As crianças mostraram-se receptivas ao projeto, sugerindo diversas ideias, como a construção de uma horta com morangos, uma estrutura para saltar, uma estrutura para trepar, e das imagens que mostramos gostaram da lagarta de pneus, da trave rasteira, da parede de música, de um baloiço de pneus, de um carro, mas pediram que se fizesse um autocarro porque mais crianças podiam brincar. Em conjunto procedemos a uma Seleção dos Recursos que podíamos construir, chegando à seguinte conclusão:

  1. Trave rasteira: permite o desenvolvimento do equilíbrio e da lateralidade;

  2. Parede de Música: permite desenvolver a noção de ritmo e musicalidade, e do brincar simbólico;

  3. Autocarro: desenvolve o brincar simbólico, a cooperação e partilha;

  4. Lagarta de pneus: permite desenvolver habilidades básicas, como rastejar;

  5. Estrutura para Trepar, de pneus: permite desenvolver habilidades básicas, como trepar, e ultrapassar medos pois envolve correr riscos;

  6. Estruturas para Saltar, usando pneus: permite desenvolver a lateralidade.

    Depois de ouvir as crianças e de selecionar os recursos a construir, fizemos um levantamento dos materiais necessários: i. Pneus de vários tamanhos; ii. Madeira de palete; iii. Tinta de várias cores. Para a construção dos Recursos pedimos, uma vez mais, a participação das crianças, tendo sempre o cuidado de propor trabalho em pequenos grupos, pois algumas atividades necessitavam de tempo e concentração. Para construir a lagarta de pneus e a estrutura de trepar foi necessário pedir autorização à Câmara Municipal que se comprometeu a enviar lá algumas pessoas para as colocar no lugar de forma segura. Assim as crianças apenas pintaram os pneus, que depois serão utilizados para essas estruturas. Após analisar tudo a que nos propusemos fazer realizamos uma estimativa do tempo que iríamos necessitar para concluir o projeto, fazendo uma planificação das sessões.

 

Figura 1. Planificação das Sessões do Projeto

Rita Bola e Sónia Gabriel, 2017

 

    Para além das sessões estruturadas fomos observando o grupo ao longo de 2 meses nos seus momentos livres para ver a sua interação e desenvolvimento no espaço exterior. Fomos recolhendo opiniões, fizemos registos fotográficos, vídeos e ainda pequenas notas de campo para podermos comparar e perceber melhor se haveria ou não mudanças.

 

Resultados

 

    Na primeira sessão tínhamos planificado trabalhar na trave rasteira, por isso levamos a estrutura em madeira para o contexto e pedimos ao grupo que a pintasse como quisesse, e escolhesse o local onde a iríamos colocar.

 

Figura 2. Trave

Fonte: Autores, 2017

 

    Na segunda e terceira sessão o grupo trabalhou na pintura de cerca de 20 pneus. No entanto não foi possível colocar os pneus nos locais escolhidos para o efeito, uma vez que teriam de ser construídas duas estruturas, uma lagarta e uma estrutura para trepar, que requerem uma construção forte e segura. Foi feito um pedido à autarquia local, que se disponibilizou a fazê-lo ainda este ano letivo. Assim sendo, optamos por colocar os pneus no espaço, para que as crianças pudessem utilizá-los livremente, dando asas à sua criatividade, criando desafios e ultrapassando os seus limites.

 

Figura 3. Pintura dos Pneus

Fonte: Autores, 2017

 

    Visto estarmos a trabalhar com crianças muito pequenas, na 4ª sessão, destinada ao trabalho no autocarro, levamos para o contexto a estrutura, onde a montamos e aparafusamos, e pedimos às crianças que a decorassem a seu gosto. No fim do dia o grupo escolheu um local para colocar o autocarro no espaço exterior e partilhou experiências e brincadeiras com as crianças da Escola Básica.

 

Figura 4. Autocarro

Fontes: Autores, 2017

 

    Na quinta sessão realizamos um percurso com estações no exterior, com os recursos que foram construídos, nomeadamente os pneus e a trave, e outros que já existiam no contexto. Com o percurso montado demonstramos como deveria ser feito cada uma das 7 estações. Em seguida, uma criança de cada vez realizou o percurso. Muitas crianças assim que terminavam o percurso pediam para repetir. Foi notório que o grupo gostou de realizar a atividade de desenvolvimento motor no exterior. Esta atividade foi pensada com as mesmas estações para todas as crianças, pois queríamos ver como ultrapassavam os obstáculos que lhes colocamos. Como tínhamos um grupo majoritariamente de crianças com 3 anos e com níveis de desenvolvimento motor tão distintos, foi interessante ver as diversas soluções que utilizaram.

 

Figura 5. Percurso da Gincana

Fonte: Autores, 2017

 

    Na sexta sessão foi realizado um pequeno questionário de uma forma informal para que pudéssemos ouvir as crianças e perceber o que elas achavam agora do espaço exterior. O questionário foi constituído por 7 perguntas e realizado a 7 crianças (3 crianças de 4 anos e 4 crianças de 5 anos).

 

    Perguntas integrantes do questionário: i. O que pensam do espaço exterior agora, com as estruturas novas? ii. O que podem fazer agora, que antes não podiam? iii. O que mais gostam de fazer, ou jogar, ou de brincar, no exterior? iv. Gostam mais agora do espaço ou gostavam mais como estava antes? v. Gostariam de ter mais alguma coisa? Se sim, o quê? vi. Gostam mais de fazer atividades deste tipo dentro da sala ou cá fora? Porquê? vii. É importante fazermos exercício? Porquê?

 

    Todas as crianças que responderam ao questionário referiram que preferiam estar no espaço exterior depois da colocação dos recursos, uma vez que podiam fazer mais atividades, desenvolvendo a parte motora, bem como a criatividade e imaginação. Quando questionadas sobre se gostavam de realizar AM dentro ou fora da sala, todas as crianças responderam que preferiam realizá-las no espaço exterior uma vez que tinham “mais espaço”, porque “tinham mais coisas”, ou ainda “tem jogos muito divertidos”. Questionamos o grupo se gostaria de ter mais alguma coisa no exterior e as crianças apresentaram novas ideias. Pediram mais pneus, apesar de já existirem numa quantidade razoável, uma lagarta, areia uma vez que o que existe no centro escolar é saibro, plantas, baloiços e um trampolim. Percebemos ainda que, após questionados sobre a importância de praticar exercício físico, as crianças responderam que é importante físico porque “faz bem à nossa saúde”.

 

Figura 6. Síntese de respostas das crianças

Fonte: Autores, 2017

 

    Na última sessão, levamos para o contexto a estrutura da parede de música, que foi pintada e na qual colocamos vários materiais que permitiam criar sons diferentes. Estes materiais foram criados utilizando recursos de desperdício da área do lixo da sala do Jardim de Infância.

Após a colocação dos objetos na parede, esta foi colocada no exterior.

 

Figura 7. Parede de Música

Fontes: Autores, 2017

 

    No final deste projeto compreendemos que as crianças preferem passar mais tempo no espaço exterior, e como a partir dele se podem desenvolver mais e melhor. Antes do projeto as crianças faziam poucos jogos, ficavam mais sentadas a brincar com os brinquedos que traziam de casa, e utilizavam pouco os recursos disponibilizados pelo contexto. No final do projeto foi possível vê-las a interagir com o espaço, tendo mesmo observado o grupo inventar jogos com os recursos que tinham ao seu dispor. Também passaram a jogar mais ao “faz de conta” utilizando a sua criatividade e imaginação, e as crianças da Escola Básica passaram a ter recursos que podiam usar e explorar durante o intervalo, tornando-se mais ativas. Foi ainda visível no decurso deste projeto o desenvolvimento da partilha e cooperação do grupo, tal como foi referido por Bilton, Bento & Dias (2017) no estudo que realizaram. Como inicialmente existiam poucos recursos no exterior, partilhar era algo difícil. Ao longo do tempo fomos introduzindo mais recursos no espaço, e as crianças foram aceitando e compreendendo que podiam partilhar e brincar juntos, ou enquanto emprestavam poderiam fazer outra atividade, reduzindo desta forma os conflitos que antes existiam.

 

Figura 8. Espaço Exterior (Antes)

Fontes: Autores, 2017

 

Figura 9. Espaço Exterior (Depois)

Fontes: Autores, 2017

 

Conclusões

 

    É nosso entendimento que brincar nos espaços exteriores promove uma série de aprendizagens e estímulos que influenciam o desenvolvimento e a saúde das crianças. Se considerarmos que o desenvolvimento advém das experiências vividas, articular tempo passado em espaços exteriores e interiores é enriquecedor, cooperando no desenvolvimento das crianças. Quando iniciamos este projeto encontramos alguns desafios, no grupo existia uma criança que na hora do recreio ficava sentada entre 1h a 1h 30 a ver os colegas correr, brincar e explorar. Quando questionada sobre qual a razão por que se mantinha como observadora, esta criança respondia que não tinha vontade, ou que não se podia sujar nem estragar a roupa ou as sapatilhas. Quando a observávamos identificamos que vivia um conflito interior, pois notava-se o seu desejo de se relacionar com os outros e de querer brincar, então encaramos este desafio como um objetivo: tínhamos de conseguir fazer com que todas as crianças, mas especialmente esta, sentisse vontade de explorar, de correr, saltar e de brincar no exterior livremente, sem essas preocupações. Nos primeiros anos de vida ocorrem processos de estimulação corporal, fundamental no processo de aprendizagem, e através do brincar no exterior as crianças podem mobilizar e desenvolver o corpo e os sentidos, bem como desenvolver competências essenciais para o seu futuro, pois o exterior revela-se um meio de aprendizagem de excelência, e as experiências sensoriais decorridas nesse espaço mobilizam a criança, estimulando-a a ser uma construtora ativa do seu próprio conhecimento. O planejamento deste tipo de espaços deve acontecer em conjunto com as crianças, respeitando as suas preferências e sugestões, e este deve proporcionar um ambiente convidativo e confortável para todas as crianças e para os adultos. É fundamental que se dê tempo para o brincar livre, para a exploração minuciosa do espaço e para a experimentação, respondendo aos estímulos, e para que as crianças beneficiem das oportunidades criadas. No desenvolvimento deste projeto foi possível inferir que o grupo melhorou o seu desenvolvimento motor, a sua criatividade, imaginação e partilha, conseguindo desta forma diversificar as AM realizando-as em grupo. As crianças, com a introdução e enriquecimento do espaço exterior, passaram a gostar mais do mesmo e preferindo desenvolver AM. Foi ainda gratificante perceber como estas consideram a AM importante. Os contextos educativos adquirem assim uma responsabilidade extra, garantindo experiências de qualidade, em espaços ao ar livre, contatando com a natureza, para que desta forma se contrarie os hábitos sedentários que têm vindo a aumentar. Ao longo do projeto todas as crianças foram-se envolvendo nas diversas atividades e decisões, algumas de forma gradual, mas o que tornou este projeto ainda mais rico foi observar como aquela criança que um mês antes ficava sentada como espectadora se envolvia em atividades no exterior, a colaborar com os seus colegas e a tornar-se fisicamente ativa, desenvolvendo competências e aprendendo novas AM.

 

Referências

 

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Lecturas: Educación Física y Deportes, Vol. 23, Núm. 246, Nov. (2018)

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