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Estado nutricional de alunos do ensino 

fundamental I de escola pública da zona sul de São Paulo

Estado nutricional de estudiantes del primer nivel de educación primaria de una escuela pública de la zona sur de Sao Paulo

Nutritional status of students in a public elementary school in south of Sao Paulo

 

*Discente do Curso de Nutrição do Centro Universitário Adventista de São Paulo

**Docente do Curso de Nutrição e do Mestrado em Promoção da Saúde

do Centro Universitário Adventista de São Paulo

(Brasil)

Karine Pojo Navegantes*

karine_pojo18@hotmail.com

Vilma Leidy Paixão Rodrigues*

leidynharodrigues@yahoo.com.br

Nyvian Alexandre Kutz*

Marcia Maria Hernandes de Abreu de Oliveira Salgueiro**

marciasalgueironutricionista@yahoo.com.br

 

 

 

 

Resumo

          Na infância um estilo de vida saudável se torna fundamental para evitar problemas de saúde na fase adulta. O estudo tem por objetivo avaliar o estado nutricional de alunos do ensino fundamental I de uma escola pública da zona sul de São Paulo. Estudo transversal realizado com alunos entre 6 e 10 anos. As medidas antropométricas foram coletadas e classificadas a partir de indicadores propostos pela OMS. Foi encaminhado ao domicílio dos participantes, um questionário de classificação econômica. Foram determinadas as associações entre a classe econômica e o estado nutricional e a escolaridade do pai e da mãe pelo teste do Qui-quadrado (X²). A análise estatística foi realizada pelo GraphPad Prism com significância de 5%. Participaram do estudo 112 alunos, sendo 57,14% do sexo feminino e 42,85% do sexo masculino. A idade média foi de 8,30 + 1,22 anos. Verifica-se o predomínio do ensino médio completo, 23,21% e 31,25%, respectivamente, do pai e da mãe. A classe econômica predominante foi a C (61,6%). Verifica-se que 72,32% e 98,21% tem peso por idade e estatura por idade adequados, respectivamente. 62,5% são eutróficos segundo o IMC por idade. Observa-se que não houve associação entre a classe econômica e os indicadores antropométricos (p>0,05) e entre a escolaridade dos pais e os indicadores antropométricos (p>0,05). A maioria da população apresenta-se eutrófica e pertence à classe C. O nível de escolaridade predominante dos pais é o ensino médio completo. Não houve associação entre o estado nutricional e a classe econômica e nem com a escolaridade dos pais.

          Unitermos: Estado nutricional. Escolares. Antropometria.

 

Abstract

          In childhood a healthy life becomes essential to avoid health problems in adulthood. The study aims to assess the nutritional status of elementary students I of a public school in the south of São Paulo. Cross-sectional study with students between 6 and 10 years. Anthropometric measurements were collected and classified from indicators proposed by WHO. Was sent to the participants' homes, a questionnaire of economic classification. We determined the associations between economic status and nutritional status and educational level of father and mother by Chi-square (X ²). Statistical analysis was performed by GraphPad Prism with 5% significance. Study participants were 112 students, 57.14% female and 42.85% male. The average age was 8.30 + 1.22 years. There is a predominance of secondary education, 23.21% and 31.25%, respectively, of father and mother. The dominant economic class was C (61.6%). It is found that 72.32% and 98.21% have weight for age and height for age appropriate, respectively. 62.5% are eutrophic according to BMI for age. It is observed that there was no association between economic class and anthropometric indicators (p> 0.05) and between parental education and anthropometric indicators (p> 0.05). Most of the population has become eutrophic and belongs to class C. The predominant level of parental education is a high school diploma. There was no association between nutritional status and economic class and even with parental education.

          Keywords: Nutritional status. School. Anthropometry. 

 

Recepção: 12/08/2015 - Aceitação: 05/11/2015

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 20, Nº 212, Enero de 2016. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Fatores genéticos, ambientais e psicológicos influenciam diretamente o crescimento e o desenvolvimento infantil. Por isso se faz tão importante uma alimentação adequada nessa fase da vida, pois irá influenciar no peso e na estatura dessa criança, além do desenvolvimento do sistema imunológico (Vitolo, 2010).

    Na infância um estilo de vida saudável se torna fundamental para evitar problemas de saúde na fase adulta (Coelho et al., 2012).

    Estudos mostram que famílias com melhores condições socioeconômicas possuem melhor percepção do estado nutricional de seus filhos. Molina et al. apontam que a escolaridade da mãe influencia a percepção do estado nutricional da criança e mães com baixa escolaridade costumam discordar do estado nutricional aferido, o que é considerado um risco para a saúde da criança. Assim, a mãe que tem uma visão clara do estado nutricional da criança contribui na prevenção de doenças que podem ser causadas por um estado nutricional inadequado (Molina et al., 2010).

    Tendo em vista a crescente mudança dos hábitos alimentares da população brasileira, decorrentes da agitação do dia a dia e a inserção da mulher no mercado de trabalho, a população vem consumindo cada vez mais produtos industrializados, dada a praticidade na sua alimentação, contribuindo com grandes quantidades de gorduras e açúcares simples na dieta; com isso aumentando o número de crianças e adultos obesos, propensos a desenvolver doenças crônico degenerativas (IBGE, 2010).

    A escola vem sendo vista por muitos pesquisadores como o local ideal para estudos desse tipo, já que as crianças passam boa parte do dia na escola, e o fato da escola também ser um fator de influência na saúde da criança, por fornecer instrumentos para a divulgação de informações importantes sobre saúde (Silveira et al., 2011).

    O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é o mais abrangente programa de alimentação do Brasil, e é gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), recebendo recursos financeiros do governo federal, estadual e municipal, e tem como objetivo atender no mínimo 15% das necessidades nutricionais diárias dos alunos durante o período de aula (Brasil, 2005).

    Uma alimentação escolar de qualidade é fundamental para o desenvolvimento biopsicossocial dos alunos, recuperando hábitos alimentares saudáveis, e promovendo a segurança alimentar das crianças e adolescentes. Pois a má qualidade da alimentação nas escolas é um dos componentes principais que comprometem a segurança alimentar (Silva e Danelon, 2013).

    O PNAE tem como objetivo contribuir para uma menor evasão escolar, formando bons hábitos alimentares, utilizando ações de educação alimentar e as refeições oferecidas na escola, seguindo uma política de segurança alimentar e nutricional (Brasil, 2005).

    Uma escola que promove uma alimentação de qualidade, abre automaticamente portas para programas de educação nutricional, resgatando assim hábitos alimentares saudáveis e isso influenciará positivamente na alimentação domiciliar (Brasil, 2005).

    A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2008-2009 mostrou que das crianças de 5-9 anos, 33,5% apresentavam excesso de peso, 4,1% déficit de peso, 6,8% déficit de estatura e 14,3% obesidade. Segundo a POF de 2008-2009, o déficit de estatura das crianças diminuiu desde o Estudo Nacional de Despesas Familiares (ENDEF, 1974-1975); já o peso aumentou consideravelmente (IBGE, 2010).

    Considerando que nos últimos anos o interesse em estudar fatores associados ao sobrepeso e obesidade em escolares aumentou, e a literatura vem levantando questões socioeconômicas e demográficas como possíveis associações para este aumento de peso dos alunos; este estudo teve como objetivo relacionar o estado nutricional de alunos do ensino fundamental I de escola pública da zona sul de São Paulo com a classe econômica e com a escolaridade dos pais.

Metodologia

    Trata-se de um estudo transversal o qual teve como foco o diagnóstico do estado nutricional. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), sob protocolo nº 393.444 (12/09/2013) e pela diretoria da escola.

    A população de estudo foi composta por 112 alunos do ensino fundamental I de uma escola pública da zona sul de São Paulo, com idades entre 6 e 10 anos. Foram convidados 430 alunos por meio de uma carta-convite, encaminhado aos pais. Nesse convite o pesquisador fazia os esclarecimentos necessários quanto à pesquisa e encaminhou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas vias para que os pais pudessem assinar.

    Os alunos foram abordados na escola com dia e hora marcados para a coleta de dados referentes ao peso, estatura e envio do questionário para levantamento de informações para a classificação econômica através da agenda escolar. A coleta de dados foi realizada em setembro de 2013 por pesquisadores devidamente treinados pelo coordenador do projeto.

    O peso foi coletado usando balança eletrônica portátil com capacidade de 150 kg e sensibilidade de 100g. No momento da avaliação cada aluno retirou o casaco, os sapatos e ficou em pé no centro da balança, com os pés completamente apoiados e os braços estendidos e soltos ao longo do corpo (Brasil, 2009).

    Para a estatura foi utilizado o estadiômetro portátil, fixado à parede. Os alunos mantiveram os braços estendidos ao longo do corpo, os pés e calcanhares unidos, glúteos e ombros tocando a superfície do estadiômetro; eretos e olhando para frente até a aferição (Brasil, 2009).

    A partir desses parâmetros, foram determinados os indicadores recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para determinar o estado nutricional de crianças de 5 a 9 anos, e de 10 a 19 anos, as chamadas curvas de crescimento (WHO, 2007). Para os alunos com até 9 anos foram usados os indicadores de Peso para idade (P/I), Estatura para Idade (E/I) e Índice de Massa Corporal (IMC) para idade (IMC/I). Para os alunos a partir de 10 anos foram utilizados somente Estatura para Idade (E/I) e IMC para idade (IMC/I) (Brasil, 2009).

    As informações coletadas para a classificação econômica foram referentes à escolaridade do pai e da mãe, e à presença de bens de consumo no domicilio. Os dados foram analisados de acordo com o Critério de Classificação Econômica Brasil, o qual atribui pontos para cada item de acordo com sua característica domiciliar, classificando as classes econômicas em A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E (Brasil, 2012).

    Os dados foram organizados em planilha de Excel pacote Office 2010, os resultados foram expressos em médias, desvios padrão, freqüência simples e relativa. Foram determinadas as associações entre a classe econômica e o estado nutricional e a escolaridade do pai e da mãe pelo teste do Qui-quadrado (X²) (Pereira, 2008). As classes econômicas foram agrupadas A e B (A1, A2, B1 e B2) e C, D e E (C1, C2, D e E), a escolaridade em menor ou maior de 8 anos de estudo, o P/I em peso adequado (baixo peso e peso adequado) e peso elevado, a E/I em baixa estatura (muito baixa estatura e baixa estatura) e estatura adequada, o IMC/I em eutrofia (magreza acentuada, magreza e eutrofia) e excesso de peso (sobrepeso, obesidade e obesidade grave). A análise estatística foi realizada pelo programa GraphPad Prism com nível de significância de 5% (GraphPad Prism, 2014).

Resultados

    Participaram do estudo 112 crianças, sendo 57,14% do sexo feminino e 42,85% do sexo masculino. A idade média foi de 8,30 ± 1,22 anos. A classe econômica predominante foi a Classe C (61,6%) seguida da classe B (25%). Quanto à escolaridade do pai e da mãe, verifica-se o predomínio do ensino fundamental I e ensino médio completo, 24,1% e 31,25%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1. Características sociodemográficas de alunos do Ensino Fundamental I. Escola Pública, Zona Sul de São Paulo, 2013

    Em relação ao estado nutricional dos alunos avaliados pelo peso para idade, verifica-se que 1,78% tem muito baixo peso, 72,32% possuem o peso adequado e 6,25% peso elevado. Quanto à estatura por idade 0,89% tem muito baixa estatura, 0,89% baixa estatura e 98,21% estatura adequada. O IMC por idade apresenta 1,78% com magreza acentuada, 62,5% eutrofia, 24,1% sobrepeso, 8,03% obesidade e 3,57% obesidade grave (Tabela 2).

Tabela 2. Estado nutricional de alunos do Ensino Fundamental I Escola Pública, Zona Sul de São Paulo, 2013

    Na Tabela 3 observou-se que de acordo com o indicador peso para idade não houve associação significante entre as variáveis demográficas: sexo (p= 0,6763), classe econômica (p= 0,6535), escolaridade da mãe (p= 0,6955), e escolaridade do pai (p= 0,6805).

Tabela 3. Distribuição da amostra de acordo com o indicador peso para idade segundo as variáveis 

demográficas, de alunos do Ensino Fundamental I. Escola Pública, Zona Sul de São Paulo, 2013

    Verifica-se na Tabela 4, que não houve associação significante entre o indicador estatura para idade e as variáveis: sexo (p= 0,6807), classe econômica (p= 0,1512), escolaridade da mãe (p= 1,0000) e escolaridade do pai (p= 0,9813).

Tabela 4. Distribuição da amostra de acordo com o indicador estatura para idade segundo as 

variáveis demográficas, de alunos do Ensino Fundamental I. Escola Pública, Zona Sul de São Paulo, 2013

    De acordo com a Tabela 5 é possível observar que não houve associação significante entre o indicador IMC para idade e as variáveis demográficas: sexo (p= 0,5545), classe econômica (p= 0,8199), escolaridade da mãe (p= 0,6239) e escolaridade do pai (p= 0,8315).

Tabela 5. Distribuição da amostra de acordo com o indicador IMC para idade segundo as variáveis 

demográficas, de alunos do Ensino Fundamental I. Escola Pública, Zona Sul de São Paulo, 2013

Discussão

    A transição nutricional que vem ocorrendo no Brasil desde 1970 está mudando o quadro de saúde pública. A desnutrição vem diminuindo, e o sobrepeso e obesidade aumentando, mostrando a inversão da alimentação da população. Isso vem afetando também as crianças, que vem adquirindo doenças decorrentes de maus hábitos alimentares (Silva, 2011). Nesse sentido é importante traçar um diagnóstico nutricional, através dos indicadores recomendados pela OMS.

    No presente estudo os índices de sobrepeso e obesidade (35,7%) encontram-se acima dos achados da POF 2008-2009, que correspondeu a 33,5% de excesso de peso em relação ao IMC por idade em crianças com idade entre 5 e 9 anos (IBGE, 2010).

    Em estudo realizado por Azambuja et al., com 939 alunos de 6 a 10 anos da rede pública de Cruzeiro do Oeste, Paraná; não houve associação significante entre a classe econômica e o estado nutricional, assim como no presente estudo (Azambuja et al., 2013). Netto-Oliveira et al. em pesquisa realizada com 1.634 crianças com idade entre 6 e 7,9 anos, de 24 escolas públicas e privadas em Maringá, verificou que nos alunos com nível econômico superior houve prevalência de excesso de peso (Netto-Oliveira et al., 2010).

    Ao analisar a influência da escolaridade dos pais sobre o estado nutricional das crianças, não se identificou associação significativa, corroborando com os achados de Bernardo et al. no estudo realizado com 1.223 escolares de 7 a 10 anos em Florianópolis, no qual apontou que não houve associação significativa da escolaridade dos pais com o estado nutricional (Bernardo et al., 2012). Rosaneli et al. avaliando 5.037 crianças de 6 a 10,9 anos em Maringá, verificou que os filhos de pais com maior instrução tinham cerca de 20% mais chances de apresentar sobrepeso e obesidade (Rosaneli et al., 2012).

    Quanto à escolaridade o presente estudo identificou o predomínio do ensino médio completo entre as mães e os pais, ou seja, um nível de escolaridade alta. O que nos faz pressupor que quanto maior o nível de instrução, maior o conhecimento sobre hábitos de vida saudáveis; sendo assim melhor seria a alimentação oferecida à criança; considerado um fator de proteção ao sobrepeso e obesidade (Bernardo et al., 2012). Segundo Molina et al., as mães com maior nível de escolaridade contribuem para a manutenção do estado nutricional adequado, pois incentivam seus filhos a consumir alimentos saudáveis. A presença do pai no domicílio, e um horário e local pré-determinados para a refeição são considerados fatores significantes para uma alimentação de melhor qualidade (Molina et al., 2010).

    A cantina tem como intuito fornecer serviços de alimentação a alunos, professores e demais funcionários, oferecendo liberdade de escolher o que melhor lhe apetece. Isso é problemático, pois a maioria dos produtos comercializados nesse ambiente, como lanches, possuem baixo teor de nutrientes, e grande oferta de açúcar, gordura e sódio. Vários estudos apontam que quando o aluno dispõe de recursos para compra de lanches, a preferência é sempre por doces, salgadinhos e refrigerantes. O fácil acesso a esses alimentos, faz com que o aluno recuse a alimentação escolar. Sendo assim, a cantina pode dificultar a educação nutricional e conseqüentemente a formação de hábitos alimentares saudáveis (Brasil, 2009).

    Pensando então na melhoria dos hábitos alimentares dos escolares foram criadas no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal Leis bem parecidas, são elas a Lei estadual de nº 13.027 de 16 de agosto de 2008 (RS) e Lei nº 5146 de 19 de agosto de 2013 (DF), que propõe nas escolas de ensino fundamental e médio a venda de produtos saudáveis, destacando alimentos tais como frutas, saladas, sucos naturais e sanduíches, sendo que estes deverão ter qualidade higiênico sanitário e nutricional. Esses estabelecimentos deverão colocar em local visível, painel informativo sobre qualidade nutricional dos alimentos; foi vedada a exposição de cartazes publicitários contendo apelo para o consumo a balas, chicletes, salgadinhos e refrigerantes (Brasil, 2008; Brasil, 2013).

    A ausência de cantina pode ter influenciado no estado nutricional dos alunos pesquisados, uma vez que estes só consomem alimentos oferecidos pela escola na merenda ou trazidos de casa. Sendo assim o consumo alimentar dos alunos fica mais restrito ao que podemos considerar uma alimentação mais saudável, suprindo parte das necessidades nutricionais diárias, o que é preconizado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) (Silva e Danelon, 2013).

    O PNAE também prevê a presença do nutricionista, que é o responsável técnico das refeições servidas; o número necessário destes profissionais é calculado a partir da quantidade de alunos e modalidades de ensino presentes em cada município. Segundo a recomendação do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) o parâmetro estabelecido foi de 1 nutricionista (responsável técnico) para até 3.000 alunos do ensino fundamental, com carga horária de 20 horas semanais (Brasil, 2005). Mesmo assim, segundo os dados do CFN apontados pelo Conselho de Alimentação Escolar (CAE); em 2005 de 5.564 municípios somente 1.830 possuíam nutricionistas cadastrados. De 2005 a 2007 verificou-se o aumento de 64% dos municípios dos quais o PNAE já possuía a presença deste profissional (Silva e Danelon, 2013). Vale ressaltar que se observou a presença de um nutricionista na escola pelo menos um dia durante a coleta de dados.

    A presença do nutricionista nas escolas é de grande importância, pois garante qualidade higiênico sanitária dos alimentos, adequações nutricionais e sensoriais, respeito ao hábito alimentar, ambiente e utensílios adequados para a alimentação, além disso, o nutricionista é responsável por treinar a mão de obra garantindo assim uma refeição de qualidade (Brasil, 2005).

    Além da falta de nutricionistas o CAE indicou outro fator preocupante no funcionamento do PNAE, a insuficiência de recursos financeiros repassados pelo Governo Federal. Apesar de nos últimos dez anos o valor per capita ter sofrido reajustes, os alimentos também sofreram aumentos significativos, trazendo dificuldades na aquisição de alimentos e cumprimento das metas do programa (Silva e Danelon, 2013).

    A implementação do PNAE é muito importante dada a melhoria da alimentação escolar que o programa prevê, e por ser um fator positivo na formação de hábitos mais saudáveis, isso pode influenciar também na alimentação no domicílio.

Conclusão

    Não foi encontrada associação entre o estado nutricional dos alunos e a escolaridade dos pais e a classe econômica neste grupo estudado, o que difere da maioria dos estudos apresentados. Recomenda-se desenvolver ações de intervenção, como a educação alimentar e nutricional, estimulando a busca por uma alimentação saudável de acordo com hábitos alimentares e condições socioeconômicas e culturais da comunidade, em função dos altos índices de excesso de peso observados.

    É na infância que os hábitos alimentares se formam, por isso se faz necessário a valorização da alimentação escolar, mantendo as recomendações do PNAE, para que a escola continue sendo um ambiente promotor da saúde.

Bibliografia

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EFDeportes.com, Revista Digital · Año 20 · N° 212 | Buenos Aires, Enero de 2016
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