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O corpo e suas representações sociais no discurso científico

Cuerpo y sociales representación en discurso científico

 

*Mestrando em Humanidades, Culturas e Artes - UNIGRANRIO

Membro do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Representações

Sociais na/para Formação de Professores - LAGERES

**Pedagoga e membro do Laboratório de Estudos e Pesquisas

em Representações Sociais na/para Formação de Professores - LAGERES

Profa. Dra. do Programa de Pós-graduação em Humanidades, Culturas e Artes – UNIGRANRIO

***Coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Representações

Sociais na/para Formação de Professores - LAGERES

Felipe da Silva Triani*

felipetriani@hotmail.com

Isabelle Ferreira de Mendonça**

Thamiris Gomes da Costa**

Prof. Dra. Cristina Novikoff***

cristinanovikoff@gmail.com

(Brasil)

 

 

 

 

Resumo

          Trata-se uma pesquisa que compreende o corpo como objeto de instituição de representações sociais emergentes do imaginário social. Nesse sentido, o objetivo foi identificar quais são os indícios de representações sociais sobre o corpo que têm sido discutidos no campo acadêmico científico. Para atingir a proposta, adotou-se o modelo de pesquisa proposto por Novikoff (2010), servindo de aporte metodológico na constituição do manuscrito tipicamente qualitativo, de revisão bibliográfica. Os resultados encontrados são de que o corpo é discutido em massa na dimensão estética como forma de reinserção social. As considerações apresentadas apontam para um ambiente científico que reforça a discussão de corpo objeto de valoração social, de forma que para se inserir e integrar socialmente se faz necessário aderir aos padrões socialmente instituídos.

          Unitermos: Corpo. Representações sociais. Ciência.

 

Resumen

          Es una investigación que entiende el cuerpo como un objeto institución emergente representaciones sociales del imaginario social. En este sentido, el objetivo fue identificar cuáles son las representaciones sociales de la evidencia en el cuerpo que se han discutido en el campo académico científico. Para lograr la propuesta, adoptado el modelo de investigación propuesto por Novikoff (2010), que actúa como un aporte metodológico en la constitución del manuscrito normalmente cualitativa, revisión de la literatura. Los resultados son que el cuerpo se discute en masa en la dimensión estética como medio de reintegración social. Las consideraciones anteriores apuntan a un entorno científico que refuerza la discusión del ser social del cuerpo valorado cómo insertar e integrar socialmente es necesario adherirse a las normas socialmente establecidas.

          Palabras clave: Cuerpo. Representaciones sociales. Ciencias.

 

Recepção: 11/09/2015 - Aceitação: 13/10/2015

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 20, Nº 209, Octubre de 2015. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Observa-se que o corpo do século XX vem sendo uma potência de grande valoração, principalmente pelo público feminino que cada vez com menos idade aumenta os cuidados com o corpo. Os discursos sobre corpo estão articulados a uma série de outros discursos, a saber: midiático, familiar, educacional e científico (Damico e Meyer, 2006).

    Assim, a problematização aqui elaborada não se trata apenas de uma questão biológica ou gênero, mas na implicação de um corpo que almeja cuidados e que está intimamente relacionado ao comportamento do sujeito, e ainda que por meio dele seja que se constituem as relações ocorrentes no mundo. Uma pesquisa de recente desenvolvida com alunas de uma escola no Rio Grande do Sul, indicou o corpo como um potente marcador social (Damico e Meyer, 2006).

    Nessa perspectiva, para compreender como os grupos sociais se comportam, tendo o corpo como objeto, cabe utilizar a Teoria das Representações Sociais (Moscovici, 1978) como referencial teórico-metodológico. Assim, tal teoria tem como objeto as representações sociais, essas que são constituídas como um processo de construção de conhecimentos ancorados na interpretação com implicações práticas, sendo compreendidas, quando se considera as condições de produções e a estrutura da realidade social (Moscovici, 2003).

    A representação social tem potencial de situar o senso comum como teia de significados capaz de criar efetivamente a realidade social (Spink, 1993). Nesse sentido, o objetivo foi identificar quais são os indícios de representações sociais sobre o corpo que têm sido discutidos no campo científico.

Metodologia

    A ancoragem teórico-metodológica para a realização deste estudo foi norteada no modelo de pesquisa científica proposta por Novikoff (2010). Assim, implicou no desenvolvimento de cinco dimensões que compõem a estruturação da pesquisa científica, iniciando pela discussão epistemológica do tema; segue depois as pesquisas basilares e fundamentadoras da teoria das representações sociais e corpo. Na seqüência se estabelece a dimensão técnica que apresenta o método aplicado para atingir o objetivo. Segue o tratamento dos dados na dimensão denominada morfológica e por fim a dimensão analitico-conclusiva da pesquisa por meio da discussão entre as dimensões teórica e morfológica.

Teoria das Representações Sociais: uma perspectiva gnosiológica

    Tomando como ponto de partida que a representação social é a forma de conhecimento constituída das interações sociais, o conceito de Representações Sociais tem outras diferentes perspectivas, dentre elas a sociológica, psicológica, filosófica e educacional.

    “Apesar de outros teóricos já terem trabalhado com o conceito representações, foi Serge Moscovici quem, em 1961, fê-lo ressurgir, buscando renovar e confirmar a especificidade da Psicologia Social, a partir de estudos que pudessem explicar como se dá a mediação entre o individual e o social, negando, assim, explicações essencialmente sociais como em Durkheim, ou as essencialmente cognitivistas, como em Piaget” (Costa e Almeida, 1999, p. 271).

    As representações sociais têm a função de apreender experiências vivenciadas, através do movimento de interação entre as pessoas. As representações sociais são modalidades de conhecimento prático que orienta para a comunicação e compreensão do contexto social e ideativo em que vivemos (Jodelet, 1985). Nesta forma de se adquirir conhecimento, é possível trabalhar as representações simultaneamente como campos socialmente estruturados e núcleos estruturantes da realidade social.

    Para apresentar as origens teórico-metodológicas da teoria das representações sociais podemos conhecer alguns teóricos que já haviam trabalhado com o conceito de representação, os antecedentes de Moscovici dividem-se basicamente em duas fases, nas quais a primeira baseia-se no caráter coletivo das representações. Durkheim sociólogo pioneiro ao trabalhar o conceito de representações coletivas, discutia a idéia de que a ciência para estudar as representações tinha que reconhecer a oposição entre o individual e o coletivo, isso porque, para ele, o substrato da representação individual era a consciência própria de cada um, sendo, portanto, subjetiva, flutuante e perigosa à ordem social. Por outro lado, o substrato da representação coletiva era a sociedade em sua totalidade e, por isso, seria impessoal e ao mesmo tempo permanente, garantindo, assim, a ligação necessária entre os indivíduos e, conseqüentemente, a harmonia da sociedade.

    Moscovici (1988) afirmava que Simel reconhecia que a representação era o operador que permitia ações recíprocas entre os indivíduos, e na sua descrição do formalismo (doutrina que estabelece como prioridade o estudo das formas), fazia uma distinção entre formas e conteúdos, indicando que, a partir do estudo das formas, seria possível entender o funcionamento da vida social. Além disso, também afirmou que a sociabilidade seria uma forma pura de interação, sem um fim nelas mesmas, ou seja, seria a interação da ordem do estar junto, da manutenção das relações sociais, destituída de interesses políticos, econômicos etc. Em termos de sociologia, preocupou-se primordialmente com as reações do indivíduo frente ao mundo urbano.

    Weber começa a teorizar sobre a autonomia do mundo das Representações, chamando a atenção para a importância de se pesquisar as idéias como parte da realidade social e, para a necessidade de se compreender a que instâncias do social determinado fato devem sua maior dependência. Porém, a base de seu raciocínio é de que, em qualquer caso, a ação humana é significativa, e assim deve ser investigada, representação seria um saber comum com poder de antecipar e prescrever o comportamento dos indivíduos.

    Na segunda fase que surgiram as origens teórico-metodológicas da teoria das representações sociais, era mais valorizada a dinâmica das representações do que seu caráter coletivo. Nesta perspectiva, temos Lévy-Bruhl que chama a atenção para a coerência dos sentimentos, raciocínios e movimentos da vida mental coletiva. E para ele os indivíduos sofrem influências da sociedade, e por isso exprimem sentimentos comuns, o que ele chama de representação.

    Segundo Moscovici, Lévy-Bruhl acreditava os indivíduos sofrem influências da sociedade, na qual estão inseridos e, por isso, exprimem sentimentos comuns, o que ele chama de representação. Para esse autor, o que difere uma sociedade de outra não é o grau de inteligência de seus membros, mas o tipo de lógica de que cada uma se utiliza para pensar sua realidade concreta. Quanto à Piaget, Moscovici (1989) afirma que esse, ao defender que as diferenças entre as crianças e os adultos não eram uma questão de competência, mas de formas de pensar diferentes, transfere para o indivíduo, e que existem formas de pensar diferentes, e Piaget trouxe grandes compreensões dos aspectos psíquicos da representação social. Para Moscovici (1988), Freud mostrou como as representações passam do coletivo para o individual, e como o social intervém na representação individual.

    Freud, por sua vez, ao desenvolver estudos sobre paralisia histérica e tratamento psíquico, estava preocupado em mostrar como as representações passam do coletivo para o individual e como o social intervém na representação individual. Para Moscovici (1989), é Freud quem põe às claras o trabalho de interiorização que transforma o resultado coletivo em dado individual e marca o caráter da pessoa. O caráter seria a expressão de teorias concebidas pelas crianças, inicialmente junto à família e que, progressivamente, vão sendo substituídas por outras, na medida em que as crianças vão ampliando o universo de suas relações sociais.

    Entretanto, Moscovici considera que, apesar das contribuições dos estudos realizados por essas ciências, eles apresentam resultados fragmentados, uma vez que as pesquisas permaneceram fechadas em um ou outro domínio específico: ora iam do caráter coletivo das representações à sua dinâmica, ora iam dos substratos psíquicos às origens e interiorização das mesmas, sem, contudo, se preocuparem com a comunicação que permite os indivíduos convergirem, de sorte que alguma coisa de individual passa se tornar social e vice-versa. Moscovici nos ajuda a refletir que as representações têm como um de seus objetivos, resistir os conceitos, conhecimentos e atividades que colocam risco, ou seja, ameaçam destruir a identidade de indivíduos e/ou grupos, e além desta ajuda ele possibilita verificar empiricamente estes conceitos.

    As representações sociais não dizem respeito apenas a um fenômeno de imediato, ao contrário, estão, sobretudo, diretamente relacionadas a um contexto histórico social mais amplo, elas insere-se em uma perspectiva psicossocial, ela é também o fruto de uma ruptura teórico-metodológica com o reducionismo da psicologia cognitivista e com o determinismo econômico-social da sociologia. As representações não são, assim, necessariamente conscientes pelos indivíduos. Assim, de um lado, as representações conservam a marca da realidade social onde nascem, mas também possuem vida independente, reproduzem-se e se misturam, tendo como causas outras representações e não apenas a estrutura social (Moscovici, 2001).

    Como a representação social é a forma de conhecimento constituída das interações sociais, a psicologia social, entre outras disciplinas, tratam da questão do conhecimento, e enquanto abordagem psicossocial é possível se compreender contribuições específicas da Psicologia Social, mesmo que sejam analisadas num primeiro momento, do ponto de vista teórico, pode ser enfatizada a vocação desta disciplina de trabalhar as representações simultaneamente como campos socialmente estruturados e núcleos estruturantes da realidade social. Partindo do pressuposto de que é a partir das funções simbólicas e ideológicas a que servem e das formas de comunicação onde circulam, os fenômenos sociais emergem como um campo multidimensional que possibilita a natureza do conhecimento e a relação indivíduo- sociedade.

    É no âmbito da Psicologia Social que Moscovici (1978) chega à definição de que a representação social não é nem o coletivo, nem o inconsciente, mas a ação, o movimento de interação entre as pessoas. As representações sociais constituem-se em uma forma de conhecimento individual que só ocorre na interação com “o outro”, no mesmo momento em que esta interação se dá. Enfim, as representações sociais dizem respeito ao universo de opiniões construídas, reelaboradas e redimensionadas pelos indivíduos, em relação a um determinado objeto social, de acordo com a história de vida de cada um.

Do Corpo

    Apresenta-se aqui a idéia de corpo sob algumas perspectivas, como a religiosa, filosófica, biológica, psicológica e pelo senso comum.

    A religião foi marcada pelo Cristianismo, que constitui a idéia de alma como corpo a ser encarnado. Assim, a idéia constituída de homem pela perda de um corpo. O corpo de Cristo é o centro da pregação Cristã, na qual Deus tornou-se forma humana: A religião do Deus encarnado. Onde sua missão foi oferecer seu corpo à perseguição que aceitou se sacrificar para salvar os pecadores. O corpo na visão Protestante nasce do combate contra a adversidade e o sofrimento, um tipo de cura e reconforto. Neste contexto o corpo não é desvalorizado. Contrapondo a pregação do Cristianismo, a parturiente, onde o sofrimento é um castigo a se pagar pelo pecado de Eva. Logo, o diferencial do corpo entre os católicos e os protestantes vem da valorização e preservação do mesmo.

    Na perspectiva Filosófica, o corpo era um assunto a ser discutido por alguns filósofos como Sócrates, Platão, e Aristóteles que viviam na Grécia Antiga.

    Sócrates apresenta uma visão Global de homem, afirmando a importância do corpo e alma no processo de interação do homem com o mundo. Já Platão apresenta uma visão dicotômica, no qual o corpo servia de prisão para a alma. Aristóteles parte do princípio de que as ações humanas eram executadas em conjunto, corpo e alma todas em conjunto de realização.

    Na Idade Média o culto ao corpo era considerado pecado e a renúncia do mesmo era sua salvação. Com a chegada do Renascimento, o ideal de corpo passou a ter um caráter humanista marcando a transição da Idade Média para a Modernidade. Nesse contexto, desenvolveram-se a racionalidade.

    Quando pensamos na definição do que é um corpo, involuntariamente levamos para o lado da ciência, onde o relacionamos às partes anatômicas ou até mesmo seu sistema fisiológico. Neste contexto, o corpo é tratado puramente como biológico.

    Na perspectiva psicológica o corpo está relacionado à saúde e bem-estar. Para Lederman e seus colaboradores (1998), a saúde e o bem-estar estão relacionados às sensações do corpo de forma global, seja de origem física ou psicológica, unificando o corpo e a mente como uma única estrutura.

    De acordo com Benson e seus colaboradores (1998), o psicológico do indivíduo pode influenciar tanto no surgimento, colaboração e recuperação de doenças. Assim, podemos afirmar que as alterações no equilíbrio mental, podem refletir no âmbito físico.

    Apesar das diferentes propostas teóricas para discorrer sobre o corpo, também encontramos a perspectiva antropológica, em que o corpo é formado e modificado pela cultura.

    O senso comum foi trabalhado na cultura e para melhor compreendemos trabalhamos o conceito de corpo sob a perspectiva das representações sociais que é considerada o senso comum da atualidade.

    Na obra de Moscovici, os aspectos conceitual e epistemológico das representações sociais são traduzidos como sistemas de pensamentos e das práticas sociais a partir da idéia de que estas permitem compreender os fenômenos complexos do senso comum (saber popular).

    De modo geral, o corpo é produto e processo de produção do conhecimento e de uma nova concepção de corpo.

A discussão das representações sociais sobre o corpo

    A linha da psicologia social encontra no corpo a idéia de corpo constituído por impressões, na matéria, dos códigos, signos, linguagem e cultura, dados nas relações sociais, ambientais e históricas. Este incorpora aprendizagem voluntária e involuntária ao longo de sua formação e existência, sendo resultado de uma construção simbólica subjetiva, bem como de percepções (Andrieu, 2006) e representações sociais (Moscovici, 1978).

    A sociedade contemporânea tem sido testemunha de um crescente interesse em torno do culto ao corpo, com destaque para a exposição para o que antes era escondido e, aparentemente, controlado (Goldenberg e Ramos, 2002). Inclusive no século XVIII valorizavam-se o espírito e a mente, e tudo que era relacionado ao corpo em si, era inferiorizado. Tanto é que o corpo representava o pecado por estar ligado à parte carnal do homem, na qual a mente deve controlar.

    Goellner (2005) afirma que as diferenças no corpo biológico entre homens e mulheres são atribuídas às características biológicas. Logo, as atividades físicas e esportivas nas escolas, não eram aconselháveis para as mulheres, devido a sua fragilidade em seus órgãos reprodutivos, no qual deveriam ser preservado para uma maternidade segura.

    O corpo está ligado à cultura corporal de movimento encontrada nas escolas, principalmente nas aulas de Educação Física que contribui no processo de formação das representações sociais dos alunos (Brasil, 1998). O corpo está em contato com o mundo físico transpondo diferenças culturais, comportamentais e históricas.

    O corpo tem sido abordado como um organismo temporal e universal (Souza, 2001; 2005). Com isso, os livros didáticos usados nessas escolas, trazem o corpo como uma única fase que deve ser vivida e sentida da mesma forma para todos os estudantes, não levando em consideração seus comportamentos e sentimentos subjetivos. As escolas associam o corpo a um discurso científico, construindo um corpo específico, modelando o homem e a mulher.

    Já na sociedade contemporânea há uma inversão, na qual o corpo é exaltado e colocado em evidência. Os professores trabalham diretamente com o corpo, considerando o mesmo como social, histórico, cultural e biológico, contribuindo na formação do cidadão crítico e ativo socialmente.

    Goldenberg e Ramos (2002), citado em Hakamada (2012) afirmam que atualmente, a estética é o aspecto mais valorizado do corpo. Atualmente é vendida uma imagem através de nossas tecnologias de informações, um estilo de vida saudável que priorizando um padrão de beleza, procuram persuadir o consumidor a obter produtos, ou até mesmo adquirir idéias para manter o padrão de beleza desejado. Iniciando assim, uma relação de consumo transformando o corpo em mercadoria.

    Por meio do discurso “atividade física e saúde” a mídia pode controlar os corpos, impondo um padrão a ser atingido através das práticas corporais, de dietas, cirurgias plásticas, entre outros, relacionando saúde como sinônimo de beleza (Costa e Venâncio, 2004, apud, Hakamada, 2012, p. 50).

    Vive-se em um mundo de imagens que atravessam fronteiras virtuais, um “processo avançado de desterritorialização das coisas, das idéias, das pessoas, o anúncio de uma cultura global”, gerando uma desculturalização, ou seja, perde-se a identidade, as referências (Santos, 1994 apud Nobrega, 2001, p. 54).

    Nesse sentido, a pressão empregada no padrão de corpo ideal, do físico e exaltação da estética, corroborando com as representações sociais de corpo. A representação social ocorre através das experiências individuais ou coletivas, ou seja, a troca de vivência com o outro, a cultura, valores e conceitos, todas essas ações são observadas através da expressão, que são realizadas por meio corpo, que implica na formação de um conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e compartilhados, como afirma Denise Jodelet (2001).

    Portanto, o corpo pode ser entendido como fluxo de representações sociais que o individuo auto-instituí (Novikoff, 2014) ao longo da vida, possibilitando o reconhecimento da existência de si e imbricado em funções de interação social (Slater e Usoh, 1994).

    Neste cenário que se observa a busca de diferentes pessoas, de distintas classes sociais, raça ou religião, por um estilo de vida impostos pela mídia, sem cogitar se realmente é este padrão de corpo ou estilo de vida que querem para eles mesmos.

Considerações finais

    A Teoria das Representações Sociais, por meio de abordagem psicossocial, serviu como valoroso instrumento teórico metodológico para compreender os fenômenos de psicossociais. Embora a presente investigação não tenha realizado uma investigação de intervenção empírica, as representações sociais serviram nesse momento inicial de investigação para compreender que o corpo que vem sendo discutido nas diferentes perspectivas é objeto de instituição de representações sociais que são forjadas sobre ele.

    Diante da revisão realizada sobre corpo, foi possível perceber que todas as discussões alavancadas, ao menos nos estudos encontrados nesse estudo, apresentam um corpo que tem sido alvo de grande valoração, uma tentativa singular do sujeito de se homogeneizar aderindo ao que os estudos denominam como padrões estabelecidos pela sociedade, fortemente influenciado pela mídia. Assim, a instituição de representações sociais acerca do corpo, ao serem instituídas no sujeito, de alguma forma passam a incorporar as condutas no e sobre o corpo, de forma que seu valor simbólico é esvaziado em detrimento do que é socialmente valorado, as representações sociais de um corpo que almeja inserção social por meio de forma física.

Bibliografia

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EFDeportes.com, Revista Digital · Año 20 · N° 209 | Buenos Aires, Octubre de 2015
Lecturas: Educación Física y Deportes - ISSN 1514-3465 - © 1997-2015 Derechos reservados