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Raúl Seixas e o esporte: uma análise das letras e

possibilidades de intervenção nas aulas de Educação Física

Raúl Seixas y el deporte: un análisis de las letras y posibilidades de intervención en las clases de Educación Física

Raul Seixas and sport: an analysis of the lyrics and possibilities for intervention in Physical Education classes

 

Professor de Educação Física da rede municipal de Salvador e estadual da Bahia

Especialista em Metodologia do Ensino e da Pesquisa em Educação Física, Esporte, Lazer

e Escolar. Especialista em Pedagogia do Esporte

Pós-graduando em Educação Física Adaptada

Marcos Vinícius Freire Arraes

marquinhos.arraes@gmail.com

(Brasil)

 

 

 

 

Resumo

          Este estudo trata da análise das letras de algumas músicas do cantor baiano Raúl Seixas e sua relação com o esporte. Nessa análise é feita a relação das críticas feitas aos esportes por Raúl e as críticas existentes ao esporte moderno. Como produto dessa análise surgem possibilidades de intervenções nas aulas de Educação Física principalmente para o ensino médio, utilizando letras de músicas que tratem de conteúdos da nossa disciplina, proporcionando ao professor que gosta de usar músicas em suas aulas um novo caminho, específico da nossa área.

          Unitermos: Educação Física Escolar. Raúl Seixas. Música. Letras.

 

Resumen

          Este estudio trata sobre el análisis de las letras de algunas canciones del cantante bahiano Raúl Seixas y su relación con el deporte. En este análisis se relaciona la crítica a los deportes hachas por Raúl y las críticas que se le hacen al deporte moderno. Como producto de este análisis surgen posibilidades de intervención en las clases de Educación Física, principalmente para la escuela secundaria, con letras que abordan contenidos de nuestra disciplina, proporcionando al profesor que le gusta usar la música en sus clases, una forma distinta, específica para nuestra área.

          Palabras clave: Educación Física. Raúl Seixas. Música. Letras.

 

Abstract

          This study deals with the analysis of the lyrics of some songs of Bahia singer Raul Seixas and its relationship with the sport. In this analysis is the relationship of the criticisms made to sports by Raul and critical to the existing modern sport. As a product of this analysis, there are possibilities of interventions in Physical Education classes mainly for high school, using lyrics that address content of our discipline, providing the teacher who likes to use music in their classes a new way, specific to our area.

          Keywords: School Physical Education. Raul Seixas. Music. Lyrics.

 

Recepção: 09/04/2015 - Aceitação: 02/05/2015

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 20 - Nº 204 - Mayo de 2015. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Principalmente no ensino médio, a Educação Física encontra algumas dificuldades quanto ao conteúdo a ser trabalhado com os alunos dessa faixa etária. Em cada ano que passa no ensino médio, o aluno se distancia cada vez mais da Educação Física, tanto das aulas práticas quanto das aulas teóricas, que precisam ser bem elaboradas, contextualizadas e aplicadas, para que esse aluno não se distancie de vez da disciplina. Algumas escolas particulares aqui de Salvador já aboliram a Educação Física no 3º ano do ensino médio, outras escolas diminuíram a carga horária nessa série e estão trabalhando apenas com uma aula na semana.

    Os alunos dessa fase precisam de aulas pensadas de acordo com suas especificidades. Desde o conteúdo até a aplicação desse conteúdo em sala. Na adolescência, a música faz parte desse sujeito e, portanto, trabalhar com músicas na sala passa a ser uma ótima maneira de atingir positivamente esse jovem.

    Esse trabalho visa suprir uma lacuna existente nas aulas de Educação Física quando se tenta trabalhar com as músicas e suas letras. Normalmente quando se trabalha com letras de músicas as mesmas abordam questões sociais, ambientais ou econômicas, mas dificilmente utilizamos em sala de aula letras que tratem especificamente da Educação Física ou de seus conteúdos.

Raúl Seixas na capa de Rolling Stone

    A proposta desse estudo é apresentar com base nas letras das músicas de Raúl Seixas possibilidades de intervenções respeitando a especificidade da Educação Física e seus conteúdos. Para isso serão analisadas as letras das músicas de Raúl, serão feitas relações das críticas apontadas por Raúl no início da década de 70 com as críticas ao esporte moderno. Ao mesmo tempo ao fazer essa leitura, novas possibilidades de trabalho com as letras das músicas irão surgir.

    Classifico minha pesquisa como uma pesquisa bibliográfica, pois a caracterização feita pelos autores desse tipo de pesquisa coincide com as características da minha pesquisa. Lakatos e Markoni (2003, p. 183) afirmam que a pesquisa bibliográfica “abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc.”. Mesmo as letras das músicas que serão aqui analisadas, Lakatos e Markoni (2003, p. 183) também tratam das músicas quando dizem “até meios de comunicação orais: rádio, gravações em fita magnética e audiovisuais: filmes e televisão.”.

    Foram escolhidas as músicas de Raul Seixas por se tratarem de músicas que na maioria das vezes fazem críticas ao contexto econômico-social da época e em três delas pude perceber que existia também a crítica ao esporte daquela época. Após fazer o levantamento de diversas músicas de Raul Seixas, encontrei essas três que tratam especificamente de assuntos relacionados aos conteúdos da disciplina Educação Física. Importante salientar que muitas críticas feitas por Raul Seixas são baseadas no período da ditadura militar brasileira, período crucial para a Educação Física e principalmente para o Esporte.

Os heróis da nação

Super-Heróis

(Raúl Seixas/Paulo Coelho)

 

Hoje é segunda-feira e decretamos feriado

Chamei Dom Paulo Coelho e saímos lado e lado

Lá na esquina da Augusta quando cruza com a Ouvidor

Não é que eu vi o Sílvio Santos

Não é que eu vi o Sílvio Santos

Sorrindo aquele riso franco e puro

Para um filme de terror

Como é que eu posso ler

Se eu não consigo concentrar minha atenção

Se o que me preocupa no banheiro ou no trabalho

É a seleção

(Vê se tem Kung Fu aí em outra estação)

 

Já na outra esquina

Dei três vivas ao rei Faiçal

O povo confundiu pensando que era o carnaval

Então eu disse a Dom Paulete: eu conheço aquele ali

Não é possível, dom Raulzito

Não é possível, dom Raulzito

Quem que no Brasil não reconhece o grande trunfo do xadrez

Saí pela tangente disfarçando uma possível estupidez

Corri para um cantinho pra dali sacar o lance de mansinho

(Adivinha quem era? Mequinho!)

 

Lá em Nova York todo mundo é feliz

Vi o Marlon dançando o último tango de Paris

Pedi cerveja e convenci ao garçom do botequim

A não pagar o tal do casco

Ele aceitou, pois sou um astro!

E duma cobertura no Leblon

Quelé acena dando aquela

Enquanto o povo embaixo grita

É o Rei Quelé despenca da janela

É quando, a 120, o Fittipaldi passa e quem ele atropela

(Meu Deus! Mequinho no chão, mais três velas)

 

Vamos dar viva aos grandes heróis

Vamos em frente, bravos cowboys

Avante! Avante! Super-Heróis

Ai-oh Silver!

Shazan

 

    Aparente o esporte é unanimidade na sociedade atual. Alguns esportes mais, outros menos, mas de alguma forma todos têm um contato com o esporte em algum momento da sua vida. Como disse Assis (2010, p. 6) “... é impossível encontrar quem não seja atingido, ainda que não goste, pela grande mobilização que ocorre a cada quatro anos com a participação da seleção nacional na Copa do Mundo de Futebol”.

    Mesmo com essa aparente unanimidade algumas críticas foram surgindo como destaca Bracht (2005, p. 22) “... o esporte não se desenvolveu sem despertar reações críticas, o que parece contrastar com a “aparente” unanimidade social da qual desfruta hoje”.

    Da mesma maneira tímida que essas críticas começam a aparecer no meio acadêmico elas também começam a surgir nas representações artísticas, inclusive na música. O cantor baiano Raúl Seixas dentre suas inúmeras músicas, destacou em algumas sua maneira crítica de pensar a respeito do esporte, principalmente do futebol. Essas críticas, mesmo que poucas, servem como ponto de gatilho para discussões específicas da nossa área em sala de aula.

    Em 1974, Raul Seixas lança o álbum Gita que tem na sua primeira faixa a música “Super Heróis”, composição dele e de Paulo Coelho. Nessa música surgem diversas críticas relacionadas ao esporte que podem ser trabalhadas nas aulas de Educação Física principalmente com os alunos do ensino médio.

    Logo no início da música, Raul diz “Como é que eu posso ler se eu não consigo concentrar minha atenção, se o que me preocupa no banheiro ou no trabalho é a seleção”. Fazendo referência à grande importância dada ao futebol pelos brasileiros. Essa paixão chamou a atenção das “classes dominantes” que passaram a utilizar o futebol como forma de apaziguamento das massas como afirmam Junior e Chiapeta (2007) “... o futebol enquanto "pão e circo" seria uma espécie de ópio que iria anestesiar os torcedores, desviando-os, assim, das mazelas cotidianas e de uma conscientização política da realidade.”

    Além da discussão dentro das aulas de Educação Física, esse mesmo trecho da música pode ser utilizado pelo professor de história para tratar mais especificamente sobre a política do pão e circo.

    Em seguida, ao analisar o trecho “Quem que no Brasil não reconhece o grande trunfo do xadrez. Saí pela tangente disfarçando uma possível estupidez” pode-se perceber que o autor relaciona estupidez com a falta de conhecimento sobre os “heróis” do esporte. Essa crítica segue a mesma idéia da crítica anterior de alienação causada pelo esporte que Junior e Chiapeta (2007) chamam de violência simbólica. “... fazer parte das várias formas de "violência simbólica" que alienam todos os torcedores”.

    Com esse mesmo trecho pode-se começar uma discussão sobre a hegemonia de alguns esportes, como o futebol, deixando de lado outros esportes, como o xadrez, por exemplo. Para essa discussão pode-se trazer exemplos de dentro da própria escola e/ou da realidade dos alunos como disseram Basei e Vieira (2007) “E o futebol é o maior representante dessa hegemonia, uma vez que é amplamente praticado no contexto escolar...”.

    No refrão da música Raul canta de forma irônica “Vamos dar viva aos grandes heróis / Vamos em frente, bravos cowboys / Avante! Avante! Super-Heróis”. Nesse trecho o cantor saúda os heróis da nossa nação. Uma nação que só tem possibilidade de encontrar heróis nos esporte como disse Souza et al. (2011) “A indústria cultural age de forma a enaltecer os profissionais do futebol, dando-lhes muitas vezes estatus de super-heróis, principalmente na sociedade brasileira, onde o futebol é uma paixão, uma febre nacional...”.

    Em um país que “respira” futebol, que o esporte se faz presente na maioria dos horários, de onde mais a criança poderia tirar o seu ídolo? Em 2009, Manske et al. já diziam que “Ao nos deparar com uma prática esportiva de tão alto nível, como o Panamericano, temos a sensação de estarmos num universo onde “seres com poderes especiais” apresentam seu show”.

    Essa discussão que se inicia nas aulas de Educação Física sobre a construção de ídolos ou até mesmo sobre a falta de ídolos em áreas que não são do esporte pode se estender por outras disciplinas como: História, sociologia e filosofia.

Aos trancos e barrancos

Aos Trancos e Barrancos

(Raul Seixas)

 

Taí eu sou um cara que subi na vida

Morava no morro e agora moro no Leblon.

 

Eu vou pendurado na janela,

Vou mais pensando nela

Que esse sujo pelo chão.

 

Eu vou descascando a minha vida,

Sujando a avenida

Com meu sangue de limão.

 

Rio de Janeiro

Você não me dá tempo de pensar com tantas cores

Sob este sol.

 

Pra que pensar se eu tenho o que quero

Tenho a nega, o meu bolero,

A TV e o futebol.

 

Eu não vou levando nosso leite

Troquei por um bilhete

Da roleta federal.

 

Eu vou pela pista do aterro

E nem vejo meu enterro

Que vai passando no jornal

 

    Em agosto de 1971, o álbum Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10, lançado pela banda Sociedade da Grã-Ordem Kavernista contou com a participação de Raul Seixas em algumas músicas dentre elas “Aos trancos e barrancos”, composição do próprio Raul. A crítica ao esporte segue a mesma linha das críticas encontradas na música analisada no capítulo anterior, o que confirma o pensamento de Raul em relação ao esporte.

    Na música “Aos trancos e barrancos”, ao analisar o seguinte trecho “Pra que pensar se eu tenho o que quero, tenho a nega, o meu bolero, a TV e o futebol” pode-se perceber uma crítica ao futebol que pode ser relacionada com a crítica feita por Bernett (1982, p. 43-82 citado por Bracht, 2005, p. 25) quando diz “O esporte-espetáculo é utilizado como meio para desviar a atenção das classes e como fuga da realidade política.”

    Esse poder alienador do futebol foi muito criticado por Raul que sentiu na pele (viveu nesse período) a força desse fenômeno após a conquista do tricampeonato mundial de futebol. A copa de 1970 “foi a primeira copa do Mundo televisionada em tempo real e a cores, onde a propaganda televisiva começou a ser exposta a todos.” (Souza et al, 2011)

    Como grande parte das composições de Raul foram do final da década de 60 e início da década de 70, analisar essas músicas nas aulas de Educação Física proporciona aos professores um ponto de partida para a discussão das críticas feitas ao esporte.

    Desde então o futebol vem sendo utilizado como mercadoria, um objeto a ser vendido para o povo. Produtos, marcas e bem de consumo vem ligando-se ao esporte com objetivo de ditar o que vai ser vestido e utilizado pelas pessoas.O futebol nesse momento é tratado como mercadoria pela indústria cultural. (Souza et al, 2011)

    Dessa forma pode-se utilizar as músicas e suas letras na sala de aula e trabalhar conteúdos específicos da Educação Física sem perder os benefícios que aulas desse tipo podem proporcionar como afirmou Paula; Lemos (2013)

    Os métodos podem ser diversificados como, a realização de debates; discussões sobre relação da alienação e padronização imposta pela lógica produtiva; a comparação da sociedade com a Educação Física, associando com a reprodução dos movimentos; elaborar paródias ou montar apresentações mostrando a compreensão das músicas; enfim, transformando o movimento repetitivo e mecânico, geralmente desenvolvido nas aulas de Educação Física, num saber crítico, reflexivo, criativo e autônomo, entendendo a mídia em duas vertentes: a que influencia e induz, e a que pode ser vista como ferramenta útil à reflexão.

    Vale salientar que por causa da riqueza das suas letras, as músicas de Raul Seixas já são bastante utilizadas nas aulas de outras disciplinas do currículo escolar, mas ainda é desprezada nas aulas de Educação Física.

Quando você crescer

Quando Você Crescer

(Raul Seixas, Paulo Coelho e Jay Vaquer)

 

O que que você quer ser quando você crescer?

Aguma coisa importante

Um cara muito brilhante

Quando você crescer

 

Não adianta, perguntas não valem nada

É sempre a mesma jogada

Um emprego e uma namorada

Quando você crescer

 

E cada vez é mais difícil de vencer

Pra quem nasceu pra perder

Pra quem não é importante...

 

É bem melhor

Sonhar, do que conseguir

Ficar em vez de partir

 

Melhor uma esposa ao invés de uma amante

Uma casinha, um carro à prestação

Saber de cor a lição, Que no...

Que no bar não se cospe no chão, nego

Quando você crescer

 

Alguns amigos da mesma repartição

Durante o fim-de-semana

Se vai mais tarde pra cama

Quando você crescer

 

E no subúrbio, com flores na sua janela

Você sorri para ela

E dando um beijo lhe diz:

Felicidade

é uma casa pequenina

e amar uma menina

E não ligar pro que se diz.

Belo casal que paga as contas direito

bem comportado no leito

Mesmo que doa no peito

Sim...

Quando você crescer

 

E o futebol te faz pensar que no jogo

Você é muito importante

Pois o gol é o seu grande instante

Quando você crescer

 

Um cafézinho mostrando o filho pra vó

Sentindo o apoio dos pais

Achando que não está, só

Quando você crescer

Quando você crescer

Quando você crescer

 

    Em 1976, Raul Seixas lançou o álbum Há 10 mil anos atrás. A música desse álbum que será analisada é “Quando você crescer”, composição de Raul Seixas, Paulo Coelho e Jay Vaquer. Nessa música, lançada aproximadamente 5 anos após as outras duas analisadas nos capítulos anteriores, Raul continua com a sua crítica ao futebol, mas dessa vez um pouco diferente.

    Além da questão que será discutida aqui sobre a Educação Física, toda a música traz uma mensagem importante para os alunos sobre a vida e as possibilidades e limitações de ascenção social.

    Para a aula de Educação Física, o trecho “E o futebol te faz pensar que no jogo você é muito importante, pois o gol é o seu grande instante” serve como ponto de partida para as discussões sobre as críticas ao futebol. Como já dizia Brach (2005, p. 30) “Todo gol comemorado no esporte é, na verdade, um gol contra a classe trabalhadora”.

    Numa partida de futebol, aparentemente existe uma igualdade de chances, tendo em vista que os times encontram-se com o mesmo número de jogadores, cabendo apenas ao empenho e dedicação dos jogadores o resultado positivo. Para Bracht (2005, p. 31) as coisas não acontecem exatamente assim, pois para ele existe

    uma outra variante refere-se à função ideológica do postulado da igualdade de chances no esporte. A igualdade formal de chances da estrutura esportiva indica para a presumível existência de uma correspondente forma de sociedade. Tal idéia nega a fundamental desigualdade de chances inerente à sociedade capitalista e eleva o princípio esportivo de igualdade de chances a um princípio geral da sociedade.

    Outro ponto desse trecho da música é a importância dada ao jogador, principalmente aquele que faz o gol. Em um país onde o futebol é paixão nacional, no esporte as chances aparentemente são “iguais” e as mazelas sociais tão agravantes, naturalmente a pessoa que não consegue emergir socialmente encontra no esporte essa oportunidade de se destacar. Nesse sentido cabe aos esporte, nesse caso ao futebol, “as funções de desvio de atenção e de atenuador das tensões sociais, que permitiriam uma compensação para as insuportáveis condições de vida.” (Brach, 2005, p. 30).

    Além da utilização das letras como ponto de partida para as inúmeras discussões no campo da Educação Física, principalmente nas críticas ao esporte moderno, o professor pode utilizar as músicas de Raul para tentar traçar um perfil da Educação Física naquele período, que foi muito importante para a Educação Física. Pode-se também traçar uma linha comparativa do esporte daquela época com o esporte que é praticado atualmente. Esse trabalho pode começar com as músicas de Raul Seixas e se estender por pesquisas sobre as regras de hoje e daquela época, uniformes, busca por imagens... Esse trabalho também pode ultrapassar as barreiras da nossa disciplina e unir outras disciplinas que tratem da década de 70 ou ditadura militar como história, geografia, sociologia e/ou filosofia.

Conclusão

    A análise das letras das músicas de Raul Seixas revela olhares diferenciados sobre a situação política que o país se encontrava no período das composições e sobre a maneira como o esporte era utilizado para fortalecer um pensamento hegemônico. As músicas fazem parte da vida dos jovens atualmente e “passam a integrar o nosso cotidiano, exercendo influência direta nos saberes dos jovens” (Lopes, Arraes e Lourenço, 2011).

    É preciso buscar formas de atrair esse universo dos jovens para dentro da sala de aula, fazendo com que aquilo que é dito nas aulas tenha um maior sentido para eles. Essa contextualização é essencial para aprendizagem do aluno e o próprio PCN reconhece sua importância para os jovens “A mídia está presente no cotidiano dos alunos, transmitindo informações, alimentando um imaginário e construindo um entendimento de mundo.” (Brasil, 1998, p. 31)

    Através das letras das músicas de Raul Seixas, esse trabalho traz algumas possibilidades para o trabalho tanto na disciplina de Educação Física quanto para um trabalho interdisciplinar.

    Esse estudo conseguiu fazer a relação das críticas feitas nas músicas de Raul Seixas e confrontá-las com as críticas feitas ao esporte de autores atuais. As críticas possuem idéias análogas, subentendo assim que as críticas feitas na época que as músicas foram compostas ainda permanecem na literatura atual.

    É necessário salientar que esse trabalho apresenta apenas algumas possibilidades diante de tantas outras que possam existir. As propostas apresentadas servem de “pontapé inicial” para outros trabalhos envolvendo as letras das músicas e a Educação Física, assim como os trabalhos que consigam envolver as músicas, a Educação Física e as outras disciplinas.

Bibliografia

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