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Flexibilidade e alongamento: diferenças e definições

Flexibilidad y elongación: diferencias y definiciones

 

Grupo de pesquisa: Organização e estabilidade de complexos biológicos

Universidade Federal de Uberlândia, UFU

Mestranda/o em Ciências da Saúde

Universidade Federal de Uberlândia, UFU

(Brasil)

Carla Cristina Alves Andrade

alvescarlac@yahoo.com.br

Lucas Tadeu Andrade

andradelucast@yahoo.com.br

 

 

 

 

Resumo

          A flexibilidade e o alongamento são essenciais para um bom desempenho físico, seja para a realização de atividades da vida diária como para melhorar a performance no meio desportivo. Este estudo teve como objetivo destacar as principais diferenças entre flexibilidade e alongamento. O estudo foi realizado através de uma revisão bibliográfica de estudiosos do tema. O alongamento é uma forma de trabalho que visa à manutenção dos níveis de flexibilidade obtidos e a realização dos movimentos de amplitude articular normal com o mínimo de restrição possível e já a Flexibilidade é considerada como um importante componente da aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho atlético. Embora ela não seja a única qualidade física importante na performance, ela está presente em quase todos os desportos, fazendo-se necessária também para realização de atividades de vida diária de qualidade. Podemos concluir que a prática regular do alongamento na modalidade que as diferenças entre flexibilidade e alongamento fazem parte de um componente de aptidão física relacionada ao bem-estar físico, e alongamento descrever a técnica utilizada para melhorar a flexibilidade.

          Unitermos: Alongamento. Flexibilidade. Performance.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 19 - Nº 193 - Junio de 2014. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    A flexibilidade e o alongamento são essenciais para um bom desempenho físico, seja para a realização de atividades da vida diária como para melhorar a performance no meio desportivo. No entanto, flexibilidade é um termo utilizado para descrever um componente de aptidão física relacionada ao bem-estar físico, e alongamento é usado para descrever a técnica utilizada para melhorar a flexibilidade (ALTER, 1998). Estudos comprovam que após a prática do alongamento, o aumento da flexibilidade e performance é visível, melhorando a performance e elasticidade nos movimentos. Para Alencar e Matias (2010, p.230) o alongamento é uma manobra terapêutica utilizada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles por promover aumento do comprimento das estruturas que tiveram encurtamento adaptativo, podendo ser definido também como técnica utilizada para aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo periarticular, contribuindo para aumentar a flexibilidade articular, isto é, aumentar a amplitude de movimento. Ainda de acordo com Alencar e Matias (2010, p.232), os fatores limitantes da flexibilidade residem no comprimento dos músculos, e o exercício que produz alongamento muscular resulta em aumento da flexibilidade, os efeitos do alongamento podem ser divididos em agudos e crônicos. Os agudos ou imediatos são resultado da flexibilização do componente elástico da unidade musculotendínea. Já os efeitos crônicos resultam em remodelamento adaptativo da estrutura muscular, explicado pelo acréscimo do número de sarcômeros em série, o que implica em aumento do comprimento muscular. Estes efeitos podem permanecer por determinado período após a interrupção dos exercícios.

    Para que ocorram aumentos de comprimento mais permanentes (plásticos), a força de alongamento precisa ser mantida por um tempo mais longo. Os exercícios de alongamento estimulam a renovação de colágeno para suportar maior estresse. De acordo com Alencar e Matias (2010), são benefícios do alongamento a diminuição direta da tensão muscular através das mudanças viscoelásticas passivas ou diminuição indireta devido à inibição reflexa e à conseqüente mudança na viscoelasticidade oriundas da redução de pontes cruzadas entre actina e miosina. A tensão muscular diminuída permite, então, aumento da amplitude articular. A prática de alongamento no final do esforço físico tem por finalidade evitar o encurtamento muscular, devido às fortes e sucessivas contrações musculares ocasionadas pelo treinamento. Este estudo teve como objetivo central, destacar as principais diferenças entre flexibilidade e alongamento.

Metodologia

    O estudo foi realizado através de uma revisão bibliográfica de estudiosos do tema, com a premissa de se obter uma opinião relevante, que auxilie na continuidade da análise por outros interessados, a pesquisa qualitativa explica um problema a partir de referenciais teóricos publicados em documentos (GIL, 1999).

O alongamento

    O alongamento é uma forma de trabalho que visa à manutenção dos níveis de flexibilidade obtidos e a realização dos movimentos de amplitude articular normal com o mínimo de restrição possível (DANTAS, 1999). A prática do alongamento garantirá uma boa flexibilidade que permitirá a execução de movimentos com amplitudes articulares dentro de suas necessidades específicas, diminuindo a suscetibilidade de lesões e permitindo a obtenção de arcos articulares mais amplos, possibilitando a execução de movimentos que de outra forma seriam limitados.

    De acordo com Contursi (1986), temos dois tipos de alongamentos: a) alongamento estático ou passivo: consiste em realizar o alongamento de uma determinada musculatura até a sua extensão máxima de movimento, e ao chegar neste ponto, permanecer por um período que varia de 3 a 60 segundos; b) alongamento dinâmico, ativo ou balístico: corresponde a habilidade de se utilizar a ADM, na performance de uma atividade física em velocidades rápidas do tipo pendulares. Utiliza-se de vários esforços musculares ativos insistidos, na tentativa de maior alcance de movimento.

    Dantas (1999) acrescenta que o alongamento por facilitação neuromuscular proprioceptiva utiliza a influência recíproca entre o fuso muscular e o Órgão Tendinoso de Golgi (OTG) de um músculo entre si e com os do músculo antagonista, para obter maiores amplitudes de movimento.

    Para atingir o alongamento de um músculo de maneira mais eficiente, a temperatura intramuscular deve elevar-se antes que ele seja realizado (PRENTICE; VOIGHT, 2003). Quando um músculo está aquecido ele dá mais de si, alonga-se mais, tem maior resistência às lesões e sua capacidade contrátil é maior (CALVO,1998).

    O aumento da temperatura tem efeito positivo sobre a capacidade dos componentes de colágeno e elastina, no interior da unidade musculotendínea. Ainda, a capacidade dos OTGs relaxarem o músculo de modo reflexo por meio de inibição autogênica é ampliada quando o músculo está aquecido. Recomenda-se que o exercício seja empregado como o principal meio de elevar a temperatura intramuscular (PRENTICE; VOIGHT, 2003).

    Os músculos esqueléticos constituem-se de milhares de fibras contráteis individuais cilíndricas, chamadas fibras musculares. Cada fibra muscular é composta por várias miofibrilas e cada miofibrila é composta de vários sarcômeros (unidade funcional do músculo) ligados em série. O sarcômero representa a zona que vai de uma linha Z até a outra linha Z. As miofibrilas são compostas de pequenas estruturas chamadas miofilamentos protéicos de actina e miosina dentro do sarcômero. Contudo, nos anos 70 e 80 surgiu um terceiro ligamento conectivo extremamente elástico conhecido como titina (ALTER, 1998).

    A titina também denominada de conectina é uma proteína elástica extremamente longa que percorre paralelamente ao arranjo ordenado dos miofilamentos e se estende da linha Z para a linha M no centro do filamento da miosina e mantém o sarcômero no centro durante contração e relaxamento (ACHOUR JR, 1996).

    Quando o sarcômero é alongado, a região da molécula de titina encontrada na banda A, geralmente comporta-se como se ela fosse rigidamente ligada aos filamentos grossos e impede o alongamento. Provavelmente pela interação dos filamentos grossos e outras proteínas relacionadas. A resistência passiva quando o músculo é alongado origina-se da banda I, e a parte da titina que se encontra na linha Z é complacente ao alongamento. Parece bem estabelecido que a banda I da titina estende durante o alongamento do sarcômero (ACHOUR JR, 1996).

    O tecido conjuntivo possui propriedades viscoelásticas. O componente viscoso permite um estiramento plástico que resulta em alongamento permanente do tecido depois que a carga é removida. Inversamente, o componente elástico torna possível o estiramento elástico que é o alongamento temporário, com o tecido retornando ao seu comprimento anterior depois que o estresse é removido (ANDREWS; HARRELSON; WILK, 2000).

    Deve-se ressaltar ainda os componentes inextensíveis, que são aqueles que não trabalham quando submetidos à ação de forças longitudinais. Por mais intensas que essas forças sejam não provocam deformações. Estruturalmente, são os ossos e os tendões (DANTAS, 1999).

    Além da participação mecânica dos componentes plásticos, elásticos e inextensíveis como a cápsula articular, o alongamento é grandemente influenciado pelo mecanismo de propriocepção. Cada músculo no corpo contém vários tipos de proprioceptores, os quais, se estimulados, informam ao sistema nervoso central o que está acontecendo com o músculo. Os receptores mais importantes envolvidos no alongamento muscular são: o fuso muscular e o OTG (LEHMKUHL; SMITH, 1989).

    O fuso muscular monitora a velocidade e duração do alongamento e detecta as alterações no comprimento do músculo. As fibras do fuso são sensíveis à rapidez com a qual um músculo é alongado (KISNER; COLBY, 1998). Diferente dos fusos musculares, que ficam paralelos às fibras musculares extra fusais, os OTGs estão conectados em série com até vinte e cinco fibras extra fusais. Esses receptores sensoriais também estão localizados nas articulações e são responsáveis principalmente pela identificação das diferenças de tensão muscular.

    Esses receptores devem ser levados em conta no processo de seleção de qualquer procedimento de alongamento. O fuso muscular responde ao alongamento rápido desencadeando uma contração reflexa do músculo que está sendo alongado. Se um alongamento é mantido por um período suficientemente longo (de pelo menos seis segundos), o mecanismo protetor poderá ser anulado pela ação do OTG, que pode sobrepujar os impulsos provenientes do fuso muscular (PRENTICE; VOIGHT, 2003).

    O reflexo de alongamento miotático, o reflexo de alongamento inverso ou inibição autogênica e a inervação recíproca ou inibição recíproca, são as três técnicas de alongamento que se baseiam em um fenômeno neurofisiológico que envolve o reflexo do estiramento, onde o fuso muscular e o OTG são importantes (PRENTICE; VOIGHT, 2003).

A flexibilidade

    Flexibilidade é considerada como um importante componente da aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho atlético. Embora ela não seja a única qualidade física importante na performance, ela está presente em quase todos os desportos, fazendo-se necessária também para realização de atividades de vida diária de qualidade. A flexibilidade também contribui para uma maior mobilidade nas atividades diárias e esportivas, diminui o risco de lesões, aumenta a qualidade e quantidade de movimentos e melhora na postura corporal.

    Sendo assim, flexibilidade se refere aos maiores arcos de movimentos possíveis nas articulações envolvidas. Muitos desportos exigem a utilização completa dos arcos articulares especificadamente envolvidos em seus gestos.

    Para que haja uma boa amplitude de movimento, que varia de acordo com a necessidade de cada um, é preciso haver mobilidade e elasticidade adequada dos tecidos moles que circundam a articulação (músculos, tecido conectivo e pele), vindo a favorecer o desempenho da maioria das atividades ocupacionais e recreativas, com amplitudes de movimentos sem restrições e sem dor (KISNER; COLBY, 1998).

    A flexibilidade pode ser classificada em geral, quando é observada em todos os movimentos da pessoa englobando todas as articulações; ou específica, quando se refere a um ou alguns movimentos realizados em determinadas articulações (DANTAS, 1999); ativa, se a maior amplitude de movimento (ADM) possível de uma articulação é obtida sem ajuda, ou seja, pela contração do músculo agonista; ou passiva, que é a maior amplitude de movimento possível da articulação obtida por meio da atuação de forças externas (companheiro, aparelhos, peso corporal). É sempre maior que a ativa (BARBANTI, 1996); e ainda em estática, quando há mobilização do segmento corporal de forma lenta e gradual por agente externo buscando alcançar o limite máximo; ou dinâmica expressa pela ADM máxima obtida pelos músculos motores, volitivamente, de forma rápida (DANTAS, 1999).

    A mobilidade de uma articulação depende diretamente das estruturas que a compõem e circundam, como ossos, cápsula articular, tendões, ligamentos, músculos, gordura e pele (PRENTICE; VOIGHT, 2003). Os fatores limitantes, de natureza mecânica, são divididos em influenciáveis, onde se encontra a capacidade de distensão da pele, ligamentos, tendões e cápsula articular; e não influenciáveis, que são a estrutura articular e a massa muscular existente.

    As estruturas de tecidos moles também contribuem para a resistência articular, sendo por ordem decrescente: cápsula articular – 47%, músculos – 41%, tendões - 10% e pele – 2% (FOX; MATHEWS, 1991).

Considerações finais

    Podemos concluir que a prática regular do alongamento na modalidade que as diferenças entre flexibilidade e alongamento fazem parte de um componente de aptidão física relacionada ao bem-estar físico, e alongamento descrever a técnica utilizada para melhorar a flexibilidade. O mais importante a ser considerado na flexibilidade é o componente da aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho atlético, que contribui para o aumento da mobilidade nas atividades diárias e esportivas. Já a prática do alongamento garantirá uma boa flexibilidade permitindo uma execução de movimentos com amplitudes articulares dentro de suas necessidades específicas, aumentado a amplitude de movimento-ADM, diminuindo a suscetibilidade de lesões e permitindo a obtenção de arcos articulares mais amplos, possibilitando a execução de movimentos que de outra forma seriam limitados.

Referências

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