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Os Cerrados e a visão do desenvolvimentismo econômico

El Cerrado y la visión del desarrollismo económico

 

*Doutorando em Ciências Sociais CPDA/UFRRJ

**Mestre em Política Social pela UFF/RJ

***Mestrando em Política Social pela UFF/RJ

(Brasil)

Daniel Coelho de Oliveira*

daniel.coelhoo@yahoo.com.br

Thiago Augusto Veloso Meira**

thiagomeira2@hotmail.com

Vagner Caminhas Santana***

caminhasdokiau@hotmail.com

 

 

 

 

Resumo

          O presente trabalho apresenta aspectos de um importante bioma brasileiro. O cerrado que historicamente foi visto com lugar de desprezo, como biodiversidade de segunda categoria. Espaço de “vazio” demográfico e econômico, região que, portanto, se tornou um espaço propício para desenvolvimento de projetos econômicos desenvolvimentistas.

          Unitermos: Cerrados. Desenvolvimento. Noroeste de Minas.

 

Abstract

          This paper presents important aspects of a biome. The Cerrado which historically has been viewed with contempt rather than as second-class biodiversity. Space "empty" demographic and economic region that, so it became a space conducive to the development of economic projects developers.

          Keywords: Cerrados. Development. Northwest Minas Gerais.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 176, Enero de 2013. http://www.efdeportes.com/

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   Os cerrados são um dos biomas mais importantes do planeta ele cobre praticamente um quarto do território brasileiro, ocupando uma área equivalente a Europa Ocidental e concentra nada menos que um terço da biodiversidade nacional e 5% da flora e da fauna mundial. Está localizado, basicamente, no Planalto Central do Brasil e é o segundo maior bioma do país em área.

   Contudo, historicamente ele ocupa um lugar de desprezo em relação a outras paisagens brasileiras, segundo Ribeiro (1997) alguns viajantes estrangeiros demonstram deslumbramento pela densa Mata Atlântica e uma visão depreciativa das árvores "retorcidas" e "esparsas" característico da maior parte do cerrado. Em muitos relatos observa-se que o cerrado não era considerado como um sistema próprio, sua biodiversidade era vista como sendo de segunda categoria.

   Foi a partir da visão desenvolvimentista do governo militar brasileiro que efetivamente se planejou ocupar o "vazio" demográfico e econômico, os solos "estéreis" não seriam mais um empecilho para a expansão da agricultura, sua topografia favorecia a expansão da agricultura moderna (DAYRELL, 2000). Estava aberta uma nova fronteira agrícola.

   No século XVII, a região Noroeste recebeu dois importantes fluxos migratórios. O primeiro fluxo composto por vaqueiros que conduziam gado vindo das províncias de Pernambuco e Bahia, formando fazendas de criação que, posteriormente, deram origem a vilas e arraiais; o segundo, vindo do Sul, foi representado pelas expedições dos bandeirantes paulistas. A partir desta origem a região se caracterizou por uma economia agropastoril, sociedade estratificada com predomínio do compadrio e uma organização política baseada na ordem privada, por vários séculos a região manteve-se isolada do restante do país, em um ritmo de crescimento lento e retardatário. (MATA-MACHADO, 1991).

   Somente em meados do século passado ocorreram grandes transformações na região: a construção da barragem de Três Marias em 1958, a implantação da BR-040 ligando a região com Distrito Federal e com Belo Horizonte, a transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília provocaram alterações significativas, no cenário regional.

   A Região era vista como possuidora de todas as características que definem uma área como fronteira agrícola: "vazio" demográfico, organização social e econômica arcaica distante e insignificante em termos de contribuição para o desenvolvimento econômico do país, frente perfeita para a expansão da fronteira agrícola (TORRES & FERREIRA NETO, 2002).

   Foi a ação governamental a grande fomentadora da expansão agrícola "moderna" na região Noroeste. O Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND), previa a criação de diversos programas de desenvolvimento regional. Um dos principais o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (POLOCENTRO). Que de acordo com Marouelli (2003) procurou transformar a agricultura de subsistência em uma agricultura empresarial, usando práticas agrícolas modernas e a integração com o mercado, através de assistência técnica, apoio financeiro e de infraestrutura. A estratégia do Programa consistia na implantação dos polos de desenvolvimento, localizados de modo a promover a difusão da tecnologia agrícola para toda a extensão dos cerrados. A sua ação foi desenvolvida por meio da integração entre a pesquisa, assistência técnica e crédito rural orientado.

   Segundo França (1984), seu resultado não foi significativo em termos de incrementação da produção agrícola. O fracasso deste programa e a necessidade de recursos financeiros para continuar a intervenção dos cerrados, viabilizou um acordo entre o governo brasileiro e o japonês para implantação em 1978 do Programa de Desenvolvimento do Cerrado (PRODECER), programa de colonização dirigida, implementada pela Companhia de Promoção Agrícola (CAMPO), responsável pela execução do acordo entre os dois países.

   O Prodecer tinha objetivos semelhantes ao Polocentro, ocupar áreas até então não exploradas, com técnicas modernas de produção agrícola, alta utilização de insumos, mas o subsídio financeiro foi muito maior no último devido principalmente ao montante de capital investido pelos japoneses. Outra importante diferença deste programa deve ao fato de que os investimentos eram focalizados em núcleos de colonização de médio e grande porte, diferente do Polocentro.

   A ação do Estado no Noroeste através de seus planos favoreceu alguns setores propiciando a incrementação de uma pauta produtiva especializada destinada ao processamento industrial. Uma nítida inserção da agricultura no complexo agroindustrial do país.

   Verificou-se que inicialmente a implantação dos programas de colonização agrícola no cerrado mineiro melhorou relativamente à distribuição de terra na região, mas com o passar do tempo os agricultores mais capitalizados adquiriram novas áreas de produtores menores e descapitalizados, provocando uma maior concentração fundiária. Paralelamente, o grande investimento financeiro do Estado, através de crédito subsidiado isenção fiscal a um número restrito de médios e grandes proprietários de terra, refletiu diretamente no nível de concentração de renda individual e contribuiu para a expulsão de grande número de posseiros, agregados e pequenos proprietários de terras (FRANÇA, 1984).

   Em síntese, é possível ressalta que para os trabalhadores o processo de modernização agrícola na região Noroeste significou um brutal deslocamento social, provocado principalmente pela mudança na pauta produtiva. Agregados, posseiros, meeiros, experimentam a modernização como uma ruptura no seu modo de viver. A precarização do acesso à terra devido às mudanças nas regras entre os moradores e os proprietários; o assalariamento temporário precário, a intensificação da contratação de boias frias, substituindo famílias inteiras que residiam por várias gerações na área. O fenômeno de desagregação socioeconômica de populações tradicionais mostra a fragilidade do modelo de desenvolvimento adotado, abre, assim, precedente para questionar os resultados alcançados pela região "celeiro" de Minas Gerais.

Referências

  • DAYRELL, Carlos Alberto. Os geraizeiros descem a serra ou a agricultura de quem não aparece nos relatórios do agrobuisiness. In: DAYRELL, C. A.; LUZ, Claudia (org). Cerrado e desenvolvimento. Montes Claros: CAA-NM, 2000.

  • FRANÇA, Múcio. O cerrado e a evolução recente da agricultura capitalista: a experiência de Minas Gerais.1984. Dissertação (Mestrado em Planejamento Regional)- Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

  • MATA-MACHADO, Bernardo Novaes da. História do sertão noroeste de Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1991.

  • MAROUELLI, Rodrigo Pedrosa. O Desenvolvimento sustentável da agricultura no cerrado brasileiro. 2003. Monografia (Especialização em Gestão sustentável da agricultura irrigada) Instituto interamericano de cooperação para a agricultura (IICA), Brasília - DF.

  • RIBEIRO, Ricardo. O sertão espiado de fora: Os viajantes estrangeiros descobrem o cerrado mineiro na primeira metade do século XIX. Rio de Janeiro: CPDA,1997.

  • TORRES, André Luiz. FERREIRA NETO José Ambrósio Análise do processo de desenvolvimento da região Noroeste de Minas Gerais. XXXVII Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural. 2002. Campos Toledo Paraná. Disponível em: http://gipaf.criptia.embrapa.br/itens/publ/sober/trab293.pdf. Acesso: 10 dezembro 2005.

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