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O conceito de gênero e suas representações sociais

El concepto de género y sus representaciones sociales

 

Mestrandos em Política Social pela UFF/RJ

(Brasil)

Vagner Caminhas Santana

caminhasdokiau@hotmail.com

Claudia Toffano Benevento

claudiabenevento@gmail.com

 

 

 

 

Resumo

          O presente artigo aborda o conceito de gênero, enquanto instrumento teórico que permite uma abordagem empírica e analítica das relações sociais. O objetivo é mostrar algumas das desconstruções sobre sexo, gênero e sexualidade, realizados nos âmbitos dos Estudos Feministas, de Gênero e sobre Masculinidade. Mais do que isto, mostrar como as reflexões sobre gênero não podem estar desconectadas das reflexões sobre sexualidade, e vice-versa. Concluímos com este estudo que gênero é uma construção cultural e social e, como tal, sua representação e disseminação pelos meios comunicacionais é responsável pela construção de ideais sociais, valores, estereótipos e preconceitos.

          Unitermos: Gênero. Representação social. Relações sociais.

 

Abstract

          This article discusses the concept of gender as a tool that allows a theoretical empirical and analytical approach of social relations. The goal is to show some of deconstructions about sex, gender and sexuality, made ​​in the areas of Women's Studies, Gender and Masculinity on. More than that, showing how the reflections on gender can not be disconnected from the reflections on sexuality, and vice versa. We conclude from this study that gender is a cultural and social construction and, as such, its representation and dissemination by means communication is responsible for the construction of social ideals, values, stereotypes and prejudices.

          Keywords: Gender. Social representation. Social relations.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 176, Enero de 2013. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Em primeiro lugar é importante definir as relações de sexo, gênero e sexualidade, com freqüência, que são erroneamente usados como sinônimos. Quando conceituamos sexo, refere-se às características biológicas de homens e mulheres, ou seja, às características específicas dos aparelhos reprodutores femininos e masculinos, ao seu funcionamento e aos caracteres sexuais secundários decorrentes dos hormônios. Sobre esta questão Bourdieu (2003) nos explica que há:

    Semelhanças na diferença, tais oposições são suficiente pelo jogo inesgotável de transferências práticas e metáforas; e também suficientemente divergentes para conferir, cada uma, uma espécie de espessura semântica, nascida da sobre determinação pelas harmonias, conotações e correspondências. (p.16)

    Definindo gênero, podemos dizer que se refere às relações sociais desiguais de poder entre homens e mulheres que são o resultado de uma construção social do papel do homem e da mulher a partir das diferenças sexuais.

    O conceito de sexualidade refere-se ao dado sexual, que se define pelas práticas erótico-sexuais nas quais as pessoas se envolvem, bem como pelo desejo e atração que leva a sua expressão (ou não) através de determinadas práticas. Esse dado também é chamado por alguns/as de “orientação sexual”, e comumente classifica as pessoas em “heterossexuais”, “homossexuais” e “bissexuais”.

    O papel do homem e da mulher é constituído culturalmente e muda conforme a sociedade e o tempo. Esse papel começa a ser construído desde que o (a) bebê está na barriga da mãe, quando a família de acordo à expectativa começa a preparar o enxoval de acordo ao sexo. Dessa forma, cor de rosa para as meninas e azul para os meninos. Depois que nasce um bebê, a primeira coisa que se identifica é o sexo: “menina ou menino” e a partir desse momento começará a receber mensagens sobre o que a sociedade espera desta menina ou menino. Ou seja, por ter genitais femininos ou masculinos, eles são ensinados pelo pai, mãe, família, escola, mídia, sociedade em geral, diferentes modos de pensar, de sentir, de atuar. O que Bourdieu (2003) vai nos afirmar que a divisão das coisas e atividades na oposição entre masculino e feminino recebe sua necessidade subjetiva e objetiva na inserção de um sistema de oposições homólogas.

    Este artigo aborda a emergência e importância do conceito de gênero, enquanto instrumento teórico que permite uma abordagem empírica e analítica das relações sociais. O objetivo é mostrar algumas destas “desconstruções” sobre sexo, gênero e sexualidade, realizados nos âmbitos dos Estudos Feministas, de Gênero e sobre Masculinidade, através de bibliografias nesta temática. Com isso, discutiremos o gênero, seus conceitos e suas representações sociais, assim como a relação de gênero e sua condição divergente.

1.     Gênero: seus conceitos e suas representações sociais

    Acerca dos conceitos de gênero discutidos neste tópico iremos abordar a importância que está em mostrar que certos modelos de conduta e expectativa para homens e mulheres são construídos socialmente através dos tempos e não determinados pelo sexo. Estes são desenvolvidos a partir das relações durante todo o processo de crescimento e desenvolvimento dos seres humanos, determinando papéis e funções, impostos e adaptados ao período histórico, ideologia1, cultura e religião, acompanhando o desenvolvimento econômico (SWAIN, 2001), simbolizando, portanto, uma retradução cultural do biológico, definido por qualidades opostas atribuídas ao homem e a mulher.

1.1.     Breve introdução conceitual

    O conceito de gênero é definido, segundo Alves e Pitanguy (1985), como uma construção sociocultural, que atribui a homem e mulher papéis diferentes dentro da sociedade e depende dos costumes de cada lugar, da experiência cotidiana das pessoas, bem como da maneira como se organiza a vida familiar e política de cada povo.

    Destarte Suárez (2000), também corrobora com os autores acima descritos a qual ressalta que o gênero demonstra a ligação entre homens e mulheres e a natureza com finalidade mesmo que simbólicos, da igualdade entre eles. Neste sentido, o conceito de gênero é compreendido como a desnaturalização do sexo, como características biológicas de cada indivíduo, delimitando o poder entre os sexos.

    Desse modo, as mulheres são vistas como passivas atribuindo-lhes as qualidades como paciência, fragilidade, emoção, enquanto as qualidades ativas como agressividade, força, dinamismo, que caracterizam o masculino. Assim, o conhecimento do gênero permite pensar nas diferenças sem transformá-las em desigualdade2, ou seja, sem que as diferenças sejam ponto de partida para a discriminação.

    A mulher deve ser considerada uma parceira nas questões tanto sociais quanto profissionais, visto que sua força traduz-se no emocional, quando gera e educa os filhos, edifica o lar, sendo compreensiva com todas as questões do marido e de toda a família. Cabral e Diaz (1999) ressaltam que as questões relativas à mulher são tratadas sob o termo de gênero, construído socialmente buscando compreender as relações estabelecidas entre homens e mulheres, os papéis que cada um assume na sociedade e as relações de poder estabelecidas entre eles. Assim, desde pequena a mulher é conduzida ao papel que deve desempenhar, sendo estimulada em brincadeiras consideradas tipicamente femininas, como bonecas, casinha, entre outras. Os brinquedos infantis expressam as diferenças de sexo, mais que os instintos naturais, uma convenção social.

    O conceito de gênero diz respeito ao conjunto das representações sociais e culturais elaboradas a partir da diferença biológica dos sexos. Enquanto o sexo no conceito biológico diz respeito ao tributo anatômico, no conceito de gênero refere-se ao desenvolvimento das noções de masculino e feminino como construção social (CARLOTO, 2001).

    Assim, podemos notar que as representações sociais se definem como uma categoria social que retratam a realidade como ela é, e que serão discutidas em seguida.

1.2.     Representações sociais: o masculino e o feminino

    As representações sociais são como formas de compreender a relação diária da vida em sociedade, onde o individuo é valorizado com a sua participação na reelaboração de significados para fenômeno da vida cotidiana3 (TEIXEIRA, 1999). De acordo com essa análise entende-se que as representações sociais são construídas no dia-a-dia da vida social, a partir de um processo sócio cultural local, entre os sujeitos sociais. Essa construção ocorre em todos os espaços da sociedade.

    Na representação social há uma necessidade de entender e compreender o processo de modernização e como pode influenciar nas relações sociais, transformando e contribuindo para a construção de identidades pessoais e das unidades simbólicas. (Moscovici 1994, p. 16 apud TEIXEIRA, 1999). Assim é possível inferir que as representações sociais são construídas, através da percepção de si e do outro. Através do caráter simbólico e imaginário dos saberes sociais pode-se compreender como sujeitos sociais se empenham em entender e dar sentido ao mundo em que vivem.

    Teixeira (1999) entende as relações sociais como a relação de dois mundos sendo o primeiro da experiência individual, de onde resultam os comportamentos e percepções advindas de processos íntimos, às vezes de natureza fisiológica. O segundo mundo, por sua vez é propriamente o das relações interpessoais, explicando em função de interação, estruturas e trocas de poder.

    Por outro lado, Moscovici (1994 apud TEIXEIRA, 1999), afirma que a separação de dois mundos traduz-se em uma separação errônea de vista, pois existe o conflito entre o individual e o coletivo de cada um.

    A construção do real e o domínio do mundo colocam em evidência o papel que as representações sociais assumem na dinâmica das relações práticas, sociais, cotidianas e se explicam através das diferentes funções assumidas pelas representações sociais. Neste caso as representações se formam e se modificam a partir do que foi absorvido pelas mulheres durante o percurso da sua vida.

    O ator social depende da sua história de vida, através dos conhecimentos de sua experiência a determinado tema, aspecto ou situação de acordo com a história já existente. Dessa forma, através da experiência adquirida anteriormente são construídos os símbolos e significados que permitem aos indivíduos de um determinado grupo interpretar a ação recebida frente às suas necessidades.

    A sociedade humana é histórica, muda conforme o padrão de desenvolvimento da produção, dos valores e normas sociais. Na medida em que ocorre a transformação, atinge as representações de gênero, que constituem os papéis de cada um em seu modelo de ser. É uma construção cultural que transcende os séculos, passando pelas representações transmitidas de geração em geração e que, constituída em “cultura”, define o lugar do homem e da mulher com âmbitos diferenciados e antagônicos. Mesmo com a grande transformação dos costumes e valores que vem ocorrendo nas últimas décadas, ainda perduram muitas discriminações, muitas vezes ocultas, relacionadas a gênero (SWAIN, 2001).

    Discorrendo sobre o que expõe o autor acima, inúmeros são os instrumentos de socialização para conformação de identidade de gênero. Relações sociais complexas interagem em diversos níveis, sejam eles no âmbito familiar, comunitário e nas políticas públicas que se fazem presentes, não só no domínio das práticas, mas também no domínio psíquico. Tais relações definem-se, portanto, pela colocação de papéis sociais, representações e expectativas de comportamentos, partindo de uma caracterização biológica do masculino e do feminino, da masculinidade e da feminilidade.

    Ademais, essa definição restrita de papéis sociais dá origem à relação de opressão, exploração e domínio. A natureza da mulher é a todo o momento, passível de ser perdida, sendo assim é necessário que ela seja constantemente apreendida, controlada, vigiada, entende-se então que perder a feminilidade ou a masculinidade é uma ameaça constante, e para que isso não ocorra existem regras que devem ser acatadas desde infância, nos tipos de brincadeiras, nos modos, próprio de ser meninos e meninas.

    Moreira (2012) e Carloto (2001) corroboram com a idéia de que as atividades masculinas são distintas das femininas, em espaços produzidos pelas esferas domésticas e públicas. Cada uma desta constitui-se num espaço pertencente a um dos gêneros, difícil de sobreporem. O afastamento da mulher da esfera doméstica, seu lugar natural, é muitas vezes tido como uma degradação moral, conseqüência da exploração capitalista.

    Essa afirmação dos autores pode ser observada ainda na infância, constatando que as meninas brincam com panelinhas, bonecas, de casinha, sendo motivadas através dos brinquedos, a maternidade e cuidar do lar e da família, reprodução da prole. Os meninos brincam com carrinhos, de bombeiro, polícia, caminhão, bicicleta, brincadeiras diretamente ligadas a profissões, imputando a idéia de que, ao homem cabe a função de trabalhar para sustentar a família.

    O destino de identidades e atividades como a separação dos âmbitos de ação para homens e mulheres, que estão valorizados de forma diferente, é a expressão social da desigualdade (VELOSO, 2001). Desta valorização desigual surge um acesso também desigual ao poder e aos recursos, o que hierarquiza as relações entre homens e mulheres.

    As diferenças nas remunerações no mercado de trabalho, por exemplo, são partes importantes da desigualdade entre os sexos. Mas existem muitas outras esferas de benefícios diferenciados: na divisão do trabalho dentro do lar, no grau de cuidados ou de educação recebidos, na liberdade de escolha, respeito ao tipo de vida que se deseja levar.

    A desigualdade gera uma situação vulnerável para as mulheres, impede o aprofundamento da democracia e a vivência da cidadania para todos. Ao mesmo tempo, as relações são acompanhadas de desigualdades de classe, raça e etnia, determinantes da construção de inúmeras discriminações e injustiças (Ammann 1997 apud ARAÚJO, 2002).

    Há muitas formas de discriminação que permeia o cotidiano da mulher, como a dificuldade de promoção profissional, a contratação de mulheres casadas, assédio sexual, entre outras. As mulheres sofrem pressão no mercado de trabalho, tanto com a exigência de qualificação profissional e também da aparência física.

    O assédio sexual ainda é uma realidade para a mulher no mundo do trabalho, conseqüência de uma cultura que coloca o homem em posição superior à da mulher. Segundo Moreira (2012), a expressão do interesse do homem pela mulher, é tida como forma de autoafirmação da masculinidade, o assédio se caracteriza quando é utilizada a condição de poder, tentando subjugar a pessoa abordada ao seu interesse sexual.

    A existência de gêneros produz uma distribuição variável na produção social, alheias às vontades dos envolvidos, baseada em sexo, classe e raça, sendo que essa relação depende de uma visão particular, atribuindo a cada um, o seu lugar social, de acordo com os atributos que possui e se dá através da dinâmica das relações sociais.

    Diante disso, o gênero constitui uma realidade complexa, não podendo, portanto, ser considerado um conceito fixo (Saffioti 1999 apud CARLOTO, 2001), mas constantemente redefinido pelos indivíduos em situações na qual se encontram e que acabam por compor-se em momentos históricos. De fato, quase sempre as mulheres são cerceadas em suas necessidades e capacidades em função da diferença sexual.

    Destarte Moreira (2012) considera que ambos os sexos são capazes de qualquer função, sendo possível discorrer que não é a natureza, mas a sociedade que impõe à mulher e ao homem certos comportamentos e normas distintas. O ser humano nasce sexualmente neutro em atribuições e o meio social em que vive determina os papéis masculinos ou femininos, instituindo assim o gênero, isto é, hierarquias socialmente constituídas.

    Tradicionalmente, os homens são conduzidos à condição de provedor da família, sentindo-se obrigados ao trabalho fora de casa, enquanto as mulheres sentem necessidade de ficar junto aos filhos, não sendo fundamentalmente uma condição da natureza do sexo. Este autor diz que tais idéias são meras construções sociais, procurando justificar o domínio do homem sobre a mulher. Assim, a mulher, ingenuamente, acredita que seu lugar mais importante é o lar, que nasceu para ser mãe, que deve sacrificar-se pelos filhos e ser fiel ao marido.

    De acordo com Suárez (2000) a composição de gênero determina os valores e modelos do corpo, suas aptidões e possibilidades. Criam paradigmas físicos, morais e mentais, cujas associações tendem a homogeneizar o ser, desenhando em múltiplo registro o perfil da verdadeira mulher. Na sociedade moderna, o masculino também é submetido ao modelo de performance e comportamento, a hierarquia que funda sua instituição no social o qual se apóia a construção dos estereótipos, um exercício de poder que se exprime em todos os níveis sociais.

    Ainda segundo a autora, a ideologia de posse material e garantia da herança para as gerações futuras, levou o homem a interessar-se mais pelo convívio familiar. Assim, a mulher foi sendo cada vez mais submetida aos interesses masculinos, tanto no repasse dos bens como na reprodução da linhagem. Além disso, é sua função educar e perpetuar a sociedade estabelecida, através de condutas e decências, restringindo-se ao universo doméstico.

    A divisão de gênero inscrita na ordem dos espaços, bem como a oposição entre o meio doméstico e o público, constitui a concordância espontânea entre estruturas sociais e cognitivas, percebidas na diferença dos corpos, confere-se, assim, a base experimental da dominância inscrita na natureza das coisas invisíveis e não questionadas.

    Essa idéia é compartilhada por Moreira (2012), a qual acrescenta que, além do papel social definido em feminino e masculino, as representações e imagem de gênero constroem os corpos biológicos, não só como sexo genital, mas igualmente moldando-os e sujeitando-os às práticas normativas que hoje se encontram disseminadas no ocidente. Nessa perspectiva, as representações sociais são consideradas uma forma de construção da realidade, cuja mediação atravessa e constitui as práticas pelas quais se expressam.

    Para Moreira (2012), algumas transformações realizaram-se, em níveis legais ou jurídicos, graças aos movimentos feministas, caracterizados por sua multiplicidade, táticas e estratégias, como veremos no próximo subitem.

1.3.     Movimentos feministas: conquistas e desafios

    Os movimentos tiveram origem quando as primeiras reivindicações desafiaram a ordem conservadora, a qual excluía a mulher do mundo público. Foi também uma luta pela emancipação feminina, principalmente como forma de questionar a dominação masculina em todos os aspectos. A maior transformação foi verificada nas classes média e alta, onde a mulher avança em suas conquistas, abrindo espaço de trabalho nas grandes empresas e áreas públicas (SARTI, 2004).

    Atualmente, reitera-se que, embora continue buscando a emancipação feminina, tornou-se uma necessidade a presença da mulher em todas as esferas sociais, verificando-se que, muito mais que uma forma de auto afirmar-se, a participação feminina alia-se ao homem na construção de melhores condições financeiras e de convivência dentro e fora do lar.

    O exposto é sustentado por Galeazzi (2001), em seu trabalho, a autora analisa a participação econômica das mulheres na estrutura da família e diz que, a despeito das desigualdades é acompanhado de alterações que fazem ampliar as responsabilidades femininas, sendo observado em diferentes países o crescente número de famílias chefiadas por mulheres. A autora discute ainda que a tal situação pudesse significar um aprofundamento de problemas sociais, levando essas famílias a uma situação de empobrecimento e exclusão social.

    Nas lutas femininas as mulheres ousaram reivindicar por espaços e direitos em um mundo culturalmente pertencentes aos homens, pois estes naturalmente sempre tiveram garantido seus direitos. Elas conquistaram o direito ao voto, cidadania e no mundo do trabalho vêm buscando igualdade de oportunidades, nada aconteceu por acaso, tudo foi conquistado através de reivindicações.

    Os avanços supracitados ressaltam o movimento feminista como um dos protagonistas para fazer pensar as diferenças com direitos iguais, a construção de uma verdadeira cidadania que só será possível na diversidade.

    O século XX foi importante para as mulheres na organização em defesa dos seus direitos. A luta das mulheres contra as formas de opressão a que eram submetidas foi denominada de feminismo e a sua organização em prol de melhorias na infraestrutura social foi conhecida como movimento feminista. Esta também tem divisão dentro dela, pois o valor moral imposto às mulheres durante muito tempo dificultou a luta pelo direito de igualdade. Foram discriminadas pelos homens e também por aquelas que aceitavam o papel de submissão na sociedade patriarcal4.

    Deste modo, Carneiro (2012), mostra que a luta feminina é uma busca para a construção de novos valores sociais, morais e culturais. É uma luta pela democracia, que deve nascer da igualdade entre os sexos e evoluir para igualdade entre todos, suprimindo a desigualdade de classe. A busca pela democratização das relações de gênero persistiu e com a Constituição Federal de 1988 a mulher conquistou a igualdade jurídica (CARNEIRO, 2012).

    Pode-se dizer, então, que o movimento feminista foi imprescindível na luta do reconhecimento dos direitos da mulher. Neste sentindo, vem travando uma luta, a fim de acabar com o conceito de masculino e feminino na sua posição de superior e inferior.

    Os movimentos feministas consideram, segundo Rago (2001) e Sarti (2004), que a opressão pode ser erradicada, fazendo com que homens e mulheres compartilhem por igual às responsabilidades atualmente realizadas por sexo feminino, tanto nas instituições políticas, econômicas como nos cuidados dos filhos e nos afazeres domésticos. É preciso uma nova construção social. Esses movimentos buscam uma razão pela qual as mulheres são submetidas aos homens quando a natureza não determina o domínio de um sexo sobre o outro.

    A luta das mulheres foi contra a discriminação, violência, preconceito e ganha cada vez mais visibilidade na sociedade. Isso é fruto das mobilizações, movimento, estudo e participação efetiva das mulheres nos sindicatos, escolas, universidades, associações. As histórias de vida, desejos, angústias, denúncias e propostas saem da esfera doméstica e ganha o mundo público. Entretanto, mesmo com todas as transformações ocorridas na condição feminina, muitas mulheres ainda não podem decidir sobre suas vidas, não se constituem enquanto sujeito e estão sendo lançadas á exclusão social por esse modelo econômico injusto imposto pelo capitalismo.

    A partir dos anos 1980, o movimento feminista imprimiu um caráter político às suas demandas, além de um contínuo diálogo com o Estado e com a sociedade. Foi uma luta por igualdade de leis, políticas públicas que contemplassem as necessidades de elaboração e implementação de uma política nacional voltada para o combate da criminalidade, baseada nas relações de gênero. Os movimentos feministas apresentaram-se como ameaça a sobrevivência do homem. Assim, o acesso ao trabalho, liberdade sexual, o investimento na educação, a conquista de cargos políticos, a diminuição do número de filhos e os casamentos tardios vêm obrigando os homens a repensar a sua maneira de agir frente às mulheres e a si mesmo (SARTI, 2004).

    Desta forma, Sarti (2004), diz que a ideologia de feminilidade ultrapassa a porta da casa e se verifica, também, no tipo de formação profissional da mulher, pois determinadas carreiras seriam próprias da mulher na medida em que, se encaixaria à sua natureza.

    Nas últimas décadas, as mulheres têm participado das conferências mundiais de forma organizada como a Conferência de Beijing em 1995, ocorrida na cidade de Huairou, China, a qual foi a IV Conferência Mundial sobre a Mulher, promovida pela ONU. O tema desta conferência, como nas outras do chamado ciclo social, com o lema de igualdade e paz, discutiu vários temas pertinentes, entre eles pobreza, educação, saúde e violência, além dos direitos humanos. A plataforma dessas conferências aborda também as iniciativas que devem ser tomadas para promover as mulheres, no sentido de aumentar a participação destas, em pé de igualdade com os homens, em todos os domínios da vida social. Este foi então, o compromisso assumido pelas organizações governamentais presentes (ALVES, 2012).

    As mulheres lutaram muito para conquistar seus direitos, essa luta tem sido histórica, pois ao compreender como as relações de gênero estruturam o conjunto das relações sociais, torna-se mais fácil a um grupo ou uma comunidade compreender o sistema a que pertence e questioná-lo em função dos seus objetivos e propostas de crescimento e desenvolvimento.

    Com este conceito, as relações que se formam a partir das dimensões sociais do sexo perfazem as dimensões do gênero a partir das quais se desenvolverá todo o discurso, inicialmente elaborado pelo direito de família, uma vez que é exatamente na instituição familiar que desenvolve uma grande parcela, ou pelo menos a mais significativa da construção dos papéis sexuais (MAGALHÃES, 2012).

    Há mais de três décadas, a militância dos movimentos feministas encontrou seu referencial empírico na denúncia da violência sexual contra a mulher. A ideologia de inferioridade feminina justificou o autoritarismo masculino, interpretando a violência do homem contra mulher como algo natural e, assim, fazendo com que a mulher não reconheça o tipo de violência sofrida.

2.     As relações de gênero e suas condições divergentes

    O conceito de gênero procura abarcar questões históricas e contemporâneas no que se refere às relações desiguais entre os homens e mulheres. O termo vem do movimento feminista, que segundo Scott (1995), gênero é uma categoria de análise sociológica e histórica que permite compreender as relações sociais que estabelecem saberes para a diferença sexual, isto é, saberes que dão significados às diferenças corporais e que implicam numa organização social a partir delas. Estes saberes não são absolutos, mas sim relativos para cada cultura.

    Atualmente os debates sobre a condição da mulher e principalmente sobre a produção de conhecimento na visão feminista vêm desenvolvendo-se e ganhando espaços na política, na sociedade e na academia.

    Scott (1995) coloca a necessidade de rever se estamos no campo das relações assimétricas de poder social, pois a concepção de que o poder social é unificado, coerente e centralizado, imobiliza qualquer tentativa inovadora. Apóia-se no conceito de poder de Michel Foucault, entendido como constelações dispersas de relações desiguais, discursivamente constituídas em diferentes campos sociais. Scott continua nos explicando que esses campos são entendidos como processos e estruturas, que abrigam o conceito, utilizado por Foucault: capacidade do ser humano de se autogerenciar no embate constante com as múltiplas circunstâncias de vida:

    [...] construir uma identidade, uma vida, um conjunto de relações, uma sociedade estabelecida dentro de certos limites e dotada de uma linguagem – uma linguagem conceitual que estabeleça fronteiras e contenha, ao mesmo tempo, a possibilidade de negação, da resistência, da reinterpretarão e permita o jogo da invenção metafórica e da imaginação. (Scott, 1995, p.86)

    Para Scott, a questão da dominação de gênero não deve ser encarada como algo natural, ou simplesmente explicável. No interior de cada situação social e histórica, podem-se identificar resistência e múltiplas versões que, são mantidas, transformadas ou sustentadas, dependendo do aprofundamento teórico empregado como lente para interpretar, avançar e elucidar essa dominação.

    Como instrumento teórico para os estudos feministas, baseamos em Jacques Derrida, para realizar a crítica aos estudos que postulam uma oposição binária entre masculino e feminino, homem e mulher, levando em conta o contexto, a forma pela qual opera, reproduz e se mantém qualquer oposição binária, desvelando sua construção hierárquica, em vez de aceitá-la como real ou evidente, ou como fazendo parte da natureza das coisas.

    A princípio vamos considerar as diferenças entre os gêneros homem e mulher e avaliar suas atuações ao longo da história. Sob perspectiva biológica, as diferenças são evidentes, pois ao observar os corpos de homens e mulheres conclui-se que não são iguais. A mulher possui traços mais finos e um órgão sexual interno, o homem possui formas mais grossas e órgão sexual externo. As diferenças físicas podem ter contribuído para a elaboração de posições sociais deferentes para cada gênero. Bourdieu (1996) cita muito bem essas diferenças físicas quando narra a questão sexual em consonância com a dominação, ocasionada pela filosofia social da época:

    (...) fazer parte do sistema confere uma força sistematicamente que faz com que não se escape facilmente desse gênero de pensamento. A ratificação social de fatos fisiológicos (a ereção, pensada segundo o esquema do “inflar” que permite pensar todos os fatos da fecundidade) conduz a fundar, numa razão mitológica, os traços mais arbitrários da denominação masculina, e a estabelecer, por exemplo, a ligação entre a virilidade física e a virilidade psíquica ou ética (...) (BOURDIEU, 1996 p.32).

    As construções de valores a partir das características físicas estabelecem funções de gêneros sociais. As mulheres por sua “fragilidade” física, consideradas doces e indefesas; o homem é tido o responsável pelo trabalho, pela mente e pelo saber. Pelos conceitos apresentados já se considera que o homem, devido a sua força, é capaz de liderar enquanto que a mulher deve segui-lo. A partir daí já se determina então, o dominante e o dominado, historicamente as características físicas determinavam quem deveria liderar.

    A intenção aqui, não é discutir quem é o mais forte ou quem tem mais capacidade de dominação, ou tencionar que os gêneros são iguais e etc. Mas elaborar uma reflexão do que é o homem hoje e o que é a mulher hoje mediante sua formação sociológica, biológica, psicológica, tentando mostrar como as reflexões sobre gênero não pode estar desconectado das reflexões sobre sexualidade, e vice-versa.

    Saffioti (1992), em seu texto “Rearticulando gênero e Classe social” critica a determinação física sexual como representação do papel social que as pessoas vão desempenhar. A relação entre os gêneros vai além da existência de dois sexos, mas compreende a construção feita do social para o individuo, pois dependendo dos valores de cada momento histórico, os indivíduos terão seus corpos e funções determinados de formas diferentes.

    Portanto, é necessário avaliar as diferenças isoladas de interferências sociológicas, ideológicas, religiosas e etc. O pai da sociobiologia, Edwarde O. Wilson, da Universidade de Harvard, em seus estudos avaliou a mulher concluindo que esta tende a ser melhores que os homens em empatia, habilidades verbais, sociais e de proteção, dentre outras, quando os homens superam as mulheres em habilidades de independência, de dominação e habilidades matemático-espaciais, atividades que exigem força, agressão e outras características. Inicialmente suas pesquisas eram vistas com descrença pelos cientistas, dado que o aprendizado cultural é muito influente entre os seres humanos.

    Contudo, as diferenças entre homem e mulher já são evidentes após o nascimento, quando há pouca influencia social. Anne Moir e David Jessel (1992, p.67) em seu livro “Brain Sex” oferecem explicações para essas diferenças:

    Essas diferenças discerníveis e mensuráveis do comportamento são programadas muito antes que as influências externas tenham a oportunidade de se manifestar. Elas refletem uma diferença básica no cérebro do recém-nascido que já conhecemos -- a maior eficiência dos homens quanto a habilidades espaciais, a maior habilidade das mulheres quanto à fala.

    Após muitas pesquisas controladas, onde o meio ambiente e a aprendizagem social foram isoladas, cientistas concluem que existe grande diferença neurofisiológica e anatômicas entre os gêneros.

    Dr. Godfrey Pearlson produziu um estudo que comprova as diferenças de tamanho nos cérebros; os volumes calculados através de software desenvolvido por Dr. Patrick Barta, analisou 15 homens e mulheres. Mesmo após observarem que o cérebro do homem e naturalmente maior do que o das mulheres, ainda permanecia uma diferença de 5% nos volumes do LIP (lóbulo infero-parietal). Em geral o LIP permite que o cérebro processe informações por meio dos órgãos de sentido, auxilia na atenção e percepção seletiva (por exemplo, as mulheres são mais capazes de se concentrar em um estímulo específico, como por exemplo, o choro do bebê à noite). (WILSON, 1992)

    Estudos comprovaram que o LIP direito da memória esta relacionado a compreensão e manipulação das relações espaciais e estabelecer relações entre as partes do corpo, bem como a percepção de sentimentos e emoções. Por sua vez, o LIP esquerdo abrange as percepções de tempo e espaço e capacidade de rotação mental de figuras tridimensionais. (op. cit.)

    Um estudo anterior a este, também dirigido pelo Dr. Godfrey Pearlson, demonstrou que duas áreas nos lobos frontais e temporais responsáveis pela linguagem são significativamente maiores nas mulheres, o que comprova suas habilidades lingüísticas.

    Os estudos demonstram a razão de as mulheres serem mais emocionais que os homens, e os homens serem mais racionais que as mulheres, isolado de questões sociais.

    Avaliando o aspecto biológico e cientifico nos certificamos que homens e mulheres nascem com características peculiares que independem de sua classe social, educação adquirida e etc. Concluímos também que cada gênero possui, por sua formação biológica, tendências que despertaram maiores e menores interesses. Tendências femininas e tendências masculinas que vão além do interesse pela boneca e o interesse pelo carrinho, desde a sua concepção.

Considerações finais

    Todavia, ao pensarmos em gênero vamos encontrar um sistema disciplinário e normativo que define as bases do papel da mulher e que tem determinado sua posição na sociedade ao longo da história humana, à raiz de uma conseqüência biológica, a capacidade de gerar filhos. A partir disto, se estabelece um dos mais importantes mecanismos de controle e poder, o controle da reprodução, que não podendo ser desvinculada da mulher, determina “esse seu lugar social”.

    A questão de gênero é, antes de tudo, uma construção social e uma realização cultural. Essa construção sexista “masculino/feminino” coloca evidentemente o primeiro elemento em superioridade, propagando a noção simplista de “homem dominante versus mulher dominada”.

    Conclui-se que gênero é uma construção cultural e social e, como tal, sua representação e disseminação pelos meios comunicacionais é responsável pela construção de ideais sociais, valores, estereótipos e preconceitos.

Notas

  1. Um dos traços fundamentais da ideologia consiste, justamente, em tomar as idéias como independentes da realidade histórica e social, de modo a fazer com que tais idéias expliquem aquela realidade, quando na verdade é essa realidade que torna compreensíveis as idéias elaboradas. (CHAUÍ, 1986, p.10-11)

  2. Na espécie humana, dois tipos de desigualdade: uma que chamo de natural ou física, por ser estabelecida pela natureza e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito e da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção e que é estabelecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens. (ROUSSEAU, 1988, p. 39)

  3. À vida cotidiana é um conjunto de atividades que caracteriza a reprodução dos homens singulares que, por seu turno criam à possibilidade da reprodução social. Isso significa que, na vida cotidiana, o indivíduo se reproduz indiretamente à totalidade social. (CARVALHO, 1999, p. 26)

  4. Engels (2002) cita uma variação de composição familiar, que é família patriarcal. Ela tem sua origem intrínseca ao surgimento da escravidão, e tem sua organização baseada na formação de um grupo composto por homens livres e não livres, sob o poder de um chefe, um senhor. É neste contexto que surge o termo famulus, que posteriormente dá origem a denominação de família. Observa-se, pois, que o termo famulus diverge em grande parte do que se entende hoje por família.

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