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Análise epidemiológica das dengues
em Montes Claros, Minas Gerais, Brasil

 

*Acadêmicos do curso de Enfermagem, das Faculdades Santo Agostinho

de Montes Claros, Minas Gerais. Membros do Grupo de Pesquisa em Enfermagem

das Faculdades Santo Agostinho de Montes Claros

**Enfermeiro. Mestrando em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Montes Claros.

***Enfermeira. Mestre em Ciências da Saúde. Doutoranda em Ciências da Saúde

pela Universidade Federal de Minas Gerais. Líder do Grupo de Pesquisa

em Enfermagem das Faculdades Santo Agostinho de Montes Claros

(Brasil)

Elvis Henrique Ruas Rodrigues*

Luana Leal Viveiros*

Adriana Lopes Gomes Paixão*

Kathielle Francine Gonzaga Souto*

Thiago Luis de Andrade Barbosa**

Ludmila Mourão Xavier Gomes***

ludyxavier@yahoo.com.br

 

 

 

 

Resumo

          Este estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico dos casos de dengue ocorridos em Montes Claros/MG no período de 2007 a 2011.Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, com abordagem quantitativa realizada com dados secundários obtidos por meio do Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação do Departamento de Informática do SUS (SINAN/DATASUS). Utilizou-se a estatística descritiva para a análise de dados. Neste período foram notificados 10.184 casos de dengue. O ano de 2010 teve maior número de casos (67,15%). Dentre as faixas etárias a mais acometida foi de 20 a 39 anos (45,7%), sexo feminino (55,25%) e provenientes da zona urbana (95,17%). Os critérios de confirmação das dengues mais utilizadas foram o clínico epidemiológico (75,2%) Em relação à classificação final 90,1% dos casos foram de Dengue clássica, seguido de Dengue com complicações (0,06%) e de febre hemorrágica da dengue (0,009%). Destaca-se que em 99,9% dos casos notificados o item “campo de complicações” foi deixado em branco ou classificado como ignorado. Observou-se ainda que 89,8% dos casos evoluíram para cura. Conclui-se a necessidade do monitoramento e manejo clínico e epidemiológico das dengues, a fim de obter um maior controle, reduzindo a morbimortalidade e os gastos.

          Unitermos: Dengue. Epidemiologia. Fatores de risco. Aedes.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 175, Diciembre de 2012. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    A dengue constitui-se um dos principais problemas de saúde pública por seu elevado grau de morbidade e mortalidade e no Brasil tem se destacado como uma das mais importantes doenças reemergentes no mundo.

    A doença é definida como um subproduto das mudanças climáticas, sociais e ambientais, além da urbanização acelerada e desordenada, com condições insatisfatórias de abastecimento de água, saneamento básico e coleta de lixo, sendo considerada uma das doenças infecciosas de maior incidência nas áreas intertropicais.

    A dificuldade no controle do vetor encontra-se associado a toda a questão econômica e social, o permanente intercâmbio de pessoas e mercadorias, além da ineficácia das políticas públicas (SOUZA; DIAS, 2010).

    A dengue é uma doença transmitida principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti. Pode apresentar-se assintomática ou apresentar amplo espectro clínico, variando de doença febril autolimitada até formas graves, que podem evoluir com choque circulatório e óbito (DIAS, 2010).

    A manifestação clínica da doença pode variar na gravidade tanto em crianças como em adultos, dependendo dos sorotipos do vírus infectantes e da cepa, assim como da idade, genética do paciente e o seu estado imunológico. A dengue clássica apresenta sintomas muito variáveis; geralmente apresenta febre alta, em torno de 39º a 40º, de início abrupto, seguida de mialgia, prostração, anorexia, náuseas, cefaléia, artralgia, astenia, dor retro-orbitária, vômitos e exantema, podendo ocorrer dor abdominal generalizada, manifestações hemorrágicas ou hepatomegalia dolorosa. A dengue hemorrágica possui sintomas iniciais bastante parecidos com os da dengue clássica, mas, neste caso, os sintomas podem evoluir rapidamente para manifestações hemorrágicas e choque (SINCHI et al., 2007)

    No 1º semestre do ano de 2010 foram notificados 789.055 casos suspeitos de dengue no Brasil, o que representou aumento de mais de 150% em relação ao mesmo período de 2009. Desse total, 2.271 casos foram de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD), com 367 óbitos (BRASIL, 2010).

    Neste contexto este estudo objetivou analisar o perfil epidemiológico dos casos notificados de dengue no ano de 2007 a 2011, na cidade de Montes Claros, Minas Gerais, Brasil.

Metodologia

    Utilizou-se a pesquisa qualitativa de caráter descritiva e retrospectiva, que teve como população todos os casos notificados de dengue entre os anos de 2007 a 2011, residentes no município de Montes Claros, Minas Gerais.

    As informações foram obtidas através de uma coleta de dados realizada no site do DATASUS, no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN/MS/DATASUS), em abril de 2012. Esse banco de dados é de livre acesso ao público.

    Os dados se referem a todos os casos notificados de dengue entre janeiro e dezembro dos anos de 2007 a 2011 pelos profissionais de saúde do município de Montes Claros, Minas Gerais, Brasil. A análise dos dados foi realizada mediante a ferramenta estatística descritiva.

    As variáveis estudadas foram: sexo, faixa etária, tipos de violência, raça, ocupação, local de ocorrência e situação conjugal.

    Os aspectos éticos da pesquisa foram considerados de acordo com as normas da Resolução 196/96 da Comissão Nacional de Ética em pesquisa do Ministério da Saúde, que regulamenta a pesquisa com seres humanos, desta forma por ser realizada com dados secundários de um banco de dados esta pesquisa não requereu parecer do Comitê de Ética em Pesquisa.

Resultados

    Neste período foram notificados 10.184 casos de dengue. O ano de 2010 teve maior número de casos (67,15%). A maioria dos casos ocorreu na zona urbana (95,17%), dentre eles 44,97% do sexo masculino e 55,86% feminino, com relação à faixa etária 8,24% estão entre 0 a 9 anos, seguido de 20,16% de 10 a 19 anos, 45,86% de 20 a 39 anos, 21,02% de 40 a 59 anos e 6,0% de 59 anos acima.

Tabela 1. Casos notificados de dengue por ano dos 

primeiros sintomas no município de Montes Claros, MG

 

Tabela 2. Distribuição por faixa etária, sexo e raça dos casos de dengue,

 ocorridos no município de Montes Claros, no período de 2007 a 2011

    No quesito escolaridade 0,30% são analfabetos, 3,54% possuem entre a 1ª e 4ª série incompletos, 8,54% entre a 4ª e 8ª série incompletos, 3,46% possuem ensino fundamental completo, 4,65% ensino médio incompleto, 9,62% ensino médio completo, 1,32% ensino superior incompleto, 1,56% ensino superior completo, 5,34% não se aplica e 58,30% deixaram o campo ignorado ou em branco.

    Dos acometidos pela doença 0,65% eram gestantes, sendo que 0,12% estavam no 1º trimestre de gestação, 0,19% no 2º trimestre, 0,13% no 3º trimestre e 0,19% com idade gestacional ignorada e 13,16% deixaram o campo ignorado.

    Em relação à classificação final, 90,1% dos casos foram de dengue clássica, seguido de 0,06% de dengue com complicações e 0,009% de febre hemorrágica da dengue.

Gráfico 1. Critérios de confirmação das Dengues notificadas 

em Montes Claros no período de 2007 a 2011.

Fonte: SINAN/ MS/DATASUS

    Destaca-se que dos casos notificados em 99,9% o item campo de complicações foi deixado em branco ou classificado como ignorado. Observou-se ainda que 89,8% dos casos evoluíram para cura, 0,01% evoluíram para óbito e 10,09% deixaram o campo ignorado ou em branco.

Discussão

    Este estudo revelou que neste período estudado a maioria dos casos ocorreu no ano de 2010 (67,15%), a maioria no sexo feminino, em menores de 10 anos, na zona urbana, ensino fundamental incompleto, da cor parda. Dos acometidos 0,65% eram gestantes e 90,01% dos casos foi de dengue clássica e 89,8% deles evoluíram para a cura da doença.

    Pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde (2010) mostram que no 1º semestre do ano de 2010 foram notificados 789.055 casos suspeitos de dengue no país, o que representou aumento de mais de 150% em relação ao mesmo período de 2009, o que justifica esse aumento inesperado no número de casos como uma epidemia em todo o país. Desse total, 2.271 casos foram de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD), com 367 óbitos. Ainda segundo Souza e Dias (2010), a dengue é um sério e grave problema de saúde pública devido ao alto nível de casos notificados todos os anos.

    Foi possível identificar que no ano de 2011 houve uma redução grande no número de casos de dengue passando de 6839 casos em 2010 para 432 casos em 2011.

    A urbanização tem feito com que o vírus da dengue disseminasse devido a grande concentração de indivíduos suscetíveis à contaminação e infectados em áreas restritas. Esse fato, associado, à moradia inadequada, às condições precárias de saneamento básico e a fatores culturais e educacionais proporcionam condições que favorecem à transmissão dos vírus da dengue através do mosquito Aedes aegypti (FLAUZINO et al., 2011)

    Ainda de acordo com Linhares e Celestino (2006), existem outros determinantes da disseminação do vetor que merecem a atenção como: as migrações, o crescimento desordenado de cidades, a alta densidade populacional e coleta de lixo inadequada podem ser considerados agravantes para o processo. Outro ponto que necessita ser considerado são as condições socioeconômicas e culturais da população que podem impedir ou interferir no cuidado com o saneamento doméstico favorecendo assim a proliferação do vetor.

    Em estudo realizado por Flauzino et al. (2011), no município de Niterói- RJ, foram encontrados dados semelhantes aos do presente estudo. Dos 1.212 casos registrados, 57% eram do sexo feminino (692 casos). Foi observado ainda maior concentração de casos na faixa etária de 20-29 anos, seguida da de 30-39 anos com, respectivamente, 20,5% e 17,7% do total de casos (248 e 215 casos).

    É importante ressaltar ainda que são necessárias estratégias de investimentos em ações permanentes de prevenção e promoção da saúde, para que não sejam necessárias ações emergenciais de combate às epidemias (SIQUEIRA, 2008).

    O caráter complexo da infestação da dengue, provocada devido às inter-relações entre os diversos elementos do ambiente, do vírus, do homem, e do vetor, tem sido abordado em diversos estudos. Todos estes dados vem demonstrando uma necessidade de se repensarem as abordagens de controle adotadas para o controle deste vetor (TEIXEIRA et al., 2008)

Conclusão

    Conclui-se que a doença continua sendo um grave problema de saúde pública, associado à urbanização acelerada, às facilidades de transporte, elevada infestação pelo Aedes Aegypti durante todo o ano, a circulação permanente e concomitante de três sorotipos virais. Almeja-se, portanto, medidas eficazes que interrompam a circulação do vírus. Desta forma, este estudo constitui-se em uma ferramenta relevante no direcionamento de medidas futuras para elaboração de novas políticas públicas efetivas no controle da doença, além de servir para comparar e avaliar a efetividade das medidas de controle já existentes

    É preciso investigar melhor a fisiopatologia da doença e os fatores de risco relacionados à ocorrência das formas graves, além de desenvolver uma vacina e estabelecer melhores alternativas para o controle do vetor, incluindo mudanças ambientais e de infraestrutura urbana. A dengue não é um problema específico da área de saúde e sim, é competência e responsabilidade de outros setores como educação, saneamento e infraestrutura, entre outros.

Referências

  • BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Informações de Saúde. Epidemiológicas e Morbidade. Doenças de Notificação. Acesso em Abril-2012. Disponível em : http://tabnet.datasus.gov.br

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Dengue: roteiro para capacitação de profissionais médicos no diagnóstico e tratamento - Manual do monitor. 3ª edição. Brasília 2007.

  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Informe Epidemiológico da Dengue - Análise de Situação e Tendências - 2010. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/ portal/arquivos/pdf/informe.

  • DIAS, L.B.A; ALMEIDA, S.C.L; HAES, T.M, MOTA, L.M, RORIZ-FILHO, J.S. Dengue: transmissão, aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento. Medicina (Ribeirão Preto); 43(2): 143-52, 2010.

  • FLAUZINO, Regina Fernandes; SOUZA-SANTOS, Reinaldo; OLIVEIRA, Rosely Magalhães de. Indicadores socioambientais para vigilância da dengue em nível local. Saude Soc., São Paulo, v. 20, n. 1, Mar. 2011.

  • LINHARES, E. K.; CELESTINO, A. A. Considerações sobre casos registrados de dengue entre 2000 e 2005 e alguns fatores socioambientais na Zona Oeste do Rio de Janeiro. In: Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 15., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ABEP, 2006.

  • PONTE, H.J; PUCCI,F.H; MOREIRA-FILHO, H.F; TEOFILO, C.R; PIRES NETO, R.J. Avaliação de manisfestações dolorosas em pacientes internados em hospital de referência, com diagnóstico de dengue. Revista Dor. São Paulo. 12(2):104-7. abr-jun – 2011.

  • SINCHI, S. KISSON, N. BANSAL, A. Dengue e Dengue Hemorrágico: Aspectos do Manejo na Unidade de Terapia Intensiva. J. Pediatr. 2007; 83(2):22-35

  • VILAS BOAS, V.A. et al. Triagem sorológica e influência do conhecimento sobre a dengue em pacientes do ambulatório de especialidades do SUS. Revista Bras Patol Med Lab, v. 47, n. 2, p. 129-136, abril 2011.

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