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Nível de atividade física em acadêmicos do curso de 

Educação Física da Faculdade São Francisco de Barreiras

Nivel de actividad física en estudiantes del curso de Educación Física de la Facultad Sao Francisco de Barreiras

 

*Graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU - MG)

Mestre em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB – DF)

Professor da Faculdade Arnaldo Horácio Ferreira (FAAHF - BA)

**Graduada em Educação Física pela Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB - BA)

(Brasil)

Luiz Humberto Rodrigues Souza*

luizhrsouza21@yahoo.com.br

Isabel Katherine Batista Santos**

bel_katherini5@hotmail.com

 

 

 

 

Resumo

          Este estudo teve como objetivo identificar o nível de atividade física em que se encontram os acadêmicos de Educação Física da Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB). A pesquisa foi realizada na própria instituição de ensino, tendo uma amostragem de 81 acadêmicos do curso de Educação Física, numa faixa etária

entre 17 e 48 anos de idade de ambos os sexos. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) versão curta, previamente validada para a população brasileira. Em seguida os acadêmicos foram classificados nas seguintes categorias quanto ao nível de atividade física: Muito Ativo, Ativo, Insuficientemente Ativo A, Insuficientemente Ativo B e Sedentário, separados por sexo e período do curso. Na turma do sétimo semestre, 28% dos alunos foram classificados como muito ativos, sendo 8,3% mulheres e 46,2% homens, 16,7% mulheres e 15,4% homens classificados como sedentários totalizando 16% da turma; no primeiro semestre 27,8% foram classificados como muito ativos, 16,7% mulheres e 33,3% homens e não houve presença de sedentários nesse período (semestre). No presente estudo mostrou-se relativamente nula a porcentagem de acadêmicos do primeiro semestre classificados como sedentários por se tratar de uma amostra jovem e ingressante no curso. Por esse fato, podem ainda, não ter sofrido as influências de mudanças de níveis de atividade física assim como os acadêmicos concluintes.

          Unitermos: Atividade física. Acadêmicos. IPAQ.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 167, Abril de 2012. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Com o passar do tempo, a evolução tecnológica, e o aumento na jornada de trabalho tem-se ocasionado uma grande diminuição da prática regular de atividade física, e aumentado cada vez mais os índices de sedentarismo, que é definido como a diminuição ou a falta da atividade física. O sedentarismo é um dos principais fatores causador de patologias que atinge a população mundial, sendo considerada como a doença do século.

    Provenientes de maus hábitos, esse comportamento é oferecido pelos confortos da vida moderna, ocasionando a substituição das atividades ocupacionais que demandam maior gasto energético por facilidades trazidas pela evolução da tecnologia. Dessa forma, contribuindo para a alteração nos padrões da qualidade de vida, que está relacionada com aspectos do estilo de vida do indivíduo, ou seja, físico, psíquico, social e nutricional.

    Nos dias de hoje com a agitação da vida moderna, está cada vez mais difícil encontrar tempo para se exercitar, devido á carga horária de trabalho, dedicação aos estudos e compromissos familiares muitas pessoas condicionam suas vidas ao sedentarismo. O presente estudo trata dos níveis de atividade física em acadêmicos de Educação Física da Faculdade São Francisco de Barreiras (FASB). Verificando as pesquisas que relacionam outras variáveis influentes, como atividade física, nota-se que mesmo sendo empregadas em vários estudos ainda é insuficiente.

    Devido à ansiedade de colocar em prática todo o processo de ensino aprendizagem associado à falta de profissionais graduados na região oeste da Bahia, tem-se aumentado o número de acadêmicos de Educação Física exercendo a profissão mais cedo que em outras regiões do país.

    Baseado na informação de que profissionais de educação física prezam pela saúde das pessoas, buscou-se constatar o seguinte problema: em qual dessas classificações encontram-se os acadêmicos de Educação Física da FASB? Com a atribulação diária e a necessidade dos acadêmicos muitas vezes duplicarem sua jornada de trabalho para manter-se estudando, acabam se privando da própria qualidade de vida para exercer seu papel, como futuros profissionais. É importante que esses profissionais utilizem da prática da atividade física para a promoção da qualidade de vida individual, e também para influenciar as pessoas, de modo, que possam adquirir hábitos saudáveis. Mas esse dever torna-se ineficiente quando esse acadêmico, futuro profissional, não dispõe de benefício próprio, trazido pelo equilíbrio entre os fatores que contribuem para a qualidade de vida.

    O objetivo deste estudo foi verificar o nível de atividade física em acadêmicos do curso de educação física da Faculdade São Francisco de Barreiras. Mais especificamente, identificou em qual semestre do curso de Educação Física há maior prevalência de acadêmicos sedentários.

Metodologia

Delineamento

    O delineamento deste estudo foi de natureza quantitativa, em que a coleta de dados foi caracterizada com um estudo de campo.

Amostra

    A amostra foi composta por 81 acadêmicos do curso de Educação Física da FASB sendo 46 do sexo masculino e 35 do sexo feminino com idade entre 17 e 48 anos. Esta amostra foi dividida por período (semestre) da graduação que os alunos estão estudando, ficando distribuídos da seguinte forma: acadêmicos do primeiro, terceiro, quinto e sétimo semestres do ano letivo de 2011. Para este estudo, adotaram-se os seguintes critérios de inclusão: acadêmicos devidamente matriculados no corrente ano letivo; acadêmicos do curso de Educação Física da FASB; os voluntários devem prontificaram-se a participar do estudo.

Procedimentos para coleta de dados

    Inicialmente, os voluntários do estudo assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. Em seguida, para caracterizar os grupos em relação aos níveis habituais de atividade física, foi utilizada a versão curta do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ, do inglês International Physical Activity Questionaire). O IPAQ foi desenvolvido como um instrumento para monitorar de forma padronizada a atividade e inatividade física em diversos países do Mundo (CRAIG et al. 2003). O modelo usado no presente estudo foi a tradução oficial em português da versão curta (disponível no site www.celafiscs.com.br), previamente validada para a população brasileira (MATSUDO et al. 2001; PARDINI et al. 2001). A avaliação considera a duração e freqüência das atividades físicas realizadas em uma semana, contemplando-se apenas sessões superiores a 10 minutos contínuos. Os resultados do questionário possibilitam a divisão em cinco categorias: muito ativos, ativos, irregularmente ativos "A", irregularmente ativos "B" e sedentários, conforme descrito abaixo:

  1. MUITO ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de:

    1. VIGOROSA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão;

    2. VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão + MODERADA e/ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão.

  2. ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de:

    1. VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão; ou

    2. MODERADA ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão; ou

    3. Qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 150 minutos/sem (caminhada + moderada + vigorosa).

  3. IRREGULARMENTE ATIVO: aquele que realiza atividade física, porém insuficiente para ser classificado como ativo, pois não cumpre as recomendações quanto à freqüência ou duração. Para realizar essa classificação soma-se a freqüência e a duração dos diferentes tipos de atividades (caminhada + moderada + vigorosa). Este grupo foi dividido em dois subgrupos de acordo com o cumprimento ou não de alguns dos critérios de recomendação:

    • IRREGULARMENTE ATIVO A: aquele que atinge pelo menos um dos critérios da recomendação quanto à freqüência ou quanto à duração da atividade:

      1. Freqüência: 5 dias /semana ou;

      2. Duração: 150 min /semana;

    • IRREGULARMENTE ATIVO B: aquele que não atingiu nenhum dos critérios da recomendação quanto à freqüência nem quanto à duração.

  4. SEDENTÁRIO: aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo menos 10 minutos contínuos durante a semana.

Análise dos dados

    Para realizar a análise dos dados foi utilizada a estatística descritiva (média e desvio padrão), além das freqüências absoluta e relativa através do software IBM SPSS Statistics 19 for Windows.

Resultados e discussão

    A tabela 1 apresenta a média de idade dos acadêmicos do curso de Educação Física separados por sexo e por semestre do curso.

Tabela 1. Média de idade dos acadêmicos separados por sexo e por semestre

    Na tabela 1, constatou-se que a média de idade da turma do 7º semestre do curso de Educação Física é superior às demais turmas, tanto dos acadêmicos do sexo feminino como do sexo masculino. Já a turma ingressante (1º semestre) tem uma média de idade inferior ao 3º e 5º semestres para sexo masculino, superior ao 3º e inferior ao 5º semestre para o sexo feminino, deixando evidente a diferença de idade entre os sexos e período do curso.

    A tabela 2 apresenta os resultados da prevalência do nível de atividade física dos acadêmicos do curso de educação física divididos por sexo e semestre do curso.

Tabela 2. Prevalência do nível de atividade física dos acadêmicos, em freqüência absoluta e relativa, separados por sexo e semestre

    Na tabela 2, o índice mostra que na turma do 7º semestre, primeira turma de Educação Física da FASB, 28% dos alunos foram classificados como muito ativos, sendo 8,3% mulheres e 46,2% homens; 16,7% mulheres e 15,4% homens foram classificados como sedentários totalizando 16% da turma. Já no 5º semestre mostra 30,8% classificados como muito ativos sedo 57,1% homens e 0% mulheres; não foram identificados acadêmicos sedentários nesse período. No 3º semestre 40% foram classificados como muito ativos, onde 27,3% são mulheres e 50% são homens, e ainda 4% classificados sedentários, encontrando apenas 7,19% homens nessa classificação. Finalmente no 1º semestre 27,8% foram classificados como muito ativos, 16,7% mulheres e 33,3% homens e também não houve incidência de sedentários nesse período.

    No presente estudo mostrou-se relativamente nula a porcentagem de acadêmicos do 1º semestre classificados como sedentários por se tratar de uma amostra jovem e ingressantes no curso, por esse fato ainda não terem sofrido as influências de mudanças de níveis de atividade física assim como os acadêmicos concluintes.

    No estudo realizado por Rizzolli et al (2006) na Faculdade Salesiana de Vitoria, na distribuição de freqüência para a classificação do nível de atividade física e incidência de sedentarismo para as turmas estudadas foram: no 1° período de Educação Física predominaram as categorias muito ativo e ativo, não sendo igual para o 8° período de Educação Física que predominaram as categorias ativo e sedentário.

    Gomes apud Gasparotto (2009) verificou em seu trabalho que homens realizaram mais atividades físicas que mulheres em diferentes idades. Entres os indivíduos classificados como muito ativos, os homens mostraram proporção significativamente maior do que as mulheres.

    Werneck et al. apud Matias (2008) em seu estudo também encontrou resultados semelhantes, nele apenas um terço das mulheres praticavam algum tipo de atividade física, enquanto quase 40% dos homens realizavam alguma atividade física no período reservado ao lazer. Sousa et al. apud Matias (2008) analisando o nível de atividade física de 52 universitários da UESB em Jequié/BA observaram que os resultados indicam que 45,4% dos indivíduos eram suficientemente ativos e destes 60% referiram uma condição de saúde negativa.

Considerações finais

    O objetivo proposto neste estudo foi alcançado, e assim, pode-se notar a importância da prática da atividade física regular na prevenção de doenças e manutenção da qualidade de vida, demonstrando a necessidade de se manter um estilo de vida fisicamente ativo, com finalidade de combater os malefícios proporcionados por uma vida sedentária.

    Em função dos resultados encontrados, pode-se afirmar que os acadêmicos do primeiro semestre de educação física encontram-se com alto nível de atividade física em relação aos acadêmicos do sétimo semestre que se encontram com alta prevalência de sedentarismo.

    Nota-se que os acadêmicos do curso de Educação Física geralmente iniciam o curso com um alto nível de atividade física, mas com o passar do tempo esse índice diminui significativamente devido à elevada carga horária associada ao trabalho e estudos.

Referências

  • CRAIG, C. L.; MARSHALL, A. L.; SJOSTROM, M.; BAUMAN, A. E.; BOOTH, M. L.; AINSWORTH, B. E.; PRATT, M.; EKELUND, U.; YNGVE, A.; SALLIS, J. F.; OJA, P. International Physical Activity Questionnaire: 12-country reliability and validity. Medicine and Science in Sports and Exercise. v. 35, n. 8, p. 1381-1395, 2003.

  • GASPAROTTO, G. S. et.al. Associação do Nível de atividade física e a pressão arterial em universitários. Lecturas: Educación Física y Deportes, Revista Digital. Buenos Aires, v.14, n. 135, p. 1-5, ago./2009. http://www.efdeportes.com/efd135/nivel-de-atividade-fisica-e-a-pressao-arterial.htm

  • MATIAS, W. B. Nível de atividade física e composição corporal referenciada no IMC de universitários da UESB- Jequié/ BA. Lecturas: Educación Física y Deportes, Revista Digital. Buenos Aires, v. 13, n. 124, p. 1-3, set./2008. http://www.efdeportes.com/efd124/nivel-de-atividade-fisica-e-composicao-corporal-referenciada-no-imc.htm

  • MATSUDO, S.; ARAÚJO, T.; MATSUDO, V.; ANDRADE, D.; ANDRADE, E.; OLIVEIRA, L. C.; BRAGGION, G. Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ): estudo de validade e reprodutibilidade no Brasil. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. v. 6, n. 2, p. 5-18, 2001.

  • PARDINI, R.; MATSUDO, S. M.; ARAÚJO, T.; MATSUDO, V.; ANDRADE, E.; BRAGGION, G.; ANDRADE, D.; OLIVEIRA, L.; FIGUEIRA JR., A.; RASO, V. Validação do questionário internacional de nível de atividade física (IPAQ - versão 6): estudo piloto em adultos jovens brasileiros. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. v. 9, n. 3, p. 45-51, 2001.

  • RIZZOLLI, V.; PEREZ, A. J.; PATROCINIO, L. P.. Níveis de atividade física e incidência de sedentarismo de universitários, Florianópolis. p. 1- 2, jul. 2006. Disponível em http://www.sbpnet.org.br. Acesso em 10 de Março de 2011.

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