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Comparação da concentração de lactato 

sangüíneo com a ingesta de açaí após Teste de Cooper

Comparación de la concentración de lactato sanguíneo con la ingesta de azaí luego del Test de Cooper

 

*Programa de Pós-Graduação em Fisiologia do Exercício e Medidas e Avaliação

Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ

***Pós-graduação em Educação Física Escolar, UERJ, Rio de Janeiro, RJ

****Mestre em Ciência da Motricidade Humana

Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro/RJ

(Brasil)

Delanei Luiz Dias Filho*

deladelafilho@ig.com.br

Deyvison Sampaio Silva*

deyvisonrj@gmail.com

Rakely Soares Pontes**

rakelysp@gmail.com

Ricardo de Oliveira Silva***

ricardooliveira@univercidade.edu.br

Mario Roberto Guagliardi Júnior***

marioguagliardi@ig.com.br

Dra. Marcia Albergaria*

albergaria@estacio.br

 

 

 

 

Resumo

          O presente estudo ressalta sua importância para a comunidade científica, na medida em que buscou verificar se a ingesta de um extrato vegetal, no caso o açaí, poderia vir a influenciar na concentração de lactato sangüíneo em corredores de longa distância, treinados, após um Teste de Cooper, uma vez que encontramos na literatura científica, relatos de estudos que apresentam o açaí como sendo um potente produto com ação antioxidante e não encontramos estudos relacionando-o com a produção de lactato sangüíneo, servindo assim como plano piloto para estudos mais aprofundados, inclusive com outros extratos naturais e em outras amostras. A pesquisa foi realizada em militares, pertencentes à Força Aérea Brasileira, do efetivo da Base Aérea do Galeão, do gênero masculino, entre 28 e 45 anos, em um número de cinco, por formarem a equipe que representa a Base do Galeão em competições de corridas longas na cidade do Rio de Janeiro, entretanto, só encontravam-se três atletas disponíveis por ocasião das coletas de dados. Teve como objetivos verificar se a ingesta de açaí poderia influenciar no nível de concentração de lactato sangüíneo, em corredores treinados, após um Teste de Cooper, com uma intensidade controlada; Verificar a concentração de lactato sangüíneo antes e depois de um Teste de Cooper, sem a ingesta de açaí; nnnnnnuuuuu Verificar a concentração de lactato sangüíneo antes e depois de um Teste de Cooper, após a ingesta de 300 gramas de açaí; Comparar os resultados para identificar possíveis alterações nas concentrações de lactato sangüíneo e avaliar se estas foram substanciais, através de tratamento estatístico pelo teste T de correlação de resultados pareado por repetição.

          Unitermos: Lactato sangüíneo. Açaí. Teste de Cooper.

 

 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 152, Enero de 2011. http://www.efdeportes.com/

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Introdução

    Faz tempo que os jovens descobriram as propriedades energéticas da polpa do açaí, trata-se realmente de um alimento riquíssimo em gordura, que o torna altamente calórico. Para se ter uma idéia, cada 100 g de açaí equivalem a 247 calorias, das quais 12 g se devem ao teor de lipídios. É também uma boa fonte de cálcio e de ferro, o que vale dizer que em cada 100 g que se consumir de açaí, 118 mg são de cálcio, mais ou menos 10% das necessidades diárias de uma pessoa, e 11,8 mg de ferro. Como é um ótimo repositor de perdas energéticas, o açaí é mais indicado para consumo depois de atividades físicas.

    O açaí ficou conhecido no Brasil através dos paraenses que o traziam quando visitavam o Pará, entretanto entrou na mídia quando o medalhista olímpico de judô Aurélio Miguel declarou que fazia uso do suco de açaí para repor as energias após os treinos, sendo seguido pelos lutadores de jiu-jítsu com a mesma finalidade. Logo virou mania no sudeste do país. Primeiro, ganhou as praias cariocas. Depois, as academias, até conquistar as ruas nos grandes centros urbanos.

    Quando falamos em fisiologia do exercício, segundo Powers & Howley (2000), o organismo necessita de energia para a realização de todas as suas funções biológicas. Esta energia é processada na forma de energia química através da única forma reconhecida pelo nosso organismo que é o trifosfato de adenosina (ATP). Um composto rico em energia. Este chega ao organismo através das reações de oxidação dos nutrientes e é armazenado no organismo na forma de glicídios, lipídios e proteínas, onde esta ocorre exclusivamente com o propósito de ressintetisar o ATP após sua utilização. O que fica fácil entender que um atleta com um limiar anaeróbio maior, consegue correr com um % VO2max mais elevado quando comparado a um corredor de menor limiar. Leite (1993) diz que Limiar anaeróbico é a intensidade do esforço abaixo da qual o organismo não acumula lactato sangüíneo. Santos (1993) afirma também que vários autores consideram que existem limites para os possíveis aumentos de % VO2 max, e também que a melhoria da endurance pode ser independente deste parâmetro.

    Apesar de o ácido lático ter sido implicado durante muito tempo como uma fonte de fadiga, o consenso geral estabelece que a fadiga resulte de H+ elevado (ACSM, 2003). O VO2 representa a mais alta captação de oxigênio alcançada por um indivíduo, respirando ar atmosférico em nível do mar. É importante ser medido, uma vez que é aceito internacionalmente como melhor parâmetro fisiológico para avaliar, em conjunto, a capacidade funcional do sistema cardiorrespiratório, além de avaliar a capacidade metabólica oxidativa (aeróbica) durante trabalhos musculares acima do metabolismo basal.

    Um estudo realizado por Denadai (2000) relatou que o VO2max tinha apresentado baixa correlação com a performance (r = 0,50 – 0,60), explicando a variação de desempenho em apenas 25 – 40%. Já a resposta do lactato sangüíneo apresentou uma correlação bem elevada (r = 0,90 – 0,95) com a performance aeróbia, superando a 80% da variação de desempenho aeróbio em um determinado grupo de indivíduos, independente de sexo, idade, tipo de exercício, nível de treinamento ou destreinamento e a existência de doenças cardiovasculares, entretanto, sua utilização necessita de cuidados especiais e gera um custo alto para avaliação. No caso das Forças Armadas ficaria inviável realizar em todo o seu efetivo, sendo utilizado o VO2max determinado utilizando o protocolo de Cooper (1982).

Materiais e métodos

    Primeiramente foi encaminhada uma solicitação de autorização ao Comandante da Base Aérea do Galeão (BAGL), solicitando a utilização da pista de aplicação do Teste de Aptidão e Condicionamento Físico no interior desta, solicitando também apoio médico para as coletas de dados. Uma vez autorizado pelo comandante da BAGL, foi encaminhada uma solicitação ao Laboratório de Fisiologia do Exercício (LAFIEX), da Universidade Estácio de Sá (campus Akxe), autorizando também a utilização do material para a coleta de dados.

    Depois disso, foi feito uma autorização, assinada pelos voluntários, onde eles autorizaram a sua coleta sangüínea e a publicação dos dados no trabalho em questão. Foram selecionados três corredores militares da Força Aérea Brasileira pertencentes à equipe de corrida de longas distancias da Base Aérea do Galeão, treinados, correndo pelo menos 20 km por semana, à no mínimo 3 anos, e que se encontravam disponíveis no período das coletas de dados, sendo todos voluntários. Foi feito o controle do uso de cafeína nos voluntários a partir das 18h00min do dia anterior até o momento da coleta sangüínea.

    Nenhum dos voluntários era fumante ou se encontravam sob tratamento medicamentoso. O controle da intensidade nas corridas foi feito através de um freqüencímetro, com uma zona alvo entre 85 e 90% da freqüência cardíaca máxima (FC máx.) para todos os corredores, conforme cálculos no anexo I, com a finalidade de manter a mesma intensidade no esforço em ambas as corridas e o tempo da corrida. Os protocolos utilizados foram o do Teste de Andar e Correr (COOPER, 1982) e a fórmula do controle da intensidade de treinamento através da freqüência cardíaca (POLLOCK, 1993).

    A pesquisa foi de campo quase experimental, pois não houve uma amostra de controle e comparativa por repetição, uma vez que a amostra foi submetida a um mesmo protocolo, com uma variável para quantificar os resultados. A coleta de sangue dos corredores, sem a ingestão do açaí. Após seis dias da realização da primeira corrida, com rotina diária normal, a amostra foi instruída para tomar os seguintes procedimentos: ter uma dieta normal durante todo o dia; Fazer a última refeição até as 19h00minh; Fazer a ingesta de 300 g do açaí fornecido pelo autor, todos retirados do mesmo litro, entre 22h00minh e 00h00minh; Pela manhã, tomar um leite com pão, sem ingesta de frutas. A operação foi repetida, porém, tendo a ingesta do açaí como a única variável controlada. Os resultados foram avaliados e montada uma tabela para análise dos valores de lactato sangüíneo dos corredores.

Para a coleta sem a ingesta de açaí

    Por volta das 07h00minh, os voluntários fizeram o desjejum normal, sem cafeína. Aproximadamente às 09h40minh, os corredores foram submetidos à primeira coleta de sangue para análise de lactato sangüíneo, realizada no interior do Esquadrão de Saúde da BAGL, com o acompanhamento da médica de plantão, onde foi feita a preparação do material de coleta utilizando uma lanceta e agulhas descartáveis. A coleta foi feita através de uma perfuração na ponta de um dos dedos de uma das mãos do voluntário. Em seguida, deixamos pingar o sangue do dedo perfurado sobre uma fita para análise de lactato, sedo colocado para leitura no lactímetro. O valor da leitura foi anotado em uma ficha de controle de dados sem a ingesta do açaí, criada pelo grupo.

    Por volta das 10h00min, após um breve alongamento e aquecimento, foi dada à largada para a corrida de 12 minutos na pista de aplicação de teste físico da BAGL para o corredor I. Este, a cada volta, informava a sua FC de esforço, mantendo-se dentro da sua zona alvo pré-estabelecida. Ao final do tempo, foi dado um silvo de apito, indicando o término do tempo, e após 1 minuto foi feita nova coleta sangüínea no local da corrida, sobre uma mesa colocada em frente à Esquadrilha de Saúde, na presença da médica de plantão, seguindo o mesmo padrão da primeira coleta. A operação foi repetida após 3 minutos do término da corrida e os valores das leituras também foram anotados na mesma ficha de controle de dados. Por volta das 10h30min horas, o mesmo procedimento foi feito para o corredor II, e por volta das 11h00min horas para o corredor III. Todo o lixo foi recolhido para o EPS, para ser colocado em lixeira específica para lixo hospitalar.

Para a coleta após a ingesta de 300 g de açaí

    Por volta das 19h00minh, do dia anterior, os voluntários fizeram uma refeição normal e entre 22h00min e 00h00min, de acordo com suas disponibilidades, foram submetidos ingesta de 300 g de açaí, misturado apenas com açúcar refinado a gosto. Pela manhã, preferiram não fazer um desjejum. A primeira coleta de sangue para análise de lactato sangüíneo dos corredores foi realizada por volta das 08h00minh, no interior do Esquadrão de Saúde da BAGL, com o acompanhamento da médica de plantão. A coleta seguiu o mesmo procedimento da realizada sem a ingesta do açaí. O valor da leitura foi anotado em uma ficha de controle de dados com a ingesta do açaí, criada pelo autor. Logo após um breve alongamento e aquecimento, foi dado início da corrida de 12 minutos nos seguintes horários: I, às 08h30min; II, às 09h00min; III às 09h30min. Ao final, foi dado um silvo de apito, indicando o término do tempo, e após 1 minuto foi feita nova coleta sangüínea na pista para cada corredor, na presença da médica da BAGL, seguindo o mesmo padrão da primeira, repetido após 3 minutos do término da corrida, os valores das leituras também foram anotados na mesma ficha de dados.

Instrumentos

Procedimento para análise de dados e resultados

    Foi utilizado o teste T de correlação de resultados pareado por repetição.

Conclusão

    Individualmente, o corredor I deve ser analisado a parte, pois, sua idade pode ter influenciado as respostas mensuradas. Os demais perpassam mais homogeneidade em suas respostas.

    O estudo em relação às alterações dos níveis de lactato sangüíneo após testes aeróbios sem e com a ingesta de açaí mostrou que este substrato alimentar, pelo menos no que tange aos três corredores, alterou as respostas nas concentrações de lactato. Independente de podermos afirmar que foi a capacidade antioxidante do açaí.

Referências bibliográficas

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