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O que é inclusão? Reflexões de professores acerca desse tema

¿Qué es inclusión? Reflexiones de profesores acerca del tema

 

*Mestre em Educação - UFRJ.

Licenciada em Educação Física – UFRJ. Pesquisadora do Laboratório de Pesquisa,

Estudos e Apoio à Participação e à Diversidade em Educação – LaPEADE.

**Doutoranda em Educação – UFRJ.

Licenciada em Educação Física. Pesquisadora do Laboratório de Pesquisa,

Estudos e Apoio à Participação e à Diversidade em Educação – LaPEADE

Michele Pereira de Souza da Fonseca*

michelepereira22@yahoo.com.br

Ana Patrícia da Silva**

uaisoperala@ig.com.br

(Brasil)

 

 

 

Resumo

          Para que a Educação Física escolar seja corretamente articulada com a Inclusão em Educação é importante que tenhamos alguns conceitos bem definidos, uma vez que, "Inclusão" ou "Inclusão em Educação" vem sendo por muitas vezes usada e/ou entendida como sinônimo de Educação Especial. Nesse artigo apresentaremos a perspectiva teórica que entende Inclusão em Educação como uma abordagem diferente e mais ampla na identificação e na tentativa de resolver as dificuldades que surgem no contexto escolar. Sendo assim, este trabalho teve por objetivo geral investigar os conhecimentos dos professores de Educação Física sobre Inclusão em Educação no ensino fundamental e como objetivo específico verificar aspectos limitadores para a atuação do professor de Educação Física com relação à Inclusão. Realizou-se um estudo empírico de caráter descritivo e a amostra foi constituída por 15 professores de Educação Física escolar que atuam no ensino fundamental na cidade do Rio de Janeiro. Após a análise dos dados, concluímos que a diversidade hoje, presente nas salas de aula, apresenta-se em termos culturais, sociais, econômicos e, no caso específico da disciplina Educação Física, também se manifesta numa variação imensa de possibilidades e capacidades fisico-corporais, que podem ser utilizadas em prol da Inclusão em Educação dependendo da maneira com que o professor trabalha esta diversidade.

          Unitermos: Inclusão. Educação. Educação Física escolar. Formação de professores

 
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 140 - Enero de 2010

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    Apesar de inúmeras mudanças sócio-políticas vivenciadas nas últimas décadas, ainda nos encontramos num cenário bastante sombrio, principalmente porque o discurso da valorização educacional não chegou a influenciar de forma efetiva a prática pedagógica. Os objetivos e as propostas educacionais da Educação Física foram se modificando ao longo dessas décadas, e houve a elaboração e implementação de diversas abordagens pedagógicas e que, de alguma forma, influenciaram e continuam influenciando a formação profissional e as práticas pedagógicas dos professores de Educação Física.

    Podemos observar que pelo menos ao nível do discurso, há uma passagem da valorização do biológico para o sócio-cultural, embora as nossas práticas permaneçam praticamente inalteradas. No entanto, é necessário superar a ênfase na aptidão física e do rendimento padronizado decorrente em referenciais pautados em conceitos biológico, higiênico e militarista que caracterizaram a Educação Física como atividade física.

    Atualmente, a abordagem sistêmica é uma das abordagens que mais se adequa a uma prática pedagógica da Educação Física escolar norteada pelos pilares da Inclusão em Educação que analogicamente podem ser comparados na prática da cultura corporal como aponta Betti (1991) com os princípios da equidade, não exclusão e diversidade.    

    Uma outra perspectiva que considera o Princípio da Inclusão pode ser encontrada na obra Educação Física na Escola: Questões e reflexões, Darido (2003) quando esta apresenta os PCNs de Educação Física como uma nova abordagem da disciplina. Nesse contexto o princípio de inclusão foi um dos maiores avanços trazidos pela nova abordagem apresentando uma Educação Física integrada a proposta pedagógica da escola, portanto, com perspectivas educacionais realmente voltadas para a formação do cidadão, para TODOS.

    Desta forma o princípio da inclusão pode ser entendido sobre duas formas distintas, que se complementam, mas que acabam sendo originados na mesma questão: o direito de todos à prática das atividades físicas sem discriminação, com igualdade de oportunidades e respeito às diferenças. Em uma delas, a inclusão pode ser compreendida pelo acesso irrestrito dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais às aulas de educação física, no mesmo espaço, na mesma dinâmica que os alunos ditos regulares, "normais". A outra abordagem compreende que o princípio de inclusão como a participação indiferenciada de todos os alunos acontece, independentemente de suas prévias capacidades físicas, sociais ou intelectuais, raça ou gênero. Aqui se pode falar de alunos sem limitações neurológicas, sensitivas ou físicas, congênitas ou adquiridas. Sua diferença pode estar na sua capacidade em lidar com os conteúdos da educação física, ou por não estar socializado com este universo, ou por não ser devidamente estimulado, ou ainda, por não gostar da disciplina. (SILVA, 2006).

    Para que a Educação Física seja corretamente articulada com a Inclusão em Educação é preciso que tenhamos alguns conceitos bem definidos, uma vez que, a "Inclusão" ou "Inclusão em Educação" vem sendo por muitas vezes usada e/ou entendida como sinônimo de Educação Especial, e não é o caso, pois uma não é o sinônimo da outra. A Inclusão em Educação envolve uma abordagem diferente e mais ampla na identificação e na tentativa de resolver as dificuldades que surgem no contexto escolar. De acordo com Silva & Silva (2008 – no prelo):

    A inclusão em educação envolve processos de aumento da participação e redução da exclusão de todos os alunos das culturas, dos currículos e das comunidades das escolas locais (SANDOVAL, et al 2002).

    Inclusão envolve a reestruturarão das culturas, políticas e práticas nas escolas de forma que elas respondam à diversidade de alunos de sua localidade atendendo as suas diferenças e peculiaridades.

    Inclusão em educação se refere à aprendizagem e participação de todos os alunos em riscos de pressões excludentes, e não apenas aquelas com impedimentos visíveis, ou categorizadas, "rotuladas" como tendo "necessidades educacionais especiais".

    Alguns autores chegam a uma consonância conceitual com relação à inclusão, embora, infelizmente, isso não aconteça comumente na realidade. Booth e Ainscow (2002), Santos (2003), Mittler (2003) defendem atitudes e ações includentes e lutam para a redução da exclusão. Santos (2001) complementa ressaltando que a “inclusão implica na reformulação de políticas educacionais e de implementação de projetos educacionais do sentido excludente ao sentido inclusivo”. (p.11)

    Nesse sentido o estudo tem como objetivo geral investigar os conhecimentos dos professores de educação física sobre educação inclusiva no ensino fundamental. E como objetivo específico verificar aspectos limitadores para a atuação do professor de Educação Física com relação à inclusão.

Avanços

    De acordo com Silva (2004) a análise crítica e a busca dessa nova concepção apontam a necessidade de que se considere também a dimensão social, política e afetiva, tão presentes nas pessoas, as quais se interagem e se movimentam como sujeitos sociais e como cidadãos; tem-se a necessidade de reavaliar os conceitos, objetivos, perspectivas e atividades da Educação Física escolar para torná-la mais democrática e menos excludente, como não era difícil de enxergar nas situações do dia-a-dia no cotidiano escolar.

    Eu vivia nas maiores angústias pessoais: de imagem. De não ser nada, de não valer nada, de ser feio – eu era gordo. Também me lembro do professor de Educação Física. Ele entrava, aquele peito enorme, cintura fininha... O que se fazia na Educação Física não era nada. A coisa mais importante das aulas de Educação Física eram as mensurações de desempenho atlético de cada aluno: salto em altura, salto em distância, corrida de 50 metros, corrida de 200 metros, subir numa corda. Para mim era uma humilhação porque eu era gordo e mole (DIMENSTEIN; ALVES, 2003:26).

    Nesse sentido, a Inclusão em Educação abrange, de forma adequada e com alta qualidade, não só à deficiência, mas todas as formas de diferença dos alunos sejam elas culturais, étnicas, religiosas, dentre outras. Ou seja, a Inclusão em Educação recusa a segregação e traz para a escola a complexa tarefa de romper com modelos tradicionais e propor ações mais amplas que estejam de acordo com as necessidades da comunidade circundante. Para a implantação da Inclusão em Educação Física escolar, é necessário que os professores disponham de informações e sejam preparados para desenvolver esta prática inclusiva (MATISKEI, 2004).

    A Educação Física como parte integrante do currículo oferecido pela escola não pode ficar indiferente ao movimento da Inclusão em Educação. Sendo uma disciplina curricular obrigatória (BRASIL, 1996), constitui-se como um elemento estratégico e fundamental para que a escola seja mais inclusiva. Os Parâmetros Curriculares Nacionais / Educação Física (BRASIL, 1998) corroboram com esse princípio:

    [...] a inclusão do aluno é o eixo fundamental que norteia a concepção e a ação pedagógica da Educação Física Escolar [...] seja na sistematização de conteúdos e objetivos, seja no processo de ensino e aprendizagem, para evitar a exclusão ou alienação na relação com a cultura corporal de movimento. (p.30)

    Assim sendo temos consciência que aprender a viver com os outros será, sem dúvida, um dos maiores desafios da Educação do século XXI (DELORS et al,1996). E pode ser considerada tarefa da educação e, conseqüentemente, da Educação Física:

    [...] ensinar a conviver. A vida é convivência com uma fantástica variedade de seres, humanos, velhos, adultos, crianças, das mais variadas raças, das mais variadas culturas, das mais variadas línguas, animais, plantas, estrelas... Conviver é viver bem em meio a essa diversidade. E parte dessa diversidade são as pessoas portadoras de alguma deficiência ou diferença. Elas fazem parte do nosso mundo. Elas têm direito de estar aqui. (ALVES, 2003:14)

    A Educação Física na maioria das vezes é conduzida de forma excludente e competitiva, no entanto deveria estar voltada ao pedagógico, às novas concepções de educação, ao desenvolvimento humano, às aprendizagens significativas das relações sociais, à capacidade criadora e à afetividade.

Desafios

    A disciplina Educação Física se dá, na maioria das vezes, num ambiente lúdico, de descontração e de interação entre as pessoas. Estas características muitas vezes levam ao questionamento de seu valor e a uma má interpretação de que esta é uma área isolada que se preocupa apenas com a prática desportiva ou recreativa. Essa interpretação da disciplina Educação Física escolar enquanto atividade desenvolvida na escola e não enquanto área de conhecimento é um dos grandes desafios que já começaram a ser modificados conceitualmente, mas ainda não foram efetivamente incorporados no chão da escola.

    Outro desafio que precisa ser travado pela formação de professores de Educação Física (inicial e continuada) é o entendimento equivocado dos conceitos de Inclusão, Educação Especial como abordamos no tema Inclusão em Educação Física escolar e voltaremos a discutir na análise dos dados do estudo.

    Também consideramos de suma importância a compreensão de inclusão como processo, que não se constitui um fenômeno hegemônico, pois, ele é sempre relativo e busca adequar-se ao contexto onde é percebido. Pode-se dizer que cada país, cada localidade, cada contexto, possui seu próprio ritmo de caminhada em direção a tornar suas instituições sociais mais inclusivas ou não.

    E nesse processo inclusivo que Booth & Ainscow (2002) e Santos (2003) enfatizam a articulação de três dimensões: criação de culturas inclusivas, o desenvolvimento de políticas inclusivas e a orquestração de práticas de inclusão podem garantir a entrada e a permanência de todos dentro da instituição escolar.

    É necessário comentar que tais dimensões não necessariamente tenham que acontecer nesta ordem, mas em várias ocasiões criando uma cultura inclusiva que receba bem a todos, sem discriminações e onde todos façam parte do processo que resulta na formulação de políticas que criem condições para garantir apoio a uma prática adequada que estará assegurada pelas duas dimensões supracitadas (SILVA, 2006).

Apresentação do campo, instrumentos e sujeitos do estudo e análise dos dados

    Foi realizado um estudo empírico, de caráter descritivo. Do ponto de vista da forma de abordagem do problema, ele se classifica como pesquisa qualitativa, uma vez que foi definida a análise interpretativa dos dados (TRIVINOS, 1993). Os sujeitos que constituíram a amostra foram 15 professores de educação física escolar que atuam no ensino fundamental na cidade do Rio de Janeiro, sendo que 09 são do sexo feminino (60%) com idade de 25 a 43 anos com uma média etária de 31 anos e 06 professores do sexo masculino (40%) com idade entre 24 a 40 anos e média etária de 34,1 anos.

    Os professores acima pesquisados apresentam tempo de formação inicial de 2 a 25 anos de formados, o que significa que receberam em sua formação inicial as mais diferentes correntes pedagógicas e provavelmente seus currículos foram sendo alterados ao longo do tempo de acordo com as necessidades da disciplina e com as reformulações dos cursos de formação, o que provavelmente pode resultar em práticas diferenciadas. A média de tempo de formação dos professores pesquisados (soma da quantidade de tempo de formado de todos os pesquisados dividido pelo número de professores pesquisados) é de 09 anos.

    Os respondentes da pesquisa trabalham nas redes pública, particular e pública/ particular simultaneamente. Sendo que se apresentam da seguinte forma: 06 professores (40%) atuam na somente na rede pública de ensino, 05 professores (33%) atuam somente na rede particular de ensino e 04 professores (27%) atuam simultaneamente nas redes pública e particular de ensino.

    Os conhecimentos adquiridos ao longo da sua formação profissional, sendo ela inicial ou continuada com ênfase na formação pedagógica ou uma formação técnica, são uns dos principais fatores que determinam e modificam as práticas inclusivas/excludentes do professor. Os professores supracitados apresentam a seguinte formação acadêmica: 06 professores (40%) possuem somente a graduação enquanto formação acadêmica, 07 professores (46,6%) possuem especialização e 02 professores (13,4%) são mestres na sua área específica de atuação.

    Os sujeitos da pesquisa atuam nas redes públicas, privadas e pública/privadas a de 1 a 3 anos – 03 professores (20%) de 4 a 7 anos - 5 professores (33%) e há mais de 8 anos – 9 professores (47%). Quando perguntados se possuíam conhecimentos a respeito da Inclusão em Educação articulada a Educação Física escolar 13 professores (86,7%) responderam que sim e receberam essas informações da seguinte maneira: 01 professor (6,6%) afirmou que recebeu essas informações durante sua formação inicial em nível de graduação, 01 professor (6,6%) também afirmou que recebeu esses conhecimentos em um curso de extensão, 02 professores (13,3%) receberam as informações no curso de especialização, 06 professores (40,4%) disseram conheceram o assunto através de leituras livres, 03 professores sucessivamente tomaram conhecimento do assunto através da articulação entre graduação/leituras livres (6,6%), graduação/ especialização (6,6%) e especialização/leituras livres (6,6%).

    Apenas 02 professores (13,3%) não receberam informações a respeito de Inclusão em Educação no âmbito da Educação Física escolar e isso pode ter ocorrido como conseqüência dos currículos da formação acadêmica já citada, oferecida pelas instituições de ensino. Esse quadro mostra que o tema Inclusão em Educação já chegou efetivamente nas práticas pedagógicas cotidianas, mas isso não significa que ele esteja sendo colocado em prática, uma vez que, ter conhecimentos a respeito da Educação Inclusiva não é sinônimo de uma prática verdadeiramente includente.

    Quando questionados a respeito do entendimento sobre Inclusão em Educação uma grande parte dos pesquisados teve suas respostas atreladas a uma visão unicamente focada na Educação Especial, como por exemplo:

[...] Integrar alunos especiais com alunos ditos “normais”

[...] Aulas para pessoas com deficiência.

[...] Educação física para pessoas que portam alguma deficiência.

    Outro grupo teve suas respostas vinculadas ao conceito de integração, entendendo equivocadamente que se seus alunos possuírem algum tipo de diferença e apenas dividirem o mesmo espaço com os outros alunos da turma ele já estariam incluídos no processo, e isso não é verdade.

[...] Aquela que coloca os deficientes sejam físicos, mentais ou sensoriais na mesma turma que as pessoas sem deficiência.

[...] Aquela que integra na escola regular pessoas portadoras de necessidades especiais e os ditos normais.

[...] Aulas que integrem todas as pessoas, independente de suas limitações físicas ou mentais.

[...] É quando no mesmo meio escolar estão pessoas normais e pessoas com deficiência

    Podemos perceber que a Inclusão em Educação Física como processo vem caminhando mesmo no campo conceitual, pois, a amostra pesquisada nos traz sujeitos que confundem o conceito de Inclusão em Educação com Educação Especial, outros que confundem Inclusão e Integração, mas também mostra sujeitos que entendem a inclusão como um processo multifacetado que acontece de diferentes formas sendo os alunos deficientes ou não:

[...] Entendo a educação como um direito de todos, assim todos, independente de suas dificuldades motoras, sensoriais ou cognitivas devem participar das aulas igualmente. Cada um dentro das suas possibilidades.

[...] Sem a discriminação, de sexo, idade, física, desenvolvimento e habilidades motoras. Onde todos possam participar de forma “igualitária” e solidária.

[...] Aulas que incluam todas as pessoas, os mais fracos, os mais fortes, os gordinhos, os magrinhos, os deficientes... Todos.

[...] A educação inclusiva abrange de forma adequada e com alta qualidade, não só a deficiência, mas todas as formas de diferença dos alunos.

    No entanto, quando perguntados se acreditavam ter conhecimentos suficientes para trabalhar com inclusão na Educação Física, 08 professores (53%) responderam que não e 07 professores (47%) responderam que sim, o que se justifica de acordo com o entendimento deles a respeito do conceito de Inclusão em Educação.

    Quando pedimos para que os respondentes apontassem o que dificulta a atuação do professor de Educação Física na Inclusão em Educação, alguns fatores são evidenciados, sendo eles: a falta de espaço físico adequado e de equipamentos para as aulas, preconceito, e principalmente a falta de formação dos mesmos. Muitos alegam que na sua graduação não receberam formação para trabalharem com esse público.

[...] Falta de materiais adequados para trabalhar na escola, formação deficitária na faculdade...

[...] Falta de conhecimentos na área, poucos cursos e quando falam da inclusão, detalham pouco para a educação física e muitos alunos na turma.

[...] Formação específica dos professores para lidar adequadamente com casos especiais e preparação das instalações escolares para atender às necessidades de alunos portadores de necessidades especiais.

[...] Acho que o preconceito atrapalha. A formação também é falha, não dá conhecimentos e discussões sobre isso.

[...] Acho que na graduação não temos muitas informações sobre deficiências, as necessidades individuais de cada um, suas particularidades, ensinam mais a trabalhar como se os alunos tivessem vindo da mesma forma.

[...] A formação que normalmente temos na graduação não é suficiente, pois aborda a inclusão como se fosse somente relacionada à educação especial. Os professores se deparam com a realidade e tem que estudar por leituras livres para tentar se preparar para trabalhar com a diferença.

[...] Preconceito é grande, tanto dos pais, dos alunos e também dos professores. Muitos professores não querem trabalhar com esse publico. Na minha graduação esse assunto nem era tocado, isso dificulta também a maneira de agir.

    Quando perguntamos aos respondentes se as aulas de educação física poderiam auxiliar no processo da inclusão na sociedade, apenas um respondente afirmou categoricamente que não, todos os outros 14 pesquisados acreditam que a relação aluno-professor na mediação do processo de ensino aprendizagem nas aulas de Educação Física podem ser trabalhadas em prol de TODOS, como rege a Inclusão em Educação.

[...] Claro, em todos os aspectos de inclusão

[...] Sim. As aulas de Educação Física possibilitam que os alunos experimentem situações onde suas diferenças, particularidades e limitações são testadas e discutidas em grupo, promovendo-se um maior entendimento, aceitação e inclusão de todos como grupo, time e sociedade.

[...] Claro. A escola tem bastante influencia na formação dos cidadãos que formam a sociedade.

[...] Sem duvida que sim! Aprender a conviver com as diferenças

Considerações finais

    A partir da pesquisa realizada pudemos concluir que os professores do ensino fundamental que compuseram esta amostra apresentam uma concepção equivocada de Inclusão em Educação, uma vez que, eles entendem Inclusão como sinônimo de Educação Especial. Além disso, nos seus discursos a integração do aluno é compreendida como inclusão do mesmo. No entanto, integrar significa apenas pertencer ao mesmo espaço, enquanto incluir é um processo dialético e multifacetado (SAWAIA, 1999), que vai desde sentir-se incluído ou excluído do processo ensino aprendizagem, que contribuem para o desenvolvimento pleno de todas as potencialidades do aluno, e que de acordo com os PCN’s (BRASIL, 1998) é um dos objetivos da disciplina Educação Física Escolar.

    Outro ponto que merece ser destacado é o reconhecimento por parte dos professores de suas impossibilidades de trabalhar com inclusão nas suas aulas de Educação Física por causa da ausência de disciplinas que abordassem a temática Inclusão em Educação nas grades curriculares das suas formações iniciais.

    Com base nas informações obtidas nesta pesquisa, gostaríamos de ressaltar a atitude dos profissionais pesquisados em se atualizar buscando leituras livres, cursos de especializações e mestrados em prol de uma melhor atuação profissional. Isto ocorreu devido à constatação da mudança do público que a escola atendia, uma vez que esses profissionais foram formados para atender turmas homogêneas com rendimentos padronizados, o que não vem acontecendo na atualidade.

    Hoje a diversidade está presente nas salas de aula em termos culturais, sociais, econômicos e, no caso específico da disciplina Educação Física, também se manifesta numa variação imensa de possibilidades e capacidades fisico-corporais, que podem ser utilizadas em prol da Inclusão em Educação dependendo da maneira com que o professor trabalha esta diversidade.

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