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Comportamento da frequência cardíaca durante uma sessão de surfe Comportamiento de la frecuencia cardiaca durante una sesión de surf Behavior of the heart rate during a surfing session |
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*Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS **Universidade Federal do Rio Grande – FURG (Brasil) |
Guilherme Bauer Garcia* César Augusto Otero Vaghetti** Leonardo Peyré-Tartaruga* |
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Resumo O objetivo do estudo foi determinar o comportamento da frequência cardíaca durante uma sessão de surfe. Fizeram parte da amostra sete homens com respectivas médias de massa corporal, estatura, idade e tempo de prática de 77,57 ± 3,21 (kg), 176,3 ± 8,14 (cm), 24,71 ± 4,82 (anos) e 9,86 ± 3,02 (anos). A frequência cardíaca foi monitorada com a utilização de um frequencímetro marca Polar, modelo S610i em intervalos de cinco segundos durante uma sessão de vinte minutos de surfe, realizada na Praia do Rosa – Imbituba (SC), filmada com uma câmera de vídeo marca JVC, modelo GR-SXM289UB. A frequência cardíaca média da sessão foi 143,94 ± 13,18 (bpm), e as médias da frequência cardíaca durante as fases de movimento onda, parado, remando e outros movimentos foram, respectivamente de 157,10 ± 14,81, 127,58 ± 8,86, 151,93 ± 10,73 e 141,08 ± 18,34 (bpm). A média da frequência cardíaca da sessão correspondeu a 78,91% da frequência cardíaca máxima dos participantes. A intensidade de uma sessão de surfe pode ser considerada moderada e a fase onda do padrão de movimento possui a média de frequência cardíaca mais elevada. Unitermos: Surfistas. Frequência cardíaca. Exercício intermitente
Abstract The purpose of this study was to determine the behavior of the heart rate during a recreational surfing session. Seven male surfers participated in this study with respective average corporal mass, stature, age and time of practice of 77,57 ± 3,21 (kg), 176,3 ± 8,14 (cm), 24,71 ± 4,82 (years) and 9,86 ± 3,02 (years). Heart rate data were recorded using a heart monitor (Polar, model S610i), at five seconds intervals during a recreational surfing session (20 minutes) at Rosa’s beach (Imbituba-Brazil), filmed with a video camera (JVC, model GR-SXM289UB). The average heart rate of the session was 143.94 ± 13.18 (bpm), and average heart rate during the motion’s phase wave, stationary, paddling and other movements were, respectively 157.10 ± 14.81(bpm), 127,58 ± 8.86 (bpm), 151.93 ± 10.73 (bpm) and 141.08 ± 18.34 (bpm). The average heart rate of the session was 78.91% of maximum heart rate of participants. The intensity of a session of surfing can be considered moderate and phase of the wave pattern of motion in the surf is the average heart rate higher. Keywords: Surfers. Heart rate. Intermittent exercise |
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http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 138 - Noviembre de 2009 |
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Introdução
As modalidades esportivas que exigem esforços variados em intensidade, duração e recuperação ativa ou passiva podem ser classificadas como exercícios intermitentes. Dentro dessa característica, é bastante comum que o praticante realize esforços supramáximos de pequenas durações com subsequente tempo para recuperação, durante o qual são realizadas atividades de pequena intensidade ou repouso (Franchini et al., 2003; Krustup et al., 2004).
O surfe é um esporte com uma característica intermitente bem evidente; associada a isso se tem a necessidade de uma base fisiológica suficiente para permitir que o surfista realize as manobras com velocidade e força exigida pela atividade durante a onda, em uma situação que requer alto nível de equilíbrio e coordenação, a fim de evitar os efeitos deletérios da fadiga no desempenho. Obter uma boa leitura da onda, subir na prancha e praticar com controle as manobras requer não somente alto grau de controle motor fino como também ação muscular isométrica de pernas e tronco (Mendez-Villanueva e Bishop, 2005).
O padrão de movimento no surfe pode ser dividido em dois momentos distintos: a remada e as manobras realizadas na onda. A primeira consiste em braçadas idênticas ao nado crawl, porém o praticante está em uma posição de hiper-extensão cervical e lombar, na qual movimenta os membros superiores em intensidades variadas, de acordo com as condições oceanográficas; já as manobras consistem em movimentos realizados com os membros inferiores, os quais exigem do praticante equilíbrio e resistência anaeróbia (Lowdon e Lowdon, 1998).
O conhecimento da intensidade de esforço que a atividade exige, nas diferentes fases de uma sessão de surfe (SS), pode contribuir indiretamente para compreender o dispêndio energético desse tipo de exercício intermitente, fundamental tanto para a organização das cargas de treinamento e para o esporte competição, quanto para o ensino da modalidade em nível recreacional.
Alguns pesquisadores como Brasil et al. (2001) e Vaghetti et al. (2007) relatam sobre o reduzido número de trabalhos científicos envolvendo o esporte. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi verificar e analisar o comportamento da frequência cardíaca (FC) durante uma SS.
Método
A amostra utilizada na pesquisa foi de sete praticantes de surfe do sexo masculino, selecionada intencionalmente, para a qual o pesquisador delibera certos elementos que farão parte da amostra. Os sujeitos assinaram termo de consentimento colocando-se disponíveis como voluntários para participação no estudo.
Foram utilizados como instrumentos de medida um frequencímetro marca POLAR, modelo S610i, que permite armazenar os dados em tempo pré-determinado para posterior verificação, uma câmera de vídeo marca JVC, modelo GR-SXM289UB e planilhas para anotações.
Os procedimentos metodológicos utilizados no presente estudo basearam-se primeiramente na determinação e descrição do padrão de movimento realizado pelos praticantes de surfe, também citado por alguns pesquisadores (Brasil et al., 2001; Meir et al., 1991; Mendez-Villanueva et al., 2006). A SS foi dividida em quatro fases distintas: remada (braçadas em decúbito ventral sobre a prancha para chegar à área marítima além da zona de arrebentação das ondas, também conhecida como outside, braçadas para procurar as ondas e entrar nas ondas); onda (momento em que o sujeito entra na onda e realiza os movimentos ou manobras, sendo considerado o tempo em que as solas dos pés entram em contato com a superfície da prancha até o momento em que o contato com a prancha é perdido); parado (quando os sujeitos se mantiveram sentados ou deitados na prancha assim como leves braçadas ou deslocamentos para manutenção do posicionamento) e outros movimentos (situações não enquadradas nas categorias citadas, como perda de contato com a prancha até a recuperação da mesma, a transposição de uma onda por baixo da água, mergulhos e outros).
A coleta dos dados foi realizada na Praia do Rosa, município de Imbituba (SC – Brasil). Cada sujeito da pesquisa realizou uma SS, com duração de 20 minutos, utilizando o frequencímetro, com intervalos de gravação a cada cinco segundos. A divisão ocorreu com intuito de avaliar o comportamento da FC não somente na sessão completa, mas também dentro do padrão de movimento. Dessa forma o vídeo e a tabela de FC foram interpostos para que fosse possível verificar a variação da FC em cada fase do padrão de movimento e no tempo total da sessão. Além disso, foi avaliado também o tempo dentro de fase do padrão de movimento. Para analisar os resultados foi adotado o método da observação direta pela facilidade de verificar a duração da atividade, a intensidade da sessão e a frequência dos movimentos durante tempo pré-determinado, segundo Bailey et al., (1995).
Para um melhor controle de variáveis intervenientes, a coleta dos dados foi realizada em três dias, quando as condições climáticas e oceanográficas, como temperatura da água, nebulosidade, altura, direção e formação da ondulação (ondas) apresentaram semelhanças. A frequência cardíaca máxima foi estimada através da equação FCmáxima = 208 – (0,7 x idade), proposta por Tanaka et al. (2001). Foi utilizada uma estatística descritiva para apresentação dos resultados encontrados.
Resultados
A amostra teve as seguintes características, conforme pode ser visto na Tabela 1.
Tabela 1. Caracterização da amostra
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Massa corporal (kg) |
Estatura (cm) |
Idade (anos) |
Tempo de prática (anos) |
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Media |
77,57 |
176,3 |
24,71 |
9,86 |
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DP (±) |
3,21 |
8,14 |
4,82 |
3,02 |
Na Tabela 2 podem ser vistas as condições climáticas e oceanográficas durante os três dias da coleta de dados.
Tabela 2. Condições climáticas e oceanográficas nos três dias de coleta de dados
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Primeiro dia |
Segundo dia |
Terceiro dia |
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Altura ondulação |
0,5 a 1,0 (m) |
0,5 (m) |
0,5 (m) |
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Direção ondulação |
Nordeste |
Norte-nordeste |
Nordeste |
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Formação ondulação |
Regular |
Regular-boa |
Regular |
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Nebulosidade |
Sol |
Parcialmente nublado |
Sol |
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Temperatura água |
20°C |
22°C |
20°C |
Na Tabela 3 podem ser vistos a média e o desvio padrão da FC (bpm) e da porcentagem do tempo de duração para cada fase do padrão de movimento.
Tabela 3: Média e desvio padrão da FC (bpm) e da porcentagem do tempo de duração para cada fase do padrão de movimento
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Remada |
Onda |
Parado |
Outros movimentos |
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FC (bpm) |
Tempo (%) |
FC (bpm) |
Tempo (%) |
FC (bpm) |
Tempo (%) |
FC (bpm) |
Tempo (%) |
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Média |
151,9 |
45,3 |
157,1 |
7,6 |
127,3 |
33,6 |
141,1 |
13,4 |
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DP (±) |
10,7 |
6,4 |
14,8 |
3,8 |
8,9 |
8,9 |
18,3 |
9,1 |
Foi encontrada uma FC média durante toda a SS de 143,94 ± 13,18 (bpm), que corresponde a 75,5% da FC máxima. Em relação à FC, em cada fase é possível perceber que os maiores valores da FC, de 157,1 e 151,9 (bpm), foram encontrados respectivamente nas fases onda e remada, sugerindo um custo energético moderado nas fases do padrão de movimento estudado. Entretanto, com relação às porcentagens de tempo gasto em cada fase de movimento em relação ao tempo total, percebe-se que na fase onda os sujeitos permaneceram apenas 7,6% do tempo total se comparados aos 45,3% do tempo na fase remada.
Discussão
As alterações da função cardiovascular na atividade física ocorrem por diversos fatores (Alonso et al., 1998). A demanda metabólica da musculatura ativa durante a atividade física rege, em grande parcela, o comportamento da FC. Além disso, ocorre a regulação autonômica da FC em diferentes estágios do exercício. A inibição do tônus vagal, parassimpático poderia explicar o aumento inicial da FC durante a atividade, ocorrendo justamente o contrário com o sistema simpático, que aumenta concomitantemente ao aumento da intensidade e duração do exercício (Almeida et al., 2003; Mcardle et al., 2003; Wilmore e Costill, 2001; Foss e Keteyian, 2000).
A FC média para toda a SS encontrada, de 143,94 ± 13,18 (bpm), corresponde a 75,5% da FC máxima, segundo Tanaka et al. (2001), com a qual se pode classificar o surfe como um exercício que apresenta uma intensidade média moderada, segundo Heyward e Stolarczyk (2000), classificando a intensidade do exercício físico com base na porcentagem da FC máxima. Porém, durante a fase onda, que caracteriza o principal momento da atividade, a intensidade é vigorosa. Os valores encontrados neste estudo também corroboram os encontrados por Brasil et al. (2001); assim, o surfe enquadra-se como uma atividade de características essencialmente intermitentes, com elevações acentuadas da intensidade, conforme fica claro nas elevações da FC e nos períodos variados de recuperação desses esforços.
O comportamento diversificado da FC também pode estar relacionado às variações das posições adotadas pelo praticante de surfe, sentado na prancha e deitado, em decúbito ventral. Algumas pesquisas, como a de Castillo (1994), indicam diferenças entre a posição ortostática e outras posições, corroborando os resultados encontrados para os maiores valores de FC na posição de pé, na fase de movimento onda. Ao mesmo tempo, segundo Peyré-Tartaruga e Kruel (2006), existem os efeitos da regulação autônoma existente, menor estimulação da atividade simpática, pressão hidrostática, ativação barro reflexa, e facilitação do retorno venoso, durante os exercícios praticados na água. Desta forma, os menores valores da FC na fase de movimento parado, quando normalmente o surfista se encontra sentado sobre a prancha, podem estar relacionados com a menor intensidade de esforço e com os efeitos da água, supracitados, sob a musculatura dos membros inferiores imersos, corroborando a afirmação de McArdle et al. (2003) sobre a influência da temperatura da água.
Resultados similares de FC média também são encontrados em estudos realizados sem o tempo pré-determinado; porém, mostra a FC média mais elevada para a fase de movimento remada, segundo Meir et al. (1991), o que pode ser explicado pela importância de um retorno rápido para o outside durante uma sessão competitiva, conforme a pesquisa de Mendez-Villanueva et al. (2006), pois é nesse local que o praticante ou atleta poderá pegar as melhores ondas com mais facilidade e segurança. É importante ressaltar que tanto a entrada de uma onda grande quanto a possibilidade de afogamento podem modificar sensivelmente o padrão de movimento, em especial na fase remada, tanto na velocidade quanto na distância a ser percorrida, independente de se tratar de uma sessão recreacional ou competitiva.
As condições oceanográficas, segundo Vaghetti et al. (2007), Meir et al. (1991) e Lowdon et al. (1989), exercem influência direta sobre as capacidades físicas e sobre os sistemas de fornecimento de energia. Hutt et al. (2001) relatam que algumas praias formam ondas longas devido à morfodinâmica costeira, que possibilitam um maior tempo na fase onda, exigindo do praticante uma aptidão física mais elevada. A fase remada também é afetada, pois se a onda é longa, consequentemente a volta para o outside também vai ser longa e demorada, exigindo uma excelente resistência muscular nos membros superiores. A diferença entre o surfe recreacional e competitivo também é outro fator que influencia a velocidade na fase remada. Em um torneio, o atleta deve voltar remando ao outside o mais rápido possível após surfar uma onda, pois deseja surfar em outra em um intervalo de tempo pré-estabelecido. Dessa forma a FC vai sofrer um acréscimo em função do aumento na velocidade de remada. Um outro fenômeno intimamente relacionado com a remada é a altura das ondulações, diretamente proporcional à sua velocidade (Testen, 1996). Portanto, para entrar em uma onda, um praticante de surfe deve remar com velocidade igual ou superior a ela. Com base nisso, o presente estudo procurou realizar a coleta de dados em condições oceanográficas semelhantes, pois segundo Meir et al. (1991), as variáveis em questão podem interferir de maneira significativa na intensidade da SS e, consequentemente, promover alterações na FC.
A fase mais importante no padrão de movimento do surfe é o momento em que o praticante realiza as manobras na posição de pé. Nela o praticante realiza manobras com força e velocidade, tentando manter o equilíbrio na prancha durante o tempo em que está deslizando na onda. Os resultados encontrados neste estudo indicam que o praticante utiliza apenas 7,6% do tempo total de duração da SS para realizar tais movimentos; logo, é na fase das manobras que existe a maior demanda metabólica em função dos valores de FC mais elevados. Segundo Mendez-Villanueva et al. (2005), uma das razões para um aumento significativo na FC é o exercício físico não aeróbio realizado pelos membros inferiores. O que significa um contraste com a fase remada, realizada pelos membros superiores, que ocupa 45% do tempo e representa o segundo valor mais elevado para a FC. Resultados similares são encontrados na literatura (Brasil et al., 2001; Meir et al., 1991) com a remada, representando o maior percentual de tempo durante o surfe, e com valores elevados de FC, considerando, assim, o bom condicionamento aeróbico um fator importante para a prática do esporte (Mendez-Villanueva et al., 2005; Meir et al., 1991; Lowdon et al., 1989). A importância de estar bem condicionado para a fase de movimento onda é imprescindível, pois é o principal momento dessa modalidade e também onde ocorre uma maior exigência fisiológica. Ao mesmo tempo, Brasil et al. (2001) e Meir et al. (1991) afirmam que a remada é um movimento fundamental para que se obtenha êxito nas movimentações dentro da água, além de ser a fase de movimento que os praticantes realizam durante a maior parte do tempo.
O consumo máximo de oxigênio (VO2 máximo) em praticantes de surfe, padrão ouro nas medidas de aptidão física, é descrito por diversos pesquisadores. Meir et al. (1991) relatam valores de 54,43 (Kg/L/min-1) para surfistas recreacionais enquanto Mendez-Villanueva e Bishop (2005) apresentam valores de 50 (Kg/L/min-1) para atletas profissionais e 47,93 (Kg/L/min-1) para amadores. Outros pesquisadores como Lowdon e Pateman (1980) e Corrêa (1994) apresentam valores mais elevados para atletas profissionais, respectivamente 70 (Kg/L/min-1) e 68 (Kg/L/min-1) para homens e 62 (Kg/L/min-1) para mulheres. A diferença entre os valores pode estar relacionada aos protocolos e instrumentos de medida utilizados, tais como ciclo ergômetro de braço e perna, esteira e protocolo de pista. Destaca-se ainda a ausência de protocolos específicos para mensurar as diferentes capacidades físicas em praticantes e atletas do surfe.
Assim, o treinamento intermitente de alta intensidade poderia contribuir para o desempenho no surfe, já que acarretaria no aumento da atividade de enzimas oxidativas, contribuindo para a melhora no condicionamento aeróbico, segundo Rodas et al. (2000) e Garret et al. (2003). Concomitante a isso, uma maior e mais eficiente ressíntese de CP, creatina-fosfato, assim como o armazenamento e remoção dos íons (H+) produzidos durante as altas intensidades (Tomlin e Wenger, 2001), possibilitando a repetição de estímulos de alta intensidade subsequentes, como os movimentos de perna na fase onda, segundo Franchini et al. (2003), ou as diferentes intensidades na braçada na fase remada.
As pesquisas de Brasil et al. (2001) e Meir et al. (1991) e os resultados encontrados neste estudo indicam que a remada é utilizada na maior parte do tempo em uma SS. Portanto, a natação pode proporcionar uma excelente preparação física para praticantes do surfe. Vaghetti et al. (2004) relatam sobre os efeitos da natação em atletas amadores e profissionais do surfe, que realizaram uma preparação física específica para o esporte, baseada nas especificidades da modalidade, como treinamento intervalado e intermitente. Um aspecto importante é que a FC máxima é mais baixa nos exercícios realizados, predominantemente com os braços, segundo Mcardle et al. (2003), em comparação aos exercícios realizados com as pernas; portanto tal diferença deve ser levada em conta ao realizar a prescrição de exercícios em diferentes modalidades. Maglischo (1999) afirma que a braçada representa de 70 a 80% da propulsão na natação, logo, para a prescrição de exercícios nessa modalidade, deve-se subtrair (13bpm) da FC máxima para que os valores não sejam superestimados (Mcardle et al., 2003). Entretanto, a propulsão da remada no surfe, movimento semelhante à braçada no nado crawl, é realizada exclusivamente com os membros superiores, o que poderia sugerir valores ainda mais baixos para a FC.
Conclusão
Os resultados encontrados neste estudo sugerem que a intensidade do exercício, no surfe, dentro de um intervalo de tempo pré-determinado é moderada. Durante a fase de movimento onda, a FC teve maiores valores, sugerindo, assim, a maior intensidade do exercício. Na maior parte do tempo da sessão, o sujeito permanece na fase de movimento remada e parado, o que caracteriza o surfe como uma atividade intermitente com estímulos curtos e de moderada intensidade, seguido por recuperações de variados intervalos de tempo.
Sugere-se que o condicionamento físico possa ser aprimorado a partir de uma melhoria no sistema cardiovascular e resistência aeróbia de membros superiores, para a remada, e um trabalho de potência ou força para os membros inferiores, essencial para as manobras do surfe. De acordo com os princípios científicos do treinamento, exercícios realizados de forma intermitente podem contribuir para elevar a aptidão física dos praticantes de surfe, tanto em nível recreacional quanto competitivo.
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revista
digital · Año 14 · N° 138 | Buenos Aires,
Noviembre de 2009 |
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