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Relação entre a participação em equipes esportivas, o padrão

de atividade sedentária e aptidão física em escolares 

de uma região de baixo nível sócio-econômico

Relación entre la participación en equipos deportivos, el padrón de actividad sedentaria y 

aptitud física en escolares de una región de bajo nivel socioeconómico

 

Centro de Estudo do Laboratório de Aptidão Física

de São Caetano Do Sul – Celafiscs

Projeto Longitudinal de Crescimento e Desenvolvimento de Ilhabela

(Brasil)

Cesar Momesso | Timóteo Araujo

Rafael Ayres Romanholo | Fernanda Cruciani

Victor Matsudo

miguelmomesso@hotmail.com

 

 

 

Resumo

          Objetivo: Comparar o envolvimento em equipes esportivas, o padrão de atividade sedentária, tempo de participação na aula de educação física e a aptidão física de escolares de ambos os sexos. Métodos: Esse estudo faz parte do Projeto Longitudinal de Crescimento e Desenvolvimento de Aptidão Física de Ilhabela, sendo a amostra composta por 47 escolares 11,54 anos (± 0,75), estatura 145,65 cm (± 7,70), peso corporal 37,45 kg (± 9,17) e IMC 17,40 kg/m2 (± 3,17), destes 21 meninos e 26 meninas, púberes (Pilosidade Pubiana 2), de uma região de baixo nível socioeconômico. Para avaliar a atividade sedentária (tempo de TV e videogame), a participação em equipe esportiva e o tempo de participação em aula de educação física (EF) foi utilizado o questionário adaptado “Youth Risk Behavior Surveillance System” (YRBSS). Foram mensuradas as variáveis de aptidão física: preensão manual (força de membros superiores - kg), impulsão vertical sem auxílio dos braços (força membros inferiores - cm) e corrida 50 metros (velocidade – seg.), a maturação sexual foi avaliada por meio da auto avaliação. Análise estatística: Teste “t” Student para amostras independentes foi utilizado para comparar os grupos e as diferenças entre os sexos. Resultados: Os escolares foram divididos em 2 grupos: participaram de equipe esportiva e não participaram de equipes esportivas. Não foi observada diferença significativa entre em nenhuma das variáveis analisadas. Conclusão: Ter participado de equipes esportivas no último ano não teve influência na aptidão física, no tempo de aula de educação física nem no tempo de TV e videogame (atividades sedentárias) dos escolares.

          Unitermos: Escolares. Esporte. Comportamento sedentário

 

Abstract

          Objective: To assess the relationship between involvement in sports teams, the pattern of sedentary activity, length of participation in school physical education and physical fitness of students of both sexes. Methods: This study is part of the Project of Longitudinal Growth and Development of Physical Fitness of Ilhabela. Were part of 47 school sample 11.54 (± 0.75 years), height 145.65 (± 7.70 cm), weight 37.45 (± 9.17 kg) and BMI 17.40 (± 3, 17kg/m2), with 21 boys and 26 girls, pubertal (pubic Pilosidade 2), a region of low socioeconomic level. To assess the activity sedentary time (TV and video) and participation in team sports and time of participation in physical education class (EF) was used questionnaire adapted "Youth Risk Behavior Surveillance System (YRBSS). We measured the variables of physical fitness: the manual (strength of upper limbs - kg), vertical impulse without aid of arms (lower limb strength - cm) and run 50 meters (speed - sec.), Sexual maturation was assessed by of self evaluation Statistical analysis: Testing "t" Student for independent samples was used to compare groups and differences between the sexes. Results: The school boys and girls were divided into 2 groups: 1 and part 2 did not participate in sports teams, showed no significant difference in any of the variables. Conclusion: Having participated in sports teams last year had no influence on physical fitness in time for physical education class or in the time of TV and video (sedentary activities) of the school.

          Keywords: School. Sports. Sedentário behavior

 
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 14 - Nº 135 - Agosto de 2009

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Introdução

    A atividade física ganhou mais reconhecimento nos dias de hoje pelos efeitos benéficos que vem apresentando na prevenção de doenças crônicas não transmissiveis, assim como demonstrado em alguns estudos com adultos (1, 2)

    Para crianças e adolescentes, estudos demonstram os benefícios da atividade física em relação a saúde (3-5), e essas evidências tem como base a recomendação de atividade física para crianças e adolescentes, que preconiza o envolvimento de 300 minutos de atividade física de intesidade moderada a vigorosa por semana(6).

    Estudos vem mostrando que com o aumento da idade, o envolvimento com atividade física vai diminuindo (7). No Brasil (8), por meio de questionários respondidos pelos pais de crianças de 4,89 ± 0,84 anos classificou-se que 65% das crianças eram pouco ativas, por realizarem menos de uma hora por dia de atividades ao ar-livre. Arruda e Lopes (9) em estudo com 1024 adolescentes masculinos com idade entre 10 e 17 anos de Santa Catarina, encontraram que 30% dos escolares eram classificados como insuficientemente ativos. Em estudo realizado por Jenovesi et al (10) com 1434 escolares de ambos os gêneros de São Paulo com idade média de 7 anos que participaram do Projeto RRAMM (Redução de Risco de Adoecer e Morrer na Maturidade), verificaram que no intervalo de um ano houve aumento do número de escolares fisicamente ativos de 29% para 34%.

    Com essas referências na literatura, torna-se claro a importancia de incentivar a pratica de atividade física e esportiva. Identificar esses padrões de atividade física, e de atividades sedentárias se faz necessário para podermos adequar ações de intervenção para promoção de atividade física nos escolares. Momesso et al 2009 propuseram questionário (YRBS adaptado) com a finalidade de analisar o nivel de atividade física, participação nas aulas de educação física, envolvimento com equipes esportivas e padrão de atividades sedentárias, com o qual podemos analisar e compreender o fenomeno em questão.

    Estudos verificaram a relação entre a aptidão física e comportamento sedentário em criança e adolescentes(11, 12), sendo encontrada relação negativa entre a aptidão física e o tempo gasto assistindo TV.

    Uma forma de promoção da atividade física nos escolares seria o envolvimento com atividades esportivas.

    Com isso o objetivo do presente estudo foi analisar a diferença no nível de atividade física, participação na aula de educação física e o padrão de atividades sedentárias entre escolares que participavam e não participavam de equipes esportivas.

Amostra e métodos

    Este estudo fez parte do Projeto Longitudinal de Crescimento e Desenvolvimento de Ilhabela, desenvolvido pelo Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul, que desde 1978, vem estudando o desenvolvimento, crescimento, atividade e aptidão física nos escolares de uma região de baixo nível sócio econômico (13).

    Os critérios de inclusão foram: ter participado da avaliação do Projeto Longitudinal de Ilhabela, realizado os testes neuromotores, as medidas antropométricas, estágio maturacional de pilosidade pubiana 2, e respondido o questionário YRBS.

    A amostra foi composta por 47 escolares (21 meninos e 26 meninas), com idade média de 11,54 anos (± 0,75) estatura 145,65 cm (± 7,70) peso corporal 37,45 kg (± 9,17) e IMC 17,40 kg/m² (± 3,17). Todos escolares da amostra foram classificados como púberes de acordo com a auto-avaliação da pilosidade pubiana, proposto por Matsudo S. (14) fazendo uso das pranchas de Tanner,.

    Os testes neuromotores realizados foram: de velocidade (seg), agilidade (seg), força de membros inferiores (cm), força de mebros superiores (kg), flexibilidade (cm) e as medidas antropométricas de peso (kg), altura (cm), dobras cutâneas (mm) e diâmetro ósseo (cm), segundo padronização CELAFISCS.

    Pelo questionário YRBS, avaliou a participação em equipes esportivas, o nivel de atividade física, a participação nas aulas de Educação Física e o tempo de assistindo televisão em um dia da semana.

    Para avaliar a participação em equipes esportivas, foi utilizada a questão que refere-se a participação nos últimos 12 meses em equipes esportivas. Essa questão possui quatro possibilidades de respostas: nenhum envolvimento, ou envolvimento com uma, duas ou três equipes esportivas. O aluno que respondeu nenhum envolvimento, foi classificado como não participou de equipes esportivas, e os que responderam qualquer umas das outras possibilidades foi classificado como, participaram de equipes esportivas.

    O nível de atividade física foi mensurado pela resposta das questões referentes a frequencia em participação nas atividades de intensidade moderada e vigorosa, multiplicada pelo valor expresso no enunciado, tendo adotado como critério para ser ativo, a recomendação de 300 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada e vigorosa.

    Quanto a participação nas aulas de Educação Física, questionava-se o tempo em minutos que realmente o escolar passava exercitando-se ou praticando esportes.

    O tempo assistindo televisão, foi utilizado para analisar o padrão de atividades sedentárias, sendo expresso em horas por dia.

    Para analisar os dados foi utilizado a estatistica descritiva (média e desvio-padrão) o Teste “t” de Student para amostras independentes utilizada para comparação entre os gêneros e comparação entre os grupos que participaram de equipe esportiva e ou que não participaram. Foi adotado como critério de siginficância p<0,05, cálculos foram realizados utilizando o softweare SPSS 13.0.

Resultados

    As caracteristicas antropométricas dos escolares estão apresentadas na Tabela 1. Não houve diferença significativa entre meninos e meninas, em nenhuma das váriaveis. O que nos possibilita agrupar meninos e meninas, e serem analisados como grupo único, e dividido entre os que participaram de equipes de treinamento e os que não participaram.

Tabela 1. Caracteristicas antropométricas dos escolares, dividido por gênero

  

Meninos

Meninas

Total

X

s

x

s

x

s

Idade (anos)

11,7

1,1

11,4

0,6

11,5

0,7

Peso (kg)

34,3

7,4

40,1

9,7

37,4

9,2

Altura (cm)

143,6

7,1

147,9

8,1

145,6

7,7

IMC (kg/m²)

16,5

2,5

18,2

3,3

17,4

3,2

*p<0,05

    A Tabela 2 apresenta as variaveis antropométricas entre os grupos que participaram de equipes esportivas e os que não participaram.

Tabela 2. Comparação das variaveis antropométricas entre os grupos

  

Participaram

Não Participaram

∆%

x

s

x

s

Peso (kg)

37,2

9,2

37,8

9,2

 

Altura (cm)

144,8

7,9

147,3

7,1

 

IMC (kg/m²)

17,5

3,2

17,2

3,1

 

Dobras Cutâneas (mm)

10,8

6,7

9,7

7,0

 

*p<0,05

    A Tabela 3 apresenta as variaveis neuromotoras entre os grupos que participaram de equipes esportivas e os que não participaram.

Tabela 3. Comparação das variaveis neuromotoras entre os grupos

   

Participaram

Não Participaram

∆%

x

s

x

s

Velocidade (seg)

10,0

0,9

9,8

1,2

 

Agilidade (seg)

12,6

1,0

12,8

1,1

 

Força Membros Superiores (kg)

18,8

3,6

20,9

4,4

 

Força Membros Inferiores (cm)

26,1

4,7

27,5

9,1

 

Flexibilidade (cm)

24,4

8,5

23,4

7,4

 

*p<0,05

    A Tabela 4 apresenta as variaveis comportamentais entre os grupos que participaram de equipes esportivas e os que não participaram.

Tabela 4. Comparação das variaveis comportamentais entre os grupos

  

Participaram

Não Participaram

∆%

x

s

x

s

Nivel de Atividade Física (min/sem)

171,6

131,7

165,0

102,9

 

Participação Educação Física (min)

40,7

11,2

39,5

11,7

 

Tempo de Assistindo TV (hora/dia)

2,82

1,7

3,31

1,7

 

*p<0,05

Discussão

    Em estudo realizado por Atkin(15), com 1429 escolares de 7 a 11 anos, apresentou que após a escola os escolares passavam 28% do tempo em atividades sedentárias, contra 11,8% em atividades físicas, sem contar o tempo em que faziam a tarefa de casa (13,2%), o restante do tempo englobava ações como transporte, alimentação, e convívio social (sentado falando, utilizando o telefone) e cuidados pessoais. O mesmo fenômeno de maior tempo gasto em atividades sedentárias do que atividade física também foi encontrado neste estudo, sendo mais acentuado no grupo que não participava de equipes esportivas.

    Estudos vem mostrando que o escolar brasileiro não realiza 50% (16, 17) do tempo total da aula de educação física em atividade física de intensidade moderada a vigorosa, o que poderia contribuir para não atingirem a recomendação de 300 minutos semanais(6), a não diferença no tempo de participação da aula de educação física, reforça a hipótese, que a participação em equipes esportivas não é o suficiente para se adotar um estilo de vida ativo.

    Baixos níveis de atividades físicas podem ser explicados por modificações na forma de transporte, que vem diminuindo a freqüência de transporte ativo e aumentando a freqüência de transporte sedentário (18).

    A possível explicação por não haver diferenças nas variáveis neuromotoras pode ser explicado pelos escolares se encontravam no mesmo estágio maturacional pelos pêlos púbicos.

    Como limitação do estudo devemos considerar: o fato de não ter sido controlado o tempo de pratica, duração de treinamento nem a modalidade esportiva a qual o escolar praticava. Mas os presentes resultados sugerem que o fato do escolar estar envolvido com equipes esportivas não fornece uma melhor performance neuromotora, nem modifica o comportamento em relação a atividades sedentárias, quando comparado com colegas da mesma idade. Porém os dados sugerem que escolares envolvidos em equipes esportivas tendem a ter um maior nível de atividade física.

Referências

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  2. WILLIAMS PT. Reduced Diabetic, Hypertensive, and Cholesterol Medication Use with Walking. Med Sci Sports Exerc. 2008;40(3):433-43.

  3. Hallal PC, Victora CG, Azevedo MR, Wells JCK. Adolescent Physical Activity and Health. Sports Med. 2006;36(12):1019 - 30.

  4. Andersen LB, Harro M, Sardinha LB, Froberg K, Ekelund U, Brage S, et al. Physical activity and clustered cardiovascular risk in children: a cross-sectional study (The European Youth Heart Study). Lancet. 2006;368:299–304.

  5. Andersen LB, Mechelen WV. Are children of today less active than before and is their health in danger? What can we do? Scand J Med Sci Sports. 2005;15:268 - 70.

  6. Riddoch C, Mutrie N, Parfitt G, Armstrong N, Mechelen WV, Bourdeaudhuij ID, et al. Young and active? Policy framework for young people and heal-enhancing physical activity. In: Authority HE, editor. LONDON; 1998. p. 14.

  7. Nader PR, Bradley RH, Houts RM, McRitchie SL, O’Brien M. Moderate-to-Vigorous Physical Activity From Ages 9 to 15 Years. Journal American Medical Association. 2008;300(3):295-305.

  8. Barros SSH. Padrão de pratica de atividades físicas de crianças em idade pré-escolar [Mestrado]. Santa Catarina: Universidade Federal de Santa Catarina 2005.

  9. Arruda ELMd, Lopes AdS. Gordura corporal, nível de atividade física e hábitos alimentares de adolescentes da região serrana de Santa Catarina, Brasil. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano. 2007;9(1):5 - 11.

  10. Jenovesi JF, Bracco MM, Colugnati FAB, Taddei JAdAC. Evolução no nível de atividade física de escolares observados pelo período de 1 ano Revista Brasileira de Ciencia e Movimento. 2004;12(1):19 - 24.

  11. Silva MdS, Teixeira PC, Matsudo S, Matsudo V. Relação do tempo de TV e aptidão física de escolares de uma região de baixo nível sócio-econômico. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. 2007;15(4):10.

  12. Matsudo SMM, Matsudo VKR, Andrade D, Rocha RJ. Physical Fitness and time spent watching TV in children from low socieconomic region. Medicine Science & Sports and Exercise Supplement. 1997;29:237.

  13. CELAFISCS. Isto é CELAFISCS. 2004.

  14. Matsudo SMM, Matsudo VKR. Self-Assessment and physician assessment of sexual maturation in brazilian boys and girls: Concordance and Reproducibility. American journal of human Biology. 1994;6:451 - 5.

  15. Atkin AJ, Gorely T, Biddle SJH, Marshall SJ, Cameron N. Critical Hours: Physical Activity and Sedentary Behavior of Adolescents After School. Pediatric Exercise Science. 2008;20:446-56.

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  17. Maldonado DT, Mangabeira M, Silva Ld, Oliveira LCd, Andrade DR, Matsudo VKR. Nível de atividade física durante as aulas de educação física escolar no ensino médio. In: Movimento RBdCe, editor. Anais 31º Simpósio Internacional de Ciências do Esporte; 2008; São Paulo. CELAFISCS; 2008. p. 70.

  18. Romanholo RA, Farinazzo KB, Silva MSV, Nunes W. Índice de pressão arterial e obesidade em escolares de etnias brancas e negras de 07 a 12 anos dos ensinos públicos e privados do município de Cacoal – RO. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. 2008;2(10):448 - 54.

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